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Fusão de associações dá origem à CropLife Brasil

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Andef, ABCBio, AgroBio e CIB formam a nova instituição que pretende atuar em projetos de difusão de conhecimento e comunicação

A CropLife Brasil é a nova entidade representativa do agronegócio nacional. Lançada durante evento em Brasília, em 31 de outubro, é resultado da fusão da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABCBio), Associação das Empresas de Biotecnologia na Agricultura e Agroindústria (AgroBio) e Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB). Na prática, essas quatro instituições deixam de existir, explicou o presidente-executivo da CropLife, Christian Lohbauer. “Teremos uma só voz, e a comunicação institucional vai mudar”, resumiu. Segundo o dirigente, 14 empresas são as fundadoras da nova entidade, mas o potencial para integração é estimado em torno de 40 companhias das áreas de germoplasma, biotecnologia, defensivos químicos e produtos biológicos.

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A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, lembrou que a ciência deve ser o foco da narrativa de divulgação sobre o trabalho dos produtores e das cadeias agropecuárias

Na avaliação do diretor-executivo da Andef, Mário Von Zuben, a criação da CropLife faz parte de um processo natural e do momento que as empresas de todas as divisões estão passando. “É necessário unir em uma única voz os desafios e os benefícios que as novas tecnologias agrícolas trazem ao País. Após grandes e importantes conquistas, as razões que levaram a tal decisão têm como desafio, agregar, em uma única plataforma, profissionais altamente qualificados e todo o histórico de entidades que vêm liderando as discussões sobre a agricultura moderna há mais de 40 anos”, frisou. Entre os principais objetivos da CropLife estão a promoção de ações de comunicação mais eficientes a respeito do agro e o desenvolvimento de um projeto de educação e treinamento para promoção de boas práticas agrícolas. “Os primeiros 90 dias de 2020 serão de muito trabalho na elaboração e na apresentação do nosso plano estratégico de ações”, disse Lohbauer.

A ideia é que os programas desenvolvidos individualmente em cada uma das quatro entidades fundadoras sejam absorvidos pela nova representação, que tem sede no escritório até então utilizado pela Andef, em São Paulo. “Fizemos a pergunta: ter diversas associações em segmentos separados responde às necessidades atuais da indústria e do produtor brasileiro? Nesse exercício, foi que, embora as associações fizessem um excelente trabalho individualmente, concluímos que não fazia mais sentido continuarmos assim”, explicou o presidente do Conselho Consultivo da CropLife Brasil, Eduardo Leduc. O executivo também destacou os desafios de se produzir alimentos no Brasil devido às incertezas econômicas e jurídicas e as adversidades do clima tropical. “Ainda assim, conquistamos a liderança da produção e exportação de diversos produtos agrícolas, ocupando menos que 8% do território nacional. É sinal de muita competência, uso de tecnologia e sustentabilidade”, concluiu.

Ciência para informar

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, participou do evento de lançamento e ressaltou que a ciência deve ser o foco da narrativa de divulgação sobre o trabalho dos produtores e das cadeias que fazem do Brasil uma potência agroambiental. A ministra elogiou a iniciativa de criação da CropLife. “Existe a desinformação cínica e proposital, mas também existe a desinformação por ignorância. Tenho certeza de que estamos no caminho certo para criarmos novas formas de nos comunicarmos.” Também presente, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defendeu a atuação do Governo na aceleração dos processos que envolvem registros de novos defensivos. “Protelar a análise de coisas novas é prejudicar o meio ambiente e a qualidade de vida e a saúde das pessoas”, avaliou.

Convidado internacional do evento, o cientista norte-americano Jack Bobo, CEO da Futurity, citou os dados alarmantes da fome no mundo e ressaltou que a eficiência da agricultura é capaz de ajudar a mudar essa realidade. “Com a projeção de aumento da população mundial para mais de 9 bilhões de pessoas em 2050, precisamos fazer tudo o que fazemos hoje de uma forma melhor, usando menos água e menos energia.” A inovação, considera Bobo, deve ser vista como algo positivo pelos consumidores. “As pessoas se preocupam com o que comem, mas não conhecem o que comem. Espero que a CropLife possa fazer com que os consumidores confiem no trabalho dos produtores de alimentos”, observou. A CropLife International foi fundada em 2001, na Bélgica, mas sua origem, como organização representativa do segmento de insumos, é de 1967. A entidade está presente em diferentes regiões do mundo e, na América Latina, é formada por uma rede de 25 associações.

