Show Rural Coopavel

Inovação e bons NEGÓCIOS

“Reinvente sua vida no campo” foi o tema do Show Rural Coopavel, realizado no mês passado, em Cascavel/PR. A difusão de conhecimentos e de tecnologias foi destaque durante os cinco dias da feira, que contabilizou crescimento de vendas e de público visitante

A primeira das grandes feiras do calendário brasileiro, a 32ª edição do Show Rural Coopavel registrou números que ajudam a criar expectativas positivas para o agronegócio em 2020. Realizado em Cascavel, no Oeste do Paraná, o evento promovido pela cooperativa Coopavel contabilizou R$ 2,7 bilhões em vendas e intenções de negócios, R$ 500 milhões a mais do que a edição anterior. O público que visitou a exposição entre os dias 3 e 7 de fevereiro também cresceu: 298,9 mil pessoas, contra 288 mil em 2019.

Para o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, os resultados numéricos são importantes, comprovam a força e a pujança do setor, mas o determinante do Show Rural é a disseminação da tecnologia e o que as inovações representam no cotidiano dos produtores e das diferentes cadeias do agro. O dirigente ressaltou que, em 32 anos de realização da mostra, a produtividade da soja e do milho na região cresceu 300%. Para ele, a tecnologia contribui para manter as novas gerações no campo e é indispensável para produções mais elevadas e com custos menores.

Com o tema “Reinvente sua vida no campo”, o Show Rural contou com a participação de 650 expositores em uma área de 72 hectares. Como ocorre tradicionalmente, o evento foi palco para discussões sobre as questões mais importantes do setor e para uma série de lançamentos de produtos e soluções voltadas para a melhoria das atividades agrícola e pecuária, como insumos, sementes, máquinas e implementos.

Pelo segundo ano seguido, um dos principais destaques da feira foi o espaço Show Rural Digital (SRD), que teve atrações como hackathon (maratona de programação), vila de startups, arena de drones e carreta de negócios do Sebrae. O Like a farmer foi uma das atividades desenvolvidas no local e voltada para a aproximação entre startups e produtores em busca de soluções para problemas do seu dia a dia.

Drones e pequenos robôs também chamaram a atenção do público que acompanhou o Show Rural Digital. Uma arena de 2,2 mil metros quadrados, a UPL Flying, foi montada para abrigar demonstrações. A inovação está cada dia mais presente no agronegócio, e, no espaço, foi possível mostrar como contribui para intensificar a execução de tarefas e resultados no campo, disse o coordenador-geral do SRD, José Rodrigues da Costa Neto. Alguns dos equipamentos, salientou o dirigente, mapeiam o solo e permitem leituras apuradas para pulverizações dirigidas e mais eficientes. “As vantagens são inúmeras, mas, principalmente, trazem economia, evitam aplicações em áreas desnecessárias e reduzem possíveis impactos”, avaliou.

Foco na renda

Os lançamentos do Show Rural estiveram voltados a todos os perfis de produtores e aos diferentes desafios enfrentados no dia a dia das propriedades. No espaço da Embrapa, foram apresentadas duas cultivares de soja, uma cultivar de feijão e uma cultivar de mandioca para a indústria. Também foi lançado o mapa de aptidão de terras para o cultivo do eucalipto nos municípios formadores da Bacia do Paraná 3 e do município de Palotina, um dos resultados do Projeto Bioeste Florestas, parceria entre a Embrapa Florestas, Itaipu Binacional e CIBiogás, com apoio da C.Vale e da Emater/PR.

O diretor de Inovação e Tecnologia da Embrapa, Cleber Soares, destacou a importância da presença da estatal na feira. “É um momento de comemoração. A Embrapa está focada em desenvolver tecnologias e promover inovação e, sobretudo, qualidade de vida e ampliação da renda aos nossos agricultores e à população brasileira”, afirmou. Na solenidade de lançamento das tecnologias, o presidente da Coopavel ressaltou a relevância do Brasil na produção mundial de alimentos. “Com uma safra de 248 milhões de toneladas de grãos, tendo a soja e o milho como grandes vedetes, o Brasil vive um momento importante. Inclusive, vejo uma oportunidade para a pesquisa pública brasileira para levar os resultados gerados para outros países e até obter retorno econômico”, considerou Grolli, acrescentando que é preciso olhar com atenção para o crescimento da produtividade nos próximos anos.

O secretário da Agricultura do Paraná, Norberto Ortigara, aproveitou a oportunidade para salientar o valor de tecnologias que possam colaborar com a preservação do solo. “O Paraná, que já foi exemplo em plantio direto, vem sofrendo com problemas de erosão, por isso, precisamos investir em melhoria dos nossos solos, que é o suporte para o produtor crescer em produtividade”, declarou.

Controle do percevejo

A Embrapa e a Fundação Meridional lançaram na feira duas cultivares de soja. A BRS 543RR tem como principal diferencial as características da tecnologia Block, ou seja, são tolerantes ao ataque de percevejos. Além disso, a BRS 543RR é uma cultivar altamente produtiva com precocidade associada (grupo de maturidade 6.0), caraterísticas que garantem excelente performance em semeaduras antecipadas. “As cultivares com a genética Block têm maior tolerância aos percevejos, o que minimiza a ação destrutiva da praga. Porém a tecnologia não dispensa o uso de inseticidas, mas permite uma melhor convivência com os insetos no campo”, enfatizou o pesquisador da Embrapa Soja, Marcos Petek. Por apresentar tolerância ao glifosato, a BRS 543RR colabora, ainda, com o controle de plantas daninhas e pode ser usada como opção de refúgio para as áreas de soja Intacta.

