Agribusiness

ALGODÃO Mercado estanca queda, mas tendência segue sendo de baixa

Rodrigo Ramos - [email protected]

Buscando uma correção em relação ao mercado internacional, as cotações domésticas do algodão interromperam, em 17 de setembro, a trajetória de nove dias úteis em baixa. Na média do Cif de São Paulo, a pluma fechou cotada a R$ 3,09 por libra-peso, com alta de 0,41% em relação ao dia anterior. Apesar disso, em setembro, a pluma acumulava perdas de 6,5% até o dia 17. Segundo o analista de Safras & Mercado Elcio Bento, com a oferta de produto nacional em ascensão e com o consumo das indústrias mostrando- se pouco agressivo, a tendência para as cotações segue sendo de baixa. “Essa reação parece ser pontual e um ajuste devido ao recente deslocamento, para baixo, da fibra brasileira em relação à norte-americana”, pondera. No Fob exportação do Porto de Santos/SP, a pluma brasileira fechou cotada a 59,27 centavos de dólar por libra-peso (c/lb) no dia 17. Comparada ao contrato de maior liquidez na Ice Futures, estava 10% mais acessível. Uma semana antes, era 8,1% mais acessível. No mesmo período do ano passado, estava apenas 0,2% mais barata. “Num ano como o atual, a tendência é que as cotações busquem a paridade de exportação”, lembra Bento. Porém o atual prêmio negativo no Brasil é resultado do excesso da demanda em relação à oferta interna e de uma presença ainda pouco agressiva de compradores internacionais.


MILHO Preços internacionais sobem em plena colheita nos EUA

Arno Baasch - [email protected]

O mês de setembro foi marcado por um quadro de recuperação nos preços internacionais do milho, que atingiram os melhores patamares na Bolsa de Mercadorias de Chicago desde fevereiro, mesmo em pleno início do período de colheita nos Estados Unidos. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, alguns fatores vêm contribuindo para este movimento, como a própria queda na estimativa de produção daquele país, que passou dos 388 milhões de toneladas esperadas inicialmente para 378 milhões. “Ainda assim, é um bom volume de milho a ser colhido”, comenta. Há também um movimento de alta nos preços na Argentina, com volumes de exportações recordes no ano até agora, na Ucrânia, com uma expectativa de quebra na produção por seca, e no Brasil, cujas cotações seguem em patamares bastante firmes, mesmo com a colheita da safrinha praticamente finalizada. “Esse movimento de preços altos nesses países acaba contribuindo para uma maior procura para a safra norte-americana, o que justifica esse cenário de preços mais firmes no cenário internacional”, explica. Além disso, um fato novo surgiu no mercado ao longo do mês. O registro de peste suína africana na Alemanha levou a China a interromper as compras do maior exportador europeu. Buscando alternativas, os chineses poderiam vir aumentar a demanda por carne suína dos Estados Unidos e, consequentemente, ampliar o consumo de milho na alimentação animal. “Esse fator também acaba contribuindo para uma sustentação dos preços do cereal”, sinaliza.


SOJA USDA corta estimativa de produção e estoques dos EUA

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou que a safra norte-americana de soja deverá ficar em 117,4 milhões de toneladas, abaixo da estimativa anterior de 120,43 milhões, enquanto o mercado apostava em safra de 116,64 milhões. Os estoques finais estão estimados em 12,52 milhões de toneladas, e o mercado apostava em carryover de 12,55 milhões de toneladas. No relatório anterior, os estoques estavam projetados em 16,6 milhões de toneladas. O relatório projetou safra mundial em 2020/21 de 369,74 milhões de toneladas. Em agosto, o número era de 370,4 milhões de toneladas. Os estoques finais estão estimados em 93,59 milhões de toneladas. O mercado esperava por estoques finais de 93,2 milhões de toneladas. Em agosto, a previsão era de 95,36 milhões de toneladas. Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 133 milhões de toneladas, com alta de 2 milhões sobre o número de agosto, e a Argentina deverá produzir 53,5 milhões. A estimativa para as importações chinesas em 2020/21 é de 99 milhões de toneladas, repetindo agosto. Para 2019/20, o USDA indicou safra de 337,3 milhões de toneladas. Os estoques finais estão projetados em 96,01 milhões, enquanto o mercado apostava em 95,6 milhões. A safra brasileira teve sua estimativa mantida em 126 milhões de toneladas.