Kimitec projeta expansão e lançamentos no Brasil

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Multinacional inaugurou no mês passado novo centro de pesquisas na sua sede, em Almeria, na Espanha. Novidades para a agricultura brasileira incluem uma solução biológica contra a ferrugem da soja

Denise Saueressig* [email protected]

O grupo espanhol Kimitec pretende ampliar sua participação no Brasil nos próximos anos. A multinacional fundada em 2007 tem planos para atender a demandas específicas da agricultura tropical por meio de soluções biológicas. As novidades para os produtores brasileiros e de outras partes do mundo foram apresentadas no mês passado, durante a sexta edição da conferência anual da empresa, a 4Health Summit, em Almeria, região da Andaluzia, no sul da Espanha. Atualmente, a Kimitec está presente no Brasil por meio de distribuidores e de um escritório central em São Paulo, instalado no ano passado.

A atuação da empresa envolve diferentes culturas, como soja, milho, algodão, hortícolas e frutas. “Nosso portfólio inclui produtos como bioestimulantes, probióticos que têm o potencial de aumentar a produtividade, e prebióticos que favorecem a micro Kimitec fauna do solo e o desenvolvimento das plantas. No futuro, teremos também os biopesticidas, que são produtos à base de extratos vegetais para o controle de pragas e doenças”, detalha o gerente geral da empresa no Brasil, Luiz Cavalcanti.

Como estratégias para o crescimento no Brasil a partir de 2020, com a regularização junto ao Ministério da Agricultura, a Kimitec planeja o aumento dos canais de distribuição, a realização de dias de campo e parcerias com instituições de pesquisa. “Projetamos o lançamento de cerca de 15 produtos no País no ano que vem”, destaca o vice-presidente da empresa, Alejandro de las Casas.

Os produtores brasileiros também podem esperar, para os próximos anos, uma solução para o controle da ferrugem da soja desenvolvida por meio da sinergia entre as quatro áreas naturais trabalhadas pela empresa: microbiologia, microalgas, botânica e química verde. “No caso da ferrugem, os químicos já não têm a eficácia es perada. Nossa expectativa é de que, em 2020, possamos ter esse produto para realizar os testes necessários no Brasil. Posteriormente, ainda teremos todo o processo de regularização e registro”, descreve de las Casas.

Crescimento nos próximos anos

As soluções da Kimitec estão presentes em mais de 90 países. A companhia está engajada no desafio global de aumentar a oferta de alimentos com a geração de menos resíduos, ressalta o diretor-presidente do grupo, Félix García. “Queremos fazer de Almeria o Vale do Silício da agricultura saudável. Trabalhamos para oferecer aos produtores soluções de custo competitivo que favoreçam o incremento da produtividade e, aos consumidores, alimentos mais seguros e saudáveis”, sustenta. Para ele, são as mudanças e as demandas do mercado que definem a direção das tecnologias. “Cada inovação tem seu momento. Essas transformações que ocorrem no setor incluem as companhias de químicos, que também precisam se adequar”, constata.

Os negócios da Kimitec incluem acordos com multinacionais fabricantes de defensivos para o desenvolvimento de soluções biológicas. Essa estratégia, além do plano de expansão em diferentes partes do mundo, deve ser responsável por um maior crescimento da empresa. “Nos últimos cinco anos, a companhia cresceu, em média, 35% ao ano, mas a partir de agora, projetamos um avanço superior”, revela Alejandro de las Casas.

Durante a 4Health Summit, a Kimitec apresentou oficialmente o seu novo centro de pesquisas, o MAAVi Innovation Center. Resultado de um investimento de 20 milhões de euros, tem 6 mil metros quadrados de área, sendo 2 mil de estufas, e é o maior centro de investigação em biopesticidas, probióticos e prebióticos da Europa. Na nova estrutura, a companhia mantém um laboratório de controle de qualidade das matérias primas e áreas de análises relacionadas à saúde humana, como potencial de prevenção ao câncer de plantas tratadas com algumas de suas soluções. Também são realizados estudos com a cannabis medicinal. A empresa é a única a ter autorização do Ministério da Saúde da Espanha para pesquisas com a planta.

