Agribusiness

ALGODÃO Cotação interna atinge melhor nível desde julho de 2018

Rodrigo Ramos - [email protected]

O retorno da demanda interna num cenário de dólar valorizado e os preços internacionais em elevação vêm resultando em altas expressivas para os preços domésticos do algodão, segundo o analista de Safras Élcio Bento. Ao final da primeira quinzena de outubro, a média no Cif de São Paulo atingiu R$ 3,47/libra-peso, o maior nível desde 6 de julho/2018. No Fob Santos/SP, a fibra fechou negociada a 61,60 centavos de dólar por libra-peso no dia 15. Em relação ao contrato de maior liquidez na Ice Futures, a pluma brasileira era 11% mais acessível. “Isso mostra que, mesmo com uma alta expressiva das cotações em reais no País, a pluma segue competitiva no mercado externo”, destaca Bento. Com as indústrias têxteis voltando a operar em plena capacidade, a tendência é que as cotações no Brasil busquem um ajuste ao nível de paridade de exportação. “Com o agravamento da pandemia da Covid-19 em meados do mês de março, as fiações reduziram ou até interromperam suas operações, permanecendo assim por cerca de três meses”, lembra. “O auxílio emergencial oferecido pelo Governo, combinado com um clima mais frio, gerou um retorno da demanda, especialmente em lojas menores e no e-commerce”, enumera Bento. Esse movimento fez com que os estoques de fios fossem praticamente zerados. “Quando as indústrias têxteis retornaram ao mercado, encontraram uma realidade de preços diferente e precisaram se ajustar a ela, mesmo que com redução de suas margens.”


TRIGO Mercado acompanha preços durante colheita

Gabriel Nascimento - [email protected]

O mercado brasileiro de trigo tem preços firmes, apesar do avanço da colheita nos principais estados produtores. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, os compradores estão relativamente bem abastecidos, e os produtores, em parte capitalizados, aguardam melhores momentos para negociar. O presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/ RS), Paulo Pires, disse que os produtores gaúchos tiveram uma frustração em sua renda. Aproximadamente 950 mil toneladas, o que se aproxima de 50% da safra do estado, foram negociadas antecipadamente. Os preços, à época, chegaram a estar 40% abaixo do praticado atualmente. No Paraná, conforme o Deral/PR, até o último dia 20, a colheita atingia 84% da área, com avanço semanal de cinco pontos percentuais. Em igual período do ano passado, eram 82% colhidos. As condições das lavouras no estado vêm melhorando semana a semana. Aproximadamente 66% das plantas já estavam próximas do ponto de colheita. Segundo boletim semanal da Emater/RS, de 15 de outubro, a colheita do trigo atingia 18% da área no Rio Grande do Sul. O avanço semanal foi de 16 pontos percentuais. Em igual período do ano passado, os trabalhos chegavam a 13%. A média dos últimos cinco anos é de 16%. O desenvolvimento está em linha com a média dos últimos cinco anos.


SOJA Preços mantêm escalada, e saca supera R$ 170,00

Dylan Della Pasqua - [email protected]

A falta de soja disponível mantém as cotações em trajetória ascendente nas principais praças. Com Chicago, prêmios e dólar em patamares firmes, a saca apresentou indicações acima de R$ 170,00 em algumas regiões no final de outubro. Bem capitalizado, o produtor saiu do mercado e praticamente travou a comercialização. O foco do mercado se volta para o plantio da nova safra, que estava atrasado. As chuvas voltaram a partir de 20 de outubro, mas não foram uniformes. Houve avanço considerável em algumas praças, mas, em geral, ainda há necessidade de precipitações para regularizar a umidade. O atraso na semeadura no Brasil ajudou a sustentar as cotações futuras na Bolsa de Chicago. Em 23 de outubro, os contratos com vencimento em novembro atingiram a casa de US$ 10,85 por bushel, o maior patamar em quatro anos. A partir desse patamar houve um movimento de realização de lucros, mas a cotação se mantém elevada, em torno de US$ 10,75. A demanda firme pela soja americana, principalmente pelos chineses, é outro fator de sustentação para as cotações externas, e a tendência é de que a janela de compras asiática nos EUA se amplie. Complementando o cenário favorável aos preços no Brasil, o dólar seguia sustentado, na casa de R$ 5,60, ainda em meio ao clima de aversão ao risco para a economia global. Os prêmios de exportação também subiram, superando 300 pontos acima de Chicago.


