Soja

A ação dos REGULADORES de crescimento

Soja

A arquitetura de planta de soja, seu fechamento nas entrelinhas e o acamamento são influenciados pelo seu crescimento, que é condicionado por clima, época de semeadura, cultivar, fertilidade e outros fatores. Os reguladores modificam a forma ou o desenvolvimento da planta, inclusive reduzindo o tempo até a produção

Wagner de Paula Gusmão dos Anjos, coordenador de Agroservice da KWS Sementes

Com adoção da biotecnologia RR (Roundup Ready) na soja, a demanda pela utilização de regu-ladores de crescimento vem aumen-tando a cada safra, principalmente em anos úmidos com grandes volumes de chuva, que potencializam o desenvol-vimento vegetativo e o alto índice de área foliar da cultura. Tendo em vista todos os aspectos genotípicos, fenotí-picos e agrometeorológicos favoráveis para extração do seu máximo potencial produtivo, pode-se destacar a influên-cia da arquitetura de planta no acama-mento, contribuindo negativamente em perdas significativas de rendimentos de grãos para cultura.

A arquitetura de planta, o fecha-mento das entrelinhas e o acama-mento são influenciados por fatores que condicionam o seu crescimento, como local e clima, ano de cultivo, época de semeadura, cultivar e fer-tilidade do solo. Os reguladores de crescimento atuam modificando a forma ou o desenvolvimento de uma cultura, melhorando sua qualidade ou reduzindo o tempo para a produção de partes comercializáveis. Muitas são as substâncias químicas que ocorrem naturalmente nas plantas para controlar o seu desenvolvimento. Outros fitorre-guladores são sintetizados e agem imi-tando a ação de hormônios na planta ou interferindo na ação natural desses hormônios (Tayama et al., 1992)

Baseados na realidade dos agricul-tores, foi realizado um experimento com objetivo de avaliar a influência de métodos redutores de crescimento na arquitetura de planta e potencial produtivo da soja. O experimento foi conduzido em condições de campos na unidade experimental da Coope-rativa Coagru, em Juranda/PR, na safra 2017/2018, utilizando a cultivar RK6316IPRO, com hábito de cresci-mento indeterminado na população de 28 plantas/metro quadrado, com espaçamento entre linhas de 45 centí-metros. O delineamento experimental utilizado foi de blocos casualizados (DBC) com 15 tratamentos (Quadro 1) e quatro repetições, tendo como trata-mentos a combinação de seis redutores de crescimento com e sem adição de biofertilizantes (roçada, imazethapyr, lactofen, clorimuron, paraquat e bioestimulador), e os tratamentos (roçada, imazethapyr, lactofen, clorimuron) com aplicações dos biofertilizantes, e a testemunha, sem aplicação de redutor e biofertilizante. Os biofertilizantes foram Autimo (nitrogênio a 22% e áci-do húmico/fúlvico) e Stimulate (ácido 4-indol-3-ilbutírico/ácido giberélico e Cinetina).

As aplicações dos biofertilizantes foram realizadas três dias após apli-cação dos tratamentos com o objetivo de auxiliar na recuperação das injúrias causadas. As avaliações de fitotoxici-dade foram realizadas aos três, sete, 14, 21 e 28 dias após a aplicação dos tratamentos. E as demais avaliações de altura de plantas, número de inter-nódios, número de vagens por planta, número de grãos por vagem e percen-tual de acamamento foram realizadas em pré-colheita. Em laboratório, foram mensurados peso, umidade e massa de mil grãos quantificando a produtividade em quilos/hectare. As avaliações foram correlacionadas com a produtividade por tratamento e biofertilizantes, submetidos ao teste de Tukey a 5% de probabilidade, no qual não houve diferença estatística para avaliações realizadas. O tratamento de lactofen com adição do bioferti-lizante Autimo foi significativo para produtividade em relação aos demais tratamentos devido ao incremento na massa de mil grão e ao número de has-tes laterais. E o tratamento que mais influenciou na altura de planta e perda em produtividade foi o clorimuron.

As avaliações de fitotoxicidade foram realizadas utilizando a escala de notas proposta pela EWRC (1964) (Tabela1), aos três, sete, 14, 21 e 28 dias após a aplicação dos tratamentos. Pode-se ver que na avaliação realizada aos sete dias (DAA) ocorreu o pico máximo para observação das injúrias visuais, destacando os tratamentos com paraquat, lactofen e imazethapyr (Quadro 2).

Para as avaliações realizadas em pré-colheita de altura de plantas, número de internódios, número de va-gens por planta, número de grãos por vagem e o percentual de acamamento não houve diferença significativa estatisticamente entre os tratamentos. As avaliações de acamamento foram 43embasadas na escala sugerida por Bernard, Chamberlain, Lawrence (1965 – Quadro 3).

Apesar de não haver diferença sig-nifica a campo, foi possível observar a diferença de altura de plantas do tratamento com clorimuron, indepen-dentemente da adição ou não do bio-fertilizante em relação à testemunha e aos demais tratamentos em média de dez centímetros. Para avaliação da massa de mil grãos e número de hastes laterais, ocorreu incremento no tratamento lactofen com adição do biofertilizante Autimo em relação à testemunha quando comparados entre as mesmas variáveis (Quadro 4).

O tratamento roçado é um dos métodos de redutor de crescimento que está sendo muito utilizado perante os agricultores com adaptações de máquinas para realização da técnica de manejo. De forma geral, a técnica vem sendo realizada na fase de V7-V8, tendo relação com os hormônios vegetais produzidos pelas plantas, e, nesse caso, é o hormônio auxina, responsável pela dominância apical. Ao realizar a técnica de roçagem, ocorre a quebra da dominância api-cal, estimulando o desenvolvimento das gemas laterais na formação de novos ramos e folhas. Os redutores de crescimento influenciam a respos-ta de muitos órgãos da planta, mas essa resposta depende da espécie, da parte da planta, do estádio de de-senvolvimento, da concentração, da interação entre os outros reguladores e vários fatores ambientais. É possível observar que, nas condições do expe-rimento, os resultados com a roçada não influenciaram na altura de planta nem na formação de hastes laterais, tornando-se inviável a aplicabilidade dessa técnica. Com os resultados do experimento, conclui-se que o trata-mento com lactofen e o biofertilizante Autimo teve incremento de produtivi-dade em relação à testemunha (Qua-dro 5), mesmo apresentando injúrias com toxicidade forte aos sete dias.

O que contribuiu para o incremento de produtividade foram os componen-tes de rendimento massa de mil grãos e número de hastes laterais. Diferentes resultados foram obtidos utilizando o tratamento com clorimuron como redutor de crescimento, pois foi o que mais reduziu a altura de planta, porém demonstrando alta fitotoxicidade oculta com perdas de produtividade em relação à testemunha e aos demais tratamentos avaliados. Os outros tratamentos avaliados não tiveram influência positiva na diminuição da altura de planta e incremento de pro-dutividade. Em qualquer técnica a ser implantada dentro de um sistema de produção é fundamental mensurar sua viabilidade operacional e econômica como um todo.