Palavra de Produtor

PATRULHAMENTO RURAL GEORREFERENCIADO

O aumento significativo da produção agropecuária brasileira tem como componentes preocupantes o crescimento do abigeato, roubos e furtos em propriedades rurais. Desde a Campanha rio-grandense até Roraima, esses crimes se intensificaram pelo aumento dos rebanhos; pelo incremento de cabeças por hectare; pela integração lavoura-pecuária; pela obtenção de até três safras a mais em mesma área; pelo consequente aumento do consumo de sementes, adubos, defensivos, óleo diesel, produção de grãos e fibras; e pelo aumento nominal dos preços dos produtos. Tudo isso levou à crescente audácia das quadrilhas especializadas. Ampliou-se, como consequência, a preocupação das autoridades públicas de segurança, resultando na formulação de estratégias de combate a tais práticas.

Um exemplo crescentemente bem-sucedido é o das regiões Sul, Oeste e Méedio Norte de Mato Grosso, com um projeto em ampliação na defesa do campo. Nessas regiões, o crime se sofisticou. Apesar do aparato de segurança das propriedades e de suas sedes em especial, com a implantação de cercas, câmeras de vigilância, cães treinados e guarda contratada de empresas especializada, a ação dos criminosos cresceu. Valendo-se de informantes (de dentro das fazendas), drones, frota de veículos de passeio, tratores, muncks e carretas, os ataques se intensificaram ao longo dos anos. O projeto em expansão no estado, conduzido pela Polícia Militar, faz um levantamento sistemático das propriedades e de suas rotas de acesso, e implanta um sistema de conexão entre a propriedade e a Polícia Militar, permitindo uma pronta reação e ação da mesma. Comparando 2020 com 2019, o ataque a fazendas na região Sul do estado caiu 26%. É o patrulhamento rural georreferenciado.

Se o crime contava com as distâncias entre as propriedades rurais e os efetivos da Polícia Militar, com esse monitoramento em tempo real e a rede de proteção integrada, espera-se que os índices desse tipo de violência contra pessoas e patrimônios se reduzam mais ainda, em todas essas regiões. Estima-se que esse trabalho, arquitetado pela Polícia Militar de Mato Grosso e pela Federação da Agricultura (Famato), com base nos sindicatos, seja replicado em escala nacional, como já o é em Goiás, para a segurança da atividade econômica e das pessoas que residem no campo.

Engenheiro-agrônomo, produtor de soja, milho e gado em Nova Maringá/MT, especialista em Administração de Empresas, autor do livro Reflexões de um Alemão Cuiabano