Especial Fito

O MANEJO é o mais eficiente defensivo

As lavouras da safra de verão 2019/2020 neste momento dominam os horizontes da agricultura brasileira. Eis um espetáculo que faz bem aos olhos – e que fará aos estômagos de milhões pelo planeta. Mas os protagonistas de toda essa beleza, os produtores, podem ter duas certezas: 1ª – suas plantações serão atacadas por pragas, doenças e invasoras; 2ª – esses ataques não têm nenhuma solução mágica ou receita pronta para serem contidos (como um produto químico milagroso). Então cabe ao Especial Fito que se segue colaborar com uma terceira certeza: todas as ameaças podem ser enfrentadas com um conceito abrangente – o manejo. Ou seja, um conjunto de ações preventivas e corretivas podem, sim, conduzir as lavouras a salvo do pré-plantio até a colheita. E para complementar, o Especial Fito ainda veicula orientações fundamentais a quem vai lançar mão do controle químico ou biológico: como conduzir uma pulverização eficiente, sem dano econômico ao proprietário da lavoura ou ao meio ambiente, assim como à saúde de quem está aplicando o produto.

O mais tranquilizador a se ver no Especial Fito é que não cabe ao produtor experimentar ou testar maneiras de enfrentar as múltiplas e diversificadas ameaças às suas plantas comerciais. Felizmente, a reconhecida eficiência da pesquisa desenvolvida para a agricultura brasileira tropical somado ao conhecimento vindo de fora, já estabeleceram comprovadas proposições para sanar tais problemas. Como se verá, porém, não existe simplicidade nos métodos de ações, sobretudo quando o assunto é “resistência” ao defensivo – um desafio que chegou para ficar. Porém, ao seguir, na condução do complexo sistema produtivo um conjunto de práticas agronômicas, você possibilitará à sua lavoura manter-se esbelta do começo ao final de seu ciclo. Esta é a tecnologia mais moderna já inventada. A sua lucratividade e o próximo recorde de produção da agricultura brasileira despendem dessas suas ações.


As PRAGAS que miram a soja

Lagarta elasmo, besouros, ácaro rajado e a lagarta do gênero Spodoptera são atualmente algumas das pragas mais presentes nas lavouras do Mato Grosso

Lúcia Vivan, pesquisadora da Fundação MT

Está iniciando mais uma safra de soja e se deve ficar atento em relação a incidência de pragas, desde a emergência da cultura. Para as que atacam a fase inicial da cultura, se destaca a lagarta elasmo (Elasmopalpus lignosellus, Zeller, 1848) que pode causar a morte das plantas, reduzindo a densidade populacional (estande) e prejudicando a produção. A incidência da broca-do-colo ou lagarta elasmo geralmente é cíclica, mas os surtos em soja têm sido frequentes, principalmente, em solos arenosos e em anos com estiagem prolongada, na fase inicial das lavouras. Entretanto, dependendo da severidade da estiagem, atacam generalizadamente todas as variações de textura. Em todas as regiões do Mato Grosso, nas primeiras áreas semeadas, devido à falta de chuva no momento da emergência das plantas, podem ocorrer ataques desse inseto, e isso pode acarretar em necessidade de replantios. Geralmente o ataque se dá no início da germinação, no entanto, quando ocorrem períodos de veranicos prolongados, o dano de lagarta elasmo pode ser observado em plantas com estágios mais avançados.

As plantas atacadas inicialmente murcham, podendo morrer imediatamente, levando a falhas de estande ou sofrer agravamento de danos posteriormente, sob a ação de chuvas, vento ou implementos agrícolas, que fazem tombar as plantas. Frequentemente é uma praga que leva a falhas de estande e, ocasionalmente, obriga a uma nova semeadura nas falhas da lavoura ou na área total. Os solos sob sistema de semeadura direta, por geralmente reterem mais umidade, têm menores problemas com a praga. Áreas sem cobertura e que sofreram com fogo na entressafra tendem a apresentar maiores danos por favorecer o desenvolvimento das lagartas. A alta umidade do solo é o principal fator abiótico que pode ser utilizado no manejo de elasmo, pois age negativamente em qualquer estágio do ciclo biológico da praga. Porém, a sua importância é maior no início da fase larval, causando alta mortalidade. À medida que a lagarta se desenvolve, a mortalidade decresce. A umidade elevada do solo também afeta negativamente o comportamento dos adultos na seleção do local para oviposição e na eclosão das lagartas. As mariposas preferem depositar os ovos em solos mais secos, e a oviposição é maior em solos secos do que em mais úmidos. O tratamento de semente com fipronil, clorantraniliprole, ciantraniliprole em dosagens adequadas pode ser uma medida que minimiza o problema.

Besouros, ácaro rajado e outras

Outra praga que vem ocorrendo nos últimos anos em áreas de soja são os besouros. A espécie Myochorus armatus tem ocorrido nas últimas safras em altas populações, principalmente na fase inicial de desenvolvimento da cultura. Os adultos têm pouca mobilidade e quando perturbados se fingem de mortos e permanecem imóveis. Os danos são causados pelos adultos, no período de emergência da cultura, os insetos se concentram no caule e causam tombamento e morte de plântulas. Em anos secos o ataque pode ser maior. Com o desenvolvimento das plantas, atingem os pecíolos e hastes mais finas causando murcha do trifólio, que posteriormente secam. Sua distribuição no campo é inicialmente nas bordaduras, mas tem ocorrido em área total devido à alta infestação.

