Fitossanidade

Milho: as pragas mais maléficas da safrinha

Percevejo-barriga-verde, lagarta-do-cartucho e cigarrinha-do-milho têm predominado nesse cultivo. A resposta mais indicada é o manejo integrado

Gessí Ceccon e Crébio José Ávila, Embrapa Agropecuária Oeste

A segunda safra de milho, ou milho safrinha, é cultivada em todas as regiões do Brasil, mas principalmente no Centro-Oeste, no Sul e no Sudeste, predominantemente após a soja. As principais pragas em milho safrinha relatadas em diagnóstico realizado com profissionais da assistência técnica nos últimos quatro anos no Brasil, que causam dano econômico, são: o percevejo-barriga-verde (Dichelops furcatus e D. melacanthus), a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda) e a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis).

Percevejo-barriga-verde: é a principal praga da cultura do milho safrinha, especialmente quando ocorre nos estádios iniciais de desenvolvimento da cultura. Esses insetos se desenvolvem no final do ciclo da soja. Os percevejos perfuram as plântulas de milho com seu aparelho bucal, injetando saliva para facilitar a retirada da seiva. Isso provoca um distúrbio fisiológico na planta que dificulta a abertura completa das folhas. Quando a infestação é menor, aparecem apenas furos simétricos com bordas amareladas nas folhas abertas.

Em infestações maiores, o percevejo pode causar o encharutamento e até o perfilhamento do milho, o que pode levar à morte de plântulas, reduzindo, assim, o estande e a produtividade da cultura. O controle do percevejo-barriga-verde é realizado através da eliminação de plantas daninhas hospedeiras, antes da implantação da cultura, associado ao tratamento de sementes e pulverização das plantas de milho com inseticidas nos estádios iniciais de desenvolvimento da cultura.

Lagarta-do-cartucho: é uma praga que se alimenta de muitas espécies de plantas, incluindo daninhas e cultivadas. Está presente em todas as regiões onde se cultiva milho e em todos os estádios de desenvolvimento da planta. A mariposa põe os ovos nas folhas e, após dois a quatro dias, surgem pequenas lagartas que se alojam no cartucho do milho. Causam redução da área foliar e produtividade da cultura. A utilização de milho com proteínas tóxicas como Cry1F, Cry1Ab e Vip3Aa20 de Bacillus thuringiensis (Bt), tem sido a tecnologia mais utilizada para controle de lagartas na cultura, mas apenas a proteína Vip3Aa20 tem apresentado resultados mais efetivos no controle das lagartas, dispensando quase sempre a aplicação de inseticidas.

Todavia, a falta de cultivo de áreas de refúgio, para o manejo da resistência, poderá comprometer o desempenho dessas proteínas no futuro. O cultivo consorciado de milho com braquiária é uma tecnologia em evolução, e estudos evidenciam que a braquiária é preferida pela lagarta em relação ao milho, no qual o seu controle é fácil, podendo, assim, constituir um refúgio alternativo da tecnologia Bt.

Cigarrinha-do-milho: é uma praga específica do milho, ou seja, não sobrevive em outras gramíneas como braquiária e sorgo. A manutenção de plantas de milho em lavouras durante o ano todo tem proporcionado aumento expressivo dessa praga.

É causadora indireta de perdas de produtividade por ser vetor do “vírus rayado fino” ou da “risca”, que aparece em pequenos pontos cloróticos nas nervuras das folhas e que se fundem tomando aspecto de riscas curtas. A cigarrinha pode também transmitir duas classes de bactérias denominadas de mollicutes, que são causadoras de doenças como o enfezamento-vermelho (Fitoplasma) e o enfezamento-pálido (Espiroplasma), que atuam estritamente no floema das plantas de milho.

Os sintomas aparecem nas plantas em forma de estrias avermelhadas ou esbranquiçadas, respectivamente. Seu ataque é mais frequente em regiões com cultivo de milho irrigado, assim como em plantas voluntárias que surgem nas lavouras em função das perdas de grãos na colheita, que hospedam a cigarrinha e o patógeno. A utilização de cultivares resistentes é uma das melhores alternativas para manejo da cigarrinha, e seu controle pode ser auxiliado com o tratamento de sementes e pulverizações na parte aérea das plantas com inseticidas específicos.

Monitoramento

Em síntese, dificilmente ocorre apenas uma espécie de praga na cultura do milho safrinha, o que torna fundamental o monitoramento durante todo o ciclo da cultura, visando identificar e quantificar as espécies para um manejo adequado. A adoção do manejo integrado, incluindo a eliminação das plantas voluntárias de milho e de outras plantas hospedeiras dessas pragas, a utilização de cultivares resistentes à cigarrinha, o uso de híbridos com tecnologias Bt eficientes às lagartas e o tratamento de sementes associado a pulverizações com inseticidas são alternativas que podem garantir o estabelecimento adequado da cultura e proporcionar o controle da maioria das pragas que atacam o milho safrinha.


