Na Hora H

COLHEITA DO MILHO NO RIO GRANDE DO SUL

Alysson Paolinelli

Estive novamente no Rio Grande do Sul no mês passado, para comemorar a 9ª Abertura Oficial da Colheita do Milho. Fui com muita preocupação, pois estava informado que a queda da safra de verão deste ano havia sido de aproximadamente 30%. Pensei, não há muito a comemorar! Procurei informar-me o que estaria acontecendo. Fui logo alertado que a falta de chuva havia prejudicado e muito as lavouras de sequeiro e que havia casos de perda de mais de 40%. Fiquei preocupado, pois o Rio Grande do Sul é grande consumidor de milho e que o seu déficit iria aumentar muito. Estando o mercado de milho no mundo, como está, a equação gaúcha seria mais séria ainda, já que as tendências de preços são nitidamente altistas. Dificultaria muito os seus produtores de proteínas animal. Isto não poderia continuar acontecendo. Por outro lado, nos informaram também que as lavouras irrigadas haviam compensado em muito as perdas ocorridas, pois elas chegavam a produzir 130 ou mais sacas por hectare.

Fiz a viagem para o local da Festa da Colheita num avião de um amigo, que é dono de uma das maiores companhias de aviação agrícola do País e ele conhecia até os limites de cada propriedade, sendo que trabalhava ali por muitos anos e resolveu, ao ver o meu interesse, sobrevoar as fazendas de grande irrigação do estado. Me senti outro. Vi a exuberância da produção do milho irrigado na região. Pude comparar de cima, muito bem, a diferença existente entre o irrigado e o de sequeiro. Fiquei feliz. Fui informado também que nas áreas irrigadas o agricultor já está plantando até três ou duas e meia safras por ano, e que sua renda passou a ser muito maior, pois com a mesma terra, com os mesmos equipamentos e os mesmos homens eles colhem muito mais e melhor dos que não irrigam.

Melhor notícia tive eu na solenidade da colheita da safra, onde estavam todas as autoridades, inclusive o governador Eduardo Leite. Foi apresentado em uma belíssima parceria entre governo e iniciativa privada um sólido e consistente plano de promoção, desenvolvimento e recuperação da produção de milho no Rio Grande do Sul. Procurei me inteirar bem de suas proposições e vi com alegria que todas as medidas racionais, cabíveis e desejáveis ali estavam, sendo defendidas por todos os representantes do setor. Inclusive o estímulo à irrigação, encabeçada por todos. Em meu pronunciamento que, em nome da Abramilho, fui convidado a fazer, elogiei e agradeci a todos por tão racional e eficaz medida a ser compartilhada. Procurei mostrar e enfatizar que aquela não era uma solução só para o Rio Grande do Sul, mas sim que ela serviria de lição a todo o Brasil.

Temos um mercado em franca expansão na área de alimentos. Se formos pela tese de que o Brasil para atender as demandas que tem pensar somente em aumentar as suas áreas de plantios, pois os nossos recursos naturais são quase infindáveis, encontraremos pela frente alguns fortes inimigos. O primeiro deles é a pecha de que só produzimos alimentos com o sacrifício dos nossos recursos naturais, o que é um grande engano ou argumento dos incapazes de concorrer conosco. O segundo é que vamos gastar muito dinheiro, que anda escasso num país que inexplicavelmente se endividou demais. O terceiro é o tempo que vamos gastar na incorporação racional das novas áreas, estimada em no mínimo sete anos, para que elas atinjam o seu pleno potencial de produção, e que pode ser fatal para a perda dos mercados que já conquistamos.

A solução mais natural, rápida e realmente racional, é pela irrigação, onde podemos não só corrigir um dos maiores riscos que temos com os fatores climáticos, bem como com a possibilidade de se obter em todo o nosso território tropical as tão desejadas três safras o que os nossos concorrentes jamais conseguirão fazer. Vejam: três safras por ano, com o mesmo solo e área, com os mesmos equipamentos e com o mesmo homem. Parabéns brasileiros do Rio Grande do Sul. Que a sua lição sirva para todo o nosso País.

Engenheiro agronomo, produtor, presidente-executivo da Abramilho e ex-ministro da Agricultura