Uma outra praga que tem se tornado comum em algumas áreas do Mato Grosso é o ácaro rajado. As colônias são encontradas na face inferior das folhas juntamente com as teias produzidas por esses ácaros. Para se alimentar, eles raspam a superfície foliar e sugam a seiva que extravasa. Dessa forma, na face superior das folhas, no lugar oposto onde ocorre o ataque, surgem manchas cloróticas. Com o passar do tempo, essas manchas ficam bronzeadas, unem-se, secam e causam a queda das folhas. As temperaturas elevadas e os longos períodos de seca favorecem o aumento populacional. Como é uma praga que ocorre na cultura do algodoeiro, as áreas com o sistema de plantio com soja na primeira safra e algodão na segunda safra devem ficar atentas, pois as populações podem iniciar a colonização na cultura da soja e ocasionar problemas no algodoeiro com altas pressões e dificuldade de controle.

Além dessas pragas que podem ocorrer devido a condição climática, é importante estar atento as lagartas desfolhadoras com Chrysodeixis includes e Helicoverpa armigera em áreas de soja não-Bt e, desde a adesão de soja com transgênia (Bt Intacta), tem se observado presença de lagarta do gênero Spodoptera, sendo mais comum a espécie eridania. Mas nas duas últimas safras se observou a frequência e quantidade da espécie S. fugiperda. A mais frequente nos últimos anos é a lagarta-rosca da soja, cujas densidades populacionais variam muito de ano para ano e de local para local, sendo que as populações mais prejudiciais têm se desenvolvido em áreas de Cerrados. Os mais intensos surtos da praga na cultura geralmente estão associados a períodos ou anos mais secos e/ou cultivos em épocas de menor precipitação.

No entanto, tem-se observado a presença dessa espécie durante todo o ciclo da cultura da soja. As lagartas se alimentam de vagens e grãos e podem se alimentar de folhas, dependendo do estádio que a planta se encontra no período de ataque, podendo ocorrer danos nas flores, nos pecíolos das vagens em formação e, consequentemente, queda dessas, além de se alimentarem das vagens podendo ocasionar perdas de produtividade. Para o sucesso no controle das pragas, essas devem ser monitoradas com métodos e ferramentas adequados para determinar as suas populações. O monitoramento é importante para tomar a decisão do momento correto de controle em relação ao nível de controle pelo dano econômico.


Manejo integrado contra as moléstias da soja

A orientação da Fundação MT é o controle via métodos químico, cultural e genético. A exemplo, no caso da ferrugem, recomenda-se o plantio antecipado para evitar a época mais favorável à sua ocorrência

Fundação MT

As doenças antracnose, cercospora, ferrugem asiática da soja, mancha alvo e septoriose poderão ser as vilãs na safra 2019/2020 de soja. As moléstias podem, dependendo das condições climáticas, ocasionarem danos severos à cultura, consequentemente reduzirem a produtividade da lavoura. A recomendação da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), é que os produtores e sua equipe reforcem os cuidados com as doenças. De acordo com pesquisadoras da fundação, dessas doenças, a mancha alvo e a ferrugem são as que os agricultores devem ter mais atenção, pois são causadas por fungos. “A mancha-alvo é uma doença que tem muitos hospedeiros, dentre eles a crotalária e o algodão. Áreas com plantio de cobertura com crotalária ou cultivo anterior de algodão estão propícias a ter maior incidência dessa doença, pois a fonte de inóculo é maior. Já a ferrugem da soja é disseminada pelo vento podendo atingir longas distâncias, não sendo dependente das culturas antecessoras”, explica a fitopatologista Josiclea Hüffner Arruda.

Diante da incidência dessas doenças na sojicultora, o manejo integrado é ferramenta de controle que pode diminuir possíveis danos ou perdas. Para tanto, as orientações são as seguintes: uso de sementes sadias e de boa qualidade; aplicação de defensivos no momento correto, na hora exata, com o produto certo e na dosagem indicada; utilização de fungicidas multissítios aliados aos fungicidas sistêmicos; e escolha de cultivar que propicie controle eficiente em função do arranjo de plantas. “Além disso, deve-se dar atenção à tecnologia de aplicação, para que o produto atinja o alvo de forma mais eficiente e sejam respeitadas as condições ambientais ideais de aplicação”, destaca a também fitopatologista da instituição Mônica Müller.

Essas recomendações estão sendo repassadas pelas pesquisadoras no programa É Hora de Plantar, que está sendo realizado nos municípios produtores do Mato Grosso. Na palestra intitulada “Manejo de doenças em soja – reflexões e recomendações técnicas”, as pesquisadoras apresentam informações sobre as causas, as ocorrências e os danos causados pelas principais doenças da cultura. E ainda reforçam a importância da integração das medidas de controle. “Todas as ferramentas de manejo devem ser usadas. É só com integração de todas as áreas que é possível ter mais rentabilidade e sustentabilidade da lavoura”, argumenta a pesquisadora Josiclea Arruda.

Formas de controle

Ambas as pesquisadoras indicam o controle químico, cultural e genético para o manejo de doenças. Para o químico orientam o uso de fungicidas com sítio específicos e dos multissítios, também chamados de protetores. O timming da aplicação é considerado por elas como essencial para a garantia da eficiência do produto. “Muitas vezes a falha no controle está relacionada com o timming. Fungicidas devem ser usados preventivamente pois seu efeito curativo é muito inferior”, pontua Mônica. “Deve-se também rotacionar princípios ativos como estratégia de controle mais eficiente e estratégia de manejo da resistência, para que seja reduzida a pressão de seleção de cada grupo químico”, complementa Josiclea. Já para o controle cultural e genético, as pesquisadoras orientam o plantio antecipado para fugir da época mais favorável à ocorrência de ferrugem da soja e o uso de variedades resistentes, respectivamente.


