Fitossanidade

Sistemas ILPF reduzem a OCORRÊNCIA DE PRAGAS

O consórcio de espécies agrícolas, forrageiras e árvores diminui a presença de algumas pragas, além de aumentar a biodiversidade, o que também ajuda no controle

Gabriel Faria, da Embrapa Agrossilvipastoril, [email protected]

Aumento da ocorrência de inimigos naturais e ausência de cigarrinha na pastagem e de lagarta-desfolhadora no eucalipto são algumas das diferenças em sistemas integrados de produção agropecuária quando comparadas a sistemas solteiros de cultivo. As observações são resultado de pesquisas conduzidas na Embrapa Agrossilvipastoril, sediada em Sinop/MT, que mostram mudanças na dinâmica de insetos em função da interação entre duas ou mais espécies e da estratégia de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) adotada. Essa alteração no comportamento e na ocorrência de pragas traz benefícios tanto na diminuição dos custos com o controle quanto na redução dos riscos envolvendo perdas de produção.

Em sistemas de integração lavoura -pecuária (ILP), a modalidade de integração mais utilizada, quando a estratégia envolve a rotação anual, com lavoura no verão seguida de pastagem no inverno, não há a ocorrência da cigarrinha. A praga é uma das mais relevantes para as forrageiras. O inseto adulto suga a seiva da folha e libera enzimas que causam o amarelamento e posterior morte das folhas do capim. Com isso, o pasto perde produtividade e a capacidade de suporte de animais.

De acordo com o pesquisador Rafael Pitta, como nessa estratégia de ILP a pastagem é semeada entre fevereiro e março, a forrageira terá maior volume de massa já no fim do período chuvoso, o que não dá tempo para o desenvolvimento da praga devido a suas características biológicas. “Quando começam a reduzir as chuvas, a cigarrinha deposita o ovo no solo e ele fica em estágio de hibernação esperando as próximas chuvas. O ovo de março e abril só vai eclodir em setembro e outubro, quando começa novo período de chuvas. Nesse momento, o capim já está sendo dessecado para servir de palhada para a lavoura”, explica Pitta.

Com a ausência da praga, os produtores deixam de ter de fazer o controle químico da cigarrinha. Em áreas de pastagens solteiras, são necessárias, em média, duas aplicações de inseticidas a cada período chuvoso, custando cerca de R$ 80,00 por hectare somente em produtos.

ILPF

Em sistemas de integração lavoura -pecuária-floresta com eucalipto, com renques de linhas triplas, a pesquisa mostrou que a lagarta-desfolhadora (Glena unipennaria) não ocorre nos sistemas integrados. A praga é comum em sistemas de monocultivo de eucalipto e causou cerca de 50% de desfolha, no mesmo experimento, em áreas de controle cultivadas somente com a árvore.

Conforme a pesquisa, a praga não foi encontrada em áreas de integração de árvores com lavoura (ILF) nem em sistemas silvipastoris (IPF). Como o mesmo ocorre na bordadura de monocultivos de eucalipto, pesquisadores chegaram à conclusão de que a incidência de luz é a responsável pela mudança no comportamento. “Observamos isso em sistemas com linhas triplas de eucalipto. Talvez em áreas com maior número de linhas esse efeito da bordadura possa não ser observado em todas as árvores”, pondera o cientista.

A lagarta desfolhadora do eucalipto é uma praga de grande impacto na cultura, sobretudo em regiões com maior cultivo da espécie, como Minas Gerais e São Paulo. O controle pode ser feito com produtos químicos ou biológicos e é caro, uma vez que depende de maquinário específico e com grande consumo de água.

Diversidade biológica na ILPF

A integração de lavoura com árvores também resultou em maior diversidade de espécies de insetos no sistema produtivo. A pesquisa mostrou que a biodiversidade presente nos monocultivos de eucalipto e nos de soja se somam nesses sistemas. Essa variedade aumenta a resiliência do sistema. “Na lavoura de soja, essa biodiversidade é maior ainda. Isso é importante, pois, em um possível ataque de alguma praga, a existência de inimigos naturais reduz os danos que poderiam ser causados. Essa biodiversidade reduz o risco do produtor”, afirma Pitta.

Comportamento semelhante também já foi observado em pesquisas analisando os micro-organismos do solo em sistemas ILPF. Nesse caso, a maior diversidade de organismos antagônicos, ou seja, que controlam agentes causadores de doenças, pode reduzir a incidência de fitopatologias. “Os sistemas integrados mostram uma resiliência maior na manutenção desses inimigos naturais. Na nossa visão, trata-se de um sistema produtivo que favorece esses inimigos naturais, podendo se tornar menos suscetível às doenças”, avalia o pesquisador e chefe-adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agrossilvipastoril, Anderson Ferreira.

Mudança de comportamento

Outra variável encontrada nos sistemas de integração lavoura-floresta é o comportamento de alguns insetos-praga. Na lavoura de soja, os percevejos marrons demonstraram maior ocorrência na faixa que não é afetada pela sombra das árvores. Já os percevejos barriga-verde tiveram comportamento oposto, preferindo as áreas que ficam sombreadas em parte do dia. De acordo com Pitta, essa informação é relevante para direcionar a forma de amostragem no campo antes de decidir pelo controle da praga. Uma amostragem privilegiando áreas com sombra, ou a faixa central dos renques pode não refletir a real situação do talhão.

