Notícias da Argentina

POLÊMICA SOBRE O TRIGO TRANSGÊNICO

Mais de 1 mil pesquisadores do Conselho Nacional de Investigações Científicas e Técnicas (Conicet) e de 30 universidades públicas nacionais expressaram rejeição ao trigo transgênico HB4, da Bioceres. Com a aprovação da semente que tem tolerância à seca, a Argentina é o primeiro país a autorizar o trigo geneticamente modificado. Em carta aberta ao Governo, acadêmicos questionaram a nova semente e a liberação do glufosinato de amônio. O manifesto assinala que já existem inúmeras evidências das consequências negativas dos pacotes tecnológicos atualmente utilizados na produção agrícola na Argentina, América Latina e países centrais, especialmente nos Estados Unidos. Os cientistas questionam o uso massivo de defensivos no modelo agrícola atual e especificaram que o glufosinato de amônio, que será usado com o novo trigo, é um herbicida 15 vezes mais tóxico que o glifosato. Até o momento, nenhum país autorizou a importação de trigo transgênico, deixando o agricultor argentino com pouco incentivo para cultivar a nova variedade.


REDUÇÃO DE IMPOSTOS TEM POUCO IMPACTO PARA O SETOR

Para captar moeda estrangeira, o governo cortou em apenas três pontos e apenas por três meses - e de forma decrescente - os impostos de exportação sobre a soja. Os dirigentes da Mesa de Enlace (associação de sindicatos agrícolas) descreveram a medida como isolada e insuficiente. “Uma redução circunstancial e temporária das retenções (assim se chama popularmente os direitos de exportação)”. Os produtores reclamam da ausência de regras claras para o enfrentamento da situação do agronegócio e da defasagem cambial, que já ultrapassa 120% entre o valor do dólar oficial que o produtor recebe e o do dólar paralelo. “A ideia política de governo é marcada por um modelo intervencionista e de baixa qualidade institucional”, alertam analistas ligados ao setor. Os representantes do campo também mostraram desacordo com o restabelecimento do diferencial entre a exportação de soja em grãos e seus derivados, que chegaria a 2% em janeiro de 2021.


LEITE

De acordo com o Observatório da Cadeia do Leite Argentina, as indústrias pagaram, em média, 19,07 pesos por litro em setembro, o que significa um aumento de 2,3% em relação a agosto e 21,3% sobre 2019. No entanto, os produtores estão perdendo rentabilidade com a inflação que ultrapassa 40% ao ano. E, um dos principais insumos da cadeia, o milho, ficou 60% mais caro desde o final do ano passado.


CARNE

A projeção é de que a Argentina exportará em 2020 cerca de 870 mil toneladas de carne bovina para a China, principal destino da proteína, igualando as exportações do ano passado, diz o Consórcio de Exportadores de Carnes Argentinas ABC. Segundo dados oficiais, 75% das vendas foram destinadas ao mercado chinês em 2019. Mesmo com a pandemia, o fluxo de carne bovina para a China não sofreu grandes alterações devido às boas relações sanitárias entre os dois países.


SOJA

A Argentina deverá cultivar 16,9 milhões de hectares de soja na safra 2020/21, segundo previsões do Governo. A área esperada é similar à cultivada na temporada 2019/20. Já a Bolsa de Cereais de Rosário, estima uma área um pouco maior, em torno de 17,3 milhões de hectares. A produção de soja do país ficou em 49 milhões de toneladas na safra 19/20, abaixo das 55,3 milhões de toneladas de 18/19.


TRIGO

A falta de chuva prejudicou lavouras em muitas regiões justamente nas etapas mais críticas da planta. Segundo relatório da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a colheita alcançou 3% da área até 22 de outubro. A projeção de safra para o cereal é de 16,8 milhões de toneladas, 700 mil toneladas a menos do que o informe anterior e um recuo de 10,6% sobre a temporada passada.