Manejo de pragas do milho: PROGRAMAÇÃO sempre

Uso de sementes com tecnologia Bt – e tratadas –, o atento monitoramento da plantação, decisões acertadas na aplicação de inseticidas e uso correto das tecnologias de aplicação compõem o MIP do milho

Simone Martins Mendes, Ivênio Rubens de Oliveira e Paulo Afonso Viana, Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo

O planejamento do Manejo Integrado de Pragas (MIP) para esta safra de milho ajuda a prevenir picos populacionais dos insetos-praga e reduzir os prejuízos para o produtor. O cenário para o MIP na cultura para 2019/2020 inclui a baixa eficiência de algumas tecnologias Bt para o controle da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), o registro de novos produtos, inclusive biológicos, para o controle de lagartas e também para a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), transmissora dos fitopatógenos que causam os enfezamentos. Além disso, há de se considerar o aumento do uso de braquiária consorciada com milho em sistemas de plantio direto ou a integração lavoura-pecuária, o que pode alterar a ocorrência das principais pragas.

Nesse contexto, antigos conselhos são cada vez mais atuais. Revisar corretamente a relação custo benefício, inclusive o ambiental, da adoção das ferramentas de controle é fundamental para potencializar a eficiência das medidas a serem adotadas. Assim, pensando em MIP, é importante se programar o seguinte:

A escolha das sementes e tecnologias Bt – Verificar a eficiência das tecnologias Bt presentes nas cultivares comercializadas na região em questão para o manejo das lagartas; verificar a resistência ou tolerância dos diferentes híbridos de milho disponíveis no mercado para os enfezamentos transmitidos pela cigarrinha-do-milho, D. maidis.

O tratamento de sementes – Escolher o produto mais adequado para o tratamento de sementes, tendo como parâmetro o histórico de pragas da região. Por exemplo, se houver muita cigarrinha-do-milho e/ ou percevejos barriga-verde na área, escolher produtos com ação para essas pragas e com bom residual, o que vale também para outras pragas iniciais.

O monitoramento da lavoura - Monitorar a lavoura quanto à presença de pragas, levando em conta os níveis de controle. Esse monitoramento deve ser uma tarefa constante, que deverá ser iniciada mesmo antes do plantio para verificar qual será a pressão das pragas na área a ser plantada. Para mais informações, consultarhttps://boaspraticasagronomicas.com.br/boas-praticas/ monitoramento-de-pragas/ https:// boaspraticasagronomicas.com.br/ boas-praticas/monitoramento-de-pragas. E, sempre que possível, utilizar armadilhas de monitoramento, sobretudo para a lagarta-do-cartucho, para a qual existe feromônio específico disponível no mercado. Para mais informações, consultar https://ainfo. cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/ item/81140/1/bol-62.pdf, https:// www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/19126212/e-precisomonitorar-a-lagarta-do-cartucho .

A tomada de decisão

Uma das maiores dificuldades no manejo da S. frugiperda é evitar a sobreposição da infestação. É muito comum abrir o cartucho do milho e encontrar lagartas de todos os tamanhos. Isso ocorre porque a lagarta-do-cartucho é uma praga polífaga, ou seja, ataca mais de 350 espécies de plantas. Isto significa que, mesmo quando não existem plantas de milho na área, essa praga permanece se alimentando de algum hospedeiro, que pode ser até mesmo uma planta daninha ou uma planta de cobertura. Dessa forma, quando o produtor preparar a área para o plantio do milho, existirá um fluxo constante de mariposas de S. frugiperda realizando posturas, o que dificultará ainda mais o seu manejo. Para evitar a sobreposição de infestações é fundamental o monitoramento para que a tomada de decisão ocorra no momento adequado, com o nível de controle correto. Na fase inicial do cultivo, estão disponíveis hoje para o controle inúmeros produtos biológicos, sobretudo bioinseticidas, que devem ser escolhidos para o manejo das lagartas quando essas ainda são pequenas, menores que um centímetro, para maior efetividade. A escolha de bioinseticidas para o manejo inicial de lagartas também ajuda a prevenir a sobreposição de gerações em razão do instar de desenvolvimento das lagartas em que o controle ocorre. Quanto ao controle químico é fundamental estar atento à eficiência das moléculas escolhidas para as pragas-alvo. Nortear-se apenas pelo custo do produto pode não trazer bons resultados, o que pode também favorecer a sobreposição de gerações de S. frugiperda.

A tecnologia de aplicação

Muitas das falhas no controle das pragas no campo são causadas somente por falhas na aplicação dos produtos. Programar a aplicação adequada é essencial para a eficiência de controle dos inseticidas. Nesse sentido é preciso estar atento para itens como: volume de calda, horário de aplicação, tipos de pontas (bicos), entre outros cuidados simples que aumentam a eficiência das operações. As diversas medidas existentes para auxiliar no controle de pragas, o grande número de produtos e tecnologias disponíveis, muitas vezes confundem o usuário final que tende a esquecer os princípios básicos do MIP, que muito podem ajudar na eficiência do controle e na redução do custo do controle das pragas. Dessa forma, o planejamento é essencial.


Com menos chuva e mais calor, é hora de proteger a lavoura.

Solução da John Deere traz pulverizações mais precisas sem depender do clima.

