Palavra de Produtor

COOPERATIVISMO DE CRÉDITO

Rui Alberto Wolfart

Theodor Amstad, padre jesuíta, encontrando o associativismo como um ponto forte no seio das comunidades alemãs no Rio Grande do Sul, fundou a primeira cooperativa de crédito, em Nova Petrópolis, em 1902. Seu livro “Cem anos de germanidade no Rio Grande do Sul, 1824-1924” detalha as diferentes formas associativas encontradas, as quais se constituíram na mola propulsora de um boom econômico no estado, mal passados 40 anos do início da emigração germânica. De maneira crescente, o cooperativismo em suas vertentes de produção, de crédito, de saúde, entre outras, se disseminou pelo Brasil. É significativa a cultura cooperativista oriunda do RS, que se expandiu para os estados de SC, PR, MS, MT, PA e RO, destinos dessas populações gaúchas e que se mesclaram às de outras regiões brasileiras, espalhando esse modo de agir coletivo.

A constituição, fora do RS, das cooperativas de crédito ocorreu principalmente em decorrência das crises econômicas e do esvaziamento do papel do Banco do Brasil nos anos de 1980, no suporte às atividades do setor primário. Exemplificando: a crise de 1988/1989 levou a que, no Mato Grosso, essas cooperativas fossem constituídas nas suas principais praças agrícolas, como forma de fazer frente à escassez de crédito para as lavouras. Foi um caminho cheio de percalços, por restrições legais e preconceito, mas que, hoje, faz parte do passado. A rigidez regulatória imposta pelo Banco Central, hoje, se constitui em um de seus grandes trunfos. Ainda pequenas – frente à dimensão dos grandes bancos –, mas gigantes nos aspectos da solidez bancária exigida pelo Acordo de Basiléia III, vêm cumprindo um conjunto de regras nelas estabelecido. Cite-se: 1º) só são considerados recursos próprios aqueles que possam ser convertidos imediatamente em dinheiro; 2º) foram exigidas reservas adicionais de capital, para enfrentar crises súbitas; 3...

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