Fitossanidade

Manejo das viroses do trigo

As doenças nanismo-amarelo e mosaico-comum são as patologias causadas por vírus mais danosas à cultura. E o enfrentamento começa, inclusive, antes do plantio

Douglas Lau, pesquisador da Embrapa Trigo

A cultura do trigo é acometida por duas viroses principais: o nanismo- amarelo e o mosaico-comum. O nanismo-amarelo ocorre em todas as regiões tritícolas, enquanto o mosaicocomum é mais frequente na Região Sul (regiões 1 e 2). As condições meteorológicas que favorecem essas doenças são distintas. Safras de inverno secas são mais favoráveis ao nanismo-amarelo; as chuvosas, mais favoráveis ao mosaico. As medidas de manejo para viroses começam antes do plantio, com a escolha das cultivares, e seguem com o monitoramento e o diagnóstico preciso para a adequada tomada de decisão.

Nanismo-amarelo

O nanismo-amarelo é uma das principais viroses da cultura de trigo na Região Sul. A amarelidão dos trigais é um dos principais sintomas atribuído ao Barley yellow dwarf virus (BYDV). Epidemias de nanismo-amarelo são intrinsicamente ligadas à dinâmica populacional do inseto vetor, os afídeos. Os plantios outonais de aveia permitem uma fase de multiplicação dos afídeos (especialmente Rhopalosiphum padi) e, também, de BYDV. Esses afídeos podem migrar para o trigo e transmitir o vírus em fases iniciais de desenvolvimento, que é o período mais crítico para que o vírus cause dano.

O mosaico-comum ocorre, sobretudo, em lavouras gaúchas, catarinenses e do Sul do Paraná

Quando o produtor nota sintomas de amarelecimento na lavoura, geralmente está observando o resultado de eventos que ocorreram semanas ou mesmo meses atrás. Após ser introduzido no sistema vascular da planta durante o ato alimentar dos afídeos, o vírus causa a degeneração das células do floema. Consequentemente, ocorre redução do crescimento das raízes devido à dificuldade de translocação de foto assimilados para esse órgão. Com as raízes menos desenvolvidas, todo o desenvolvimento da planta e a capacidade de resistir a estresses bióticos e abióticos são comprometidos.

As plantas têm redução de crescimento de toda a massa da parte aérea. No espigamento, são evidentes a redução no tamanho das espigas e, também, esterilidade basal e apical, que, muitas vezes, podem lembrar outros tipos de injúrias. Outro sintoma de final de ciclo associado à infecção é o escurecimento das espigas (facilmente confundido com outras patologias). O primeiro passo do manejo dessa virose é o conhecimento da reação das cultivares.

Todas as cultivares disponíveis comercialmente são suscetíveis ao vírus, mas variam em sua tolerância. A reação das cultivares indicadas para o Rio Grande do Sul é avaliada anualmente na Reunião da Comissão Brasileira de Pesquisa de Trigo e Triticale (www. reuniaodetrigo.com.br). Em média, os danos à produção de grãos por infecção de BYDV em início de ciclo são de 40%. As cultivares mais tolerantes perdem ao redor de 20%, mas há cultivares intolerantes com danos superiores a 60% (Lau et al., 2020).

Em campo, as perdas vão depender do momento da infecção e da incidência da virose. Essa é determinada pelo efeito das condições meteorológicas sobre as populações de afídeos. Anos mais quentes e secos são mais favoráveis a multiplicação e dispersão desses insetos (Rebonatto et al., 2015). Sem manejo, as perdas médias têm sido ao redor de 20% (Pereira et al., 2016).

