Na Hora H

AINDA O ASSUNTO DO MERCADO PÓS-PANDEMIA

A grande pergunta que ouvimos em todo o Brasil é como ficará o mercado agrícola brasileiro pós-pandemia. Têm razão os que se preocupam. Os efeitos de interferência no mercado já apareceram rapidamente e de forma contundente nos hortifrutigranjeiros, nas flores, nos combustíveis – inclusive no nosso álcool carburante, que, junto com o açúcar, coloca o Brasil como primeiro exportador. Outros pequenos sinais também apareceram nas frutas, nos legumes e em algum cultivo localizado.

É lógico que os efeitos nessas áreas assustaram – e muito – os produtores, principalmente de produtos em que somos campeões na exportação mundial. Estes, felizmente, ainda não tiveram qualquer susto maior, a não ser o caso da carne bovina, segmento no qual também somos os maiores exportadores do mundo e que, em alguns frigoríficos, a doença acabou atingindo um razoável número de servidores. Isso levou a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, de forma oportuna e inteligente, a estabelecer um protocolo sanitário que tranquilizou o mercado e deu garantia aos consumidores.

Creio que as insinuações que ora surgem na mídia internacional, como no caso da China, pedindo garantias de segurança pela ausência do coronavírus em produtos como soja, milho, algodão e outros, não devem ser tratadas de forma diferente. Em caso de insistência dos consumidores,sabemos que a ministra tem agilidade suficiente para estabelecer protocolos sanitários que garantam aos consumidores a limpeza e a qualidade dos nossos produtos. Convém dizer que, no caso da produção agrícola de grãos e fibras em larga escala – como soja, milho, sorgo, café, algodão e açúcar –, temos que lembrar ao consumidor internacional que essas culturas já estão com um nível de mecanização aqui no qual praticamente não acontece o manuseio em todas as suas fases. Desde a semente, os tratos culturais, a colheita, a limpeza, o processamento, o transporte e os embarques ficam altamente resguardados de contaminações de qualquer espécie.

De fato, a nossa produção de alimentos e produtos agrícolas, hoje, é imbatível em todas as regiões do globo, principalmente pela sua qualidade, seu preço e a constância de oferta. Além disso, deveremos considerar também que, na produção, estamos ganhando na sustentabilidade e na manutenção dos recursos naturais que existem no solo, e que passam a ser a preocupação principal de quem produz no Brasil com esta nova agricultura tropical sustentável.

O nosso País tem grande extensão e variabilidade em seus solos, com presença permanente da luz solar e do calor por 12 meses no ano. Além da presença da água doce em abundância, bem como a variação de oportunidades de várias culturas em rotação a cada dia mais apropriada, o que permite que, em cada área cultivada, se possa tirar até três safras por ano – em 12 meses na mesma área, com as mesmas culturas, com as mesmas máquinas e com o mesmo homem. Isso tudo se constitui vantagens comparativas que permitem o estabelecimento de protocolos sanitários que, em tempo, possam garantir a perfeita sanidade e a segurança dos alimentos aqui produzidos.

Com isso, podemos garantir aos nossos consumidores a sanidade, a qualidade e a segurança de origem no alimento que colocamos nos pratos deles.

Engenheiro-agrônomo, produtor, presidente-executivo da Abramilho e ex-ministro da Agricultura