As condições climáticas afetam de maneira direta a produtividade da lavoura, sendo uma das constantes preocupações do produtor. Elas podem provocar atraso na instalação da cultura, favorecer a incidência de pragas e doenças ou até mesmo impactar o momento da colheita.

Para a safra 19/20, os meteorologistas esperam temperaturas acima da média nas regiões agrícolas e menos precipitações. Segundo eles, as chuvas nesse período devem atrasar, e somente a região Sul receberá pancadas irregulares com mais frequência. O agricultor não consegue controlar o clima, mas, com ferramentas adequadas, pode minimizar os impactos negativos na produtividade das lavouras.

Pensando em oferecer as melhores ferramentas para a proteção das lavouras, a John Deere lançou a nova Série de Pulverizadores M4000, que aliam a versatilidade de diferentes tamanhos de tanque de solução e barra ao vão livre adequado para aplicação em qualquer etapa da cultura.

E pensando ainda na melhor qualidade de aplicação, os novos pulverizadores contam com a tecnologia exclusiva do ExactApply™, sistema inteligente que realiza automaticamente a troca de pontas conforme à velocidade de aplicação, , garantindo o tamanho adequado da gota até mesmo em curvas do talhão.

O agricultor sabe ainda que, quando se fala em proteção das lavouras, é essencial garantir a efetividade dos defensivos aplicados. Assim, além do uso das melhores tecnologias de aplicação, é fundamental conhecer o melhor momento para realizar a operação. Para isso, a Série M4000 de Pulverizadores John Deere traz ainda a Estação Meteorológica Móvel, que fornece informações precisas sobre as condições climáticas no momento da aplicação. Esse recurso auxilia a tomada de decisão porque considera condições de temperatura, vento e umidade, permitindo o máximo efeito do defensivo.

Diante disso, mesmo que a safra 19/20 traga desa? os climáticos, a nova Série de Pulverizadores M4000 pode superá-los com versatilidade, tecnologia e monitoramento. Essa interação garante a melhor precisão na aplicação de defensivos na lavoura. É e? ciência e tecnologia inteligente em cada gota!


Estratégias ANTI-DOENÇAS do milho

Para o enfrentamento das doenças do milho deve-se considerar as características da região, qual é o esquema de sucessão de culturas do sistema, além da escolha de genótipos adaptados ao local e ao perfil do cultivo (primeira ou segunda safra)

Dagma Dionísia da Silva, Luciano Viana Cota, Rodrigo Véras da Costa, pesquisadores da área de Fitopatologia da Embrapa Milho e Sorgo

Para a safra de milho 2019/2020 as dúvidas e perspectivas são no sentido de que se haverá clima favorável ou não para o desenvolvimento das lavouras. Para alcançar o potencial de produtividade é importante conhecer os fatores que podem afetar a cultura do plantio à colheita. Dentre os fatores que prejudicam as lavouras, as doenças sempre são preocupantes, sendo o clima tropical no Brasil altamente favorável a diversos patógenos que podem infectar o milho em diferentes estádios de desenvolvimento e reduzir a qualidade dos grãos e a produtividade. As doenças da parte aérea estão entre as principais causas de perdas do milho, com destaque para a mancha branca (Pantoea ananatis), a cercosporiose (Cercospora zeae-maydis), a helmintosporiose (Exserohilum turcicum), as ferrugens polisora (Puccinia polysora), comum (Puccinia sorghi) e a ferrugem branca (Physopella zea). Mais recentemente, os enfezamentos (Mollicutes) têm causado perdas severas em diversas regiões produtoras, juntamente com as podridões de colmo. Doenças com menor expressividade no País também ocorrem em elevada severidade em algumas regiões, como a antracnose foliar, a mancha de diplodia e a mancha de bipolares, potencializando as perdas. O potencial de perdas das principais doenças do milho está descrito na tabela 1.

Além das doenças mencionadas, os grãos ardidos, causados por fungos dos gêneros Fusarium, Penicillium, Aspergillus e outros, podem resultar em perdas na qualidade e peso de grãos, sendo a ocorrência de podridões de espigas e grãos ardidos cada vez mais frequentes. A infecção dos grãos por fungos dos gêneros citados também é associada à síntese de micotoxinas, metabólitos tóxicos que têm efeitos na saúde humana e em animais, utilizada como uma barreira não tarifária aos exportadores de milho e subprodutos contaminados. A importância das doenças varia de ano para ano e de região para região, em função das condições climáticas, do nível de suscetibilidade dos cultivares e do sistema de plantio utilizado (Costa et al., 2017). Assim, as principais estratégias de manejo das doenças em milho devem considerar as características regionais, o sistema de produção (cultura anterior e posterior ao milho) e deve passar pela escolha de genótipos adaptados à região e à safra que será semeada (safra ou safrinha), além de aplicar as recomendações das empresas para os genótipos escolhidos como o espaçamento, população de plantas etc.

Quanto ao controle químico é necessário que se atente ao tratamento de sementes, à escolha de produtos registrados para a doença que necessita de aplicação, as doses recomendadas pelos fabricantes dos produtos, o horário de aplicação e a compatibilidade nas misturas de tanque. Essas atitudes ajudam a se obter a eficiência desejada no manejo de doenças e constituem boas práticas nas propriedades. Também é importante saber em que fase as doenças são mais frequentes e quando sua severidade é mais intensa. Essa informação é relevante para que a escolha de fungicidas seja adequada para a doença que se busca controlar. Por exemplo, a helmintosporiose é uma doença de fase vegetativa e seu manejo deve ser focado nesse período sob risco de baixa efetividade no controle. Já a mancha branca tem sua maior severidade a partir do florescimento, mas pode ter início em fases anteriores (V8-V10) e o controle deve ser iniciado quando as lesões do tipo anasarca surgirem.