No manejo de afídeos, é preciso considerar que quanto mais cedo ocorrer a infecção pelo vírus, maiores serão os danos. Então recomenda- se o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos, principalmente para cultivares intolerantes e com expectativas de alto rendimento. Em geral, o tratamento de sementes com inseticidas sistêmicos dura até 30 dias após a semeadura, assim, antes de encerrar esse prazo, deve ser realizado o monitoramento da lavoura para avaliar a população de afídeos. Sobretudo em invernos de temperaturas mais elevadas e sob períodos sem chuva, quando as populações de afídeo tendem a crescer rapidamente. As aplicações de inseticidas na parte aérea são recomendadas se a população atingir 10% das plantas com pulgões. A partir do espigamento, o nível é de dez pulgões por espiga.

Em parcelas de campo, a média de rendimentos em 2019 para o manejo adequado do nanismo-amarelo (tratamento de sementes + aplicação em parte área quando atingido 10% de plantas com pulgões) rendeu 71 sacas por hectare. Em contraposição, na testemunha sem inseticidas, o rendimento foi de 48 sacas/hectare. O manejo baseado em monitoramento garante proteção ao rendimento, maior retorno econômico e menor impacto ao meio ambiente.

As epidemias de nanismo-amarelo estão diretamente relacionadas à dinâmica populacional do inseto vetor, os afídeos

Sul: mosaico-comum

O mosaico-comum do trigo ocorre, principalmente, no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Sul do Paraná. Originalmente atribuído ao Soil-borne wheat mosaic virus (SBWMV) (Caetano et al., 1978), demonstrou-se que, no Brasil, uma nova espécie de vírus está associada à virose, o Wheat stripe mosaic virus (WhSMV, Benyviridae) (Valente et al., 2019). Esse vírus é transmitido por organismo eucarioto residente no solo e parasita obrigatório de raízes de plantas, denominado Polymyxa graminis (Valente et al., 2019).

Os danos à produção causados por mosaico costumam ser limitados às áreas da lavoura nas quais o vetor se concentra, mas, sob condições ambientais favoráveis (frio e umidade), grandes áreas semeadas com cultivares suscetíveis podem ser comprometidas. Cultivares suscetíveis semeadas em áreas com inóculo quando a precipitação mensal acumulada supera os 200 milímetros, apresentam danos ao redor de 50% à produtividade de grãos.

Quanto ao manejo, o longo período de sobrevivência do vetor no solo (superior a cinco anos) e a ampla gama de plantas hospedeiras dificultam o controle dessa virose de outra forma que não por meio da resistência genética (Caetano, 1982). Entre as cultivares disponíveis atualmente, existem desde aquelas cuja produção pode ser seriamente comprometida em áreas com mosaico até cultivares com resistência que podem ser empregadas em áreas com a doença (Lau et al., 2020). Esses resultados são publicados, anualmente, em www.reuniaodetrigo.com.br.

Práticas culturais

Algumas práticas culturais podem contribuir para reduzir o impacto da doença. O desempenho produtivo das cultivares aumenta com maior disponibilidade de nitrogênio, mas essa resposta depende do nível de incidência da doença. Para incidência acima de 30%, pode não haver efeito compensatório do nitrogênio na produtividade de cultivares suscetíveis. A incidência de mosaico tende a ser menor em áreas sob rotação de culturas do que sob sistema de monocultura trigo-soja. Em geral, com o aumento do período sem trigo, a incidência da doença reduz e, consequentemente, ocorre incremento na produtividade de grãos das cultivares.


Corteva: metas de sustentabilidade para 2030

A Corteva anunciou suas metas para promover a sustentabilidade em todo o sistema alimentar global pelos próximos dez anos, com foco em quatro pilares: agricultores, saúde do solo, comunidades e as operações da companhia. “Nossa missão de liderar todo o setor agrícola em busca de resultados melhores e mais sustentáveis em todo o mundo é mais importante agora do que nunca. As metas refletem o tamanho e o escopo da nossa empresa, 100% focada no mercado agrícola, sendo uma clara demonstração do quanto estamos comprometidos com uma agricultura ainda mais sustentável, atendendo a demandas observadas no campo e nas cidades”, destaca Roberto Hun, presidente para o Brasil e o Paraguai.

