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Tratamento de sementes & produtividade

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Fungicidas, inseticidas e outros produtos protegem e estimulam ao máximo a semente de soja a manifestar suas potencialidades

Engenheiro-agrônomo Daniel Glat, integrante do Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB) e mestre em Tecnologia de Sementes

Os fungicidas visam controlar as doenças de solo (fungicidas de contato) ou as doenças transmitidas por sementes (fungicidas sistêmicos). As doenças de solo variam de região para região e são muito influenciadas pelo clima, pela rotação de culturas, pela fertilidade e pela compactação de solo etc.; são exemplos Rizoctonia solani e Sclerotinia, geralmente presentes em solos frios e úmidos, ou a Macrophamina phaseolina, mais frequente em solos secos. Já as doenças transmitidas por sementes dependem fundamentalmente das condições de colheita e armazenamento das sementes; as mais comuns são Phomopsis Sps, Fusarium Sps e Coletrotrichum truncato (antracnose). Atualmente, em 60% a 70% da área de soja se usa fungicidas no tratamento de sementes, e os principais princípios ativos são Fludioxonil+ Matalaxyl+Thiabendazol, Thiram, Carbendazin e fluazunam.

O tratamento de sementes é uma importante prática de manejo na cultura da soja. Ele pode ser feito pelo produtor diretamente na fazenda, conhecido como on farm, ou pelas empresas de sementes, como Tratamento de Sementes Industrial (TSI). O primeiro tende a ser um pouco mais barato, expõe mais a mão de obra da fazenda a produtos químicos, e tende a ficar mais desuniforme, enquanto o segundo, apesar de, por vezes, sair um pouco mais caro, geralmente é mais homogêneo e uniforme, garantindo maior cobertura de cada semente na saca ou no bag. Atualmente, esse balanço está por volta de 60% on farm e 40% TSI. O tratamento de sementes de soja visa aplicar fungicidas, inseticidas, micronutrientes, estimulantes fisiológicos (enraizadores) e produtos biológicos à base de micro-organismos.

Os inseticidas são usados para controlar pragas de solo ou pragas que atacam as plântulas em seus estágios iniciais. As principais pragas de solos são os corós (Diloboderus obderus, Phillophaga cuyabana), as formigas, os cupins, a lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignocelus), o tamanduá- da-soja (Sternechus subsignatus ) e vários tipos de nematoides. Já as pragas que atacam a área nos estágios iniciais são, principalmente, a lagarta-da-soja ou a lagarta-mede- palmo (Pseudoplusia sps). Por volta de 95% das sementes de soja plantadas no Brasil são tratadas com inseticida; os principais princípios ativos usados são Fipronil, Fipronil +Benzimidazol, diamidas, thiamedoxan, imidacloprid e thiodicarb, e abamectin, visando, especificamente, aos nematoides.

Micronutrientes, enraizadores e micro-organismos

Os micronutrientes mais usados nos tratamentos de sementes são aqueles que estimulam a nodulação das raízes, notadamente, o cobalto (Co) e o molibdênio (Mo); eventualmente, usa-se níquel (Ni). Alguns consultores recomendam dividir a aplicação desses micros entre o tratamento e uma pulverização foliar precoce.

Os estimulantes fisiológicos ou enraizadores são produtos naturais, geralmente oriundos de resíduos vegetais e extratos de algas marinhas, que fornecem combinações de reguladores vegetais e precursores hormonais, que buscam equilibrar e maximizar a atividade fisiológica das plântulas. Existem diversos produtos no mercado para esse objetivo.

Os produtos à base de micro-organismos têm vários objetivos, sendo o mais comum e mais antigo o uso de bactérias do gênero Bradyrizobium para inocular as raízes e promover a fixação de nitrogênio do ar para ser usado pelas plantas. Atualmente, inúmeros estudos e trabalhos científicos mostram que a coinoculação ou adição de bactérias do gênero Azospirilum aos Bradyrizobium traz ganhos consistentes de produtividade e tem sido cada vez mais usada por produtores de ponta. Além disso, outros micro-organismos vêm sendo usados no tratamento de sementes, como fungos do gênero trichoderma para combate a certas doenças de solo e bactérias do gênero Bacillus, visando a certo tipo de nematoides.

Uma limitação do uso de micro-organismos no tratamento de sementes é que a maioria deles deve ser aplicado bem próximo do plantio, dificultando seu uso em TSI. Já há algumas ofertas no mercado de Bradyrizobium com mais “vida de prateleira”, que pode ser usado no TSI, mas sua aplicação deve ser feita o mais próximo possível do embarque das sementes e essas não podem demorar demais para serem plantadas. Outro desafio é que, independentemente se on farm ou TSI, as bactérias devem ser sempre os últimos produtos a serem adicionados às sementes, já que os fungicidas e inseticidas podem ter efeito deletério sobre elas.

Uso de pulverizadores de sulco

Por conta disso, muitas vezes, o produtor compra semente com TSI, mas é obrigado a abrir a saca ou o bag para adição dos micro-organismos na véspera do plantio. Por conta desses problemas, está cada vez mais em moda o uso de pequenos pulverizadores de sulco acoplados às plantadeiras, para que os produtos biológicos sejam aplicados diretamente no sulco de plantio, e não nas sementes, minimizando o impacto dos químicos sobre os micro-organismos. Essa prática permite o uso de maiores quantidades de produtos biológicos, e também evita que quem compre sementes tratadas com TSI tenha que manusear as sementes na fazenda, podendo as mesmas irem direto da saca ou bag para a plantadeira.

