Agribusiness

MILHO Cenário segue complicado para setores demandantes
Arno Baasch - [email protected]

Agosto se aproximava do final, e os setores demandantes de milho no Brasil permaneciam com um cenário bastante complicado. Segundo levantamento de Safras & Mercado, a colheita da safrinha superava, então, mais de 86%, mas a disponibilidade do cereal segue muito restrita em praticamente todo o País. “Os produtores seguem com a estratégia de reter as intenções de venda do milho, o que contribuiu para um quadro de elevação dos preços”, comenta o analista de Safras & Mercado, Paulo Molinari. O fator câmbio segue atuando com um fator de sustentação dos preços no mercado interno em meio ao movimento de desvalorização do real. Segundo o line-up, a programação de embarques dos portos brasileiros, no acumulado de fevereiro a setembro, as nomeações de exportações atingem 16,408 milhões de toneladas. “Somente em agosto as exportações devem ficar em 6,7 milhões de toneladas, com embarques de 3,4 milhões de toneladas esperados para setembro. Mas o volume embarcado no ano não deverá superar as 35 milhões de toneladas”, sinaliza Molinari. No cenário internacional, o analista ressalta que o cereal vem sinalizando uma recuperação dos preços ao longo de agosto, puxada pela demanda mais efetiva para o milho norte-americano e por perdas em áreas produtoras daquele país, especialmente no estado de Iowa, o que poderá ser confirmado no relatório de oferta e demanda de setembro USDA.


TRIGO Geadas provocam reajuste negativo para safra brasileira
Gabriel Nascimento - [email protected]

As lavouras de trigo do Sul do Brasil e do Paraguai foram atingidas, entre 20 e 22 de agosto, por geadas de intensidades variadas. A ocorrência climática comprometeu o desenvolvimento das plantas e provocou reajustes nas projeções para as safras em 2020. No Paraná, as regiões Oeste e Sudoeste foram atingidas moderadamente, enquanto o Norte não sofreu com a intempérie. Conforme o Deral/PR, aproximadamente um terço da área estadual sofreu de alguma maneira com a intempérie. Ainda assim, a nova estimativa de Safras & Mercado para a produção paranaense nesta temporada representa uma queda de 6% na comparação com a anterior, passando de 3,6 milhões para 3,4 milhões de toneladas. Segundo o analista de Safras Jonathan Pinheiro, o Norte do Paraná sofre com o excesso de chuvas, mantendo o solo úmido no momento em que deve ser iniciada a colheita do grão. O Rio Grande do Sul teve todas as suas lavouras afetadas pelas geadas, sendo 85% intensamente e 15% de forma moderada. O reajuste na projeção de Safras & Mercado foi negativo em 10%, passando de 2,4 milhões para 2,15 milhões de toneladas. Os núcleos regionais da Emater/RS realizam pesquisas de campo para dimensionar as perdas. Os números podem ser atualizados nos próximos dias à medida que ficarem mais claras as reais condições Média dos preços do milho das lavouras. Estima-se que os efeitos da geada sejam notados de dez a 15 dias após a ocorrência.


SOJA Brasil dev erá exportar 83 milhões de toneladas 2021
Dylan Della Pasqua - [email protected]

As exportações brasileiras de soja deverão totalizar 83 milhões de toneladas em 2021, subindo 2% sobre o volume de 2020, projetado em 81 milhões de toneladas. A previsão faz parte do quadro de oferta e demanda brasileiro, divulgado por Safras & Mercado. “Com o Brasil devendo colher nova safra recorde em 2021, as exportações devem continuar crescendo, diante de uma demanda chinesa firme”, avalia o analista de Safras Luiz Fernando Roque. Segundo ele, a demanda por biodiesel e por exportação de carnes deverão levar a um maior esmagamento. “Com isso, os estoques tendem a continuar apertados”, completa. Safras indica esmagamento de 45 milhões de toneladas em 2021 e de 44 milhões de toneladas em 2020, representando um aumento de 2% entre uma temporada e outra. Em relação à temporada 2021, a oferta total de soja deverá subir 3%, passando para 134,026 milhões de toneladas. A demanda total está projetada por Safras em 131,6 milhões de toneladas, crescendo 2% sobre o ano anterior. Dessa forma, os estoques finais deverão subir 11%, passando de 2,185 milhões para 2,426 milhões de toneladas.