Alternância de princípios ativos

Vale ressaltar que existe limitação de ingredientes ativos a alguns grupos químicos, com destaque para estrobirulinas e triazois, que compõem a maioria dos fungicidas registrados no País (Dados Agrofit, 2019). Assim, é importante que se faça alternância de princípios ativos, se possível entre multissítios e sítio-específicos, para evitar ao máximo que haja pressão de seleção sobre os patógenos. A chegada da estria bacteriana do milho (Xanthomonas vasicola pv. vasculorum) no País (Leite Junior et al., 2018) acende o alerta sobre a importância de conhecimento de sintomas das doenças e do monitoramento nas lavouras para que se evite que patógenos antes ausentes peguem de surpresa os produtores. Essa doença apresenta sintomas que podem ser confundidos nas fases iniciais com cercosporiose e, posteriormente, quando as lesões coalescem, com helmintosporiose. Essas características podem levar ao uso de fungicidas pela identificação incorreta da doença, porém a etiologia da doença é bacteriana, sem produtos registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e ainda faltam informações sobre a eficiência de controle.


PERCEBEJO-DO-GRÃO, preocupação do arroz

Em todas as regiões orizícolas do Rio Grande do Sul, a praga teve um aumento significativo de população nas últimas três safras. As estratégias de manejo para combatê-lo só serão exitosas ao se conhecer o sistema onde está inserido

Engenheiros agrônomos Marcia Yamada e Jaime Vargas de Oliveira, entomologistas do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga)

O O percevejo-do-grão é um inseto-praga de ocorrência crônica, distribuído em todas as regiões orizícolas do Rio Grande do Sul. Atualmente, está entre as principais espécies de praga da cultura do arroz irrigado. O dano provocado na fase reprodutiva pode ser tanto quantitativo quanto qualitativo, e está relacionado com o estádio do desenvolvimento dos grãos nas panículas. A população desse inseto nas últimas três safras teve um aumento significativo, preocupando os produtores. Em algumas amostras entregues na indústria, a porcentagem de grãos picados foi superior a 4%, prejudicando a tipificação do arroz beneficiado. O percevejo-do-grão tem seu ciclo biológico influenciado pela temperatura; quanto maior a temperatura (na faixa de 20ºC a 30ºC), menor será o ciclo de biológico. Durante um ciclo, as fêmeas realizam em média 13 posturas com 15 ovos e realizam a postura em enxames, ou seja, várias fêmeas depositam seus ovos em um mesmo local, em poucas plantas.

Uma característica peculiar aos pentatomídeos é que, com baixa temperatura e falta de alimento, eles entram em dormência. Como seu ciclo é sincronizado com as suas plantas hospedeiras, esses voltam à ativa quando os recursos se tornam disponíveis. Então, após a hibernação, durante a primavera, os insetos -praga se deslocam para áreas próximas à lavoura, em busca de sementes para sua alimentação e as encontram em hospedeiros alternativos como a Echinocloa spp., Paspalum spp., Brachiaria spp., e Digitaria spp., entre outras poáceas. As primeiras gerações estivais ocorrem fora da lavoura e, posteriormente, a segunda geração de percevejo-do-grão infesta a lavoura.

Os danos causados por insetos-praga sugadores estão relacionados com a quantidade presente na área. O tempo de duração do ataque e o estádio fenológico do grão do arroz. Com isso, os maiores danos são ocasionados pelas ninfas e adultos, na fase reprodutiva (R5 a R8/ R9), onde para um mesmo nível de infestação (a cada inseto/metro quadrado redução de 1% no rendimento de grãos) o número de espiguetas danificadas no estádio leitoso, é aproximadamente o dobro do verificado nos estádios de massa firme ou grão maduro. Os grãos atacados na fase de grão leitoso tornam as espiguetas vazias e os grãos chochos ou atrofiados, causando perda de produção. Já o ataque ao endosperma pastoso causa danos qualitativos, pois provoca grãos gessados ou com manchas escuras, o que diminui o rendimento de engenho, ficam mais leves, quebram mais facilmente durante o beneficiamento, principalmente no processo de parboilização, além de facilitar a entrada de fungos nos grãos, e também diminuem o poder germinativo das sementes.

As estratégias de manejo

As estratégias de manejo só serão bem-sucedidas a partir do conhecimento do sistema onde o inseto-praga está inserido. Ou seja, é preciso conhecer a praga nas fases adulta e de ninfas, que determinará o manejo antecipado, saber quando ela entra na lavoura, período crítico para o ataque das pragas, se existem hospedeiros alternativos, se possuem inimigos naturais, o nível de parasitismo de ovos, entre outras ações. O período crítico de ocorrência de danos do percevejo-dogrão é a partir do final da floração (R5) e se estende até a maturação do grão do arroz (R8/R9), coincidindo com temperaturas ideais para o desenvolvimento do inseto, de janeiro a março, e suas populações estão altas, pois se criaram nos hospedeiros alternativos.

Para saber se o inseto-praga está na lavoura e causando danos é preciso monitorar a área. Nesse caso, recomenda-se iniciar o monitoramento nas margens da lavoura e em plantas daninhas tidas como hospedeiras alternativas, como o arroz-daninho e o capim-arroz, antes do período crítico. Posteriormente, na lavoura, as observações devem ocorrer no final da tarde quando os percevejos estiverem mais visíveis. Mesmo ocorrendo em focos, os insetos se deslocam e realizam as posturas em várias partes da lavoura. O uso de rede de varredura é um método eficaz na captura e monitoramento do inseto.