Aumenax é a nova solução da Basf para doenças da soja

A Basf apresentou no Show Rural Coopavel, no mês passado, em Cascavel/PR, o fungicida Aumenax como nova ferramenta para doenças da soja. A solução é indicada para o controle da mancha-alvo e manejo de resistência da ferrugem, e estará disponível na safra 2020/21. O produto, voltado para as primeiras aplicações de fungicidas na lavoura, é uma formulação líquida de baixa dosagem, fácil diluição e que não causa entupimento nas pontas do pulverizador. “A solução possui alta performance para o controle das principais doenças da soja, como a mancha-alvo e a ferrugem asiática. A formulação inovadora foi desenvolvida para ser uma grande aliada no manejo eficiente da lavoura e para dar mais praticidade e conveniência para o agricultor”, afirma Hélio Cabral, gerente de Marketing de Soja da Basf.

Syngenta inaugura segunda loja própria do mundo

A Syngenta inaugurou sua segunda loja própria do mundo, em Santa Maria/RS. A exemplo da loja de Ijuí/RS, em funcionamento desde setembro de 2019, a nova Atua Agro será um posto avançado de modernização do agronegócio regional. De acordo com André Savino, diretor de Marketing da Syngenta no Brasil, a iniciativa não altera a estratégia da Syngenta de fortalecer e investir nos parceiros de distribuição. “Muito pelo contrário, continuamos premiando a alta reciprocidade e a fidelidade da nossa rede de distribuição. O propósito das lojas próprias é somar forças, qualificando ainda mais o atendimento aos produtores locais e, assim, levar as melhores práticas agrícolas para nossos parceiros em todo o Brasil”, ressalta.

Busca por soluções que gerem valor ao agricultor

A empresa completa 55 anos de Brasil. Quais são os planos e os objetivos da empresa para a agricultura brasileira em 2020 e nos próximos anos?

Os objetivos para os próximos anos não serão diferentes dos que se passaram. Continuaremos focados na busca contínua por soluções que gerem valor para o agricultor rural brasileiro. Afinal, ele é a razão da nossa existência. Mas claro que, para continuarmos a fazer isso de forma consistente e efetiva, precisamos, cada vez mais, entender o mercado, nossos clientes e continuar desenvolvendo tecnologias e inovações para os atuais e futuros desafios do manejo de pragas e doenças. Para assegurarmos essa evolução, tivemos um acréscimo de investimentos significativos nos últimos anos, tanto em estrutura quanto em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos, que nos permitirão buscar um crescimento de, aproximadamente, 2% de participação de mercado em 2020.

Quais são os diferenciais da empresa em prol dos produtores brasileiros?

Nosso principal diferencial é que somos uma empresa brasileira com capital japonês, focada na pesquisa e no desenvolvimento de novas tecnologias em defensivos. A Ihara é o elo que oferece aos agricultores brasileiros o acesso às inovações japonesas em proteção de cultivos. Lembrando que o Japão é o país que mais desenvolveu novas moléculas nos últimos anos. Queremos estar cada vez mais próximo do produtor rural e trabalhar arduamente para entregar um portfólio de produtos ainda mais amplo, capaz de atender e sanar às principais necessidades do campo e contribuir cada vez mais para o progresso e a competitividade do agronegócio brasileiro.

E quais são os atributos do recém-lançado inseticida Zeus?

O inseticida Zeus é um produto inovador e inédito no Brasil, que possui efeito de choque e residual únicos no manejo do percevejo na soja. Zeus foi lançado com o objetivo de elevar o poder de controle dos percevejos e, consequentemente, preservar a produtividade do produtor.

Considerações sobre os demais lançamentos.

No final de 2019, a Ihara obteve, de forma inédita e exclusiva no Brasil, o registro da molécula Dinotefuran, inseticida de excelência e, por isso, bastante aguardado pelo mercado brasileiro devido ao seu alto poder de controle. A partir dessa nova molécula, a empresa lançou uma linha de produtos pensados especialmente para atender às necessidades do manejo de pragas das mais diversas culturas – entre elas, soja, cana- -de-açúcar e café. As novas soluções levam, mais uma vez, a tecnologia e a inovação japonesas a serviço da agricultura brasileira. Entre os lançamentos, além do Zeus, estão o Maxsan, com maior efeito de choque e maior residual para o controle de todas as fases da cigarrinha na cana-de-açúcar e também da mosca-branca na soja, e o Spirit SC, inseticida e fungicida com maior efeito de choque e período de controle contra bicho-mineiro, ferrugem e cigarra-do-café.