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O que esperar dos adjuvantes

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O uso desses insumos melhora a eficácia da pulverização, diminui riscos e até reduz o custo da operação. Mas são muitos os cuidados, pois podem alterar a calda ao interferir no tamanho das gotas e na evaporação

Hamilton Humberto Ramos e Viviane Corrêa Aguiar, pesquisadores do Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico (CEA-IAC)

Adjuvantes da pulverização são insumos importantes como fer-ramenta da eficácia e da redução de custos do tratamento fitossanitário. Durante anos se discutiu se tais produ-tos deveriam ou não ser considerados “afim” na Lei dos Agrotóxicos (Lei nº 7.802/89) e submetidos ao mesmo processo de registro. A discussão ces-sou com a publicação, em 2017, pelo Ministério da Agricultura (Mapa), do Ato nº 104, que cancela o registro de produtos “adjuvantes”. A atitude foi, ao mesmo tempo, correta e temerária. Adjuvante, por definição, é “qualquer substância sem propriedades fitossani-tárias, exceto a água, acrescida em uma preparação de agrotóxico, para facilitar a aplicação, aumentar eficácia ou dimi-nuir riscos”. Se “não possui proprieda-des fitossanitárias” e se é desenvolvido para ser “acrescido em uma preparação de agrotóxico”, adjuvante não exerce controle e não é um agrotóxico.

Por outro lado, para “facilitar a apli-cação, aumentar a eficácia ou diminuir riscos”, ele interfere nas caracte-rísticas da calda. Um adjuvante pode alterar a tensão superficial e/ou a viscosidade da calda de pulverização, interferindo no tamanho de gotas, espalhamento e velocidade de evaporação. Na solução do problema, voltar a ser registrado como agrotóxico é inviável. A alternativa é classificar adjuvantes por suas características funcionais. Ad-juvantes são divididos em dois grupos: utilitários, que atuam no processo de pulverização, entre o tanque e o alvo; e potencializadores, que melhoram o desempenho do agroquímico.

Nestes grupos estão as seguintes funcionalidades: espalhantes, adesio-nantes, penetrantes, umectantes ou redutores da evaporação, tamponantes, quelatizantes, redutores de deriva etc.

Alguns adjuvantes podem ser multi-funcionais, mas não existe um único adjuvante que desempenhe todas as funções. Para a correta identificação do adjuvante, o primeiro passo é entender “o que se espera que ele faça”. Algumas opções de adjuvantes devem ser anali-sadas para comparar efeitos positivos e negativos. Para buscar a correta funcio-nalidade e a forma de uso do adjuvante, além de informações do fabricante do produto, é importante entender sua in-terferência no processo de pulverização. O efeito tensoativo dos adjuvantes tem sido erroneamente confundido com o efeito espalhante. A tensão superficial resulta das ligações de hidrogênio, que são forças intermoleculares causadas pela atração do hidrogênio de uma molécula de água (H+) com o oxigênio de moléculas vizinhas (O-).

No interior da gota, uma molécula de água está cercada por outras, o que faz com que a atração ocorra em todas as direções, mas, na superfície, a atração ocorre apenas na parte de baixo, fazen-do com que se forme na parte externa uma camada com efeito semelhante a uma “cama elástica”. Quanto maior a tensão superficial, maior a dificuldade de deformação dessa camada. Uma gota com alta tensão superficial, ao ser arremessada contra um alvo, como no caso de uma pulverização, terá maior tendência a ricochetear do que a aderir no alvo. A quebra da tensão superficial, por meio de um tensoativo, faz com que a gota tenha maior capacidade de deformação, absorvendo a energia do impacto e reduzindo o ricocheteio. É como uma bola de futebol largada de certa altura ao chão. Quanto mais cheia a bola (maior tensão), maior a capa-cidade de ela ricochetear. Já o efeito espalhante é a capacidade de uma gota cobrir sobre o alvo uma área maior que a original.

