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Como está a qualidade da SEMENTE DE SOJA

Levantamento da Embrapa Soja de quatro safras em 13 estados avaliou os atributos da oleaginosa conforme 23 parâmetros

José de Barros França-Neto, Irineu Lorini, Francisco Carlos Krzyzanowski, Ademir Assis Henning, Fernando Augusto Henning, pesquisadores da Embrapa Soja, [email protected]

A qualidade da semente de soja produzida no Brasil nas safras de 2014/15, 2015/16, 2016/17 e 2017/18 foi avaliada pela Embrapa Soja. Nesse período, foram coletadas e avaliadas 2.532 amostras de sementes provenientes de 81 municípios, 58 microrregiões (definidas pelo IBGE) de 13 estados: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, Bahia, Tocantins, Piauí, Maranhão e Alagoas. A amostragem desse material não seria possível, não fosse o apoio de mais de 55 instituições, entre cooperativas, universidades, empresas e associações de produtores de sementes e empresas estaduais de pesquisa.

Em relação às sementes de soja, foram avaliados 23 parâmetros de qualidade, dos quais foram selecionados alguns referentes à qualidade fisiológica, como germinação, vigor, viabilidade, índices de danos mecânicos, de deterioração por umidade e dos danos causados por percevejos, além da qualidade genética e sanitária das sementes, que serão aqui relatados, com ênfase aos da safra 2017/18, comparando-se os mesmos aos obtidos nas três safras anteriores.

Constatou-se um aspecto extremamente positivo em relação à qualidade fisiológica das sementes: houve avanços expressivos no parâmetro vigor das sementes, conforme determinado pelo teste de tetrazólio. O índice médio nacional desse parâmetro evoluiu de 77,6% na safra 2014/15, para 81% em 2015/16, para 82% em 2016/17, culminando no valor de 84,6% para a safra 2017/18 (Figura 1). Os motivos principais que colaboraram com essa melhoria de qualidade foram a redução do dano mecânico na colheita e dos danos causados por percevejo, a alta qualidade sanitária e a baixa ocorrência de insetos -praga de armazenamento.

Em todas as safras avaliadas, o dano mecânico, conforme determinado pelo teste de tetrazólio no nível (6-8) (Figura 2), mostrou-se como o fator que mais prejudicou a qualidade da semente produzida na safra 2017/18, com uma média nacional de 4,3%. Entretanto, esse valor foi inferior aos 6,8% observados na safra 2014/15, aos 5,8% na safra 2015/16 e aos 4,9% em 2016/17. É interessante mencionar que, nos quatro anos do estudo, foi constatada uma redução linear nos níveis médios de danos mecânicos nas sementes de soja no Brasil (Figura 3).

O dano de deterioração por umidade (Figura 4), que normalmente é resultado da ocorrência de chuvas em pré-colheita, foi o segundo mais importante parâmetro que prejudicou a qualidade das sementes, com uma média nacional na safra 2017/18 de 2,7%, valor esse ligeiramente inferior aos 3%, 3,3% e 3,1% constatados nas safras 2014/15, 2015/16 e 2016/17, respectivamente. Elevados índices de deterioração por umidade estão relacionados com o manejo da época de semeadura dos campos de sementes, bem como com o atraso do início de colheita e/ou com o retardamento do início de secagem, ou armazenamento de sementes com graus de umidade elevados (acima de 13% de água).

O valor médio nacional de dano causado por percevejo (Figura 5) foi de 0,5%, o menor valor observado nas quatro safras avaliadas do estudo: 1,3% em 2014/15; 0,8% em 2015/16; e 0,7% em 2016/17 (Figura 6). Esses valores podem ser considerados relativamente baixos e são resultados da constante dedicação dos produtores de sementes em relação ao manejo integrado para o controle dos percevejos sugadores.

Qualidade sanitária

Quanto à qualidade sanitária da semente produzida na safra 2017/18, de maneira geral, foi muito boa. O fungo de armazenagem Aspergillus flavus teve ocorrência bastante baixa, com índice médio de 0,1%. Ficou evidenciado que o patógeno de maior frequência de ocorrência em lotes de sementes de soja no Brasil é Cercospora kikuchii, o agente causal da mancha púrpura da semente, com índice médio de 0,5%. Colletotrichum truncatum, agente causal da antracnose é de pouca importância na semente, devido à sua baixa ocorrência. Naquela safra, a média foi de 0,1%. Phomopsis sp., o principal patógeno de sementes de soja, e Fusarium pallidoroseum (syn. semitectum) apresentaram incidências bastante baixas, com média de 0,1%.

Em relação à qualidade genética, ou pureza varietal, é por meio desse parâmetro que o agricultor tem a garantia de que o estabelecimento da lavoura começará com a cultivar para ele recomendada. Constatou-se que, em todos os estados, em alguma safra, foram encontrados níveis preocupantes de contaminação genética, representada pelo número de sementes atípicas em cada amostra, o que evidenciou que urge a necessidade de implementação de ferramentas adicionais para o controle de qualidade referente à pureza genética das cultivares.

