Agribusiness

ALGODÃO Indústria mais ativa e dólar garantem firmeza aos preços

Rodrigo Ramos - [email protected]

A forte desvalorização cambial ocorrida nos últimos dias anulou os efeitos da fraqueza das cotações internacionais e garantiu uma boa alta nos preços do algodão brasileiro ao final da primeira quinzena de fevereiro. Na média das indústrias do Cif de São Paulo, a pluma era indicada a R$ 2,84 por libra-peso em 14 de fevereiro, o que corresponde a ganhos de 5,77% em relação ao mesmo período do mês passado. Ante a igual período do ano anterior, a queda é de 3,07%. Conforme o analista de Safras & Mercado Élcio Bento, as indústrias seguem presentes no mercado em busca, especialmente, de fibra de alto padrão, cuja oferta é restrita e os preços pedidos pelos comerciantes e produtores, elevados. “Isso porque as tradings podem optar pela venda no mercado interno ou externo”, lembra. “Os produtores, com boa parte da safra atual e futura comercializadas, neste momento, estão focados nos trabalhos de plantio e aproveitam momentos para fechar negócios futuros”, explica. Com a rentabilidade se mostrando atrativa, a tendência é que o produtor siga apostando no algodão nas próximas safras. “Para isso, considerando a fraqueza do consumo interno, é preciso manter a competitividade no mercado externo, em especial, frente aos Estados Unidos, o maior exportador global da pluma”, pondera.


TRIGO Preços devem seguir subindo

Gabriel Nascimento - [email protected]

Apesar de uma comercialização em ritmo mais lento em fevereiro, os preços do trigo mantêm um viés altista no Brasil. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, tanto o cenário interno quanto o externo colaboram para esse quadro. No âmbito doméstico, os volumes reduzidos de oferta não são suficientes para atender à demanda. Além disso, há a elevação do dólar em relação ao real, que, no mês, chegou a atingir quatro máximas históricas consecutivas. “Pelas paridades de importação, os custos de aquisição no mercado externo são representativamente elevados, abrindo também espaços para reajustes do cereal nacional”, diz o analista. Outro ponto de destaque é a elevação, em dólares, do tri go argentino, principal fonte das importações brasileiras. “A forte demanda internacional levou o país vizinho a atingir, no mês anterior, 75% de comercialização do trigo produzido nessa última safra – o equivalente a 95% dos excedentes exportáveis do país”, revela Pinheiro. “A escassez de oferta no Mercosul poderá obrigar a indústria a buscar alternativas mais caras, gerando mais pressão de alta”, observou. Ele destaca, ainda, que o mercado, apesar da menor liquidez, segue indicando reajustes positivos ao longo das semanas. No PR, as cotações atuais estão por volta de 6% mais altas do que o observado no mesmo período do mês passado, chegando a ultrapassar os 10% em algumas regiões. No RS, os referenciais estão pouco mais de 2% superiores, com valores semelhantes aos praticados no mesmo período da última temporada.


SOJA Safras eleva estimativa para colheita

Dylan Della Pasqua - [email protected]

Os produtores brasileiros de soja deverão colher 124,554 milhões de toneladas em 2019/20, com crescimento de 4,4% na comparação com o ano anterior, quando a safra ficou em 119,306 milhões. A projeção faz parte do mais recente levantamento de Safras & Mercado. No relatório anterior, divulgado em 10 de janeiro, Safras apostava em produção de 123,589 milhões de toneladas. E Safras trabalha com área de 37,072 milhões de hectares, com aumento de 1,9% sobre o ano anterior e batendo novo recorde. No ano passado, a área ocupou 36,384 milhões de hectares. A produtividade está estimada em 3.377 quilos por hectare, superando o rendimento médio de 3.296 quilos obtido no ano passado. Foram feitos apenas ajustes finos positivos nas produtividades médias esperadas para alguns estados produtores da região Centro-Oeste, além de um pequeno ajuste positivo no tamanho da área semeada no principal estado produtor do País, Mato Grosso. “A evolução da colheita, embora em um ritmo mais lento que a média normal para esta época do ano em nível nacional, começou a revelar produtividades acima do esperado no Mato Grosso e em Goiás”, aponta o analista de Safras & Mercado Luiz Fernando Roque.


