Seed Point

Semente protegida

A semente do algodoeiro é uma via que facilita o transporte de fitopatógenos e a transmissão de doenças. No tratamento do insumo, recomenda-se a combinação de dois ou três fungicidas sistêmicos com protetores

Luiz Gonzaga Chitarra, pesquisador da Embrapa Algodão, Núcleo Cerrado

A área cultivada com o algodoeiro no Brasil na safra 2018/19 foi de 1,6 milhão de hectares, o que representa acréscimo de 36,2% em relação à safra 2017/18. Esse aumento pode ser atribuído, principalmente, ao preço atrativo da commodity, às altas tecnologias utilizadas na cultura e ao investimento em qualidade de fibra. No entanto, tem-se observado que as doenças que atacam a cultura do algodoeiro, muitas vezes, são as responsáveis pelas perdas econômicas, e, em determinados casos, podem ser causa impeditiva dessa atividade. Portanto, é imprescindível que sejam adotadas práticas de manejo adequadas para que a cultura tenha sustentabilidade. Um dos problemas sérios de relevância econômica é a qualidade fitossanitária das sementes. A semente desempenha um papel fundamental no estabelecimento da lavoura, pois são suas qualidades intrínsecas que irão determinar o estabelecimento da cultura em condições vigorosas com respostas adequadas às diversidades de clima e solo.

Por outro lado, a semente representa uma das vias mais eficientes de transporte de fitopatógenos e transmissão de doenças. Portanto, é importante que os cotonicultores conheçam a procedência da semente a ser utilizada na sua propriedade e também procurem adquirir os lotes de sementes de produtores/empresas idôneas. A utilização de sementes sadias e/ou tratadas com fungicidas é o meio mais econômico e seguro para controlar as doenças que são transmitidas por sementes. Os fungos são os principais agentes fitopatogênicos que podem associar-se as sementes de algodoeiro, os quais, se não controlados, podem causar redução de rendimento da lavoura e prejuízos econômicos ao produtor, seja na fase inicial e/ou durante o ciclo da cultura no campo.

Considerando os principais agentes etiológicos da parte aérea que podem estar associados às sementes de algodoeiro, destacam-se Alternaria spp., Ascochyta gossypii, Colletotrichum gossypii, Colletrotrichum gossypii South var. cephalosporioides Costa, Corynespora cassiicola, Lasiodiplodia theobromae, Myrothecium roridum, Sclerotinia sclerotiorum, Sclerotium rolfsii e a bactéria Xanthomonas citri pv. malvacearum. Os agentes etiológicos presentes no solo que afetam as raízes e o sistema vascular da planta e são transmitidos por sementes são Fusarium oxysporum f. sp. vasinfectum, Fusarium spp., Macrophomina phaseolina, Rhizoctonia solani, Verticillium albo-atrum e Verticillium dahliae. Existem também fungos que causam deterioração das sementes em armazenamento que são veiculados às sementes de algodoeiro, como, por exemplo, Aspergillus candidus, Aspergillus flavus, Aspergillus glaucus, Aspergillus ochraceus, Cladosporium spp. e também várias espécies de Penicillium. Esses fungos podem ser transportados em mistura com as sementes, como parte da fração impura do lote, destacando- -se, principalmente, os escleródios de Sclerotinia sclerotiorum, ou podem também estar presentes no interior das sementes, como, por exemplo, as espécies pertencentes aos gêneros Fusarium e Colletotrichum.

Controlar os patógenos nas sementes de algodoeiro com a utilização de fungicidas registrados no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento antes da implantação da lavoura ou da semeadura no campo é extremamente importante para erradicar ou reduzir, aos mais baixos níveis possíveis, os fungos presentes nas sementes. Também proporcionar proteção às sementes e às plântulas contra fungos de solo e prevenir a transmissão e a disseminação de inóculo por meio de sementes, e promover a uniformidade na germinação e na emergência das plântulas de algodoeiro. Esses fungicidas, no entanto, devem ser tóxicos aos patógenos e não podem ter ação tóxica às sementes.

Controle integrado de doenças

O tratamento de sementes é uma das principais medidas visando ao controle integrado de doenças. Os fungicidas atualmente disponíveis para tratamento de sementes de algodoeiro (pertencentes ao grupo dos protetores e dos sistêmicos) têm controlado de forma variável o complexo de fungos associados às sementes dessa cultura. Os mais utilizados são aqueles com ingrediente ativo à base de captana, tiram, carboxina, carbendazim, fipronil, fludioxonil, metalaxil, triadimenol, pencicurom, tiofanato metílico, azoxistrobina, flutriafol, difeconazol e procimidona. A combinação de dois ou três fungicidas sistêmicos com protetores, na qual cada produto é efetivo contra um fungo específico, tem proporcionado maior espectro de ação no controle desses fungos nas sementes e no solo, em comparação ao uso isolado de um determinado fungicida.