O espalhamento pode ser traduzido como área molhada pela gota. A ele-vação do espalhamento pode ser um excelente recurso como ferramenta na redução do volume de água utilizado na pulverização, sem perda da eficácia e com redução significativa do custo. No entanto, alguns adjuvantes chegam a aumentar a área molhada por uma mesma gota em mais de 30 vezes. Nessa situação, gotas que, inicialmente, não coalesceriam passam a coalescer sobre o alvo, elevando o escorrimento, redu-zindo a quantidade de produto na planta e a eficácia do tratamento. Para esses adjuvantes, classificados como “supe-respalhantes”, os volumes de aplicação devem, necessariamente, ser reduzidos. Ainda, o efeito espalhante é uma intera-ção do adjuvante com características do alvo, como tipo e quantidade de cera. O espalhamento de um mesmo produto pode variar para culturas diferentes.

O efeito umectante ou redutor da evaporação da água pode ser pensado de duas formas: antes do impacto na folha ou sobre a folha. Sobre a folha, o efeito umectante não pode ser avaliado individualmente, pois sofre a interfe-rência do efeito espalhante. Em dois produtos com o mesmo efeito umectan-te, aquele que apresentar maior área de espalhamento terá maior contato direto com o ambiente, evaporando mais rapi-damente. Um adjuvante com uma boa característica umectante reduz a taxa de cristalização do produto químico sobre o alvo, podendo elevar sua eficácia. Por outro lado, reduzir a evaporação das gotas no caminho entre o pulverizador e o alvo eleva a taxa de recuperação do produto. Utilizar um bom umectante representa importante fator econômico, de segurança e eficácia, uma vez que gotas que evaporariam antes de atingir o alvo, resultando em possibilidade de contaminação. Efeito inverso a esse será observado caso o adjuvante eleve a velocidade de evaporação da água.

O efeito redutor de deriva de um adjuvante pode ser interpretado de duas maneiras: pela análise do volume da pulverização representado por gotas de diâmetro inferior a 100 μm (Potencial de Risco de Deriva) ou pela avaliação direta da deriva em túneis de vento. A redução da deriva se dá pela elevação do tamanho das gotas e/ou pela redução do número de gotas muito finas em uma pulverização. Reduzir a deriva, fazendo com que uma maior parte da pulverização atinja o alvo, é desejável e reduz problemas de contaminação. No entanto, vários adjuvantes podem elevar a deriva, aumentar o número de gotas finas, e, nesse caso, o efeito negativo deve ser evidenciado para o produtor adotar medidas de mitigação do risco e evitar danos ao ambiente e a culturas vizinhas.

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Em laboratório a análise do efeito espalhante dosadjuvantes numa folha

Cabe, ainda, uma consideração importante. Os adjuvantes são sempre “redutores de” e nunca “anti”. Um pro-duto antideriva é aquele que elimina a deriva, faz com que ela deixe de acon-tecer, o que não existe. Já o redutor de deriva a leva a níveis mais baixos. Vá-rias outras funcionalidades esclarecem como o conhecimento de um adjuvante é importante. O Centro de Engenharia e Automação do Instituto Agronômico (CEA/IAC), da Secretaria de Agricul-tura e Abastecimento do Estado de São Paulo, desenvolve, há mais de 20 anos, métodos para avaliar funcionalidades de adjuvantes. Funcionalidades precisam ser analisadas para servir como parâ-metros. Sugerimos uma ação conjunta entre ABNT, Mapa, Anvisa, Ibama, fabricantes e pesquisadores, para de-senvolver normas brasileiras na área.

Ihara obtém registro de molécula inédita e exclusiva

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A Ihara obteve, de forma inédita e exclusiva no Brasil, o registro da molécula Dinotefuran, inseticida de excelência bastante aguardado pelo mercado brasi-leiro devido ao seu alto poder de controle. Pensados especialmente para atender às necessidades do manejo de pragas das mais diversas culturas, como soja, cana e café, as novas soluções levam, mais uma vez, a tecnologia e a inovação japonesa a serviço da agricultura brasileira. “O agricultor brasileiro terá à disposição novas tecnologias, que, além de proverem um controle altamente eficien-te para diversas impor-tantes pragas, em várias culturas, será uma nova opção para o manejo de resistência, gerando valor não apenas aos agricultores, mas para a agricultura nacional como um todo”, afirma Clayton Emanuel da Veiga, diretor de Marketing e Pesquisa & De-senvolvimento da Ihara.