Após constatar, com o monitoramento, que o inseto-praga está na área, algumas estratégias podem ser utilizadas para minimizar o problema:

• O controle químico deve ser utilizado após amostragens na lavoura, levando-se em consideração o nível populacional que cause dano (0,8 a 1 percevejo por 10 panículas). Não realizar aplicações calendarizadas, na “carona”, com baixa dose ou preventiva sem a presença do inseto-praga na área. Ao realizar o controle químico, aplicar inseticidas com registro, de menor toxicidade e impacto aos inimigos naturais. Para prevenir a ocorrência de resistência, um inseticida não deve ser usado em aplicações sucessivas em uma praga. O inseticida deve ser aplicado a partir do final do perfilhamento e terminar quando o tiver 60% do grão em massa dura, observado em 50% da lavoura, deve ser respeitado o período de carência, para não ocorrer resíduo no grão. As aplicações deverão ser feitas no início da manhã ou no final da tarde;

• O controle físico, que consiste na catação manual de massas de ovos nos focos de infestação e posterior destruição, ajuda a diminuir o número de insetos-pragas na área;

• Preservar os inimigos naturais na área para que ocorra o controle biológico natural, pois vários predadores e parasitas foram relatados atacando o percevejodo-grão no arroz e são importantes agentes de controle biológico. As espécies que se destacam são as moscas parasitas (Tachinidae) que atacam ninfas e adultos, e o parasitoide (Telenomus podisi) que parasita ovos;

Se o problema persistir é interessante utilizar-se de outras estratégias, como as seguintes:

• A rotação do arroz com a soja é um método capaz de auxiliar na quebra do ciclo da praga, pela ausência de plantas da mesma espécie, reduzindo a população do inseto. Bem como a rotação de produtos utilizados nas diferentes culturas, contribuem para diminuir a presença dos insetos-praga na lavoura;

• A eliminação da resteva e das plantas daninhas após a colheita, por roçadeira, incorporação por grade ou colocação de animais, são práticas importantes. A redução das plantas junto as ruas, canais, bordas da lavoura e em áreas próximas, que ficam expostas durante a hibernação, vão ajudar a eliminar os insetos em condições climáticas desfavoráveis;

• O uso de culturas armadilhas nas bordaduras da lavoura, antecipar a semeadura em pequenas áreas e/ou utilizar cultivar de ciclo precoce, para florescer antes e atrair os insetos, e ali se fazer o controle localizado, com produtos biológicos e/ou químicos registrados para o alvo ou cultura.


Novas tecnologias para as DANINHAS do arroz

Para o enfrentamento das invasoras do arrozal é recomendado diferentes métodos de controle: preventivo, cultural, mecânico, biológico e químico

Alexander de Andrade e José Alberto Noldin, pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), [email protected]

As plantas daninhas competem por recursos e reduzem significativamente a produtividade e a qualidade de sementes e grãos em diversas culturas. Para o manejo adequado das plantas daninhas recomenda-se aos produtores rurais o emprego de diferentes métodos de controle como o preventivo, cultural, mecânico, biológico e químico. A praticidade e a eficiência do controle químico no manejo de plantas daninhas com a aplicação de herbicidas faz com que o método seja amplamente utilizado em diversas culturas. Dependendo da cultura e do momento da aplicação, os herbicidas podem ser seletivos ou não seletivos. A seletividade dos herbicidas pode ser baseada em variações ou diferenças bioquímicas entre a cultura e as plantas daninhas ou obtida em função da época ou da aplicação dirigida dos herbicidas em relação a cultura.

O desenvolvimento de cultivares com resistência a herbicidas não seletivos ou de largo espectro pode ser obtida através da transgenia ou por mutações genéticas que alteram proteínas envolvidas em processos bioquímicos. Estas mutações podem ocorrer naturalmente ou por mutação induzida (química ou física). Geralmente, a evolução da resistência de plantas daninhas a herbicidas é resultado de uma processo de seleção pelo uso contínuo de herbicidas, com eliminação das plantas suscetíveis e sobrevivência das tolerantes ou resistentes, naturalmente presentes na população. A presença dessas plantas resistentes nas populações são resultantes de mutações que ocorrem naturalmente, por hibridações ou fluxo gênico. A presença de plantas daninhas com resistência em uma lavoura pode inviabilizar o uso de um ou vários herbicidas.

O arroz-daninho é considerado uma Novas tecnologias para as daNiNhas do arroz Para o enfrentamento das invasoras do arrozal é recomendado diferentes métodos de controle: preventivo, cultural, mecânico, biológico e químico Alexander de Andrade e José Alberto Noldin, pesquisadores da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), [email protected] planta daninha difïcil de ser controlada devido à sua similaridade genética com o arroz cultivado, pois pertence a mesma espécie (Oryza sativa L.). Este fato impossibilita o uso de herbicidas seletivos para o controle do arroz-daninho que infestam lavouras de arroz. Apesar do arroz ser uma planta autógama, estudos mostram a possibilidade da ocorrência de uma taxa variável de cruzamento natural entre o arroz-daninho e o arroz cultivado. Para o manejo do arroz-daninho em lavouras infestadas, recomenda-se o emprego de um conjunto de praticas integradas como o uso de sementes isentas de arroz-daninho, o emprego do sistema de semeadura com sementes pré-germinadas, emprego do sistema de semeadura em solo seco com cultivo mínimo do solo, manejo de água e a prática do rouguing. O emprego de cultivares de arroz resistentes a herbicidas é um método eficiente no controle do arrozdaninho em lavouras de arroz irrigado. Os atuais genótipos de arroz com tolerância a herbicidas, exemplo a resistência aos herbicidas do grupo das imidazolinonas, foram desenvolvidos através de mutação induzida pelo melhoramento genético.

