Agricultura 4.0

Retrospectitva 2019

Durante o ano de 2019, discorremos sobre assuntos envolvendo ciência e tecnologia: expectativas 2019; clima; ciência, tecnologia e inovação na era do conhecimento; quatro grandes áreas da tecnologia que nos levarão à Agricultura 4.0; Agrishow 2019; atualizando nematoides; gergelim; arroz; blockchain; e agricultura urbana. Assim, uma das apostas para este ano era um avanço significativo nas questões da conectividade do campo, relatada nos textos das expectativas e da Agrishow 2019. Neste final do ano, podemos verificar que a questão evoluiu, porém abaixo das expectativas imaginadas no início de 2019. Isso nos indica que as barreiras tecnológicas e continentais do agronegócio brasileiro são grandes desafios. Embora as coisas tenham evoluído e gigantes das telecomunicações tenham se manifestado e até ensaiado uma ação a respeito, o que temos ainda nesse caso são ações pontuais de empresas do setor de tecnologia da informação e grandes produtores ou empresas na busca de soluções próprias e individualizadas. Contudo, com certeza, a conectividade do campo estará em alta no avanço tecnológico do campo nos próximos anos.

Com relação ao clima, este ainda continua caótico em boa parte das regiões produtoras, difícil de ser modelado matematicamente para previsões mais precisas aos produtores rurais. Assim, reforço aquilo que escrevi no texto de março de 2019, de que, em termos continentais e nacionais, podemos até ter alguma assertividade nas tendências das previsões de clima com as tecnologias e os centros especializados na área disponíveis. Em termos regionais ou até da propriedade rural, tudo fica mais difícil, e há, ainda, um caminho tecnológico grande a ser vencido, na coleta de dados, análise de dados e tomada de decisão em relação às previsões de clima em um maior intervalo de tempo. Infelizmente, os fatos são reais. Tem-se observado vários agricultores refazendo plantios que anteciparam nas primeiras chuvas de setembro e que não deram certo.

Na questão dos drones, que também foi uma expectativa, aí sim, tivemos avanços significativos, uma ebulição de conversas nesse sentido e muitas coisas interessantes apareceram e deverão surgir no próximo ano. Os drones pulverizadores são uma realidade, e, com efeito, na feira Agritechnica, de Hannover, na Alemanha, foi lançado um “mega” drone por uma grande empresa, de 9,2 metros de diâmetro. Muito provável que a Agrishow, assim como outras feiras de 2020, deve trazer muitas inovações nessa plataforma. Todavia, um movimento a respeito dos drones que se evidenciou em 2019 foi a questão da especialização de empresas prestadoras de serviços com essa tecnologia.

Houve uma corrida na aquisição de equipamentos por vários atores do setor agrícola, produtores, técnicos, pesquisadores etc., mas o que se percebe é que, na hora de se retirar valor, definir alguma estratégia de ação ou decisão, o trabalho tem que ser de um profissional, havendo a necessidade de se ter equipamentos e sensores sofisticados e profissionais habilitados para o serviço. Vamos ver o que vai acontecer nesse sentido com os drones de ação, como os drones pulverizadores/adubadores, ou seja, como o mercado de produção e serviços dessa natureza irá se organizar.

As áreas da tecnologia da informação (TI) caminharam a todo vapor em 2019 e em todas as direções. Grandes transformações de como realizamos as coisas devem aparecer em breve. Particularmente, após o texto Ciência, tecnologia e inovação na era do conhecimento, na edição de abril, para tentar acelerar a transferência de tecnologia aos agricultores, embarquei numa cruzada no sentido de romper o seguinte paradigma em agricultura digital: “Com esta tecnologia, faça isto, obtenha este dado, gere esta informação, tome esta decisão e tire esta conclusão”. Quem mais se interessar em resolver esta questão, podemos conversar.

Engenheiro-agrônomo, mestre e doutor em Produção Vegetal, pesquisador em Nematologia Agrícola e de Precisão em Proteção de Plantas, professor e diretor da Fatec Shunji Nishimura