CAFÉ Preços remuneradores pelas altas em NY e do dólar
Lessandro Carvalho - [email protected]

O produtor brasileiro de café segue aproveitando em 2020 bons momentos para a venda dos grãos. Os repiques, ou subidas, do café arábica da Bolsa de Nova York (ICE Futures US) e do dólar vão garantindo preços remuneradores para o cafeicultor, que, além de cotações relativamente altas para a commodity, contam com um volume de safra recorde colhido neste ano. Na Bolsa de Nova York, o arábica se aproxima do término de agosto (em 27/08) com o contrato dezembro acima da importante linha técnica e psicológica de US$ 1,20 por libra-peso. Ainda com a pressão de baixa de uma safra recorde no Brasil, NY foca para a safra futura de 2021 do País, que será menor dentro do ciclo bienal da cultura. E isso é um aspecto para a sustentação dos preços na bolsa. Além disso, espera-se uma reação no consumo global com o “afrouxamento” das medidas de distanciamento social em meio à pandemia do coronavírus. Há a reabertura do comércio em muitos países, com restaurantes, cafeterias e outras lojas podendo reaquecer o consumo da bebida fora do lar, muito prejudicado pela Covid-19. O outro importante formador de preço no Brasil, o dólar, também vai garantindo muitos bons momentos para a venda do café pelos produtores no ano. A moeda estava em R$ 4,00 no começo do ano, foi a R$ 6,00, baixou depois e, no final de agosto, estava muito firme, novamente, acima de R$ 5,50.


ALGODÃO Pluma brasileira atinge maior cotação desde outubro de 2018
Rodrigo Ramos - [email protected]

A maior presença de compradores num mercado ainda com escassez de oferta no disponível e a expressiva valorização do dólar em relação ao real resultaram em alta expressiva das cotações do algodão no Brasil. A afirmação foi feita pelo analista de Safras & Mercado Élcio Bento. Na média do Cif de São Paulo, a pluma fechou cotada a R$ 3,29 por libra-peso em 26 de agosto, alcançando a maior cotação desde 7 de outubro de 2018. A recuperação acumulada em relação ao mesmo período de julho chega a 18% e, na comparação como mesmo período do ano anterior, a 33,2%. “Vale lembrar que o beneficia- País, que será menor dentro do ciclo bienal da cultura. E isso é um aspecto para a sustentação dos preços na bolsa. Além disso, espera-se uma reação no consumo global com o “afrouxamento” das medidas de distanciamento social em meio à pandemia do coronavírus. Há a reabertura do comércio em muitos países, com restaurantes, cafeterias e outras lojas podendo reaquecer o consumo da bebida fora do lar, muito prejudicado pela Covid-19. O outro importante formador de preço no Brasil, o dólar, também vai garantindo muitos bons momentos para a venda do café pelos produtores no ano. A moeda estava em R$ 4,00 no começo do ano, foi mento atual é próximo a 20% da safra nacional e tem sido utilizado basicamente para cumprir contratos fechados antecipadamente”, destaca. “Assim, mesmo que a procura ainda seja moderada por parte das indústrias, há uma pressão de alta”, frisa. Além disso, o produto nacional segue bastante competitivo no mercado internacional. A indicação no Fob exportação de Santos/SP fechou o dia 26 de agosto em 58,11 centavos de dólar por libra-peso, valor 11,4% inferior ao contrato de dezembro de 2020 em Nova York. Há um mês, era 9,4% inferior. “A tendência é que o produto brasileiro passe a estreitar este spread em relação ao do seu maior concorrente”, pondera Bento.


ARROZ Governo trabalha para preço voltar ao equilíbrio
Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de arroz seguiu sua estalada de preços durante agosto. Na média do Rio Grande do Sul, estado referência, a indicação ficou em R$ 89,51 por saca de 50 quilos em 26 de agosto. Em 30 dias, a alta acumulada era de 35,93%. Frente ao mesmo período do ano anterior, a elevação chegava a 102,32%. Segundo a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que participou de live da Conab em 25 de agosto, o Governo Federal está trabalhando para o preço do arroz retornar ao equilíbrio. A ministra enalteceu que o preço do arroz é remunerador ao produtor. “Mas já está caro ao consumidor”, adverte. De qualquer forma, Tereza Cristina não especificou quais medidas poderiam ser tomadas pelo Governo para segurar o preço do cereal. Tiago Sarmento Barata, diretor-executivo do Sindicato da Indústria do Arroz no Estado do Rio Grande do Sul (Sindarroz), lembra que o preço do cereal subiu muito nos últimos 30 dias. “Esse valor muito alto vai induzir a um aumento exagerado de área”, aposta. Para ele, a cotação atual também vai afetar o consumo interno, já que o poder aquisitivo da população está menor devido aos efeitos da pandemia do novo coronavírus.