Agribusiness

TRIGO Dólar segue no radar da indústria brasileira

Gabriel Nascimento - [email protected]

As variações do dólar em relação ao real seguem no centro das atenções do mercado brasileiro de trigo. Isso porque, quanto mais valorizada a moeda norte-americana, mais altos ficam os custos de importação do grão. No ano comercial 2019/20, iniciado em julho, até abril, o Brasil já importou 5,2 milhões de toneladas, 100 mil a menos do que o comprado no mesmo período de 2018/19. Em abril, foram adquiridas pouco menos de 750 mil toneladas, sendo o maior volume da temporada e ficando acima da média para o mês. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, esse volume contraria o esperado. “É possível avaliar que a indústria se dispôs a pagar cotações mais elevadas, para manter o abastecimento necessário do País sem dificuldades. Apesar de um volume razoavelmente inferior à temporada passada, o consumo também poderá ser um pouco menor neste ano comercial, equilibrando o quadro de oferta e demanda nacional”, analisou. A produção brasileira em 2020 deverá ficar em 5,433 milhões de toneladas, segundo o oitavo levantamento para a safra brasileira de grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), subindo 5,4% sobre a temporada passada, quando foram colhidas 5,155 milhões. Em abril, a Conab apostava em safra de 5,431 milhões de toneladas.


ARROZ Preço gaúcho segue escalada e sobe mais de 10% em 30 dias

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasi leiro de arroz encerrou a primeira quinzena de maio com preços aquecidos. Na média do Rio Grande do Sul, estado referência para a cotação no Brasil, a indicação ficou em R$ 60,47 por saca de 50 quilos no dia 14 de maio. Em 30 dias, a alta era de 10,41%. Frente ao mesmo período do ano anterior, a elevação era de 36,99%. O arroz iniciou a sua escalada em março, diante dos primeiros casos de Covid-19 no Brasil, pois os consumidores correram aos supermercados para se abastecer de produtos não perecíveis. A restrição de exportações em países asiáticos, para garantir a demanda local, também trouxe suporte às cotações internacionais. No cenário externo, destaque para o relatório de maio de oferta e demanda do USDA, divulgado dia 12, que trouxe as primeiras estimativas para a safra 2020/21, apontou a produção mundial de arroz beneficiado em 501,96 milhões de toneladas. As exportações mundiais do beneficiado foram estimadas em 45,22 milhões de toneladas. A estimativa para o consumo é de 498,12 milhões de toneladas de beneficiado para 2020/21. Os estoques finais mundiais de arroz beneficiado na temporada 2020/21 foram previstos em 184,18 milhões de toneladas. Para a temporada 2019/20, o USDA estimou a produção mundial de arroz beneficiado em 493,79 milhões de toneladas, e as exportações em 42,40 milhões. A estimativa para o consumo é de 490,19 milhões de toneladas.


ALGODÃOSem demanda interna, a pluma é competitiva no exterior

Rodrigo Ramos - [email protected]

Ainda na contramão do comportamento de Nova York, os preços do algodão chegaram ao final da primeira quinzena de maio com preços mais fracos. A média de preços no Cif do polo industrial paulista ficou em R$ 2,63 por libra-peso em 15 de maio. Representava uma queda de 5,9% em 30 dias e uma retração de 7,5% se comparada a igual momento do ano passado. Com o dólar em alta, o spread entre os preços do produto brasileiro e do norte-americano chegou aos maiores patamares desde que o Brasil passou a figurar entre os maiores exportadores da fibra. A indicação no Fob exportação do Porto de Santos/SP estava por volta de 46 centavos de dólar por libra-peso (c/lb) no dia 15, valor 21% inferior à indicação do contrato de maior liquidez negociado na Ice Futures US. O grande desafio será manter o quadro de oferta e demanda com estoques ajustados nesta e na próxima temporada. “Para isso, será necessário que o escoamento externo siga em expansão”, destaca Élcio Bento, analista de Safras & M ercado. As vendas externas brasileiras em abril acumularam 90,660 mil toneladas, o que corresponde a um aumento de 29,5% em relação ao mesmo período do mês passado e um recorde para o mês. No acumulado das 45 semanas da temporada 2019/20, as exportações chegam a 1,850 milhão de toneladas, contra 1,136 milhão de toneladas da anterior (62,6%). Com esse desempenho, a cadeia produtiva já conseguiu exportar 87% do saldo de produção em relação ao consumo interno no ano comercial 2019/20.