Sempre semente de qualidade

É importante lembrar, por fim, que o tratamento de sementes de soja visa proteger e estimular ao máximo a semente sendo tratada, mas a qualidade das sementes é fundamental para o sucesso do tratamento. A finalidade do tratamento de sementes não é melhorar a qualidade de um lote ruim, mas sim proteger e estimular ao máximo uma semente de boa qualidade e vigor.

Como visto, existem, atualmente, inúmeras opções para tratamento de sementes, e, no futuro, se verá novos produtos químicos e biológicos sendo lançados para essa modalidade de uso com novas e melhores funcionalidades. Cabe ao produtor moderno acompanhar as novidades dessa área e avaliar com critérios o que melhor se encaixa em suas práticas de manejo.

Biotrigo discute trigo em dia de campo digital

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Para continuar levando informação e novidades aos triticultores, moinhos e parceiros em tempos de isolamento social, a Biotrigo Genética realizou o seu tradicional dia de campo pela primeira vez em um formato inovador, on-line, em 27 de agosto. “Não estamos apenas seguindo uma simples tendência, pois nos desafiamos em criar algo inovador, autêntico e que tenha função no campo. Com isso, impactamos mais de 30 mil pessoas na série de webinars de trigo que realizamos entre março e julho deste ano”, destaca o gerente comercial da Biotrigo Genética para a América Latina (Latam), Fernando Michel Wagner.

Bayer com novidades em híbridos para a safrinha

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A Bayer traz ao mercado o lançamento de cinco híbridos das suas marcas Sementes Agroceres, Agroeste e Dekalb. Agroeste: AS1820 PRO3, AS 1822 PRO3 e AS1868 PRO; Agroceres: AG 8065 PRO3; e Dekalb DKB 360 PRO3. O produtor de Conceição das Alagoas/ MG Guilherme Carrijo, foi um dos agricultores que testou o DKB 360 PRO3. “Nos dedicamos muito para que tudo seja bem feito. E falar sobre o DKB 360 PRO3, para mim, é muito fácil. Acreditamos nesse lançamento, porque gostamos de novidades. Quando olhamos o conjunto da obra, vemos a sanidade de folha e de combo, e a qualidade de grão. A espiga tem um padrão interessante, porque formou um bom número de grãos da fileira até na ponteira, o que mostra a produtividade.”


SEEDCORP|HO: ATUAÇÃO EM TODA A CADEIA FAVORECE CRESCIMENTO

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Fábio Ruggiero, diretor de Marketing e Licenciamento da Seedcorp | HO

Como você avalia a evolução da atuação da Seedcorp | HO no Brasil nos últimos anos?

Em 2017, com a fusão com a HO Sementes (empresa do Grupo Dom Mario), a empresa foi reestruturada e construiu uma estratégia diferenciada no mercado de sementes de soja, cujos ajustes trouxeram uma mudança significativa na forma de atuação no mercado da América do Sul. Estamos presentes em toda a cadeia: pesquisa, produção, desenvolvimento de mercado, venda, distribuição, logística e armazenagem, até chegar ao nosso consumidor final. Atingimos, em três anos, uma taxa de retorno significativa, reduzimos nossos custos com royalties, por meio de pesquisa própria, o que melhorou significativamente a margem de contribuição de nossos produtos e, diretamente, o resultado final da empresa. Temos uma robusta rede de licenciamento que representa 50% das nossas vendas e já atingimos volumes de comercialização próximos de 100 mil sacas de milho; além de sermos uma empresa com visibilidade no mercado nacional. Atuamos em todo o País e ainda na Argentina, no Paraguai e no Uruguai, em uma área que equivale a 60 milhões de hectares.

Quais são as estratégias e os planos da empresa para ampliar a atuação no País?

Atualmente, a penetração comercial da Seedcorp | HO é de 5,5 milhões de hectares, o que equivale a 15% do mercado de soja brasileiro. Temos variedades de alta performance e amplitude, o que assegura nosso crescimento junto aos agricultores com os quais já trabalhamos. Nosso grande desafio é aumentar nossa capilaridade e expandir nossa oferta ao restante do mercado. E estamos trabalhando para isso. Recentemente, firmamos parceria com a Agro Galaxy – plataforma agrícola do grupo Aqua Capital –, com a Sementes Campeã e a Rural Brasil, em todo o Cerrado brasileiro; a Grão de Ouro, em Minas Gerais; a Agro Ferrari, em São Paulo; e a Agro 100, no Paraná. Foi mais um passo para ampliar a oferta de sementes de soja em todo o País. Esperamos aumentar a capilaridade do nosso germoplasma, disponibilizando, para a safra 2021/2022, 3,5 milhões de sacas de sementes de soja. Hoje, além do modelo verticalizado, temos 17 parcerias de licenciamento que visam ofertar cada vez mais os nossos materiais genéticos ao produtor.

Qual é a participação da empresa no segmento de soja no Brasil e qual a expectativa para o avanço desse mercado em 2020 e em 2021?

Devemos fechar o ano com 8% de market share, com base no volume já comercializado. E, para a próxima safra, em 2021, nossa expectativa é alcançar, aproximadamente, 10%. Também estamos bastante otimistas com o futuro, já que temos as principais biotecnologias que serão lançadas.

Qual foi a receita da empresa em 2019 e qual a projeção para os negócios até o fechamento deste ano?

Em 2019, faturamos R$ 223 milhões, aproximadamente 50% com o modelo verticalizado (venda com a própria marca) e 50% licenciado. Na safra 2020/2021, a Seedcorp | HO espera faturar R$ 320 milhões.