Fitossanidade

Nematoides: o melhor MÉTODO DE ENFRENTAMENTO

Tratamento de sementes, uso de nematicidas no sulco, cultivares resistentes e/ou tolerantes, e sucessão/rotação de culturas? A resposta: depende da densidade de infestação

Mário Massayuki Inomoto, professor da Esalq/USP; e Rafael Galbieri, do Instituto Mato-Grossense do Algodão

Os principais métodos para o controle dos fitonematoides do algodoeiro são o tratamento de sementes (TS), a aplicação de nematicidas no sulco de semeadura (NSS), o uso de cultivares de algodoeiro resistentes e/ou tolerantes (AR ou AT), e a sucessão/rotação de cultura. O TS com nematicidas sintéticos ou biológicos, sendo simples e barato, é indicado quando a densidade do nematoide ainda é pequena e/ou as perdas mal começaram a ser percebidas ou incomodar o cotonicultor. Quando a densidade e/ou as perdas são moderadas, recomendam-se os NSS e os AR/AT, se possível em associação ao TS. Como orientação, recomenda-se uma escala de três níveis para densidade/ perdas (1-baixas, 2-moderadas, 3-altas), com três níveis equivalentes para intensidade de controle (1/2/3). O sucesso do controle depende da identificação correta do nível de densidade/ perdas e utilização da intensidade correspondente de controle.

Por exemplo, no TS, a quantidade de nematicida que cada semente carrega é pequena, suficiente somente para atingir e atuar sobre um número pequeno de fitonematoides. Essa é a razão pela qual o TS, como medida isolada, é válido somente para o nível 1 de densidade/perdas. Para os níveis 2 e 3, o TS sozinho não promoverá um controle adequado. Dentro do mesmo raciocínio, os AR/AT são tipicamente do nível 1 ou 2 e podem responder à associação com outros métodos de controle se a densidade do fitonematoide for excessiva (nível 3), pois existe um custo energético ou funcional para essa resistência, ou seja, a resistência não sai de graça para a planta.

Quanto mais nematoides invadirem as raízes da planta, maior esse custo, razão pela qual essas cultivares podem sofrer perdas apesar de serem resistentes. Além disso, tem que levar em consideração o manejo dessa resistência, associando outros métodos para diminuir a pressão de seleção de populações do nematoide com o objetivo de preservar essa tecnologia. A sucessão e a rotação de culturas são os métodos com maior intensidade de controle (nível 3), porém são de difícil aceitação, por questões econômicas e operacionais.

Integração de métodos

A integração dos métodos de controle de nematoides no algodoeiro é fundamental para garantir a sustentabilidade da cultura em áreas infestadas. Quando a densidade do nematoide ainda é baixa, um único método pode ser suficiente. Porém, quando as densidades são altas, a integração de dois ou três métodos específicos pode ser necessária para garantir o controle do nematoide. Uma das razões para o insucesso do controle dos fitonematoides tem a ver com a tendência humana de utilizar remédios fracos para doenças severas. Porém existe uma dificuldade anterior, que é o prognóstico de perdas futuras.

Cobrança pela previsão de perdas

A previsão de perdas com base na densidade populacional é uma antiga aspiração dos agricultores que enfrentam problemas com nematoides, e também de consultores e outros profissionais ligados diretamente à produção agrícola, mas que não são especialistas em nematologia agrícola. Ao mesmo tempo, essa possibilidade é rechaçada pelos nematologistas e responsáveis pelos laboratórios. É preciso tentar entender as razões de cada um. Os agricultores, por não serem especialistas, gostariam de ter uma previsão de perdas futuras com base nas densidades populacionais dos nematoides. Por outro lado, os nematologistas, dos quais é cobrada essa orientação, sentem que é excessiva a carga que se tenta atribuir a eles, com possível responsabilização por eventuais insucessos.

De fato, as estimativas populacionais de nematoides são preditores muito falhos para perdas, por uma série de razões. A mais importante delas é que a distribuição dos fitonematoides em campos agrícolas é muito desuniforme. Alguns estudos indicam a necessidade de uma amostra composta de 10-20 subamostras para cada dois hectares para uma estimativa confiável da densidade populacional, o que é impraticável para culturas que ocupam grandes áreas.

Estimativas de perdas baseadas na experiência

Neste artigo, foi apresentada uma proposta de prognóstico baseado na estimativa populacional em conjunto com a das perdas atuais causadas pelos fitonematoides. Assim, a predição é baseada em duas estimativas. Cada uma delas é um preditor fraco das perdas futuras, mas se acredita que, em conjunto, permitem um prognóstico seguro (Tabela 1). O nematoidefoliar (Aphelenchoides besseyi) não foi incluído na Tabela 1 por ser um problema muito recente, com informações ainda insuficientes para um prognóstico minimamente seguro. As estimativas de perdas atuais devem ser baseadas na experiência dos cotonicultores, pela comparação entre a produção de talhões infestados com o de talhões sem nematoides, ou pela evolução das perdas de um ano para outro. O diagnóstico é considerado confiável se a estimativa da densidade do fitonematoide estiver de acordo com a estimativa de perdas atuais.

