Mecanização

Lubrificantes: a durabilidade depende deles

São líquidos, pastosos (as graxas) ou sólidos, e são fundamentais para motor, transmissão, sistema hidráulico e nos demais componentes móveis das máquinas, tais como engrenagens e articulações

Marcelo Silveira de Farias e Leonardo Casali, da Universidade Federal de Santa Maria/RS

Os lubrificantes, que podem ser líquidos, pastosos (graxas) ou sólidos, são indispensáveis para o bom funcionamento de qualquer máquina agrícola. Estão presentes no motor, na transmissão, no sistema hidráulico e nos demais componentes móveis das máquinas, tais como engrenagens, articulações, correntes, pistões, eixos, árvores, bombas, rola mentos, mancais de atrito e mancais de rolamento. Os lubrificantes são dispostos entre os componentes em contato a fim de reduzir a fricção e o calor, proporcionando funcionamento suave e mantendo a temperatura normal de trabalho. Assim, podem atingir a durabilidade máxima para a qual foram projetados, evitando perdas de rendimento e interrupção do funciona mento. Além disso, em determinados casos, possuem a função de limpar e vedar alguns mecanismos.

Uma graxa é composta de um óleo base (80%/90%), de um espessante (10%/15%) e de aditivos (5%/10%). O óleo base pode ser sintético ou mineral, com diferentes graus de viscosidade. O espessante confere aumento da viscosidade, sendo os mais comuns de lítio ou de cálcio. Já os aditivos são adicionados para melhorar algumas qualidades, como estabilizante ao cisalhamento, resistência à água e consistência ou aderência. O espessante de lítio é o mais utilizado. Caracteriza-se por ter boa estabilidade e boa resistência à água e altas temperaturas. As chamadas graxas complexas de lítio contêm aditivo de antimônio-zinco, que confere maior resistência à alta pressão ou corrosão. As graxas de sulfonato de cálcio têm excelentes propriedades antidesgaste e é inibidor natural da ferrugem (resistência à água), sendo indicadas para partes do chassi.

No mercado, são ofertadas diversas formulações de lubrificantes, para as mais variadas situações de temperatura, velocidade e carga, por exemplo. Não é conveniente utilizar o mesmo lubrificante para todos os componentes. As graxas multiuso, por exemplo, combinam as propriedades de duas ou mais substâncias especializadas para que possam ser usadas em várias aplicações. Lubrificar com óleo ou graxa dependerá das condições de trabalho. Por exemplo, para uma transmissão com engrenagens sujeitas a cargas pesadas e altas velocidades, o óleo lubrificante é mais indicado. Porém, para uma transmissão com velocidades pequenas, a graxa é uma ótima escolha. Em qualquer situação, a utilização requer revisão, reposição e substituição periódicas, de acordo com a intensidade do trabalho.

Classificação das graxas

As graxas são classificadas em função da consistência, para manter o lubrificante líquido no lugar. A consistência é a resistência oferecida por uma graxa à sua penetração e é classificada pelo Instituto Nacional da Graxa (NGLI) em: 000, 00, 0, 1, 2, 3, 4, 5 e 6. Quanto maior o número, mais consistente é a graxa. A graxa de uso agrícola mais utilizada/recomendada é a de consistência número 2, de sabão de lítio. Em altas rotações e pequenas folgas dos mancais, e onde há necessidade de maior fluidez nos condutos, por exemplo, são aplicadas graxas lubrificantes mais fluidas, que competem às classes 00 até 1. Para folgas maiores dos mancais, necessita-se de uma ve dação contra agentes externos (poeira, água e solo) que podem penetrar, devendo-se, nesse caso, serem utilizadas graxas nas consistências 2 e 3.

Quanto aos lubrificantes líquidos, a principal classificação refere-se à viscosidade do óleo (SAE), isto é, a fluidez sob determinada temperatura. Os óleos mais viscosos são mais grossos e menos fluidos. Na prática, o óleo necessita ser viscoso o suficiente para criar uma fina película protetora entre os componentes móveis, mas não pode ser muito viscoso a ponto de oferecer resistência ao livre movimento das peças. Nesse sentido, houve grande avanço dos fabricantes em melhorar a composição dos óleos, criando os lubrificantes multiviscosos. Atualmente, a maioria dos óleos produzidos e comercializados são multiviscosos, isto é, possuem mais de um grau de viscosidade SAE, possibilitando o uso em diferentes situações e durante todo o ano, porque sua viscosidade é satisfatória a alta ou baixa temperatura.

Um exemplo é o óleo lubrificante para motores 15W-40, no qual o 15W significa a viscosidade que esse produto apresenta quando o motor está em temperatura ambiente, ou seja, motor frio. Nessa condição, comporta-se como um óleo muito fluido, o que é benéfico para a partida do motor. Esse mesmo óleo funciona com maior viscosidade (40) no momento em que o motor está quente, em funcionamento. Os óleos lubrificantes utilizados no sistema de transmissão têm classificação semelhante aos óleos para motor, empregando-se quatro graus de óleos de inverno (SAE 70W, 75W, 80W e 85W) e três de verão (SAE 90, 140 e 250), sem que tenham nenhuma relação aos graus estabelecidos com os definidos para os motores. Também pode-se utilizar óleos multiviscosos nas transmissões, como é o caso do SAE 85W-140.

As graxas são classificadas em função da consistência, para manter o lubrificante líquido no lugar. A consistência é a resistência oferecida por uma graxa à sua penetração e é classificada pelo Instituto Nacional da Graxa (NGLI) em: 000, 00, 0, 1, 2, 3, 4, 5 e 6. Quanto maior o número, mais consistente é a graxa. A graxa de uso agrícola mais utilizada/recomendada é a de consistência número 2, de sabão de lítio. Em altas rotações e pequenas folgas dos mancais, e onde há necessidade de maior fluidez nos condutos, por exemplo, são aplicadas graxas lubrificantes mais fluidas, que competem às classes 00 até 1. Para folgas maiores dos mancais, necessita-se de uma ve dação