Fitossanidade

Ações para o controle da FERRUGEM DA SOJA

A ferrugem-asiática da soja é a doença mais severa que ocorre na cultura, sendo relatada na maioria das regiões produtoras. A doença pode causar perda total de produtividade, mas o potencial de dano reduz à medida que incide mais tarde na lavoura. Após a sua constatação em lavouras no Brasil em 2001, ocorreram diversas mudanças no sistema produtivo. Vinte anos após a sua introdução, as perdas, quando acontecem, são localizadas, e a doença tem sido menos severa nos últimos anos. Entre as mudanças no sistema produtivo, ocorreram medidas específicas para o controle da doença e outras não específicas, mas que influenciaram o seu manejo.

Uma das medidas que beneficiou o controle da doença foi a adoção do vazio sanitário, período mínimo de 60 dias sem plantas de soja no campo durante a entressafra com o objetivo de reduzir o inóculo do fungo Phakopsora pachyrhyzi, por meio da eliminação do seu principal hospedeiro, a soja. Atualmente, 13 estados e o Distrito Federal adotam o vazio sanitário. Seguindo o exemplo do Brasil, em 2011, o Paraguai estabeleceu o período de vazio sanitário. A implementação de períodos de vazio sanitário pode proporcionar atraso nos primeiros relatos da ferrugem-asiática em lavouras comerciais.

Consórcio Antiferrugem

As primeiras ocorrências da doença em lavouras comerciais têm sido reportadas no site do Consórcio Antiferrugem (www.consorcioantiferrugem.net), nos últimos anos, nos meses de novembro e dezembro. E, em alguns estados, somente em janeiro, quando as primeiras lavouras de soja se encontram em fase de formação de grãos ou em algumas situações em colheita, escapando da doença.

Outra mudança que ocorreu nos últimos dez anos e que não teve como objetivo específico o controle da doença, mas que beneficiou o seu manejo, foi a utilização de cultivares de soja de ciclo precoce, para permitir uma segunda safra de verão de milho, algodão ou feijão. A ferrugem-asiática é uma doença policíclica, ou seja, o fungo tem vários ciclos em um único ciclo da cultura. Quanto menor o ciclo da cultura, menos ciclos o fungo tem. Além das cultivares precoces apresentarem um menor número de ciclos do fungo, quando são semeadas logo após o final do vazio sanitário, em condições de baixo inóculo inicial do fungo, podem escapar da doença.

A associação do vazio sanitário e a semeadura de cultivares de ciclo precoce logo após esse período têm proporcionado o escape da ferrugem-asiática em várias regiões produtoras nos últimos anos. Somente essas duas estratégias tiveram um grande impacto nas epidemias da doença, fazendo com que a doença se comporte de forma menos severa nos últimos anos.

Cultivares resistentes

No entanto, não é possível semear cedo em todas as regiões, em decorrência das limitações climáticas, ou utilizar cultivares precoces. Nessas situações, as cultivares com genes de resistência e os fungicidas têm um papel importante para evitar reduções de produtividade. O número de cultivares com gene de resistência vem aumentando nos últimos anos e é uma boa ferramenta, principalmente para as regiões e épocas onde a ferrugem apresenta maior severidade.

As cultivares resistentes não são imunes à ferrugem-asiática, pois o fungo ainda consegue causar lesões nas plantas. A cultivar resistente apresenta uma lesão maior, mas com menor quantidade de esporos do fungo, reduzindo sua multiplicação quando comparado com uma cultivar suscetível. O uso das cultivares com gene de resistência não dispensa a adoção de outras medidas de manejo para a doença, incluindo a pulverização com fungicidas.

Fungicidas avaliados anualmente

Os principais fungicidas registrados e em fase de registro são avaliados anualmente pela rede de ensaios cooperativos, e os resultados de eficiência são publicados no site da Embrapa Soja e do Consórcio Antiferrugem. Resultados recentes devem ser consultados em razão da mudança de sensibilidade e da adaptação aos fungicidas que vêm ocorrendo com o fungo P. pachyrhizi e com todos os outros fungos na cultura da soja. Nos ensaios cooperativos, os fungicidas são avaliados individualmente, em aplicações sequenciais, para determinar a eficiência de controle.