MILHO Brasil deve colher 104,750 milhões de toneladas

Lessandro Carvalho - [email protected]

O Brasil deverá colher uma safra de milho em 2019/20 de 104,750 milhões de toneladas , segundo a mais nova estimativa de Safras & Mercado. O volume fica abaixo das 107,375 milhões da temporada anterior. Houve uma elevação em relação à estimativa divulgada em janeiro, que indicava uma produção de 103,262 milhões de toneladas. Segundo o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, a área total deverá ocupar 18,196 milhões de hectares, avanço de 1,1% frente aos 18,003 milhões de 2018/19. “Em janeiro, a área projetada estava em 17,953 milhões de hectares, mas o cenário de bons preços registrados para o cereal favoreceu um aumento na intenção de plantio da safrinha”, destaca. O rendimento médio das lavouras é estimado em 5.757 quilos por hectare, inferior aos 5.964 quilos da outra safra. Para a safra verão, a expectativa é de que possam ser colhidas 21,728 milhões de toneladas, 12,5% aquém das 24,846 milhões de toneladas do ano passado. Em janeiro, a safra verão havia sido estimada em 21,679 milhões de toneladas. “Houve uma pequena recuperação na estimativa de produção em Santa Catarina e no Paraná, que compensaram as perdas mais expressivas registradas no Rio Grande do Sul por conta da estiagem”, explica. Para a safrinha 2019/20, Molinari indica que o cenário de aumento na área a ser cultivada se confirmou, em razão dos preços bastante positivos registrados para o milho.


ARROZ Mercado segue com preços firmes, à espera de safra

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de arroz seguiu com preços firmes ao final da primeira quinzena de fevereiro. Na média do Rio Grande do Sul, referência nacional, a indicação de preço ficou em R$ 50,93 por saca de 50 quilos no dia 13 de fevereiro, ante R$ 51,13 na semana anterior. Apesar de representar uma queda de 0,39%, no período de 30 dias, a elevação ainda era de 4,41%. Conforme o analista de Safras & Mercado Gabriel Viana, o mercado brasileiro se encontra em passo de espera pela entrada da safra, que deve ser colhida em meados de março. “Os preços muito elevados para o cereal no País acabaram retirando compradores do mercado, restando apenas pequenos que não contam com estoque para o abastecimento neste período de menor oferta”, explica. Na temporada encerrada no final de fevereiro, o Brasil exportou cerca de 266 mil toneladas a mais do que importou. “Com a quebra de safra no Rio Grande do Sul no ano passado, o País necessitava importar mais do que exportar, entre março de 2019 e fevereiro de 2020, para não derrubar o volume de estoque de passagem”, lembra Viana. “Porém o que vimos foram exportações incentivadas pelo câmbio e por importações encarecidas no País. Com a temporada 2020/21 próxima do início, os preços do cereal se encontram 26,23% acima do mesmo período do ano anterior. “Com câmbio elevado e incentivos para exportação, há grande expectativa de que os preços sejam muito positivos na próxima temporada.


CAFÉ Vendas da safra 2019 continuam adiantadas

Fábio Rübenich - [email protected]

A comercialização da safra de café do Brasil 2019/20 (julho/junho) chegou a 82% até 11 de fevereiro, dado que faz parte do levantamento mensal da Safras & Mercado. Em relação ao último levantamento, de 13 de janeiro, a comercialização evoluiu em cinco pontos percentuais. As vendas estão adiantadas em relação ao ano passado, quando 74% da safra 2018/19 estava comercializada até então. A comercialização está também acima da média dos últimos cinco anos, que é de 79% para o período. Com isso, já foram comercializadas 46,86 milhões de sacas de 60 quilos, tomando-se por base a estimativa de Safras & Mercado, de uma safra 2019/20 de 57,05 milhões de sacas. Segundo o analista de mercado de café da Safras & Mercado, Gil Barabach, o ritmo de comercialização desacelerou no início do ano, por conta da queda nos preços e do bom fluxo de vendas registrado no final do ano. O destaque na comercialização da safra 2019/20 segue no café arábica, cuja produção já está 80% comprometida, contra 72% um ano atrás e a média de 78% dos últimos cinco anos. Já as vendas de café conilon evoluíram para 86% da safra esperada, também acima do mesmo período do ano passado (81%) e da média de cinco anos (82%).