Seed Point

Milho: uso de inoculante com bactérias diazotróficas

O gênero bacteriano gera diferentes reguladores de crescimento, sobretudo as auxinas, além de outras moléculas sinalizadoras, e, assim, as plantas emitem mais raízes secundárias e maior número de pelos absorventes

Veronica Massena Reis, pesquisadora responsável pelo laboratório de Gramíneas da Embrapa Agrobiologia

A tecnologia desenvolvida pela pesquisa e que levou ao agricultor o primeiro produto inoculante contendo estirpes selecionadas de bactérias diazotróficas, isto é, que fixam nitrogênio atmosférico, completou dez anos em 2019. Mas a história do desenvolvimento desse produto biotecnológico, que contém bactérias eficientes para o crescimento de uma cultura tão importante para a humanidade como o milho, nasceu há mais de 50 anos. Desenvolver um produto comercial, que o agricultor pode aplicar de forma segura nas suas plantações e que tem por trás de uma embalagem uma ou mais cepas (estirpes) de bactérias chamadas de Azospirillum brasilense, levou tempo e exigiu muito conhecimento adquirido nestes anos.

Em primeiro lugar, no uso de A. brasilense, a seleção de um micro-organismo para aplicação, seja ele agrícola ou na saúde humana, precisa ser criteriosa. Ninguém quer recomendar um produto que possa causar doenças às plantas, aos animais ou ao homem. Toda a pesquisa feita mostrou, nestes 50 anos, que essa espécie não tem nenhuma característica de patogenicidade, mesmo aplicada concentrada e várias vezes sobre o mesmo local. Mas, para isso, ela precisa ser manipulada de forma segura, em ambientes com controle sanitário das instalações durante todo o seu crescimento, para não haver contaminações. Hoje há esses produtos no mercado, que garantem pureza e são certificados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O produtor tem a garantia de um produto de qualidade e com baixo custo.

Segundo ponto: o que essa bactéria faz quando aplicada ao milho? Para ficar claro, bactérias diazotróficas aplicadas em cereais ou outras plantas, como trigo, arroz, brachiária etc., não geram a formação de nódulos radiculares, como no caso da soja. Portanto, a certeza de que você aplicou certo o produto inoculante não será visualizada a olho nu. Mas como saber se um produto, que não deixa nenhuma marca da presença da bactéria aplicada, será eficiente? Bem, essa foi a principal razão de se levar tanto tempo para o Azospirillum chegar ao produtor, porque não há sintoma aparente da aplicação – somente o crescimento da planta como um todo.

Essa bactéria foi encontrada em associação com diferentes plantas, como cereais e espécies forrageiras, e descrita como uma nova espécie em 1979. Desde então, vem sendo estudada de forma exaustiva pela pesquisa brasileira e também no exterior. O produto aplicado em uma única dose sobre a semente (igual a aplicação do rizóbio da soja) propicia a aceleração da emissão de raízes e, para se ter uma ideia desse potencial, seria preciso ter um campo ao lado sem aplicação para comparar esse desenvolvimento maior das plantas. E como esse enraizamento acelerado ocorre? Esse gênero bacteriano produz diferentes tipos de reguladores de crescimento durante a fase de cultivo, especialmente auxinas. Na verdade, o Azospirillum é campeão na produção desse fito-hormônio. Mas não só dele. Produz, também, um pool de substâncias reguladoras de crescimento de diferentes grupos químicos, chamadas de moléculas sinalizadoras. As plantas entendem esse sinal químico e emitem mais raízes secundárias e maior número de pelos absorventes. Resultado: a planta absorve mais água e também nutrientes.

Um terceiro ponto importante refere-se à aplicação e à expectativa de resposta. O Brasil não foi o primeiro país a se beneficiar do uso agrícola de um inoculante para gramíneas contendo estirpes selecionadas de Azospirillum. Na verdade, ele é um dos últimos países a ter produto no mercado, embora a pesquisa tenha nascido aqui. Dados históricos de mais de 30 anos de uso na Argentina mostraram que a aplicação em cultivos de inverno apresenta aumento médio de 14% de produtividade quando inoculados. Em cultivos de verão, a média foi de 9,5%.

A aplicação em legumes como soja e feijão na forma de coinoculação apresentou rendimento 6,6% maior nos solos avaliados. Estudos mais abrangentes e baseados em uma série histórica de publicações científicas mostraram que 70% dos ensaios obtiveram resultados significativos de aumento de produtividade, com respostas variando de 5% a 30% de aumento na parcela inoculada com diferentes cepas de Azospirillum mundo afora, incluindo o Brasil. Essa variabilidade está relacionada a diferentes fatores, como clima, época de plantio, tipo de solo, condições adversas, variedade, compatibilidade com agroquímicos, presença de fertilizantes nitrogenados, entre outros.

Aplicação

Mas o que a tecnologia recomenda? Usar inoculante comercial de boa procedência, pois ele garante a pureza do produto e contém substâncias que permitem a manutenção celular, a proteção do micro-organismo para aplicação em campo, a dosagem recomendada e a sua compatibilidade com outros produtos, como defensivos agrícolas. O produto tem que ser armazenado fresco, em local cuja temperatura não exceda os 35°C nem seja menor que 18°C, em média. Não precisa ser refrigerado. Pode ser aplicado na semente por ocasião de seu plantio, tanto na cobertura direta da própria semente quanto por spray no sulco. Nesse segundo caso, exige uma dose maior. Cuidados por ocasião da aplicação no campo são importantes para que o produto chegue vivo e possa atuar no vegetal, não devendo ser aplicado em solo seco nem mantido no campo em temperaturas extremas. O que for bom para a semente germinar também beneficia o inoculante.


