Seed Point

Os desafios da PRODUÇÃO DE SEMENTES

Tudo começa no planejamento do processo, que vai da escolha da cultivar e da área e, na sequência, plantio, manejo, colheita, beneficiamento e armazenamento

Engenheiros agrônomos com doutorado em Sementes Jonas Farias Pinto, coordenador da Certificação da Fundação Pró-Sementes, [email protected] com.br; e Alexandre Levien, diretor técnico e administrativo da Fundação Pró-Sementes, [email protected]

Na produção de sementes, independentemente da espécie que esteja produzindo, deve-se ter sempre em mente alguns cuidados imprescindíveis para o sucesso do negócio. Afinal, se está trabalhando com um ser vivo, a partir do qual cada semente será capaz de gerar uma nova planta, ou seja, algo muito precioso e divino.

Primeiramente, deve-se ter um planejamento de todo o processo, desde a escolha da cultivar a ser produzida, da área a ser utilizada, passando por plantio, manejo, colheita, beneficiamento, armazenamento e, por fim, expedição das sementes para os agricultores. Esse planejamento é essencial para se estabelecer condições adequadas para a produção de sementes, evitando problemas durante o processo de produção, seja ele técnico (qualidade) ou legal, para que, ao final de tudo, esteja à disposição dos clientes uma semente de alta qualidade e com a segurança no atendimento a todas as exigências legais perante a legislação brasileira de sementes e mudas.

Instalação da lavoura

Para a instalação de campos de sementes, primeiramente, é fundamental a aquisição de semente certificada de alta qualidade genética, física, fisiológica e sanitária. Sementes de alta qualidade são essenciais, pois só assim se pode evitar falhas de plantas nos campos, garantindo um estande adequado de plantas e a superação das intempéries climáticas que poderão ocorrer durante a germinação e a emergência das plantas, além do incremento na produtividade.

A correção da fertilidade do solo dos campos de produção de sementes é de suma importância, pois uma planta mal nutrida fica mais susceptível a doenças e intempéries climáticas, ocasionando a má-formação das sementes, reduzindo drasticamente a produção e a qualidade.

Recomenda-se uma análise prévia do solo, fazendo, assim, a correta correção antes da semeadura dos campos.

Semeadura

A semeadura é um ponto que merece destaque, pois é fundamental que se tenha uma distribuição homogênea e uniforme das sementes, evitando que caiam duas sementes juntas (plantas duplas) ou a falta de sementes (falhas). Isso passa pelo treinamento e pela conscientização dos operadores de que o plantio não é uma aposta de corrida, que se deve primar pela qualidade do estande e da população adequada para a cultivar que se deseja produzir.

Outro ponto importante é a limpeza da semeadora, pois a presença de sementes de outras cultivares pode ser fonte de contaminação genética e física, comprometendo o campo de semente quanto ao padrão exigido pela legislação, podendo levar ao cancelamento do mesmo.

Após a implementação dos campos, um processo de grande importância na produção de sementes são as vistorias dos campos. Vale lembrar que, legalmente, são exigidas duas vistorias obrigatórias, a primeira no florescimento da espécie e a segunda na fase de pré-colheita. Esse ponto é crucial para se verificar a pureza genética do campo de produção de sementes, bem como tomar medidas para a purificação, como a operação de roguing – processo pelo qual se refere ao ato de identificar e remover plantas com características indesejáveis dos campos de produção. Esse processo é prerrogativa do Responsável Técnico da Produção RT, tendo ele a obrigação de lavrar os Laudos de Vistorias, relatando a situação encontrada.

Outro cuidado que vale destacar, tanto na produção de sementes como na de grãos, é o controle em relação às doenças e aos insetos, que podem afetar diretamente a qualidade e a produção dos campos de sementes. O complexo de percevejos ultimamente tem trazido grandes prejuízos ao setor sementeiro, bem como as doenças fúngicas, o que acarreta grande prejuízo na qualidade das sementes e também na produtividade dos campos. Uma boa ferramenta para o controle é o Manejo Integrado de Pragas (MIP), ferramenta com a qual se pode maximizar os esforços e os recursos no controle dos insetos sem agredir o meio ambiente.

A colheita no momento certo

A colheita é um dos gargalos na produção de sementes e, muitas vezes, não recebe a devida atenção. O ponto de colheita é de extrema importância na produção de sementes para a maioria das espécies. Na produção de sementes de soja, por exemplo, recomenda-se que se inicie a colheita quando a média do teor de água das sementes esteja abaixo dos 18%. E não se deve deixar baixar muito a umidade das sementes, pois, além de ficar mais exposta a danos mecânicos, o tempo em que as sementes permanecem no campo além do necessário pode contribuir para a deterioração, reduzindo a qualidade fisiológica (germinação e vigor).

As colheitadeiras devem estar reguladas para esse fim, assim como a capacitação dos operadores, procurando sempre conciliar a rapidez na colheita com menores perdas e menores danos mecânicos das sementes ocasionadas pelo processo de debulha das máquinas.

Após a colheita, as sementes não devem permanecer mais de 24 horas sem que se inicie o processo de secagem. Esse processo é fundamental, pois necessita de cuidados especiais. Para a preservação da qualidade das sementes que saem do campo, tomando como exemplo o caso da soja, a temperatura da massa de sementes não deve ultrapassar os 40°C, pois, acima disso pode comprometer a qualidade das sementes.

Beneficiamento

Com a semente seca, inicia-se o processo de beneficiamento, a etapa na qual as sementes irão passar pelo trato fino, ou seja, serão limpas, classificadas, tratadas e embaladas para, posteriormente, serem armazenadas. Para isso, todos os equipamentos pelos quais as sementes passam devem ser adequados e bem regulados, pois, do contrário, todo esse processo estará comprometido.