Aplicações sequenciais e de forma curativa devem ser evitadas para diminuir a pressão de seleção de resistência dos fungos aos fungicidas. Os experimentos de ferrugem-asiática são realizados nas semeaduras tardias, a partir de novembro, para garantir a presença da doença, ressaltando que essa não é a situação de muitas lavouras no Brasil que têm apresentado escape da doença ou incidência tardia por serem semeadas mais cedo logo após o vazio sanitário.

Na safra 2019/2020, no experimento com fungicidas registrados, foram avaliados 12 fungicidas e dois programas (T14 e T15) que incluíram rotação de fungicidas por 23 instituições de pesquisas em diferentes regiões produtoras. As aplicações se iniciaram entre 45 e 50 dias após a emergência, no pré-fechamento das linhas de semeadura, e foram repetidas em intervalos médios de 14 dias. Essa foi a primeira safra na qual foram avaliados programas com rotação de fungicidas para mostrar que, nessa situação, todos os produtos podem ser utilizados, reduzindo a seleção de resistência. Nos programas, os fungicidas com menor eficiência foram avaliados com a adição de multissítios.

Todos os tratamentos apresentaram severidade estatisticamente inferior à testemunha sem fungicida (T1). A porcentagem de controle dos tratamentos com fungicidas registrados variou de 48% a 79%. As menores severidades e maiores porcentagens de controle foram observadas para o Programa 1, com rotação de fungicidas (T14 – 79%) e para os tratamentos com mancozebe + picoxistrobina + tebuconazol (T8 – 76%) e bixafen + protioconazol + trifloxistrobina (T13 – 76%) seguido do Programa 2 (T15 – 75%). As menores eficiências de controle foram observadas para os tratamentos com trifloxistrobina + ciproconazol (T3 – 48%), picoxistrobina + ciproconazol (T2 – 50%) e azoxistrobina + benzovindiflupir (T9 – 50%).

As maiores produtividades foram observadas para os tratamentos com o Programa 1 (T14 – 3.829 kg/ha), bixafen + protioconazol + trifloxistrobina (T13 – 3.739 kg/ha), Programa 2 (T15 – 3.718 kg/ha) e mancozebe + picoxistrobina + tebuconazol (T8 – 3.681 kg/ ha), seguido de tebuconazol + clorotalonil (T6 – 3.661 kg/ha), oxicloreto de cobre + fluxapiroxade (T7 – 3.643 kg/ ha), piraclostrobina + epoxiconazol + fluxapiroxade (T12 – 3.600 kg/ha) e trifloxistrobina + protioconazol (T4 – 3.590 kg/ha) (Tabela 1).

A redução de produtividade do tratamento sem fungicida (T1 – 2.941 kg/ha) em relação ao tratamento com a maior produtividade (T14) foi de 23%, inferior à safra 2018/2019, na qual a média de redução de produtividade dos experimentos foi de 39%. A menor redução de produtividade na safra 2019/2020 ocorreu em razão da ocorrência tardia de ferrugem-asiática em alguns experimentos.

As informações dos ensaios cooperativos devem ser utilizadas na determinação de programas de controle, priorizando sempre a rotação de fungicidas com diferentes modos de ação e adequando os programas à época de semeadura. Apesar da ferrugem-asiática ser a doença com maior potencial de dano na cultura, o escape que ocorre nas primeiras semeaduras, em razão do vazio sanitário, tem feito com que outras doenças apareçam nas lavouras semeadas mais cedo. Conhecer a resistência das cultivares para as doenças, o histórico da área, fazer o monitoramento e acompanhar as ocorrências de ferrugem na região é fundamental para realizar o controle no momento correto não só da ferrugem, mas também das outras doenças que podem incidir na lavoura. Informações sobre o controle das outras doenças da soja podem ser consultadas em www. embrapa.br/soja.

