Agricultura 4.0

A CONECTIVIDADE AVANÇA NO CAMPO

A motivação para escrever sobre este tema deve-se a uma visita que recebemos em Pompeia/ SP de representantes da iniciativa do ConectarAGRO, lançada em 2019, que vieram conversar conosco sobre a formação de mão de obra para essa demanda ocupacional. Assim, voltamos ao assunto da conectividade, e, como relatado anteriormente em 2018, este será um dos grandes temas do agronegócio nos próximos anos, uma vez que representa um gargalo tecnológico para o setor e há muito interesse na solução desse problema.

A missão da iniciativa ConectarAGRO “é incentivar e promover solução tecnológica para a conectividade, que possa revolucionar a forma de produzir no campo, facilitando a integração e a gestão de toda a cadeia produtiva e aumentando a qualidade e a competitividade dos produtores”. Outro fato que chama a atenção é que visa promover tecnologias abertas e abrangentes às soluções de automação no campo, conectando máquinas e pessoas com mais liberdade e flexibilidade, ou seja, visam a uma conectividade pública, sem a necessidade do agricultor ser cliente de uma das empresas apoiadoras. Aliás, qualquer empresa que queira participar da iniciativa pode aderir a ela, sendo aberta a qualquer interessado.

Particularmente, fiquei bastante entusiasmado, visto que estamos trabalhando para isso e pelo fato de que a conectividade representa um passo importante para as carreiras formadas na Fatec, de Mecanização em Agricultura de Precisão e de Big Data no Agronegócio. Também vale destacar a participação de uma das grandes empresas de telecomunicações no projeto, o que traz um diferencial enorme, visto que detém o know how da conectividade.

Não tenho dúvida de que as soluções de conectividade nos levarão a um novo patamar de gestão agrícola, porém só a conectividade não será o suficiente para que isso aconteça. Uma vez conectadas, as máquinas agrícolas se transformarão em dispositivos de Internet das Coisas (IoT) e começarão a digitalizar uma infinidade de dados que, se não forem corretamente organizados, sistematizados e analisados, não trarão as informações necessárias para a tomada de decisão. Então pode-se colocar nessa corrida tecnológica toda uma necessidade de desenvolvimento de algoritmos capazes de tratar adequadamente este grande volume de dados digitais. Com efeito, algumas demonstrações mostraram o poder dessa solução, como, por exemplo, corrigir, em tempo real e a distância, um erro de semeadura.

Outro ponto que ainda não se percebe uma discussão mais profunda, talvez ainda pela precocidade do tema, é a questão da segurança dos dados. Estes serão de altíssimo valor para o fazendeiro e para as corporações também!

A princípio, como há necessidade de se viabilizar a infraestrutura para a conectividade, inicialmente, irão aproveitar as regiões que já possuem alguma infraestrutura disponível para levar a conectividade ao campo, da mesma forma que acontece nas cidades. A tecnologia escolhida para cobrir grandes áreas foi a LTE 4G 700 MHz, a mesma usada nas cidades, que possibilitará que smartphones, tablets, modens etc. funcionem no campo, além dos dispositivos acoplados às máquinas agrícolas, drones, satélites, robôs, computadores pessoais e softwares de gestão.

Cabe ressaltar que já existem outras iniciativas de soluções de conectividade independentes, de empresas e até dos próprios agricultores. Contudo, essa iniciativa é mais uma bem-vinda, e, independentemente de quem seja a ação, estas irão se encontrar nas nossas fazendas e, com certeza, se fundir, pela própria necessidade da facilidade de uso e de aplicações da tecnologia, com benefícios econômicos para o usuário.

Engenheiro-agrônomo, mestre e doutor em Produção Vegetal, pesquisador em Nematologia Agrícola e de Precisão em Proteção de Plantas, professor e diretor da Fatec Shunji Nishimura