Portanto, o tratamento das sementes com fungicidas tem sido, até o momento, a principal medida adotada, e a opção mais econômica para minimizar os efeitos negativos dos patógenos que são veiculados por sementes. Trata-se de uma medida de fácil execução, relativamente barata quando avaliada pela relação custo-benefício e que vem ao encontro da necessidade de se racionalizar o uso de produtos químicos na agricultura. Dessa maneira, em função do seu baixo custo e em vista dos benefícios que proporciona, é imprescindível a sua utilização. Vale salientar que, principalmente quando se trata de algodoeiro, o tratamento de sementes com fungicidas faz-se necessário e até mesmo indispensável, evitando-se a infestação ou a reinfestação de áreas livres de doenças. Produtos biológicos à base de Trichoderma também estão sendo utilizados no tratamento de sementes.


Gente da semente

Agroeste: germinação de soja é superior a 90%

Na safra 2018/19, a Agroeste apresentou a campanha Germina 90, que tem sementes com alta tecnologia desenvolvidas pela Bayer em um rigoroso sistema de controle de qualidade, entregando um mínimo de 90% de taxa de germinação em todo o portfólio de soja, o que impacta positivamente os resultados da lavoura. “Esses resultados são muito positivos, pois reforçam que estamos entregando serviços e tecnologias que realmente fazem a diferença no campo. Quando o agricultor compra sementes certificadas, ele tem a segurança de estar utilizando um produto que teve investimentos maciços em pesquisa e desenvolvimento, e contribui para que sejam feitos novos investimentos em produtos que vão entregar ainda mais produtividade na próxima safra. Além disso, o produtor pode contar com um suporte técnico da marca em todas as etapas da lavoura”, destaca Líder de Desenvolvimento de Sistemas em Soja da Bayer, Vinícius Jacopini.

Morgan cresce acima do mercado na segunda safra 2019

Levantamento realizado pelas principais consultorias no desenvolvimento de pesquisas e análises do agronegócio aponta que a Morgan Sementes e Biotecnologia registrou crescimento acima do mercado em volume de vendas de híbridos de milho na segunda safra 2019, em comparação ao ano anterior. Dados da Spark sinalizaram aumento de 34% na comercialização da Morgan, e monitoramento da Kleffmann mostrou elevação de 28%, indicadores acima do mercado que, de acordo com a Associação Paulista dos Produtores de Sementes e Mudas (APPS), apresentaram um incremento de 16% no volume de vendas neste ano, movimentando 13,5 milhões de sacas na safra de inverno. “Os resultados revelam o nosso compromisso com o produtor no desenvolvimento da agricultura brasileira e mostra que estamos alinhados às melhores práticas para eficiência e produtividade no campo”, afirma Diogênes Panchoni, líder de Marketing da Morgan.

Brevant: portfólio de híBridos adaptados às principais regiões

Anelcindo Souza é líder de Marketing da Brevant

Como tem sido a presença da marca Brevant junto ao produtor brasileiro e como foi o seu recente desempenho na segunda safra de milho?

Em dois anos e meio desde o lançamento da Brevant, a Corteva tem feito grandes investimentos, não somente em produtos, mas em toda a estrutura de atendimento aos agricultores por meio de parcerias com os melhores distribuidores do Brasil. Além disso, fez investimentos em gestão de pessoas, oferecendo ao agricultor uma gama de soluções em biotecnologia, genética e tratamento de sementes. Com isso, Brevant foi a marca que mais cresceu na safrinha 2019, trazendo para os agricultores um portfólio de híbridos de milho totalmente adaptados para as principais regiões de cultivo da cultura do milho. Esses híbridos têm alto potencial produtivo e maior adaptação, inclusive para plantio nas principais janelas de semeadura da safrinha e verão. Também alto potencial produtivo e maior adaptação para as principais janelas de semeadura da safrinha e verão, tolerando, inclusive, os ambientes mais secos.

Quais são os mais recentes lançamentos da marca em germoplasma e em biotecnologia, e quais os diferenciais desses produtos?

Nosso maior diferencial é o alto potencial produtivo de nossas sementes com a tecnologia PowerCore Ultra. A Brevant vem já para a próxima safrinha com lançamentos de híbridos em praticamente todas as regiões do País, com produtos versáteis cobrindo os mais diversos ambientes de cultivo, buscando sempre trazer maior rentabilidade ao agricultor. Fazemos grandes investimentos em programas de melhoramento genético de alta tecnologia, analisando também as condições agronômicas específicas de cada região, o que permite a adaptação de nossos híbridos na maior parte do País. Nosso investimento tem sido principalmente na oferta de sementes com germoplasma de alta produtividade, tolerante às principais doenças que ocorrem na cultura associado à biotecnologia que apresenta também tolerância aos herbicidas mais utilizados nas lavouras brasileiras, facilitando, assim, a escolha e o manejo de ervas. Nosso foco também está no incentivo do manejo responsável para garantir a longevidade da tecnologia ao aplicar os conceitos de boas práticas agrícolas.

Nesse sentido, quais são os ganhos ao produtor dos híbridos de milho com a tecnologia PowerCore Ultra?

A tecnologia PowerCore Ultra possibilita o controle de um amplo espectro de plantas daninhas com maior segurança e flexibilidade, que possibilita proteção contra as principais lagartas que atacam a cultura do milho, facilitando o manejo de ervas de difícil controle. Os híbridos que contam com essa tecnologia vêm também com o Tratamento de Sementes Industrial, protegendo o stand inicial de plantio e permitindo que as plantas de milho se mantenham saudáveis e, consequentemente, expressem seu máximo potencial produtivo.