Para se ter uma noção da importância e da complexidade que é a produção de sementes, todo o investimento e o esforço realizados para se obter lotes de sementes de alta qualidade, desde a implantação do campo, passando por condução, colheita, até o beneficiamento e a formação dos lotes de sementes, poderá ser perdido por uma simples regulagem errada de uma máquina no plantio, na colheita e/ou no beneficiamento de sementes. Ou, ainda, pela falta do acompanhamento dos campos pelo responsável técnico. Por isso, devese proporcionar, aos colaboradores envolvidos, treinamentos periódicos, visando minimizar os riscos na atividade, além da supervisão do responsável técnico capacitado em todo o processo.

Armazenamento

As sementes, após beneficiadas, deverão ser armazenadas até que sejam enviadas para os agricultores realizarem a semeadura dos campos. Deve-se considerar que tudo pode ser perdido se as condições de armazenamento fornecidas às sementes não forem satisfatórias. O objetivo principal do armazenamento é manter a qualidade das sementes produzidas e beneficiadas, considerando que a qualidade não poderá ser melhorada nesse período, apenas mantida.

Como todos sabem, a semente é um ser vivo e deve ser mantida viva até o fim d o processo, que acaba quando o agricultor a semeia no solo e ela se transforma em uma planta vigorosa, sadia e produtiva.


SLC Sementes: programa que garante 90% de germinação

A SLC Sementes, uma marca da SLC Agrícola, lança o programa “SLC Sementes Garante”, ação que consiste em garantir um índice de Qualidade de 90% e um maior compromisso com a entrega do produto. “Temos mais de 30 anos dedicados à pesquisa no Cerrado brasileiro, selecionando os melhores cultivares existentes no mercado para o produtor rural. Dessa forma, estamos nos reinventando para oferecer ao produtor brasileiro variedades de sementes e programas que aumentem sua produtividade e rentabilidade na lavoura”, destaca Ricardo Oliveira, gerente de Novos Negócios da SLC Agrícola.

Lançada marca Capal Sementes

A Capal lança sua mais nova marca: a de sementes. O selo amplia o catálogo de produtos da cooperativa paranaense, que já atuava nas sementes de soja e trigo. Agora, também estará presente no mercado com aveia, feijão, entre outras. O presidente-executivo da Capal, Adilson Fuga, conta que a nova marca auxilia a cooperativa a se fortalecer no mercado de sementes, elevando o número de players de venda ao setor. “Dessa forma, beneficiamos o trabalho de nossos associados e conseguimos ampliar a nossa presença no mercado”, destaca.


INOVAÇÃO BIOLÓGICA NO TRATAMENTO DE SEMENTES

Danilo Pedrazzoli, diretor industrial da Koppert do Brasil

O Trianum DS é o primeiro produto biológico composto por fungo no Brasil que pode ser utilizado no tratamento de semente industrial (TSI). Como esse produto foi desenvolvido e quais são os seus principais diferenciais?
O Trianum DS (Trichoderma harzianum Cepa T22) foi elaborado com a cepa T22, desenvolvida por meio de uma técnica chamada de “fusão de protoplastos”, que consiste na fusão de diferentes linhagens de Trichoderma, com diferentes ações, em uma única linhagem. No Brasil, é uma exclusividade da Koppert. Uma das vantagens do produto é apresentar proteção dupla às plantas, pois tem potencial de proteger as raízes de dois patógenos –fungos e nematoides de solo, que trazem grandes prejuízos aos agricultores se não são controlados adequadamente. Quando o Trianum DS é utilizado para TSI, o produtor tem a garantia de comprar a semente com o produto correto e na proporção e na dosagem adequadas. A semente já tratada facilita a operação, trazendo vantagens econômicas e de produtividade, principalmente para a cultura de soja. Ressalto a qualidade da cepa T22, considerada um “super Trichoderma harzianum”. A Koppert tem o direito de uso global desse ativo desde a década de 1990. No Brasil, iniciamos as pesquisas para a utilização do produto em nossos biomas em 2009 e, agora, temos o Trianum DS disponível para o produtor local. Além disso, acaba a necessidade que o produtor tinha de tratar a semente na fazenda com Trichoderma harzianum e plantar logo em seguida. Com o Trianum DS, o fungo fica viável na semente por até 60 dias após a realização do TSI, quando armazenada em local fresco e arejado.

Quais são os resultados mais importantes obtidos com o produto durante o período de testes?
Nos campos demonstrativos na safra 2019/20, houve redução significativa na incidência e na severidade dos patógenos de solo (fungos e nematoides). Além disso, foi observado o crescimento de raiz e parte aérea das plantas, que acarretou um incremento médio de 3,4 sacas/ hectare nos campos de soja. Ainda houve incremento de produtividade em 83% dos casos e aumento do número de vagens em 67%.

Os produtores brasileiros já podem contar com o Trianum DS na safra 2020/21?
Sim, o Trianum DS já está à venda para as empresas que fazem o tratamento de semente industrial, que depois serão revendidas aos produtores brasileiros para utilização na temporada 2020/21.

Qual é a perspectiva para a adoção de biológicos no tratamento de semente industrial no Brasil?
Atualmente, o TSI com biológicos no Brasil é praticamente inexistente, pois não havia produtos específicos para esse fim antes do lançamento do Trianum DS. Estimamos que 98% das sementes de soja do Brasil sejam tradadas com fungicidas e inseticidas convencionais, sendo que, desse total, 35% utiliza o tratamento de semente industrial. O restante faz o tratamento na própria fazenda. Com base nessa perspectiva, estimamos que o potencial de mercado do TSI com defensivos biológicos é enorme e deve atingir um crescimento de 20% ao ano.