Agribusiness

ALGODÃO Preço doméstico no menor patamar desde janeiro

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de algodão seguiu se reaproximando da paridade de exportação ao final da terceira semana de abril. A indicação média nas indústrias de São Paulo ficou em R$ 2,79 por libra-peso no dia 16, com queda de 0,5% em relação ao dia anterior e no menor patamar desde o último dia 27 de janeiro. Comparado ao mesmo período do mês e do ano passado, acumulava quedas de 4,6% e de 3,9%, respectivamente. Conforme o analista de Safras & Mercado Élcio Bento, a tendência é que o mercado comece a precificar um cenário de encolhimento da demanda, tanto no Brasil quanto no exterior, e de uma temporada (2020/21) que deve contar com a maior oferta de algodão da história brasileira. “Os estoques de passagem são estimados em 464 mil toneladas, que, somados a uma produção de 2,865 milhões de toneladas (estimativa de Safras), geram um montante de 3,329 milhões de toneladas, contra 3,306 milhões de toneladas da temporada 2019/20”, destaca. Conforme o levantamento de abril da Conab, a safra brasileira em pluma na temporada 2019/20 está estimada em 2,880 milhões de toneladas, alta de 3,7% na comparação com as 2,778 milhões de toneladas indicadas na safra 2018/19. A produtividade é estimada em 1.717 quilos por hectare, mesmo patamar da temporada 2018/19. A área em 1,677 milhão de hectares, elevação de 3,6% na comparação com os 1,618 milhão de hectares da safra passada.

TRIGO Demanda cresce gradualmente no Brasil

Gabriel Nascimento - [email protected]

O mercado brasileiro de trigo registra crescimento gradual na procura nas principais praças de comercialização. Apesar disso, a liquidez interna segue reduzida e com as pontas de negócios do mercado ainda distantes. Os agentes seguem atentos às oscilações cambiais do dólar em relação ao real. Com a moeda norte-americana cotada acima dos R$ 5,20, os preços de importação do trigo crescem significativamente. Além disso, a menor oferta do grão no mercado doméstico colabora para a pressão de alta nos preços internos. Levando em conta essa valorização, a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) pediu ao Governo Federal a isenção da Tarifa Externa Comum (TEC) sobre o trigo importado de fora do Mercosul. Até o momento, o Governo não sinalizou com a retirada. A produção brasileira, em 2019, deverá ficar em 5,431 milhões de toneladas, segundo o sétimo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), subindo 5,4% sobre a temporada passada, quando foram colhidas 5,154 milhões de toneladas. Em março, a Conab apostava em safra de 5,347 milhões. A Conab indica uma área plantada de 2,089 milhões de hectares, contra 2,040 milhões do ano anterior. A produtividade está projetada em 2.600 quilos por hecta re, 2,9% acima do ano anterior, de 2.526 quilos por hectare.

SOJA Exportação de 73 milhões de toneladas

Dylan Della Pasqua - [email protected]

As exportações brasileiras de soja deverão totalizar 73 milhões de toneladas em 2020, recuando 1% sobre o volume de 2019, projetado em 74,038 milhões de toneladas. A previsão faz parte do quadro de oferta e demanda brasileiro, divulgado por Safras & Mercado. No quadro de fevereiro, a estimativa para 2020 era de 70 milhões de toneladas. “O aumento na projeção é reflexo da demanda chinesa acima do normal no primeiro semestre do ano”, explica o analista de Safras & Mercado Luiz Fernando Roque. Mesmo assim, os embarques não deverão superar as exportações do ano passado, devido à tendência de um forte deslocamento da demanda chinesa para os portos americanos no segundo semestre, com o objetivo de atender ao acordo comercial fechado no final do ano passado entre chineses e norte-americanos. Safras indica esmagamento de 44,1 milhões de toneladas em 2020 e de 43 milhões de toneladas em 2019, representando um aumento de 3% entre uma temporada e outra. Em relação à temporada 2020, a oferta total de soja deverá subir 3%, passando para 125,288 milhões de toneladas. A demanda total está projetada por Safras em 120,04 milhões de toneladas, praticamente repetindo o ano anterior. Dessa forma, os estoques finais deverão subir 409%, passando de 960 mil para 4,888 milhões de toneladas.