Programa da Basf conscientiza agricultores sobre EPIs

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EPIsO uso de equipamentos de proteção individual (EPI) para os trabalhadores rurais é indispensável. Para que os agricultores tenham acesso a esses equipamentos, a Basf realiza o Programa EPI há 20 anos. Os números mostram a importância da iniciativa: já são mais de 1,3 milhão de kits co-mercializados. De acordo com Maurício do Carmo Fernandes, gerente de Ste-wardship e Sustentabilidade da Basf, a empresa construiu uma base forte de conheci-mento tecnológico ao longo dos anos. “Reunimos uma ampla rede de especialistas e parceiros para aumentar a conscientização do uso correto dos EPIs por agricultores e apli-cadores, fomen-tar a capacitação profissional e ter segurança no trabalho a campo.”


Fox Xpro simplifica a tomada de decisão do agricultor

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Cecília Melo, gerente de Lançamentos em Proteção de Cultivos da Bayer

Qual é a solução mais completa da Bayer para as doenças da soja no Brasil?

Atualmente, o agricultor tem que lidar com uma série de doenças que afetam a produtividade da soja, como ferrugem asiática, mancha-parda, cercosporiose, mancha-alvo, antracnose, mofo branco e oídio. Segundo dados do Consórcio Antiferrugem, os danos provocados só pela ferrugem asiática são da ordem de US$ 2 bilhões por safra, podendo resultar em até 80% de perdas em uma lavoura. Por conta desse cenário, a Bayer lançou, recentemente, o fungicida Fox Xpro, único produto do mercado com ação sistêmica para o tratamento foliar que combate todas essas doenças. Dessa forma, esse produto simplifica a tomada de decisão do agricultor, trazendo uma proteção superior em relação ao complexo de doenças da soja.

Quais doenças da soja podem ser controladas com a utilização deste fungicida?

O fungicida Fox Xpro tem recomendação em bula para o combate das seguintes doenças: ferrugem asiática, mancha-parda, cercosporiose, mancha--alvo, antracnose, mofo branco e oídio.

Como é o modo de ação do Fox Xpro?

O Fox Xpro possui formulação com três ingredientes ativos – Trifloxis-trobina, Protioconazol e Bixafem, a nova carboxamida exclusiva da empresa – que possibilitam ação tríplice nas principais doenças que atingem o cultivo. Isso significa que o produto atua nas diferentes fases do ciclo de vida do fungo, desde a inibição da germinação dos esporos até o desenvolvimento e a penetração dos tubos germinativos nos tecidos foliares, além de auxiliar no manejo da resistência. A aplicação deve ser sempre realizada de maneira preventiva em relação ao aparecimento das doenças, buscando, assim, o maior potencial de controle dos fungos. Fox Xpro tem uma formulação inovadora com a tecnologia Leafshield, que auxilia a absorção e a distribuição do produto na folha de forma mais rápida, tornando a pulverização mais eficaz. Além disso, depois de algumas horas, o Fox Xpro apresenta melhor absorção pela folha, quando comparado a outros fungicidas do mercado. Isso diminui a probabilidade de o produto ser lavado pela chuva, o chamado rainfastness.

Como o Fox Xpro interage com os fungicidas multissítio?

A interação se dá de forma satisfatória, e, inclusive, é indicado o uso de fungicidas multissítio para manejo da resistência. A recomendação de posicio-namento para o manejo é de duas aplicações de Fox Xpro nas primeiras janelas de arranque da planta seguidas por duas aplicações de Sphere Max no final.

Quais resultados os produtores que utilizaram o produto puderam perceber?

O Fox Xpro proporciona maior sanidade das plantas em função do con-trole de doenças. Ou seja, a lavoura aparenta folhas mais sadias e verdes, o que poderá proporcionar um maior potencial produtivo. Durante a safra 2018/19, por exemplo, foi verificado em 2.829 áreas de venda assistida em todo o Brasil e apresentou, em média, três sacas/ha de produtividade a mais do que nas áreas comparativas.