Agribusiness

TRIGO Clima é ponto de destaque do mercado

Gabriel Nascimento - [email protected]

O clima é o principal ponto de atenção do mercado brasileiro de trigo. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, as condições meteorológicas no Brasil e na Argentina são essenciais para a formação de preços do grão no cenário interno. No Paraná, o plantio atingia, até 16 de junho, 82% da área, projetada pelo Deral/PR em 1,09 milhão de hectares. No mesmo período do ano passado, os trabalhos chegavam a 87%, porém a superfície era 6% inferior. No Rio Grande do Sul, os trabalhos atingiam, até 18 de junho, 43% da área, de 915,7 mil hectares. O atraso em pontos percentuais é de 7%, porém, em números absolutos, a superfície, em 2020, é 20,34% superior. Já na Argentina, os trabalhos atingem 58,1% da área e estão bem adiantados. Entretanto, a previsão de clima seco pode atrapalhar o implante e comprometer o desenvolvimento da safra argentina. “Apesar do clima favorável no Brasil, qualquer alteração nesse quadro pode adicionar pressão altista sobre o mercado, que já espera a entrada da oferta.” A colheita no Paraná deve sofrer atrasos, “o que contribui para um alongamento das elevações nas cotações internas devido à alteração na sazonalidade do abasteci- mento”, diz o analista.


ALGODÃO Com coronavírus, estoques devem subir muito

Rodrigo Ramos - [email protected]

O algodão é uma das commodities mais afetadas pela pandemia do coronavírus. Como o vestuário não é um bem de primeira necessidade, é o que mais sofre com a crise econômica gerada pelo vírus. “Ao contrário da comida, uma pessoa pode ficar um ano sem comprar uma roupa”, exemplifica o analista de Safras & Mercado Élcio Bento. Internamente, os danos à indústria têxtil brasileira são bastante sentidos. “Para a temporada 2020/21, o consumo interno deve cair para os níveis de 1984/85, ficando em 640 mil toneladas, ante 680 mil toneladas em 2019/20”, lamenta Bento. Nesse contexto, os estoques de passagem da temporada 2019/20 devem ser de 700 mil toneladas, ante 414 mil toneladas em 2018/19. “Com o consumo doméstico em baixa, vamos precisar exportar muito”, pondera o analista. Com uma produção de 2,88 milhões de toneladas de pluma na safra 2019/20, a oferta total deve chegar a 3,6 milhões de toneladas. Na temporada 2019/20, as exportações atingiram 1,9 milhão de toneladas. “Nossa capacidade logística foi testada, mas pode estar no limite”, adverte. “Devemos exportar novamente um volume recorde na temporada 2020/21, mas não há dúvidas que a logística é um dos principais gargalos”, frisa. Conforme Bento, o Brasil perde competitividade frente a outros países Média dos preços do algodão em pluma exportadores devido à distância dos portos. “Ainda que o custo do frete não seja tão significativo no caso do algodão.”


SOJA USDA: safra brasileira de 131 milhões de toneladas

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O relatório de junho do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projetou safra mundial de soja em 2020/21 de 362,85 milhões de toneladas. Em maio, o número era de 362,76 milhões de toneladas. Já os estoques finais estão estimados em 96,34 milhões de toneladas, enquanto o mercado esperava por estoques finais de 100,1 milhões de toneladas. Em maio, a previsão era de 98,39 milhões de toneladas. A projeção do USDA aposta em safra americana de 112,26 milhões de toneladas. Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 131 milhões de toneladas. A Argentina deverá produzir 53,5 milhões de toneladas. A estimativa para as importações chinesas em 2020/21 é de 96 milhões de toneladas. Para 2019/20, o USDA indicou safra de 335,35 milhões de toneladas. Os estoques finais estão projetados em 99,19 milhões de toneladas, ao mesmo tempo em que o mercado apostava em 100,3 milhões. A safra brasileira teve sua estimativa mantida pelo USDA em 124 milhões de toneladas. O mercado previa número de 123 milhões. A safra argentina foi cortada de 51 milhões para 50 milhões de toneladas, enquanto o mercado previa 51 milhões. As importações chinesas foram elevadas de 92 milhões para 94 milhões de toneladas.


