Internacional

O agro brasileiro na GEOECONOMIA alimentar

Internacional

A procura por comida intensificou a demanda global por commodities agrícolas, assim como aumentou o potencial de conflitos por terras, água e mercados. E qual será o lugar do Brasil nessa nova realidade geopolítica global?

Cientista político Guilherme Casarões, especialista em Política Externa Brasileira e professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EAESP/FGV)

As transformações globais observadas na última década trouxeram de volta a geopolítica ao centro das relações internacionais. Desde o fim da Guerra Fria, acreditava- se que, em decorrência dos irresistíveis efeitos da globalização, passaríamos a viver em um mundo interconectado, dinâmico e relativamente harmonioso, graças à combinação de democracia, economia de mercado e rápidos avanços tecnológicos. Nesse cenário, as disputas por poder, características da Guerra Fria, cederiam lugar à prosperidade dos povos, alicerçada na universalização das liberdades individuais e dos padrões ocidentais de renda e consumo.

Ainda que simplificada (e bastante idealista), essa visão de mundo dominou as análises internacionais até, pelo menos, a eclosão da crise econômico- financeira de 2008. De lá para cá, testemunhamos o retorno do nacionalismo e da religião ao centro da política mundial, com grande potencial conflitivo; a volta da disputa entre grandes potências, que acreditávamos superada há décadas; o crescimento do desemprego e da desigualdade, não somente entre as nações em desenvolvimento, mas entre aquelas que reputávamos desenvolvidas; e grandes oscilações na economia global, marcadas por disputas comerciais, medidas protecionistas e volatilidade de mercados e de preços de commodities.

Essa nova fase das relações inte...

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