Trigo

Preços ótimos, mas o futuro é de DESCONFIANÇA

No Paraná, apesar das cotações do trigo em patamares históricos, a perspectiva não é tão otimista. Há fatores futuros baixistas, como a pandemia e o aumento de área no Mercosul

Carlos Hugo Winckler Godinho, coordenador da Divisão de Estatística do Departamento de Economia Rural (Deral)

O Paraná tem plantado, nos últimos anos, na faixa de 900 mil a 1,3 milhão de hectares de trigo, concentrando a área nas regiões com menos aptidão ao milho safrinha. Especificamente neste ano, a perspectiva é que os produtores aumentem em 5% sua área plantada – de 1,03 milhão para 1,08 milhão de hectares. Esse pequeno aumento se deve, especialmente, ao atraso do plantio da soja, que impossibilitou, em algumas localidades – especialmente no Oeste do estado –, o plantio da alternativa ao trigo na faixa mais quente do estado, o milho de segunda safra. Este, por sua vez, tem uma área plantada de 2,2 milhões de hectares.

A prevalência do milho, que sequer pode ser plantado em todo o estado, dá uma ideia da reticência dos produtores em cultivar o trigo, mesmo enquanto os preços têm batido patamares nominais recordes. O que explica tal desconfiança? Há vários fatores históricos.

Fator 1: concorrência com o milho

O primeiro fator é a concorrência direta com o milho. Apesar de variável para cada produtor devido à aptidão regional de ambas as culturas, em média, o preço do trigo tem que ser 1,9 vez maior do que o preço do milho para compensar sua maior produtividade, já que o custo por hectare da cultura tem sido similar. Essa relação de preços foi observada no Paraná, pela última vez, em 2014, considerando apenas os meses em que o produtor estaria apto a plantar.

Fator 2: clima inconstante

O segundo fator são as inconstâncias climáticas, sendo o trigo uma cultura mais sensível que a soja e o...

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