MILHO Safrinha 2019/20 deve superar 75 milhões de toneladas

Dylan Della Pasqua - [email protected]

A segunda safra de milho brasileira da temporada 2019/20, também denominada de safrinha, deverá totalizar 75,091 milhões de toneladas, com aumento de 0,88% sobre a temporada anterior, quando foram colhidas 74,434 milhões de toneladas. A previsão é de Safras & Mercado. Na estimativa anterior, divulgada em maio, a previsão era de 69,56 milhões de toneladas. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, a revisão para cima na estimativa de produção é reflexo da área plantada, que superou as expectativas. O levantamento indica plantio de 13,399 milhões de hectares, superando em 9,3% a semeadura do ano passado, de 12,257 milhões de hectares. Na estimativa anterior, a área estava indicada em 12,46 milhões. A produtividade recuou de 6.072 quilos por hectare para 5.604 quilos por hectare do ano passado para o atual. A safra total brasileira agora está estimada em 108,381 milhões de toneladas, superando o total colhido no ano passado, de 107,375 milhões de toneladas. Em maio, a estimativa de produção total era de 101,493 milhões de toneladas.


CAFÉ Negócios diminuem com a queda nas cotações

Lessandro Carvalho - [email protected]

As quedas registradas para o café no mercado internacional, que se refletiram também no Brasil, reduziram o ritmo da s negociações. Os produtores adiantaram as vendas da safra nova e, com as baixas, “puxaram o freio”. Os cafés arábica de melhor qualidade no Brasil chegaram a passar de R$ 600,00 a saca em maio. Depois, a Bolsa de NY teve perdas e passou a trabalhar abaixo de US$ 1 a libra-peso, e o dólar também enfraqueceu (agora, já está subindo novamente). Isso levou os cafés no Brasil a caírem abaixo de R$ 500,00. A comercialização da safra nova 2020/21 (julho/junho), que está em colheita, chegou a 34% até 9 de junho, segundo Safras & Mercado, que mostra que as vendas evoluíram em seis pontos percentuais em relação ao mês anterior. As vendas estão bem avançadas em comparação ao ano passado, quando 28% da safra estava comercializada até então. Assim, já foram comercializadas 23,13 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base estimativa de Safras & Mercado, de uma safra 2020/21 de 68,1 milhões de sacas. O consultor de Safras Gil Barabach destaca que o mercado físico interno diminuiu bem o ritmo dos negócios nas últimas semanas. “As vendas minguaram tanto no disponível como, especialmente, nas posições antecipadas com safras futuras. Mas o bom fluxo de vendas antecipadas (trocas e fixações) feitas ao longo dos últimos meses garantem o desempenho comercial acelerado, mesmo com a puxada no freio das últimas semanas.”


ARROZ Dólar firme volta a trazer suporte

Rodrigo Ramos - [email protected]

A elevação da moeda norte-americana voltou a trazer suporte ao arroz brasileiro, pois deixa as importações do cereal mais caras. Na média do Rio Grande do Sul, estado referência para preços, a indicação ficou em R$ 61,87 por saca de 50 quilos no dia 18 de junho, ante R$ 61,72 no dia 11. Em 30 dias, havia alta acumulada de 2,32%. Frente ao mesmo período do ano anterior, a elevação era de 40,96%. O cereal começou a sua escalada em março, diante dos primeiros casos de Covid-19 no Brasil, pois os consumidores correram aos supermercados, para se abastecer de produtos não perecíveis. A alta do dólar e dos preços internacionais também trazia suporte. No final de maio, houve uma acomodação na moeda norte-americana, que estancou a alta do cereal. Porém o dólar voltou a subir forte frente ao real em junho, trazendo novo suporte ao grão. O nono levantamento da Conab para a safra brasileira 2019/20 indica produção de 11,126 milhões de toneladas, acréscimo de 6,5% sobre as 10,445 milhões de 2018/19. No oitavo levantamento, eram esperadas 10,848 milhões de toneladas. A área plantada foi estimada em 1,657 milhão de hectares, ante 1,697 milhão semeados na safra 2018/19. A produtividade foi estimada em 6.714 quilos por hectare, superior em 9,1% aos 6.153 quilos na temporada passada.