Primeira Mão

Trigo em alta

A produção de trigo pode saltar, aproximadamente, 30% neste ano, para 6,6 milhões de toneladas. A estimativa é de Safras & Mercado, número superior ao previsto pela Conab, de 5,7 milhões de toneladas. A expansão se baseia sobre a base fraca de 2019, visto o então clima adverso. O atraso do atual plantio e o câmbio desfavorável à importação devem manter a cotação do cereal em alta.


Mais biológicos

O Ministério da Agricultura publicou, em junho, o registro de dois defensivos bioquímicos inéditos, classificados pela Anvisa no menor grau de toxicidade. Um é à base de Cerevisane, para ser utilizado como indutor de resistência contra a ferrugem da soja; o outro, um extrato da alga Laminaria digitata, fungicida para hortaliças. No ano, já foram registrados 26 produtos biológicos.


Fertilizantes sobem

As incertezas sobre os consumos de alimentos (e, por consequência, de insumos) em razão da pandemia levaram à redução, em dólar, de 5% nos preços internacionais dos principais fertilizantes (NPK) em abril sobre o mês anterior. Mas, visto o câmbio, por aqui, os preços aumentaram 8,86% de março para o mês seguinte. Apenas o fosfatado se elevou em 10%; enquanto o nitrogenado, em 7%; e o potássico, em 3%. O levantamento é do Cepea/Esalq.


60,9%

Foi a fatia generosa do agronegócio no total das exportações brasileiras em maio – a maior participação até hoje. O setor embarcou US$ 10,9 bilhões, ampliação de 17,9% sobre o mesmo período do ano passado, valor recorde para um mês de maio. A soja respondeu por US$ 5,2 bilhões, ou 44,9% do total exportado pelo setor. E a China, a maior compradora de soja, açúcar, celulose e carnes brasileiras, representou 44,1% do total exportado pelo agro do Brasil, ou US$ 4,91 bilhões.

A soja deveria superar as 62,8 milhões de toneladas exportadas no primeiro semestre, desde que se confirmasse o volume de 13 milhões de junho projetado pela Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec). O volume é 40% superior ao mesmo período de 2019. A alta demanda chinesa e o câmbio favorável justificam a dimensão em valores.


Mais seguro

Um dos destaques do Plano Agrícola e Pecuário 2020/21, anunciado pelo Ministério da Agricultura em junho, foi o aumento de recursos para a subvenção ao seguro rural: +30%, ou R$ 1,3 bilhão, ante R$ 1 bi na edição anterior. Pela projeção do ministério, o valor vai possibilitar a cobertura de 21 milhões de hectares, um montante segurado de R$ 52 bilhões distribuído em quase 300 mil apólices.


E menos juros

Todas as linhas tiveram redução de juros, algo comemorado pelo setor, ainda que a expectativa fosse de cortes maiores. A exemplo, o ajuste do Pronaf aos agricultores familiares foi de 3% a 4,60% para 2,75% e 4% (corte de 13%). Já no Pronamp, aos médios produtores, a taxa caiu de 6% para 5%.


O sonho do plurianual

E um histórico anseio dos produtores voltou ao cenário. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) vai entregar à ministra Tereza Cristina uma proposta de um plano plurianual para o setor, para que, assim, fosse possível um melhor planejamento e previsibilidade a todos. “Precisamos acabar com essa correria pelos recursos. Teremos objetivos claros para saber o que fazer daqui a dois, três anos”, justificou o presidente da entidade, João Martins.


O algodão e a pandemia

O consumo interno de algodão deve recuar para o menor nível em 36 anos, desde a safra de 1984/85, em razão da pandemia, que afeta diretamente a indústria têxtil. O segmento do vestuário é um dos mais afetados pela crise do momento. A estimativa é de Safras & Mercado. Para 2020/21, a previsão é de um consumo de 640 mil toneladas, queda de 5,88% ante a temporada anterior.


Colhedora para pequenos

A Embrapa Algodão criou um protótipo de colhedora de algodão para pequenas áreas da pluma. A máquina, desenvolvida pelos pesquisadores Odilon Reny Ribeiro e Valdinei Sofiatti, já foi testada em lavouras baianas, cearenses e potiguares. A colhedora é para uma linha, podendo colher um hectare a cada três horas e meia, rendimento de 389 quilos de fibra por hectare e um custo 70% menor em comparação à colheita manual. O protótipo, agora, aguarda validação.