TRIGO Clima traz incertezas para safras de Brasil e Argentina

Gabriel Nascimento - [email protected]

O clima sobre as lavouras de trigo do Sul do Brasil e da Argentina segue como fator fundamental para a formação de preços. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, a colheita avança no Paraná favorecida pela baixa umidade. Esta, porém, compromete as lavouras da Metade Sul do estado. Os preços ficam em torno de R$ 1.200,00 por tonelada. No Rio Grande do Sul, a colheita ainda não foi iniciada. Algumas lavouras receberam geadas, sem intensidade e sem perdas. As cotações giram em torno de R$ 1.050,00 por tonelada no Fob. Há previsões de chuvas para o Paraná e para o Rio Grande do Sul.

“Essas incertezas quanto ao clima levam os preços a convergir, sinalizando altas, ao invés da queda esperada para o período. Maiores pressões de oferta devem ocorrer a partir de outubro, momento em que a disponibilidade do cereal será mais representativa”, diz o analista. O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, informou, em relatório semanal, que, até 22 de setembro, a colheita da safra 2020 de trigo no Paraná atingiria 44% da área cultivada de 1,113 milhão de hectares. Ela deve crescer 8% frente ao 1,028 milhão de hectares plantados em 2019. Os trabalhos devem encerrar o mês de setembro acima de 50%.


ARROZ Preço doméstico segue elevado, mesmo com retirada da TEC

Rodrigo Ramos - [email protected]

Os preços domésticos do arroz seguem f irmes, apesar da decisão do Governo Federal de retirar a Tarifa Externa Comum (TEC) para 400 mil toneladas de fora do Mercosul, até 31 de dezembro. No Rio Grande do Sul, referência para os preços nacionais, a saca de 50 quilos tinha média de R$ 105,40 no dia 17 de setembro, ante R$ 105,15 uma semana antes. Em 30 dias, a alta acumulada era de 76,65%. Frente ao mesmo período do ano anterior, a elevação chegava a 131,67%. Para o analista, a retirada da TEC deverá ter um impacto diminuto nos preços, já que o montante de 400 mil toneladas representa apenas 20 dias de consumo. “A possibilidade de a média da saca gaúcha baixar de R$ 100,00 é pequena. Dependeria de uma queda significativa do dólar”, pondera. Por enquanto, apesar de grande volatilidade, a moeda norte-americana tem oscilado entre R$ 5,20 e R$ 5,30, nível favorável às exportações. “Além do dólar alto, os preços internacionais estão elevados, o que dificulta as importações”, acrescenta. Na temporada 2020/21, entre março e agosto, foram exportadas 1,311 milhão de toneladas e importadas 440 mil toneladas. Com isso, o saldo da balança comercial agora é de 871 mil toneladas positivas. “Com estoques de passagem muito curtos na temporada 2020/21 (de março de 2020 a fevereiro de 2021), o Brasil vai precisar importar mais 1,2 milhão de toneladas até fevereiro”, prevê Viana. “Dependendo das exportações, a necessidade pode ser até maior.”


CAFÉ Preços despencam em setembro com chuvas e correção técnica

Lessandro Carvalho - [email protected]

Os preços do café tombaram ao longo de agosto no mercado internacional, puxados para baixo pela forte desvalorização do arábica na Bolsa de Nova York, que baliza a comercialização. Entre os principais fatores estiveram as chuvas sobre o cinturão cafeeiro do Brasil – benéficas para a abertura de floradas para a safra de 2021 –, uma correção técnica e o ajuste de carteiras de fundos e especuladores, que estavam muito comprados, e ainda com o café sentindo os efeitos globais das instabilidades nos mercados com a pandemia. O café arábica para dezembro na Bolsa de NY terminou agosto em 129,05 centavos de dólar por libra-peso, e atingiu, em 4 de setembro, a máxima do mês (até a data de confecção desta coluna, em 23 de setembro) em 135,45 centavos. O mercado vinha sustentado nessa alta pela mudança de foco, de olhar, para a safra de 2021 do Brasil. Antes dessa subida, as cotações em NY eram pressionadas pela safra recorde colhida em 2020 do país, pelas indicações de superávit na oferta global, com o consumo prejudicado pela pandemia. Mas passou a haver a sustentação dos preços com a percepção de que, em 2021, o Brasil vai colher uma safra menor, devido ao ciclo bienal da cultura, e ainda com apreensão com falta de chuvas sobre o cinturão cafeeiro do Brasil. Os fundos, neste momento, intensificaram suas compras e passaram a carregar uma ampla carteira comprada.