Congresso do Agronegócio

O agro e as lições para o FUTURO

A importância de promover a sustentabilidade no setor esteve no centro dos debates do tradicional evento realizado em agosto pela Associação Brasileira do Agronegócio

A 19ª edição do Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA) foi acompanhada virtualmente por mais de 8 mil pessoas, no dia 3 de agosto. O evento, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e pela B3, teve como tema central “Lições para o Futuro”. Em três painéis, os debatedores abordaram os desafios do setor neste momento de crise mundial e as tendências do pós-pandemia.

O presidente do Conselho Diretor da Abag, Marcello Brito, afirmou que o período pós-Covid-19 já mostra os sinais de uma realidade que priorizará a saúde, a sanidade e a sustentabilidade. “Também na esteira da saúde está a luta contra a poluição, que, em síntese, tende a acelerar no mundo a economia verde, de baixo carbono na lógica da economia circular. Isso abre ao Brasil e ao mundo portas oportunas de um novo paradigma de desenvolvimento, numa visão moderna e socialmente mais justa e integrativa”, avaliou.

Brito anunciou que a Abag é a primeira associação do agronegócio no mundo a neutralizar todas as suas emissões de gases de efeito estufa em 2019. A iniciativa pioneira e inovadora foi possível devido ao novo ativo ambiental do agronegócio brasileiro, os CBios, créditos de descarbonização criados pela Política Nacional de Biocombustíveis (Renovabio).

Preservação é investimento

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ressaltou que o Brasil é uma potência no agro, mas também na área ambiental, porque consegue desenvolver e preservar de forma contínua. Ela acrescentou a importância da tecnologia desenvolvida no País a partir da Embrapa e que contribui para o abastecimento de mais de 200 países e a abertura, apenas neste ano, de 70 mercados. “Teremos um mundo mais exigente em sanidade, em sustentabilidade. Por isso, neste ano, quando estávamos construindo o Plano Safra, fizemos questão de inserir recursos para os diversos programas que priorizam a sustentabilidade”, observou.

O diretor-executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) e facilitador da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura, André Guimarães, afirmou que é preciso reconstruir a reputação brasileira, mostrando ao mundo que todos os setores estão unidos – produtor rural, ambientalistas, governo, academia e setor privado.

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Marcello Brito: Abag é a primeira associação do agro no mundo a neutralizar as emissões de gases de efeito estufa

Para isso, é preciso explicar que o meio ambiente não é externalidade para o agro, mas um aspecto intrínseco para o setor. “Sem a Amazônia em pé, não teremos atratividade de capitais e poderá faltar água para a nossa produção agrícola”, frisou. Para Guimarães, o meio ambiente precisa ser considerado um ativo, assim como a preservação da Amazônia é um investimento.

Os palestrantes do 19º CBA também abordaram questões como financiamento, seguro rural, cooperativismo e acordos internacionais. A íntegra do evento pode ser acessada no canal da Abag no YouTube.