Tecnologias da Sumitomo para soja, milho e amendoim

Fitossanidade

A Sumitomo Chemical anunciou, em agosto, na Conexão Cooperativa Casul – feira transmitida on-line e focada em soluções e tecnologias para grãos –, o registro do herbicida mancha-alvo e manejo de resistência da ferrugem, e estará disponível na safra 2020/21. O produto voltado para as primeiras aplicações de fungicidas na lavoura, é uma formulação líquida de baixa dosagem, fácil diluição e que não causa entupimento nas pontas do pulverizador. “A solução possui alta performance para o controle das principais doenças da soja, como a mancha-alvo e a ferrugem asiática. A formulação inovadora foi desenvolvida para ser uma grande aliada no manejo eficiente da lavoura e para dar mais praticidade e conveniência.


Syngenta integra o programa Caminhos do Agro

Fitossanidade

Para mostrar como o estado de São Paulo é gigante na produção agropecuária, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento desenvolveu o programa “Caminhos do Agro SP”. A iniciativa tem o apoio de Syngenta, UPL e TV Cultura e será composta por uma websérie de 18 lives, que abordarão estratégias, pesquisas e ações que contribuem para que o produtor paulista tenha uma produção cada vez mais eficiente e sustentável. Na abertura, o diretor de Sustentabilidade Latam da Syngenta, Valter Brunner, apresentou exemplos de projetos, baseados em parcerias, que estão auxiliando as boas práticas agrícolas.


Soluções da FMC para a cana: do preparo do solo à colheita

Fitossanidade

Christian Menegatti gerente de Produto da FMC

Qual é a participação da FMC no mercado de soluções fitossanitárias voltadas à cana e quais são os diferenciais do trabalho da empresa direcionado à cultura?

A FMC é líder no mercado de cana-de-açúcar há mais de dez anos. Ao longo da sua trajetória na cultura, a FMC se diferencia pelo trabalho no campo junto aos produtores, às usinas e às cooperativas como uma empresa de pesquisa e desenvolvimento de soluções para os grandes desafios do setor sucroenergético.

Quais são as mais recentes novidades da empresa apresentadas aos produtores de cana?

Em junho, a FMC lançou a campanha “Onde tem Cana, tem Energia”, uma campanha institucional de apoio ao setor sucroenergético, com o propósito de levar à sociedade todos os benefícios do setor. Queremos mostrar a importância do etanol e da bioenergia na matriz energética brasileira, a importância do açúcar na dieta do brasileiro e sua contribuição na balança comercial brasileira, entre outros fatores relevantes da cultura da cana

E quais são as principais demandas dos produtores quando se pensa em desafios fitossanitários na cultura da cana?

Acredito não existir algo específico no ponto de controle fitossanitário em cana-de-açúcar. Pragas como broca-da-cana, nematoides, cigarrinhas, plantas daninhas e doenças como ferrugem e podridão têm importância similar e devem ser controladas para atingir excelência em produtividade. A FMC possui o portfólio mais completo do mercado para a cultura, com presença desde o preparo de solo, o pré-plantio até a colheita.

Além de produtos e formulações inovadoras, quais são as práticas de manejo que a FMC incentiva junto aos produtores para a prevenção e o controle de problemas fitossanitários?

Produtividade e sustentabilidade têm sido os principais focos para a agricultura brasileira nos últimos anos. E, num cenário desafiador de produção de energia e alimentos, incrementar a produtividade de maneira sustentável tem sido a melhor opção para os produtores do setor sucroenergético. Em linha com essas necessidades, a FMC lançou, recentemente, o programa Gennesis, que promove a proteção da lavoura de cana nos momentos iniciais de desenvolvimento, associando soluções químicas e biológicas, permitindo que a planta cresça livre das principais pragas e doenças e expresse ao máximo o seu potencial produtivo.