Glauber em Campo

O QUE ESPERAR PARA 2020

Glauber Silveira

Fim de ano é o momento de fazer um balanço. Um evento realizado pela Aprosoja Brasil em Brasília foi muito feliz em fazer a análise de 2019 e também mostrar o que se espera para 2020, e estiveram presentes as principais lideranças do agronegócio brasileiro. Vou tentar traduzir aqui um pouco do que eles expressaram. Ficou claro, pelas apresentações, que o Brasil tem contribuído com a alimentação do mundo, exportando produtos de qualidade para mais de 160 países, como bem colocou a ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

A ministra mencionou a responsabilidade de o Brasil responder com velocidade as demandas globais, e que existem oportunidades enormes no cenário global, seja produzindo uma alfafa específica para determinado país ou um grão-de-bico para o Oriente Médio. O grande desafio é a burocracia e a comprovação da sanidade. O mundo, hoje, exige protocolos que atestem que o que irá chegar à mesa do consumidor foi produzido dentro da mais adequada responsabilidade ambiental, social e de sanidade.

Em 2019, o agronegócio brasileiro deu, mais uma vez, respostas na balança comercial brasileira, impulsionando o PIB. A ex-senadora Ana Amélia disse, no evento, que o Brasil está com uma oportunidade única e, por isso, aumenta a nossa responsabilidade e os riscos. Ficam claras, com essa fala, a necessidade de melhoria nos processos produtivos, a necessidade da extensão rural, da pesquisa e sua difusão. Daí me preocupa o fato de estarmos investindo apenas 1,2% de seu PIB em pesquisa, e, pior, o Governo cortou pela metade o investimento em extensão – que já era baixo.

O deputado Alceu Moreira, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), disse que, hoje, a conectividade é tão importante quanto a terra e a água, pois sem ela não temos competitividade. Afinal, a conectividade contribui para o uso racional dos insumos agrícolas, hoje tão caros e que tiram renda a cada ano do produtor. Hoje, temos máquinas e equipamentos que podem aumentar a assertividade da produção, trazer a racionalização do uso de fertilizantes e, principalmente, de pesticidas.

O presidente da FPA reforça a diretriz da entidade em 2020, onde o lema será renda, o produtor não pode mais ter um sócio oculto a lhe roubar a renda. É preciso tirar os atravessadores, diminuir as taxas de juros para que ele tenha renda. Com renda, o produtor investe e produz mais e melhor. Ele reforçou que foi para isso que foi lançada a MP do Agro, para trazer instrumentos que possibilitem ao produtor ter mais acesso ao crédito no dizer bom e barato.

Fica claro que, com renda, o produtor investe. Um exemplo é o da carne, que, como o preço reagiu, o pecuarista responde rapidamente, e veremos, em breve, a resposta com produtividade, geração de riquezas e empregos. Os governos precisam, de uma vez por todas, compreender isto: se tem renda, tem investimento e, com isso, mais geração de impostos, trabalho e exportação. Um dos grandes desafios para 2020 ainda será – e creio que sempre será um dos principais desafios – comunicação. Nesta, o setor tem perdido muito. Nos comunicamos muito mal, estamos sofrendo muitas críticas fora do Brasil, e, por mais que sejam infundadas, se não estivermos preparados, vamos apanhando e perdendo espaço, sem falar no preço, que cai em consequência.

O Brasil está em um momento de reformas. Houve reforma da Previdência, e, agora, a tributária – esta, com certeza, pode impactar em muito na renda do produtor, uma vez que o Governo quer tirar recursos para manter sua máquina incompetente de todo lugar. E o agronegócio é tido como um setor que ainda tem fôlego. Por isso a importância da FPA nas discussões e para blindar o produtor.

Em 2020, temos diversos temas importantes no Congresso Nacional: a MP do Agro, que segue para votação final no Senado; a PEC tributária; e a PEC paralela, que trata da contribuição previdenciária na exportação. Tem a lei de pesticidas, o licenciamento ambiental, todos temas importantes para o agronegócio. Por isso as entidades de classe têm que se manter unidas e organizadas, pois o jogo é pesado e vence quem se organiza.

Além dos temas que estão em mudança e vão influenciar na vida da produção, há os rotineiros e que, a todo momento, vêm à pauta, como é o caso da Lei Kandir, que não passa meses sem vir à pauta, e querem acabar com ela. O Convênio 100, tão importante para a aquisição de máquinas e insumos, e que está em xeque, mas que, antes de abril de 2020, precisa de renovação, sempre uma novela que não termina. E o dito e maldito Funrural e seu passivo, que ainda não teve solução – e, não nos enganemos, não terá solução fácil.

Este é um ano de eleição, quando tudo se complica. Mas, independentemente disso, o Brasil necessita de mudanças em suas legislações e gestões. Evoluímos muito, de uma forma que muitos não acreditavam. Tenho que reconhecer a mudança com o Governo Bolsonaro, todo aquele radicalismo contra o agro impregnado no Governo diminuiu. Temos um quadro de ministros há muito não visto. Vamos torcer para que as coisas evoluam, pois o País clama.

Presidente do Sindicato Rural de Campos de Júlio/MT, presidente da Câmara Setorial da Soja, presidente da Associação de Reflorestadores do MT, vice-presidente da Abramilho e Diretor Conselheiro da Aprosoja