Herbert & Marie Bartz

MEMÓRIAS DE BARTZ – VIAGENS DA JUVENTUDE: CONHECENDO O LITORAL SUL DA EUROPA

Continuamos, nesta edição, contando as histórias vividas por Herbert Bartz na juventude. Em início de agosto de 1957, aos 20 anos, Bartz e um amigo partiram por cinco semanas para conhecer o sul da Europa no modo hitchhiking, pedindo carona. Herbert Bartz: “Essa foi a mais ambiciosa de nossas viagens, para conhecer o sul da Europa: Espanha, França, Itália e Suíça. E o plano já falhou logo no início. Pegamos carona com um ônibus vazio que ia da Dinamarca para a Espanha, mas, na divisa da França com a Espanha, fomos obrigados a desembarcar, porque não tínhamos o visto para entrar na Espanha. Acabamos seguindo para o litoral sul da França, pois queríamos passar por Côte d’Azur, também chamada de Riviera Francesa, e seguir rumo à Itália.

Nossa primeira parada foi na cidade de Perpignan, aos pés dos Pirineus, a cordilheira natural que faz a fronteira entre França e Espanha. Lá, conhecemos um grupo de jovens moças japonesas e acabamos por participar de um luau à beira-mar. Essas moças queriam nos ensinar a fumar, mas eu tentei usar a desculpa de que praticava atletismo na escola. Elas não aceitaram a justificativa e insistiram, até que acabei experimentando fumar. Nós também estávamos tomando muito vinho e, de repente, me senti em um labirinto. Quando olhei para as moças, elas tinham se ‘transformado’ em bruxas e fiquei completamente transtornado. Após algum tempo, recuperei a minha consciência e quis saber do meu ‘pesadelo’. ‘Às vezes, a trip sai mal!’, foi a resposta de uma das moças. E percebi que tinha caído numa armadilha, que o tal fumo era, na verdade, ‘erva’. Mas essa experiência me deixou vacinado para toda a minha vida e jamais tornei a provar.

Continuamos a viagem nos dias que se seguiram, e nosso último pernoite na França foi em Aix-en-Provence, já próximo da divisa com a Itália, uma cidade universitária na região alpina perto do Mar Mediterrâneo. No albergue a era regra que os hóspedes participassem e ajudassem nos serviços básicos de manutenção. Eu fiquei responsável pela limpeza dos banheiros, mas, antes de começar, pedi um prato de macarrão. O serviço demorou mais do que eu esperava, e, quando terminei, fui logo comer o macarrão, mas este estava todo esparramado pela mesa. As galinhas haviam subido na mesa. Reclamei, mas a dona, que não gostava de alemães e nos chamava de tetê carré (cabeça quadrada), disse que era a punição porque eu havia demorado muito com o serviço. Como estava faminto, juntei a comida e comi mesmo assim. Continuamos

Continuamos rumo à Itália, passando por Mônaco e pelo porto de Gênova. Em Pisa, ficamos em um albergue para jovens e fomos conhecer a famosa torre inclinada. Fomos para Livorno, que era perto, e passamos o dia na praia tomando uma muito saborosa e barata sopa de peixe. Ao final do dia, retornamos para Pisa e tive o infortúnio em pegar carona com um homossexual (sem saber ao entrar no carro). Meu amigo disse que iria a pé. O indivíduo tinha um carro conversível vermelho e, de repente, começou a me molestar, passando a mão em minha perna. Após algumas tentativas de tirar a mão do indivíduo de minha perna e ele continuar a insistir, acabei por perder o controle e soltei-lhe um murro na cara. Infelizmente, estávamos próximo a um posto policial, o indivíduo estava aos berros, com alguns dentes quebrados, todo ensanguentado, e, como resultado, tive que ficar preso por uma noite na cidade, pois os policiais não entendiam o que eu falava em alemão quando tentei explicar a situação e acabaram por considerar a versão que o indivíduo contou. No dia seguinte, com a ajuda de um pedido judicial para um tradutor juramentado, consegui me livrar da acusação de assalto e lesão corporal, contando a minha versão.

Foi uma experiência e tanto! Após termos admirado o ‘David’, em Florença, uma das esculturas mais famosas de Michelangelo, seguimos para a Cidade Eterna. Em Roma, pudemos ver o trabalho do processo de restauração por especialistas das fantásticas cores originais do extenso afresco no teto da Capela Sistina, pintado também por Michelangelo, 500 anos antes, a pedido do Papa Júlio II, se tornando uma das mais famosas obras da história e um dos maiores tesouros da Santa Sé. Quando estávamos a caminho da Nápoles, tivemos muita dificuldade em pegar carona. Acabamos parando ao lado de um campo plantado com tomates rasteiros, que estavam vermelhos e maduros, abrindonos o apetite. Nossa comida diária era um pão tipo baguete com azeite de oliva, então aproveitamos e incrementamos com os apetitosos e suculentos tomates. Literalmente, enchemos o nosso bucho, mas não demorou muito e começamos a nos sentir mal”. E continua na próxima edição o que se passou com Herbert Bartz e seu amigo, e por que a volta para casa pelas terras italianas e suíças ainda foi recheada de histórias.

Herbert Bartz é produtor rural e precursor do plantio direto no Brasil, e pai de Marie Bartz, bióloga, pesquisadora e professora da Universidade Positivo, pesquisadora na Universidade de Coimbra