Congresso

As mulheres mostram sua FORÇA

A quarta edição do Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, no mês passado, em São Paulo, reuniu 1,9 mil participantes em apresentações temáticas, troca de experiências e debates sobre a presença delas no campo

Denise Saueressig* [email protected]

O crescimento da força feminina no campo esteve em evidência durante o Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA) nos dias 8 e 9 de outubro, no Transamerica Expo Center, em São Paulo. O quarto ano do evento registrou recorde de público: 1,9 mil participantes – 1,3 mil a mais do que a primeira edição. O tema central dos debates foi “Agir – Ação Global: Integração de Redes”. Nos dois dias de encontro, as apresentações e os painéis abordaram questões como governança, liderança, tecnologia, mercado e protagonismo das mulheres no setor. Parte do primeiro dia do congresso foi dedicada a arenas específicas para a discussão das cadeias produtivas de grãos, carnes, leite, café, algodão, sucroenergia, florestas e hortifruticultura.

Empresas e instituições patrocinadoras trabalharam com criatividade e participaram do evento com atrações especiais. A John Deere e a Valtra levaram dois tratores cor-de-rosa, em alusão à campanha Outubro Rosa, de conscientização para a importância da prevenção ao câncer de mama. A John Deere reverteu o valor da venda do equipamento para atender 1,2 mil mulheres. Em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi), até dezembro, uma unidade móvel irá percorrer diferentes cidades do País para a realização de mamografias gratuitas.

Mais do que adquirir conhecimento, as protagonistas do evento aproveitaram para compartilhar experiências. De Cristalina/ GO, Iara Correa disse que decidiu participar do congresso para buscar soluções para seus clientes. Há mais de dez anos trabalhando no setor, ela auxilia os produtores em questões que envolvem a gestão financeira das propriedades. Administradora Rural e gestora em Agronegócio, Iara contou que está sempre em busca de capacitação. “Meu ofício é colaborar para a prosperidade dos negócios. Trabalhar com commodities não é fácil e, para as mulheres, é um desafio ainda maior, porque sempre representamos a minoria. Hoje, com o aumento da participação feminina em atividades dentro e fora da porteira, temos a oportunidade de somar, e não de disputar com os homens”, ressaltou.

Integrante do grupo União das Mulheres do Agro (UMA), ela entende que iniciativas como o congresso fazem com que o conhecimento seja multiplicado na realidade de cada uma das participantes. “Precisamos continuar trabalhando para superar desafios, como o preconceito, e para promover a sororidade”, analisou Iara, que tem como um dos seus projetos de vida se tornar produtora.

Novas líderes

Projeto lançado há um ano, a Academia de Liderança para Mulheres do Agronegócio formou a primeira turma de 20 alunas durante o 4º CNMA. O programa educacional idealizado pela Corteva Agriscience, pela Fundação Dom Cabral e pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) tem como objetivo estimular o protagonismo feminino a partir da identificação de demandas percebidas em pesquisa realizada no ano passado com mulheres de 17 países. Uma das graduadas é a produtora Silvia Nishikawa, de São Gotardo/MG. Em 3 mil hectares, ela e o marido, Silvio, cultivam hortigranjeiros, frutas, café e cereais na Capital Nacional da Cenoura. No grupo formado com outras quatro alunas da academia, Silvia contou que foi desenvolvido um projeto que envolvesse também as comunidades de atuação de cada uma delas, incluindo a participação de agentes públicos e institucionais. “Descobrimos um potencial que não sabíamos que tínhamos. Ampliamos nossos horizontes e fomos falar em escolas e sindicatos sobre a importância da atuação das mulheres à frente de outros segmentos”, descreveu.

Presente no Brasil para a formatura, a líder global da Corteva para Assuntos Governamentais e Indústria, Tiffany Atwell, definiu a academia como um sonho que se tornou realidade. Segundo a executiva, o projeto desenvolvido no Brasil serve como modelo para ações em outros países de atuação da empresa. “É muito inspirador perceber a mudança que ocorreu com essas mulheres. Elas estão mais confiantes e capacitadas, contando com uma rede que pode fazer a agricultura brasileira ainda mais forte”, destacou.

Nos módulos de capacitação oferecidos pela iniciativa, foram abordados temas como boas práticas agrícolas, questões regulatórias, ciência política, sustentabilidade, novas formas de governança e estratégias de gestão. A intenção é dar continuidade ao projeto que, no próximo ano, deverá envolver 250 participantes. “Todo o conteúdo desenvolvido em 2019 está sendo avaliado e adaptado para replicarmos em 2020”, informou a gerente de Relações Governamentais da Corteva, Rosemeire dos Santos.

Prêmio para a inovação

Durante o CNMA, também foram conhecidas as nove vencedoras da segunda edição do Prêmio Mulheres do Agro, iniciativa da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e Bayer, com patrocínio da Elanco Saúde Animal. Critérios relacionados à inovação definiram as três primeiras colocadas nas categorias pequena, média e grande propriedades.

Uma delas, a engenheira-agrônoma e produtora Luciane Rhenheimer, administra a propriedade da família em parceria com a irmã, Lucimara, há 18 anos, desde que o pai faleceu. Em 500 hectares da fazenda em Chapada/RS, as duas cultivam soja e milho na safra de verão, e trigo e aveia no ciclo do inverno. Além da ênfase em projetos que priorizam a gestão e sustentabilidade da propriedade, a produtora se destaca pelo uso da agricultura de precisão para manter a produtividade em crescimento. “É uma ferramenta importante para a tomada de decisão mais assertiva. Entre 1996 e 2014, estávamos com a produção estagnada, mas, nos últimos cinco anos, as médias tiveram incremento de 35%”, revelou. Na última safra, as irmãs Rhenheimer colheram a média de 80 sacas por hectare na lavoura de soja, sendo que, em um talhão, o rendimento chegou a 93 sacas. A meta é conseguir alcançar as 100 sacas de média nos próximos anos.

Luciane participa ativamente da comissão de produtoras do Sindicato Rural de Carazinho, no qual também é integrante da diretoria. Este ano foi a segunda vez dela no Congresso das Mulheres. “É uma oportunidade importante em busca de inovações, relacionamento e novas experiências que contribui para o nosso crescimento pessoal e profissional”, considera.

O 4º CNMA ainda foi marcado pelo lançamento do livro “Mulheres do Agro: inspirações para promover desafios dentro e fora da porteira” e pelo projeto #MinhaVozNoAgro, em que 15 mulheres foram convidadas a subir ao palco para relatar suas experiências no setor. Outra novidade do congresso deste ano foi a realização simultânea do 1º YAMI – Youth Agribusiness Movement International, evento direcionado aos jovens que atuam no setor. A 5ª edição do CNMA já está agendada para os dias 27 e 28 de outubro de 2020.

*A jornalista participou do evento a convite da Corteva Agriscience