Região de Almeria

A agricultura é a principal atividade econômica na província de Almeria, que tem uma capital portuária de mesmo nome. Na chegada ao local, da janela do avião, é possível avistar o chamado “mar de plástico” junto à beira do Mediterrâneo, formado por 31 mil hectares de estufas.

Nos últimos 50 anos, as estruturas ajudaram a transformar a paisagem e a economia da região, onde as chuvas são escassas e, em média, em um volume de apenas 200 milímetros/ano. Nas estufas equipadas com fertirrigação, a produção de hortícolas e frutas foi de 3,6 milhões de toneladas em 2018. Desse total, 2,8 milhões foram exportados, o que faz da região uma das principais fornecedoras de alimentos para outros países da Europa.

*A jornalista esteve na Espanha a convite do Grupo Kimitec


Ihara: nova molécula contra pragas

A empresa obteve registro do Dinotefuran, molécula inédita no Brasil, para o manejo de percevejo, mosca-branca, cigarrinha, bicho-mineiro e outras de soja, cana e café

Bruno Santos

Os ataques de pragas causam prejuízos bilionários na agricultura em todo o mundo. Somente no Brasil, estimase que ação das moscas, lagartas e outras doenças nas lavouras, acarretam perdas que podem chegar a R$ 55 bilhões ao ano. A boa notícia para o produtor é que acaba de chegar ao mercado brasileiro mais um aliado no combate às principais pragas e doenças que atacam principalmente as culturas de soja, cana-de -açúcar e café. A novidade foi apresentada pela Ihara, que obteve, de forma inédita e exclusiva, o registro da molécula Dinotefuran. A partir dessa nova molécula, a empresa lança uma linha de três produtos chamada “Movidos a Dino”. O lançamento da molécula à imprensa ocorreu em São Paulo, no mês passado.

Uma das novidades é o Zeus. Com efeito de choque e residual único, o lançamento foi desenvolvido para o combate do percevejo na soja. De acordo com Clayton Emanuel da Veiga, diretor de Marketing e Pesquisa & Desenvolvimento da Ihara, além de maior eficiência contra os insetos, o produto tem o dobro do período de controle dos já existentes no mercado. “O Zeus combate até 95% das pragas. Além disso, enquanto os concorrentes mantêm um período de controle de até sete dias após a aplicação, o nosso produto permanece por até 14 dias”, descreve. Completam a linha o Maxsan, que possui maior efeito de choque e residual para o controle de todas as fases da cigarrinha na cana-de-açúcar e também a mosca branca na soja. Além disso, o Spirit SC está em fase de registro, e será lançado até o fim deste ano para auxiliar no manejo contra o bicho-mineiro, a ferrugem e a cigarrinha-do-café.

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O lançamento da nova molécula para a imprensa se deu em evento no mês passado, em São Paulo

De acordo com o professor da Unesp Geraldo Papa, engenheiro-agrônomo, doutor e entomologista, a chegada da nova molécula é um desejo antigo do mercado. “O Dinotefuran tem uma per formance especial, debelando a praga rapidamente com a aplicação e uma alta eficiência, e um período maior de controle. É uma opção a mais no mercado que posso garantir resultado, pois estamos há mais de dez anos trabalhando em pesquisas”, destaca. A Ihara investe cerca de US$ 20 milhões por ano em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D). Todas as tecnologias são produzidas em sua fábrica em Sorocaba/SP. “Com a chegada da nova linha ‘Movidos a Dino’ no mercado, a expectativa da empresa é que, nos próximos anos, eles acrescentem US$ 100 milhões na receita da companhia”, destaca Veiga.

*A reportagem d’A Granja esteve no evento a convite da Ihara


Gente do fito

Syngenta: sustentabilidade para a evolução do agronegócio

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Representando a Syngenta no Sustainable Brands São Paulo 2019, Valter Brunner, diretor de Business Sustainability Latam, reforçou os compromissos da empresa com a sustentabilidade. O executivo defendeu que o equilíbrio necessário para o crescimento saudável exige a visão de todos os elos da sociedade. “Nosso compromisso é com iniciativas de mitigação da crise climática, revitalização do solo e redução do nível de resíduo de agrotóxicos nos alimentos”, ressaltou. O diretor enfatizou a iniciativa global da Syngenta de investir US$ 2 bilhões, nos próximos cinco anos, para ajudar os agricultores a enfrentar os desafios atrelados às mudanças climáticas. O montante também prevê o lançamento de ao menos duas tecnologias disruptivas por ano.