A nova cultivar é recomendada para São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, abrangendo toda a macrorregião sojícola 2. Os produtores dessa região têm outra nova opção de soja com altos rendimentos e precocidade (grupo de maturidade 6.1): a BRS 1061IPRO, que permite o plantio antecipado da soja, o que possibilita a semeadura de segunda safra. A BRS 1061IPRO tem ainda resistência às principais doenças, sendo moderadamente resistente à infestação por nematoides de galha (M. javanica e M. incognita).

A favor do solo

Para demonstrar os prejuízos da compactação e a importância da diversificação de culturas, a Embrapa promoveu demonstrações de boas práticas agrícolas para manutenção e recuperação da qualidade do solo na sua Vitrine de Tecnologias no Show Rural Coopavel. Na estação de Manejo do Solo e de Plantas de Cobertura, uma parte da área foi compactada propositalmente e a outra era um exemplo de solo produtivo. Foi aberta uma trincheira de, aproximadamente, 1,5 metro de profundidade em que foi possível visualizar as características e o comportamento das raízes de soja nessas duas condições.

Também foi exposto um painel demonstrativo com raízes reais de oito espécies (braquiária ruziziensis, capimsudão, milheto, milho 1ª safra, milho 2ª safra, soja, crotalária ochroleuca e crotalária spectabilis). As raízes de braquiária ruziziensis chegaram a 2,8 metros de profundidade, e o volume radicular de uma única planta ocupa uma largura de 30 centímetros em toda a sua extensão. De acordo com o pesquisador Osmar Conte, da Embrapa Soja, as raízes, muitas vezes, são uma parte negligenciada na planta, mas que precisa ter papel de destaque. “O sistema radicular profundo é de extrema importância para que a planta absorva melhor os nutrientes, consiga buscar água em níveis diferentes do solo e até mesmo incorpore carbono e matéria orgânica”, frisou.

Os pesquisadores ainda deram destaque para a demonstração de plantas de cobertura, que são alternativas para a diversificação de culturas e melhoria da qualidade do solo. Os visitantes puderam visualizar a campo capim-sudão, braquiária ruziziensis, crotalária ochroleuca, crotalária spectabilis, milheto e ainda um mix de culturas contendo milheto, crotalária, braquiária e trigomourisco.

Pesquisa e extensão

O Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (Iapar/Emater) participou do Show Rural destacando a integração do trabalho de mais de 80 profissionais das duas instituições voltadas à pesquisa e à extensão no estado. Um dos enfoques foi a valorização de sistemas sustentáveis que consideram o monitoramento das lavouras e o manejo do solo. Técnicos que acompanham produtores nas últimas seis safras comprovam que práticas como inoculação, coinoculação e manutenção da fertilidade do solo estão fazendo a diferença. “Não ficamos apenas na conversa. Temos o respaldo de resultados com esses seis anos de monitoramento de pragas e manejo de fertilidade do solo, o que significa que o produtor pode ter confiança em um sistema que otimiza os recursos que ele tem na propriedade”, contou Glaucia Dias Trevisan, extensionista do instituto.

Os técnicos monitoram um grupo de propriedades na região e utilizam a Estação Experimental de Santa Tereza do Oeste para aplicar as principais pesquisas antes de levar as inovações para as propriedades. Os produtores que visitaram o Show Rural ficaram sabendo, por exemplo, como é possível reduzir a aplicação de fungicidas e inseticidas nas lavouras com o manejo integrado de pragas (MIP) e de doenças (MID).

Incentivo à fruticultura

O instituto também lançou quatro cultivares de acerola, atendendo ao crescimento da fruticultura no Paraná. Atualmente, a fruta é produzida comercialmente em cerca de 30 municípios. A produção, de cerca de 3,6 mil toneladas, é direcionada principalmente ao processamento de polpa e, em menor escala, para o mercado de vitamina C.

O organismo estatal ainda levou para o Show Rural nove opções de cultivares de feijão dos grupos carioca, preto e branco. “São materiais de alto desempenho agronômico e apropriados à colheita mecânica. Os grãos atendem à exigência do consumidor, que quer cozimento rápido e caldo consistente, e têm elevado teor de proteínas e de minerais, principalmente ferro e zinco”, explicou a pesquisadora Vânia Moda Cirino.

Entre as cultivares do grupo carioca, destaque para a IPR Sabiá, que tem maior potencial produtivo, podendo superar 4,5 toneladas por hectare. Já IPR Curió se destaca pela precocidade – chega à colheita em 70 dias. Ambas são indicadas para os estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A IPR Celeiro foi outro destaque na feira, porque é resistente ao mosaico dourado, uma das principais doenças que atingem a cultura no Brasil. É indicada para as safras da seca e de outono-inverno em locais sujeitos à moléstia nos estados de Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. A produtividade, de três toneladas por hectare, é elevada para áreas onde ocorre o problema. (Mais sobre a feira em Mercado, Gente do Fito e Gente da Semente).