Atualmente, existe dois tipos de resistência usadas na cultura do arroz. A resistência a imidazolinonas (Sistema Clearfield) e a resistência aos herbicidas inibidores da ACCase, em uso comercial nos Estados Unidos, e em processo de desenvolvimento no Brasil.

Resistência a imidazolinonas: o uso de cultivares comerciais de arroz resistentes a herbicidas do grupo químico das imidazolinonas iniciou no Brasil em 2003, com a liberação comercial da cultivar Irga 422 CL. A utilização de cultivares de arroz com tolerancia aos herbicidas das imidazolinonas com a adoção de outras práticas de manejo das lavouras, resultou em importante incremento na produtividade e na qualidade do arroz produzido. A Epagri, em parceria com a empresa Basf lançou para Santa Catarina a cultivar de arroz SCS115 CL (2007), SCS117 CL (2012)e a SCS121 CL (2015). A tecnología é registrada e comercializada como arroz Clearfield. Os herbicidas do grupo químico das imidazolinonas inibem em plantas a enzima acetolactato sintase (ALS), também chamada de ácido hidroxiacético sintase (AHAS). Esta inibição interrompe a síntese proteica, que por sua vez interfere na síntese de DNA e no crescimento celular. Quando os herbicidas do grupo das imidazolinonas são aplicados em lavouras de arroz Clearfield é possível controlar o arroz-daninho, assim como outras plantas daninhas. No entanto, a crescente ocorrência de populações de arroz-daninho resistente a herbicidas inibidores da ALS estão inviabilizando o Sistema Clearfield. Além do arroz-daninho, também é relatada a ocorrência de resistência a herbicidas inibidores da ALS em populações de Echinochloa spp., Sagittaria montevidensis, Cyperus difformis, Cyperus iria e Fimbristylis miliacea. Atualmente, já foram identificados em todo o mundo mais de 400 biotipos resistentes a herbicidas totalizando 218 espécies resistentes a produtos com diferentes mecanismos de ação, distribuídos em 70 países. Dentre os biótipos identificados, mais de 30% são de plantas daninhas resistentes aos herbicidas inibidores da ALS. Na maioria dos casos, esta resistência resulta da mutação do gene ALS com redução da sensibilidade a esses herbicidas. A alternância de herbicidas com diferentes modos de ação constitui-se em alternativa eficiente visando retardar o aparecimento da resistência e possibilitando aumentar a longevidade das tecnologias de manejo disponibilizadas para uso pelos agricultores.

Resistência a ACCase: o grupo de pesquisa em arroz irrigado da Epagri com a colaboração Centro de Energia Nuclear Aplicado na Agricultura (Cena), da Universidade de São Paulo (USP), tem realizado trabalho com indução de mutação procurando desenvolver genótipos de arroz com resistência a herbicidas com modos de ação alternativos aos inibidores da ALS. Desta parceria foram desenvolvidos genótipos com resistência aos herbicidas inibidores da enzima acetyl coenzima A carboxilase (ACCase). Os herbicidas inibidores da ACCase são graminicidas que bloqueiam a atividade da enzima ACCase que é a precursora da biossíntese de ácidos graxos. Em plantas, ocorrem duas isoformas da ACCase: a citosólica e a plastidial. A isoforma citosólica realiza a síntese de ácidos graxos de cadeia longa, flavonoides, antocianinas e a malonilação de metabólitos secundários. A isoforma plastidial está envolvida na síntese de ácidos graxos primários. Em gramíneas, a ACCase cloroplástica é homodimérica, codificada por um gene nuclear diferente daquele que codifica a isoforma citosólica. A enzima ACCase, em gramíneas, é inibida por três classes de herbicidas: ariloxifenoxipropionatos (FOPs), ciclohexanodionas (DINs) e fenilpirazolinas (DENs). Estes herbicidas inibem a atividade da enzima ACCase, levando as plantas suscetíveis a morte. Estudos de resistência a herbicidas em gramíneas demonstram que mutações na região carboxil-transferase do gene da ACCase pode torná-la resistente a herbicidas inibidores da ACCase. O desenvolvimento de genótipos de arroz resistentes aos herbicidas inibidores da ACCase representa uma nova opção estratégica no manejo de plantas daninhas nas lavouras de arroz irrigado, especialmente do arroz-daninho e do capim-arroz. Esta nova tecnologia com resistência a herbicidas com modos de ação alternativos irá beneficiar toda a cadeia produtiva do arroz. A obtenção e incorporação de novos genes no genoma do arroz com novos mecanismos de resistência a herbicidas representa um grande desafio. O processo é demorado e os resultados são ainda imprevisíveis, mas são necessários para atender às crescentes necessidades da produção de alimentos.


Segurança no manuseio e aplicação de defensivos

A saúde da lavoura é importante, mas proteger-se individualmente em todo o processo que envolve o uso de produtos químicos ou biológicos é fundamental. A exemplo, EPI sempre!