Formigas

Embora as pesquisas indiquem benefícios dos sistemas integrados, as observações mostraram ao menos um problema que deve ser observado pelos produtores. Em sistemas de ILPF há maior ocorrência de formigas cortadeiras. A praga é mais comum em silvicultura, mas, com a integração, acaba afetando também lavoura e pastagem.

Pitta explica que há quatro espécies mais comuns de formigas cortadeiras. Algumas delas preferem cortar gramíneas e outras, leguminosas. Em ambos os casos, deve-se fazer o controle para evitar perdas. “Na época da seca, tem que usar a isca granulada. Na época da chuva, a formiga não carrega a isca para o ninho, então a estratégia é usar o termonebulizador, injetando a fumaça no olheiro do formigueiro. Assim, o produto chegará a todas as câmaras do formigueiro”, explica o pesquisador.

FMC Brasil cresce 19% no primeiro trimestre

A FMC cresceu seu faturamento global em 5% no primeiro trimestre, para US$ 1,250 bilhão. E, no Brasil, resultados foram ainda mais expressivos, com expansão de 19% no faturamento em relação a igual período do ano passado. Destaque para soja, cana e algodão. “Soja e milho são culturas nas quais a FMC tem dado maior foco nos últimos anos. Fortalecemos nosso portfólio e temos buscado aproximação com o produtor para entender suas necessidades e ofertar soluções adequadas para cada realidade”, explica o diretor de Negócios do Brasil, Marcelo Magurno.

Sumitomo consolida aquisição da Nufarm na América Latina

Após receber aval dos órgãos reguladores brasileiros para consolidar a aquisição da companhia Nufarm, a empresa de origem japonesa Sumitomo Chemical iniciou o processo de transição de marca. Conforme informou o vice -presidente da divisão Agrosolutions, José Paulo Fabretti, a companhia resultante da integração manterá a identidade corporativa Sumitomo Chemical América Latina. A decisão estratégica de manter a identidade corporativa da empresa japonesa não produzirá alterações em relação ao volume de produtos da Nufarm hoje estocado nos canais de distribuição e aos clientes.

Syngenta: inovação permite interatividade e proximidade

André Savino, diretor de Marketing da Syngenta no Brasil

Fale sobre o pioneirismo da Syngenta no desenvolvimento de interações com os produtores apoiadas em inovação e uso de tecnologia 360º

A realidade que o mundo todo enfrenta atualmente trouxe grandes desafios para as empresas. Um dos maiores está relacionado à forma com que os negócios se mantêm relevantes e próximos aos seus públicoschave. A principal resposta tem sido a aposta e a expansão das soluções digitais. Nesse sentido, a Syngenta tem reforçado seu pioneirismo, porque, há muito, investe em tecnologias inovadoras: já tínhamos estruturada uma base sólida na área, o que nos permitiu avançar com agilidade neste período. Por meio do desenvolvimento de interações e formatos digitais, conseguimos manter ativos o suporte e a comunicação com nossos públicos-alvo, gerando ainda mais engajamento. Assim, estamos promovendo lives, webinars, dias de campo e feiras virtuais com imersão 360°, entre outros. Ou seja, estamos lidando de maneira inovadora com a tecnologia, permitindo interatividade e proximidade dos nossos stakeholders.

Que efeitos essas ações podem promover na busca pelo produtor em melhores produtividades e na rentabilidade do negócio dele?

Em primeiro lugar, o emprego dessas tecnologias digitais garante que o produtor não fique sem o suporte técnico, fundamental para proporcionar acesso às melhores opções de proteção de cultivo, sementes ou tratamento de sementes. Além disso, nos inúmeros debates e eventos virtuais que estamos promovendo, o agricultor tem a oportunidade de entrar em contato com especialistas de diversas áreas, que trazem temas e pontos de vista importantes para a produtividade e a modernização do campo. Por exemplo, desafios e mudanças digitais para o plantio, perspectivas de tecnologias futuras, áudio-palestras com pesquisadores renomados e ferramentas de gestão.

Neste sentido, como tem sido o engajamento e o intercâmbio de informações com os diferentes públicos neste período de distanciamento social?

Temos tido um ótimo retorno das nossas ações. Realmente, quando bem empregada, a tecnologia tem o poder de amplificar a transmissão de mensagens, alcançando públicos que não teriam oportunidade de acessar fisicamente os produtos, as tecnologias e os conteúdos que estamos disponibilizando. Vou dar dois exemplos que podem ilustrar esse cenário. A Feira Virtual 360°, que simula a visita completa ao estande modelo da Syngenta, teve mais 19 mil interações em menos de uma semana no ar. Tivemos 3 milhões de visualizações e 140 mil interações nas publicações em nossas redes sociais, além de mais de 1,6 milhão de usuários impactados. O evento Estação Novas Tecnologias, que também foi realizado por meio de tecnologia 360°, em que apresentamos nosso portfólio e as perspectivas de tecnologias futuras, contou com 11 sessões para públicos exclusivos, com a participação de mais de mil pessoas entre clientes, colaboradores e parceiros. Foram mais de 1,14 milhão de visualizações em posts do evento e quase 1 milhão de usuários impactados.