Agricultura 4.0

MOTORES ELÉTRICOS NA AGRICULTURA

Agricultura

A corrida para o desenvolvimento de carros elétricos segue a todo vapor na indústria automobilística, o que faz com que grandes indústrias do setor e as projeções futuras prevejam grandes transformações nos próximos dez anos. Com efeito, a venda global de carros elétricos em 2019 foi de 2,5% da frota, sendo que, em 2015, era de 0,6%, um aumento de mais de 400% em vendas. Somente no Brasil, a venda de carros elétricos aumentou mais de 220% em 2020.

O uso de motores elétricos em máquinas agrícolas não é uma novidade, visto que muitas possuem esses motores em controladores, atuadores e distribuidores dos equipamentos, porém de baixa potência. O que se pretende discutir neste texto é o uso de motores elétricos como a fonte primária de potência nas máquinas agrícolas. Inclusive, os russos já pensavam em motores elétricos no final dos anos 1940.

A questão do emprego desta fonte de potência nas máquinas agrícolas se acendeu pelo recente lançamento, por uma grande empresa do setor, de um equipamento híbrido. Todavia, fazendo uma pesquisa nos grandes fabricantes de máquinas agrícolas, praticamente todas já possuem seus protótipos desta tecnologia em suas engenharias, inclusive alguns bem robustos, 100% elétricos e prontos para serem comercializados, com motores chegando a mais de 400cv de potência. A título de esclarecimento, podemos classificar o uso dessa tecnologia em três formas principais: totalmente elétricos; híbridos plug-in, em que se abastece o motor a combustão; e elétrico e híbridos não plug-in, no qual o funcionamento do motor a combustão abastece o motor elétrico.

Pelo visto, é uma tendência tecnológica também no agro em substituição ou mitigação do uso de combustível fóssil na geração de energia para as máquinas agrícolas. E, segundo os engenheiros do setor, o emprego de motores elétricos nas máquinas tem as seguintes características: rápida aceleração, alta precisão de repetição, controle preciso e fácil, cabos ao invés de mangueiras, controle digital simples, baixa manutenção e alta eficiência energética, mas força limitada, alto custo, sem propriedade de amortecimento e maior peso do atuador. Em comparação com o motor a combustão, podemos destacar o seguinte: alta força, custo baixo, alta robustez e baixo peso do atuador, porém alto custo de manutenção, histerese ou dependência e perdas com a manutenção, poluição, uso de mangueiras e a ambiente de operação mais agressivo.

Outro ponto a ser analisado nesta transição tecnológica e que gera muita discussão é a questão ambiental, muito utilizada pelos defensores dos motores elétricos. Obviamente, se analisarmos e compararmos os dois motores em seu uso e consequente emissão, é evidente que um motor elétrico é disparado menos poluente que um motor a combustão, sendo classificado como zero de emissão de gases poluentes. Mas a questão que deve ser analisada também, visto que muitos não observam em suas análises, é o contexto geral da tecnologia, ou seja, no caso dos motores elétricos não se pode esquecer da necessidade de entender como a energia que irá abastecer este motor foi produzida. Se não vir de uma fonte limpa ou renovável, pode ser um caminho mais poluente.

Nesse contexto, é importante se avaliar a matriz energética instalada nos países que estão avançando para os veículos elétricos usando a bandeira ambiental destes como marketing comercial. Não adianta, então, queimar mais carvão ou petróleo para gerar mais energia elétrica nas termoelétricas para abastecer seus automóveis elétricos, que irão apresentar um falso selo de “ambientalmente correto”. Atualmente, podem se vangloriar da sua posição em matriz energética somente alguns países europeus e, claro, o Brasil, que possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. Outros países, embora estejam investindo muito em energias renováveis, levarão algum tempo para que sua matriz de produção de energia melhore significativamente.

Engenheiro-agrônomo, mestre e doutor em Produção Vegetal, pesquisador em Nematologia Agrícola e de Precisão em Proteção de Plantas, professor e diretor da Fatec Shunji Nishimura