Engenheira agrônoma Andreza Martinez, gerente de Assuntos Regulatórios do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg)

Um dos principais desafios do setor de defensivos agrícolas é garantir o emprego correto dos produtos no campo. Isso porque os defensivos foram desenvolvidos para combater pragas, doenças e plantas daninhas nas lavouras de maneira eficaz e sem causar riscos para o meio ambiente, à saúde do trabalhador rural e ao consumidor de alimentos provenientes de lavouras protegidas por esses produtos. Os defensivos são produtos químicos e biológicos que possuem diferentes graus de toxicidade. Como essa é uma característica de cada produto, os cuidados para reduzir o risco de contaminação ou intoxicação durante seu manuseio e a aplicação devem ser direcionados para diminuir a exposição aos produtos. Na prática, algumas medidas simples podem ser adotadas para reduzir essa exposição, como, por exemplo, manusear os produtos com cuidado, observando todas as recomendações de utilização, usar os equipamentos de aplicação calibrados e em bom estado de conservação e sempre utilizar vestimentas de proteção adequadas e esterilizadas.

No entanto, ultimamente, tem sido bastante comum relacionar a segurança na aplicação de defensivos agrícolas somente ao uso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Promover a segurança envolve o controle de risco em três fases: na fonte do processo, na trajetória e no indivíduo que está aplicando o produto. A seguir, cada uma dessas fases:

O controle na fonte é a forma mais efetiva de precaução porque visa eliminar o risco já no início do processo, por meio de ações diretas, para garantir boas condições e um ambiente de trabalho seguro. Pontos que devem ser lavados em conta nesse momento, antes da necessidade de aplicação, são a diversificação e a rotação de culturas, o manejo ecológico e o manejo integrado de pragas, como formas alternativas para diminuir a necessidade de uso de defensivos. Uma vez identificada a necessidade real da aplicação, condicionada ao controle de pragas na lavoura, e que tenha atingido o nível de dano econômico na cultura, o controle na fonte deve ser feito seguindo a recomendação de um engenheiro agrônomo, por meio da prescrição através de receituário agronômico de um produto devidamente registrado para a cultura e alvo, bem como utilizando equipamento de pulverização em bom estado de conservação e funcionamento, além da regulagem adequada do pulverizador.

Já o controle na trajetória é composto por medidas de barreira para eliminar o contato entre o defensivo e as pessoas potencialmente expostas ao produto. São exemplos desse controle o uso de acessório do tipo “chapéu de napoleão”, utilizado em pulverizadores costais e que mantém o jato direcionado a uma área restrita, reduzindo a deriva do produto, tratores cabinados e barras protegidas, como as usadas em citros, café e florestas plantadas.

Por fim, o controle no indivíduo é complementar aos anteriores e visa proteger a pessoa exposta ao risco, contribuindo para reduzir essa exposição. É basicamente o uso de EPI apropriado, que precisa ser selecionado de acordo com o risco, e que proporcione conforto térmico adequado, como previsto na legislação nacional e no rótulo e bula dos produtos. Para garantir a proteção, a legislação prevê ainda que algumas das responsabilidades sejam do empregador, como fornecer EPIs adequados ao trabalho, instruir e treinar quanto ao uso dos equipamentos, fiscalizar e exigir o uso da proteção e fornecer equipamentos descontaminados a cada nova aplicação, repondo os danificados. Ao empregado cabe usar o EPI e informar a necessidade de sua substituição por desgaste e/ou por defeito apresentado.

EPIs, indispensáveis em toda a operação

Para cada atividade envolvendo o uso de defensivos existem EPIs específicos, que constam nas bulas de cada produto. Para a aplicação e o manuseio dos defensivos podem ser usados os seguintes equipamentos de proteção: vestimentas (como calça, jaleco e touca/capuz), luvas, respiradores, viseira facial ou óculos de proteção, touca árabe, avental e botas. Esses equipamentos de proteção são indicados conforme a cultura, o tipo de pulverizador e as condições de aplicação. As vestimentas, de forma geral, são confeccionadas em algodão, trazendo conforto térmico ao usuário e devem conter tratamento hidrorepelente para oferecer segurança e proteção contra respingos e possíveis névoas durante o manuseio e/ou pulverização. Em relação aos aventais, é importante que protejam o usuário até a altura dos joelhos. Já o comprimento da touca árabe deve proteger totalmente o pescoço e parte do ombro do trabalhador. As luvas devem ser nitrílicas ou de Neoprene, que são adequadas para proteger as mãos contra contaminações químicas, e as botas devem ser fabricadas em PVC, pois botinas de couro podem absorver os produtos.

É bom ressaltar que os EPIs devem ser usados sempre que forem manipuladas embalagens de defensivos (cheias ou vazias), durante a preparação da calda, durante a aplicação e sempre que alguém entrar em uma área recém-tratada, antes de finalizar o período de reentrada, que é o período após a aplicação do defensivo na lavoura em que é vedada a entrada de pessoas sem uso de EPIs. Por esse motivo, é fundamental sinalizar as áreas recémtratadas, informando o período de reentrada. Como foi possível ver nesse texto, o uso correto de EPIs é fundamental para garantir a segurança dos trabalhadores e esses equipamentos devem ser utilizados em todas as situações de aplicação e manuseio de defensivos, independentemente do tamanho da propriedade. Além disso, a garantia do uso correto e seguro dos defensivos está vinculada às recomendações de aplicação dos produtos constantes em rótulo e bula e mediante a prescrição de receituário agronômico assinado por um engenheiro agrônomo, uma exigência legal desde 1989 para a compra e uso de todo e qualquer defensivo agrícola.