MILHO Com pressão interna, produtor volta a focar na exportação

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho enfrentou um cenário de pressão nas cotações no final de abril. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, as preocupações em torno do movimento de liquidez interna, decorrentes da pandemia de coronavírus, acabaram contaminando os preços, uma vez que o cereal depende basicamente do fluxo de comércio interno no primeiro semestre. Molinari destaca que, diante do enfraquecimento na demanda pelo cereal nos segmentos de etanol e de carnes, principalmente, os consumidores que detinham estoques estão utilizando suas reservas para preservar o caixa, sem fazer novos desembolsos. Nem mesmo a situação preocupante de clima em algumas regiões para a safrinha tem sido capaz de sustentar os preços internos do milho neste momento. Por outro lado, conforme o analista, diante de um mercado interno praticamente parado neste momento, o cenário de vendas de milho voltado à exportação passa a ganhar importância. “O grande entrave, neste momento, é que os preços internacionais do milho estão muito baixos. Se o câmbio voltar a se valorizar, os preços nos portos podem ceder razoavelmente”, comenta. Molinari ressalta que estados que não vinham vendendo na exportação começam a acelerar as vendas, como Mato Grosso do Sul e Paraná, seguindo o Mato Grosso, que já vende rotineiramente na exportação.

ARROZ Com demanda aquecida, preços seguem em elevação

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado de arroz seguiu com preços em alta na terceira semana de abri l. Na média do RS, referência às cotações, a indicação ficou em R$ 55,02/saca de 50 quilos em casca no dia 16. No acumulado da semana, houve alta de 2,32%. Em 30 dias, havia alta de 11,78%. Frente ao mesmo período de 2019, a diferença era 31,49% positiva. Conforme o analista de Safras Gabriel Viana, o mercado passa “por um momento quase único” dentro dos últimos anos. “Pois houve forte alta dos preços no primeiro quadrimestre do ano, período de entrada de safra do RS”, explica. Sazonalmente, os preços tendem a recuar fortemente entre os meses de fevereiro e abril, pressionados pela maior oferta e demanda ainda não tão aquecida. “Dessa vez foi diferente, com demanda muito forte devido à corrida aos mercados por consumidores preocupados com o surto de coronavírus, indo em busca alimentos não perecíveis”, pondera. Houve ainda um fortalecimento das exportações, suportadas pelo câmbio desvalorizado e preços internacionais muito elevados. Neste contexto, o ano é bastante diferente, podendo ter o teto de alta dos preços ainda no primeiro semestre. “Porém somente o tempo dirá qual vai ser o teto de preços”, adverte. “Caso a exportação consiga enxugar de forma significativa a oferta do cereal, a briga pelo produto no segundo semestre pode acirrar ainda mais e dar novo fôlego aos preços.”

CAFÉ Comercialização evolui bem, apesar das restrições com coronavírus

Lessandro Carvalho - [email protected]

Apesar de todas as restrições com a pandemia do coronavírus, a comercialização de café segue acelerada no Brasil. Segundo levantamento de Safras & Mercado, a comercialização da safra do Brasil 2019/20 (julho/junho) chegou a 89% até 7 de abril, com avanço de 3 pontos percentuais sobre o mês anterior. As vendas estão adiantadas em relação ao ano passado, quando 82% da safra 2018/19 estava comercializada até então. E estão também acima da média dos últimos cinco anos, que é de 88%. Com isso, já foram negociadas 51,03 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a estimativa de Safras de uma colheita 2019/20 de 57,05 milhões de sacas. Segundo o consultor de Safras Gil Barabach, as negociações ganharam ritmo ao final de março e no início de abril, superados os problemas de adaptação inicial, causados pelas mudanças nas operações devido ao isolamento para combater o coronavírus. “A melhora na Bolsa de Nova York e a disparada do dólar, no entanto, fizeram o preço físico disparar, o que trouxe o vendedor ao mercado.” Já a comercialização da safra nova brasileira 2020/21 (julho/junho), em fase inicial de colheita, chegou a 23% até 7 de abril, evoluindo em 5 pontos percentuais em relação ao mês anterior. As vendas estavam bem avançadas em relação ao ano passado, quando 12% da safra 2019/20 estava comercializada até então. Barabach diz que a alta nos preços na bolsa para o café arábica acabou mexendo positivamente com o interesse de venda antecipada de safras futuras.