Manejo de resistência é tema de campanha da UPL

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O manejo de resistência é cada vez mais importante para plantações saudáveis e produtivas, especialmente porque algumas espécies de daninhas criaram resistência ao uso de herbicidas. Pensando nisso, a UPL criou uma campanha que tem como objetivo ajudar, orientar e informar produtores e demais profissionais sobre o manejo de resistência e como colocar em prática. “Plantas daninhas, como a buva, o azevém e o capim-amargoso, são comuns em todo o território nacional. E se tornaram resistentes a diversos produtos agrícolas por uma série de fatores, como a aplicação repetitiva de um mesmo defensivo, o uso de doses abaixo do ideal, ou, ainda, a aplicação em condições inapropriadas”, explica o gerente de Marketing para Herbicidas da UPL Brasil, Ricardo Dias.


“Vamos lançar mais de 30 variedades de algodão e mais de 80 de soja”

Hugo Borsari, diretor de Sementes da Basf

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Descreva a nova estratégia da Basf de fortalecimento da experiência junto ao cliente brasileiro.

O agricultor, que é o nosso cliente, está no centro da nossa estratégia. Queremos ser um parceiro cada dia mais presente nos negócios dos agricultores, ajudando a superar os desafios de aumento de produtividade e rentabilidade das lavouras. Estamos verdadeiramente comprometidos com o legado do agricultor brasileiro. A empresa quer ser a parceira preferida dos agricultores brasileiros, contribuindo para a longevidade dos cultivos e dos negócios. Nosso objetivo é proporcionar a melhor experiência possível aos nossos clientes através de soluções customizadas em sementes, defensivos e ferramentas digitais que estejam em linha com as suas necessidades. Globalmente, a Divisão de Soluções para Agricultura da Basf planeja aumentar sua participação de mercado e crescer um ponto percentual acima do mercado agrícola. Até 2030, o objetivo é ampliar as vendas em 50%, oferecendo soluções que contribuam consideravelmente com a sustentabilidade da cadeia de valor.

Neste sentido, quais são os planos, as metas da empresa para a agricultura brasileira em 2020?

Em 2020, teremos lançamentos de variedades de algodão e de soja adaptadas ao clima e às necessidades de agricultores das mais importantes regiões produtivas. A empresa trabalha com uma visão de longo prazo. Por isso, apresentamos ao mercado o nosso pipeline de lançamentos até 2030. Na próxima década, vamos lançar mais de 30 variedades de algodão e mais de 80 variedades de soja. Também teremos inovação com novas biotecnologias desenvolvidas pela Basf. O primeiro trait que lançaremos será o algodão TLP, desenvolvido para o mercado brasileiro é focado no manejo de plantas daninhas e soqueiras de algodão no sistema produtivo com a soja. No caso da oleaginosa, planejamos lançar a soja tolerante à ferrugem asiática e ao nematoide no final da próxima década. Além disso, a Basf deve lançar 28 soluções em defensivos neste período

Qual a relevância da agricultura brasileira nos negócios globais da Basf?

O Brasil é um dos mercados mais importantes para a Divisão de Soluções para Agricultura da Basf. Por isso, o mercado brasileiro faz parte da nossa estratégia global de oferecer as melhores soluções para os principais sistemas produtivos. Com a aquisição realizada em 2018 do portfólio de sementes e outros ativos, demos um passo importante para oferecer soluções integradas e customizadas, pensando no sistema produtivo como um todo e não apenas em um cultivo/safra separadamente. No Brasil, focamos no sistema produtivo que engloba os cultivos de soja, algodão e milho, além de outras culturas.

Outras considerações sobre a empresa no Brasil e em nível global?

Globalmente, a Basf investe € 900 milhões, por ano, na pesquisa e no desenvolvimento de novas soluções para agricultura. No País, temos 18 centros de pesquisas, sendo dois de alcance global: de sementes, em Trindade/GO, e de proteção de cultivos, em Santo Antônio de Posse/SP. Estamos há mais de 100 anos no País e nunca deixamos de inovar, porque a inovação está em nosso DNA.