Quanto aos insetos-praga de armazenagem, foram encontradas algumas espécies nas amostras das sementes, como Ephestia sp., Sitophilus sp., Cryptolestes ferrugineus, Rhyzopertha dominica e Liposcelides bostrychophila. Também foram encontradas partes de insetos em várias amostras, indicando que ocorreu uma infestação de pragas na semente.

Informações mais detalhadas sobre esses levantamentos de qualidade das sementes de soja produzidas são encontradas nas publicações “Qualidade de sementes e grãos comerciais de soja no Brasil”, safras 2014/15, 2015/16, 2016/17 e 2017/18 no site da Embrapa Soja www.embrapa.br/en/soja/publicacoes/ tecnologia-de-sementes.

Marca NK da Syngenta lança aplicativo

A marca NK da Syngenta disponibiliza um novo aplicativo ao mercado, cujo objetivo é indicar a melhor variedade de soja ou híbrido de milho de acordo com a necessidade de quem planta, de forma ágil e simples. “A ferramenta também dispõe de funcionalidades para a comunicação direta com o produtor, com links para conteúdos e vídeos explicativos. Com o aplicativo, o produtor tem na palma de sua mão a rentabilidade com genética e tecnologia de NK”, explica Tatiana Cunha, gerente de Branding da marca NK.

Pioneer com programa de benefícios exclusivo

A Pioneer, marca de sementes da Corteva Agriscience, apresenta aos agricultores o Tru- Choice 2020, programa de benefícios único no mercado com soluções em sementes e proteção de cultivos para soja e milho, além de benefícios financeiros com o retorno de parte do dinheiro investido. “No setor agrícola, os programas de benefícios costumam promover trocas de pontos por produtos e serviços. O TruChoice é pioneiro no mercado, pois oferece liberdade de escolha ao produtor, tanto em relação à oferta de soluções estruturadas para alavancar a produtividade quanto com o retorno de parte do dinheiro investido na lavoura”, afirma Fabiano Marcelino, gerente de Programas de Marketing e Relacionamento da Corteva. Mais em https://my.corteva. com/TruChoiceBR.


REFORÇO NO MERCADO DE GRÃOS DE SEGUNDA SAFRA

Lucas Lira, diretor da Helix Sementes (grupo Agroceres), que detém as marcas Biomatrix e Santa Helena

Quais são os principais produtos e mercados das marcas Sementes Biomatrix e Santa Helena Sementes?

As marcas possuem grande penetração no mercado, especialmente na linha de silagem em que são bastante reconhecidas. A Helix escolheu focar nesta área desde o começo de sua história, entendendo que as empresas não olhavam para este mercado, além da sinergia que possui com alimentação animal pelas outras unidades de negócio do grupo Agroceres. Dessa maneira, Sementes Biomatrix e Santa Helena Sementes continuarão com o foco na pesquisa específica para silagem, o que significa a seleção de híbridos com utilização de animais, obtendo materiais com alta produtividade, além de qualidade superior em silagem. Agora, estamos reforçando nossa posição no mercado de grãos na segunda safra com grandes investimentos e trazendo os melhores materiais para o produtor.

E quais os principais diferenciais competitivos dos produtos destas marcas para agricultores e criadores?

A Sementes Biomatrix e a Santa Helena Sementes se posicionam, hoje, como empresas capazes de apresentar produtos com diferenciais competitivos capazes de aumentar a rentabilidade com segurança ao produtor. Estamos constantemente investindo em tecnologia, inovação e qualidade para trazer ao produtor cada vez mais resultado.

Especificamente para a segunda safra de milho, quais são as novidades para 2021?

Aumentamos nossos investimentos para obtenção de produtos específicos para este mercado, sendo que, atualmente, contamos com uma grande rede de ensaios, bem como estações de pesquisas, nas principais regiões produtoras de grãos na safrinha. O investimento em pesquisa está em nosso DNA, e acreditamos que, com isso, podemos alcançar o produtor da melhor forma, com produtos específicos para cada situação e região.

E sobre o próximo ano, quais são as perspectivas e as metas da Helix Sementes?

Todos esses esforços que aqui comentamos nos permitem trazer ao produtor uma solução mais customizada para sua realidade. Junto ao investimento em genética, a Helix aumenta suas parcerias com empresas que detêm biotecnologia, reforçando seu pacote de soluções. Ao longo dos anos, realizamos grandes investimentos no processo de produção e controle de qualidade, garantindo que a nossa genética possa apresentar todo o seu potencial a campo. A intenção da Helix sempre foi, e vai continuar sendo, levar inovação e tecnologia ao produtor, sem esquecer das suas raízes, que asseguram a qualidade de alto padrão em tudo o que faz.