Definido o nível de densidade/perdas, é preciso seguir a recomendação de controle da Tabela 2. As medidas preventivas básicas, como limpeza de maquinário (para áreas ainda não foram infestadas) e controle de enxurradas são, infelizmente, negligenciadas com frequência. O TS e o uso de algodão resistente a M. incognita são medidas muito empregadas. Menos utilizados são os NSS. A sucessão com soja resistente a M. incognita ou R. reniformis também é pouco utilizada, embora, às vezes, seja usada involuntariamente, pois, geralmente, o agricultor utiliza cultivares de soja sem que essas características sejam devidamente informadas. Além disso, é importante lembrar que P. brachyurus é muito comum em algodoais, podendo prejudicar a produção dessa soja. A sucessão (ou, se possível, a rotação) com gramíneas, visando ao controle de R. reniformis, e com Brachiaria ruzizienis ou Crotalaria spectabilis, para M. incognita, são medidas extremamente efetivas, mas devem ser reservadas para os casos mais graves (nível 3).

FMC promoveu a Tecnoarroz Líderes

A FMC promoveu, em 18 de setembro, mais uma edição do Tecnoarroz Líderes com foco na troca de informação e conteúdos técnicos para a cadeia de arroz irrigado e soja na Região Sul. De acordo com o gerente Marketing Regional, Pedro Ferzola, a iniciativa foi uma oportunidade para a troca de conhecimento e relacionamento com grandes referências nos assuntos. “Temos grande know-how nesse setor e queremos compartilhar essa experiência com toda a cadeia. A FMC é uma empresa de ciência para agricultura, com grande capacidade em pesquisa e desenvolvimento para buscar novas soluções que atendam às necessidades do produtor rural nas mais diferentes frentes”, destaca

Nova ferramenta da Biotrop para a mosca-branca

A Biotrop lançou o bioinseticida Bioxos, uma nova ferramenta para o Manejo Integrado de Pragas (MIP) e de resistência da Bemisia argentifolli e Bemisia tabaci, a mosca-branca. O produto é indicado para soja, algodão, feijão, FLV (frutas, legumes e verdeduras), e apresenta uma formulação nova e mais eficiente do oléo de Nim (Azadiractina). "Indicamos o Bioexos como um ótimo aliado do MIP, além de contribuir no manejo de resistência aos inseticidas químicos, gerando rotação de ingredientes ativos e o uso de diferentes modos de ação", aponta o gerente de Marketing e Estratégia da empresa, Jonas Hipolito.


O que é e como funciona a solução digital xarvio Field Manager?

Lucas Marcolin, gerente comercial de Produtos Digitais da Basf.

A Basf, por meio do xarvio Digital Farming Solutions, está na vanguarda da transformação digital na agricultura. Os produtos digitais xarvio – xarvio Scouting e xarvio Field Manager – são projetados para uma consultoria agronômica específica por zonas do talhão, para permitir que os agricultores produzam de maneira mais eficiente e sustentável. O xarvio Field Manager tem o objetivo de produzir culturas de forma mais eficiente e sustentável para tirar o máximo proveito de cada uma delas. O agricultor consegue ter o status de seus campos sempre à mão, recebendo recomendações de manejo de culturas específicas, e pode fazer o download de mapas de aplicação variáveis específicos de cada talhão, com orientação sobre a dosagem certa no momento certo.

Como e por que esta ferramenta pode auxiliar o produtor no controle de invasoras da lavoura?

Ao utilizar o xarvio Field Manager, o agricultor consegue realizar um manejo mais assertivo das plantas daninhas nas lavouras. Tudo isso por meio da aplicação inteligente, do manejo eficiente e do suporte técnico, proporcionados pela ferramenta. O xarvio Field Manager ainda utiliza tecnologia de imagem (satélites, por exemplo) e realiza a combinação destes com dados agrícolas e conhecimento de especialistas. No Brasil, o serviço é voltado para o controle de plantas daninhas em soja e milho, que permite a aplicação localizada de insumos somente nas áreas de infestação.

Que resultados práticos esta tecnologia já proporcionou nas lavouras em que já foi utilizada?

Com o uso de drone, a solução, na última safra, proporcionou aos agricultores uma economia média de 60% de recursos no manejo de suas plantações. Além disso, o xarvio Field Manager possibilita aos agricultores um ganho operacional e a redução de perda por matocompetição devido ao controle específico das plantas daninhas resistentes e de difícil controle.

O que mais você gostaria de ressaltar sobre a ferramenta e/ou outras tecnologias digitais da empresa para o controle de invasoras?

Dentro do guarda-chuva do xarvio há o aplicativo xarvio Scouting. Com ele, a Basf oferece suporte a agricultores de todo o mundo, ao disponibilizar um produto digital que faz uso do reconhecimento instantâneo de fotos, algoritmos e tecnologia de compartilhamento de dados. O aplicativo xarvio Scouting permite que os produtores e agrônomos identifiquem com precisão as plantas daninhas e as ameaças de pragas e doenças em seus campos, além de contar com a nova funcionalidade de análise de emergência de plantas de milho. Atualmente, a solução já é utilizada por mais de 1,2 milhão de agricultores e em mais de 120 países. O Scouting é um sistema alimentado por algoritmos que aprimoram continuamente a precisão e a funcionalidade por meio de aprendizado de máquina e compartilhamento de dados. Quanto mais os agricultores e técnicos utilizarem esta ferramenta, mais aprimorada e com maior precisão ela ficará. Ainda dentro da era de agricultura digital, a Basf criou, em 2017, o aplicativo Basf Agro. Um canal com informações técnicas sobre os principais cultivos e conteúdo para o manejo eficiente de pragas, doenças e plantas daninhas. A plataforma, que já conta com mais de 10 mil downloads por ano, permite que os produtores acessem as principais soluções da empresa, inclusive sem o sinal de internet (off-line). As informações ficam gravadas no seu último acesso e permitem que o agricultor tenha o conteúdo a qualquer momento.