LongPing High-Tech amplia capacidade produtiva em Paracatu

A LongPing High-Tech vai investir R$ 40 milhões na ampliação de sua unidade de produção de sementes em Paracatu/MG, para dobrar a capacidade produtiva para 2 milhões de sacos de milho híbrido ao ano. O projeto inclui a construção de novas estruturas para expandir a capacidade de recepção e secagem de espigas, além de aquisição de equipamentos de ponta para secagem e seleção com a máxima qualidade, segurança e automação. “O investimento faz parte do plano de crescimento da companhia no Brasil e nos permitirá maior eficiência, qualidade e competitividade para atender a uma demanda crescente do mercado, respondendo às perspectivas do setor e de toda a cadeia de valor”, afirma Jader Rodrigues, VP de Operações.


KWS: tecnologia para despendoamento de milho

A K W S Brasil adquiriu quatro máquinas despendoadoras da marca Frema, modelo Falcon 140, para uma das etapas mais críticas do processo de produção de sementes de milho: o despendoamento. A etapa é uma das mais delicadas do processo de produção de sementes, pois demanda um rigoroso padrão de qualidade e rapidez na realização das atividades no campo, eliminando, assim, os riscos de possíveis contaminações. “Pensando nisso, a KWS decidiu investir em máquinas despendoadoras de alta tecnologia, importadas diretamente da França, buscando manter seus campos de sementes dentro dos maiores padrões de qualidade, com significativa redução nos custos de produção e maior competitividade no mercado, além de garantir aos produtores o recebimento de uma semente de excelente qualidade”, destaca Evandro Santana, gerente de Campos de Produção da KWS Brasil.


“Semente de alta qualidade é o Primeiro Passo para uma lavoura bem-sucedida”

O que é a Abrates, quem integra a entidade e quais seus objetivos e metas?

A Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (Abrates), fundada em 1970, é uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo impulsionar o desenvolvimento de tecnologias para a produção de sementes de variadas culturas. Acreditamos na semente como principal vetor de tecnologia e importante elo entre o resultado da pesquisa e o campo. Optar por uma semente de alta qualidade é o primeiro passo para uma lavoura bem-sucedida. Semente é vida! Por isso, incentivamos a publicação de trabalhos técnicos científicos, a divulgação de resultados de pesquisas em tecnologia de sementes, a atualização tecnológica e a capacitação dos profissionais da cadeia sementeira estão entre nossos objetivos.

Na visão da entidade, qual é a importância da qualificação em toda a cadeia produtiva de sementes, desde a pesquisa até o campo?

Para que se obtenha sementes de alta qualidade para as mais variadas culturas, é preciso que os profissionais estejam capacitados para executar suas funções. É com esta visão que a Abrates promove vários cursos ao longo do ano, como os seguintes: Fisiologia de Sementes; Teórico-Prático de Formação de Amostradores de Sementes; Teórico-Prático de Formação de Analistas de Sementes e de Avaliação da Qualidade Fisiológica da Semente de Algodão. Também mantemos publicações disponíveis on-line para facilitar o acesso às pesquisas e às novas tecnologias: o Informativo Abrates e Journal of Seed Science (JSS), com qualificação B1 pela Qualis/Capes 2016 e 0,724 no Fator de Impacto publicado pelo Journal Citation Reports (JCR). Promovemos ainda o Congresso Brasileiro de Sementes, maior evento do segmento na América Latina e referência na apresentação de resultados e tecnologia em todo o mundo. A próxima edição será realizada entre os dias 14 e 17 de setembro de 2020, em Curitiba.

O que já está definido para esta próxima edição do Congresso Brasileiro de Sementes e o que podemos esperar deste evento?

O tema central para a 20ª edição do CBSementes será “Semente: Propulsora do Agronegócio”. Queremos fomentar o intercâmbio de informações entre os diferentes públicos envolvidos no tema sementes. Esta é a oportunidade ideal para reunir toda a cadeia produtiva e setores impactados. E começamos a incentivar o diálogo ainda durante a preparação do evento. Todos são convidados a participar do nosso Quiz sobre quais temas gostaria de ver no XX CBSementes, divulgado em nossas redes sociais e site. Estamos tendo respostas muito interessantes. Simultaneamente ao congresso, vamos realizar três importantes eventos: IV Simpósio Brasileiro de Sementes e Espécies Forrageiras; XV Simpósio Brasileiro de Patologia de Sementes; e X Simpósio Brasileiro de Tecnologia de Sementes Florestais. O público pode esperar por um congresso dinâmico, com participantes de pesquisas pública e privada, além da forte presença do time de pesquisa e desenvolvimento para o espaço de inovação tecnológica e uma vitrine tecnológica para que os participantes possam conferir de perto as inovações do setor. Na programação científica, também vamos abordar as novidades que surgiram nos últimos tempos, incluindo agricultura digital (Agricultura 4.0).