CAFÉ Comercialização 2020/21 perde ritmo com preços mais baixos

Gabriel Nascimento - [email protected]

As vendas da safra brasileira de café 2020/21 seguem adiantadas no comparativo com o ciclo 2019/20 e também no comparativo com a média de safras anteriores para o período. Porém, com as recentes quedas nas cotações no mercado internacional, com a Bolsa de Nova York para o arábica trabalhando novamente abaixo da linha de US$ 1,10 por libra-peso, e com o fato de o produtor estar relativamente bem capitalizado, o ritmo dos negócios perdeu intensidade em setembro e outubro. Segundo levantamento de Safras & Mercado, a comercialização da safra de café do Brasil 2020/21 (julho/junho) chegava a 64% até o dia 13 de outubro. As vendas evoluíram em 6 pontos percentuais em relação ao mês anterior. A comercialização está avançada em relação ao ano passado, quando 53% da safra 2019/20 estava comercializada até então, e também acima da média dos últimos cinco anos para o período, que é de 53%. Assim, já foram comercializadas 43,87 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a estimativa de Safras, de uma safra 2020/21 de café brasileira de 68,1 milhões de sacas. Segundo o consultor de Safras Gil Barabach, responsável pelo levantamento, a comercialização perdeu fôlego, com a queda no preço e maior resistência do produtor. “O exportador também está menos agressivo, preferindo segurar um pouco os negócios, ganhando tempo para o ajuste da sua logística. A concentração de entrega nesses primeiros meses da temporada comercial gerou um gargalo, como falta de espaço nos armazéns e carência de caminhões.”


ARROZ Preços não devem retornar a patamares baixos tão cedo

Rodrigo Ramos - [email protected]

Os preços gaúchos do arroz, principal referencial nacional, se mantiveram elevados ao final da primeira quinzena de outubro. Com as atenções voltadas ao plantio da nova safra, a força do dólar segue como fator de suporte, pois encarece as importações do cereal – que são necessárias nesta temporada. A saca de 50 quilos tinha média de R$ 106,35 em 15 de outubro, ante R$ 105,95 por saca no dia 8. Em 30 dias, a alta acumulada era de 1,19%. Frente ao mesmo período do ano anterior, a elevação chegava a 132,06%. Segundo o consultor e analista de Safras & Mercado Gabriel Viana, o preço do arroz mudou de patamar e não deve voltar a níveis baixos tão cedo. “Dificilmente teremos preços baixos nas próximas temporadas, como a saca de 50 quilos a R$ 40,00, como vimos ainda neste primeiro semestre”, aposta. Uma série de fatores tem mantido os preços do cereal elevados, como dólar alto, estoques curtos e aquecimento da demanda desde que foi declarada a pandemia. “E devemos encerrar esta temporada com estoques baixos. Assim, mesmo quando começar a entrar a próxima safra, a saca deve se manter acima de R$ 70,00/R$ 80,00”, prevê. Sobre a isenção da TEC para 400 mil toneladas até o final do ano, Viana destaca que a medida segurou a alta nos preços, mas não chegou a reduzir as cotações.


MILHO Novos recordes nas cotações diante de preocupação com o clima

Arno Baasch - [email protected]

Outubro foi marcado por patamares de preços recordes no mercado de milho. O analista de Safras & Mercado Paulo Molinari sinaliza que as cotações vêm girando entre R$ 60,00 e R$ 70,00 no Centro-Sul do Brasil, e de R$ 50,00 a R$ 60,00 no Nordeste. “São valores surpreendentes, influenciados por uma série de variáveis, como o câmbio favorável às exportações, os elevados preços no mercado internacional e, principalmente, as preocupações com o clima para o plantio do milho verão e da soja, o que pode vir a retardar o cultivo da safrinha 2021”, explica. Molinari salienta que os produtores seguem mantendo uma estratégia de segurar e de cadenciar as vendas, gerando um ambiente fortemente especulativo nos preços diante da necessidade dos consumidores. “De certo modo, o quadro de dificuldade no abastecimento interno, que estava previsto para o primeiro semestre de 2021, com uma safra de verão de volume insuficiente para atender à demanda, está sendo antecipado.” O quadro de alta nos preços internacionais do milho, em pleno período de colheita nos Estados Unidos, também é atípico. Para Molinari, há dois fatores que justificam esse movimento, sem que haja um indicativo de mudança no curto prazo: os maiores investimentos por parte de fundos nos mercados de commodities e, como principal motivo, a preocupação com o clima para a safra global de trigo.