Circuito Digital Ihara: tendências de mercado e manejo

A Ihara realizou, em junho, dois webinars e uma live multiplataforma sobre as tendências no cultivo da maçã, no controle de daninhas e no mercado da soja. O Circuito Digital Ihara reuniu, desde o final de abril, alguns dos principais especialistas do agronegócio para debater assuntos de interesse do produtor e, assim, mantê-los atualizados em um momento em que grandes eventos do setor foram cancelados. Entre os especialistas, o consultor Carlos Cogo, diretor da Consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio, que abordou as tendências do mercado da soja.


Bayer: soluções para o manejo sistêmico no algodão

Érick Cancian, gerente de Proteção de Cultivos para o Algodão da Bayer

Quais são os principais desafios fitossanitários dos produtores de algodão?
No Cerrado, as condições climáticas são favoráveis à incidência de doenças foliares, como a mancha de ramulária e a mancha alvo. A ramulária, há alguns anos, costumava ocorrer no final do ciclo da cultura, implicando em pequenas perdas econômicas. Porém, atualmente, é considerada a principal doença do algodoeiro. Devido à incidência precoce, o monitoramento e um bom programa de fungicidas são essenciais para um controle eficiente. Os fungicidas devem ser aplicados preventivamente ou, no máximo, quando há a detecção dos primeiros sintomas, para que seja eficaz e ajude a impedir a evolução do fungo. Já a mancha alvo tem um forte impacto na cultura da soja e vem ganhando relevância no algodão. Grande parte do algodão nacional é produzida na safrinha, após a colheita da soja. Dessa forma, para ter um controle mais efetivo nessa doença, o agricultor deve pensar, sempre, em todo o sistema produtivo, já que a doença pode permanecer nos restos culturais da soja e, aí, representar uma fonte de inóculo.

Quais são as práticas mais recomendadas pela Bayer para o correto manejo fitossanitário nas lavouras de algodão?
Algumas das principais práticas são monitoramento, escolha de variedades com tolerância a doenças, uso de biotecnologia, uso de defensivos mais modernos e levar em conta o histórico das áreas. É de extrema importância o monitoramento contínuo das doenças foliares e do bicudo-do-algodoeiro. Essa prática é primordial para saber o momento em que o problema se iniciou, com qual severidade o produtor está lidando, e o registro desses dados se faz necessário para gerar um histórico, auxiliando na tomada de decisão para safras futuras. O uso de variedades com resistência à doença aliado a um bom programa de fungicidas pode reduzir consideravelmente o impacto na lavoura. O monitoramento pode ser por ferramentas digitais, como a Climate FieldView. A plataforma coleta e processa automaticamente dados de campo, gerando mapas e relatórios em tempo real, permitindo que o cotonicultor entenda os fatores que estão impactando a produtividade e, com isso, tome melhores decisões.

Quais são as principais soluções da empresa para os cotonicultores e quais os diferenciais dessas tecnologias?
Podemos destacar algumas tecnologias. O FoxXpro é um fungicida com três ingredientes ativos, que possibilitam ação tríplice no complexo de doenças do algodão. A fórmula atua nas diferentes fases do ciclo de vida do fungo e proporciona mais sanidade das plantas, o que se transforma em maior potencial produtivo. Para o controle de pragas, principalmente do bicudo, a Bayer oferece o inseticida Curbix, que proporciona efeito de choque e residual prolongado em relação aos concorrentes, características que ajudam no controle do inseto. O uso é indicado para programas de manejo de resistência a inseticidas. Já a biotecnologia Bollgard II RR Flex é parte da estratégia da Bayer para o manejo de insetos na cultura e traz para o cotonicultor proteção contra os danos causados pelas principais lagartas. No que tange ao controle de plantas daninhas, o produtor tem a flexibilidade para usar o glifosato em seu manejo, uma vez que biotecnologia é tolerante a esse herbicida. Trabalhamos sempre em colaboração com nossos clientes para continuarmos fornecendo ferramentas que os ajudem a ser ainda mais eficientes e sustentáveis em suas atividades.