MILHO Cenário climático e fator cambial voltam a sustentar preços

Arno Baasch - [email protected]

Os preços no mercado brasileiro de milho voltaram a ganhar força ao longo de maio, e as perspectivas para o curto prazo ainda sinalizam a continuidade desse quadro. Segundo o consultor de Safras & Mercado Paulo Molinari, ainda que seja esperado um bom volume de milho a ser colhido na safrinha, superior a 70 milhões de toneladas, a partir de junho, as perdas de produtividade na safrinha se acentuaram por conta da falta de chuvas e ajudam a manter as cotações em patamares firmes. O consultor destaca que estados como Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo tiveram quedas de produtividade expressivas e irreversíveis, mesmo que novas chuvas voltem a ocorrer no curto prazo. Além disso, algumas áreas cultivadas com milho safrinha estão suscetíveis a geadas, o que pode trazer quebras adicionais às lavouras. Outro fator que ajuda a sustentar os preços é o fator câmbio. “Com negócios no mercado interno bastante fracos diante do movimento de retenção de oferta por parte dos produtores e da cautela por parte dos compradores, a forte desvalorização do real frente ao dólar faz com que o milho brasileiro ganhe bastante competitividade no cenário internacional. Isso tem favorecido o aumento das exportações”, explica. No cenário externo, Molinari ressalta que as atenções do mercado se voltam para as definições da safra norte-americana.


CAFÉ Dólar elevado mantém sólidas vendas internas e embarques

Lessandro Carvalho - [email protected]

Mesmo com os problemas que envolvem a pandemia do coronavírus, a comercialização física e para entrega futura no mercado brasileiro de café e as exportações seguiram sólidas no primeiro quadrimestre do ano. O dólar em patamares elevados, recordes, garantiu preços atrativos para o grão ao produtor e trouxe competitividade para os embarques do País. A comercialização da safra do Brasil 2019/20 (julho/junho) chegou a 94% até o dia 11 de maio, segundo Safras & Mercado. Em relação ao último levantamento, a comercialização evoluiu em cinco pontos percentuais. As vendas estão adiantadas em relação ao ano passado, quando 86% da safra 2018/19 estava comercializada até então e também acima da média dos últimos cinco anos, que é de 91%. Foram comercializadas 53,46 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a estimativa de Safras & Mercado, de uma safra 2019/20 de 57,05 milhões de sacas. O consultor de Safras & Mercado Gil Barabach diz que as negociações continuaram bem ativas ao longo de abril e no início de maio, diante dos bons preços praticados no mercado físico. “O rali no dólar acabou elevando os preços físicos em reais, mas teve como contrapartida a redução da cotação em dólares. E isso deixou a origem brasileira mais barata no mercado internacional, levando a um maior interesse por parte da demanda externa”, comenta.


SOJASafra brasileira 20 milhões de toneladas acima da americana

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O relatório de maio do USDA indicou que a safra dos Estados Unidos de soja deverá ficar em 112,26 milhões de toneladas. Esse foi o primeiro número para a temporada. O mercado apostava em previsão de 112,13 milhões. Os estoques finais estão estimados em 11,022 milhões de toneladas. O mercado apostava em carryover de 12,3 milhões de toneladas. O USDA indicou esmagamento em 2,13 bilhões de bushels e exportação de 2,05 bilhões. A produção 2019/20 está estimada em 3,557 bilhões de bushels. Os estoques finais em 2019/20 estão projetados em 580 milhões de bushels, enquanto o mercado apostava em 501 milhões. O esmagamento está estimado em 2,125 bilhões e as exportações, em 1,675 bilhão de bushels. O USDA projetou safra mundial de soja em 2020/21 de 362,76 milhões de toneladas. Essa foi a primeira estimativa para a temporada. Os estoques finais estão estimados em 98,39 milhões de toneladas. O mercado esperava por estoques finais de 104 milhões de toneladas. A projeção do USDA aposta em safra americana de 112,26 milhões de toneladas. Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 131 milhões de toneladas. A Argentina deverá produzir 53,5 milhões de toneladas. A estimativa para as importações chinesas em 2020/21 é de 96 milhões de toneladas. Para 2019/20, o USDA indicou safra de 336,11 milhões de toneladas. A safra brasileira teve sua estimativa reduzida de 124,5 milhões para 124 milhões de toneladas.