Dia do Agrônomo

Profissional para a Humanidade

O precioso trabalho do engenheiro-agrônomo para aumentar a produção agropecuária decorre do crescimento das cidades e das demandas dos habitantes que vivem nesses ambientes. O Dia do Agrônomo é comemorado em 12 de outubro

Engenheiro-agrônomo Kleber Santos, presidente da Confederação dos Engenheiros Agrônomos do Brasil (Confaeb)

Tudo começou pela mais nobre das atividades: plantar, criar! Desde que o homem abandonou a vida nômade, procurou domesticar os animais e desenvolver os cultivos, passou a enfrentar e compreender a natureza! Chuva, sol, noite, terra, frio, calor! Dizem que o agricultor é o homem que fala com Deus, porque, cotidianamente, dialoga com o tempo e o ambiente! Eis a origem da Agronomia. A necessidade do profissional para incrementar a produção agropecuária advém do crescimento das cidades e da demanda, para aqueles que ficaram no campo, de abastecer a urbe. Portanto, a origem do engenheiro-agrônomo está intimamente vinculada ao processo urbanização! Em 12 de outubro de 1933, época do governo Getulista, o Brasil gerou uma das primeiras profissões regulamentadas: foi instituído o Decreto nº 23.196, que regula a profissão do engenheiro-agrônomo, decreto em pleno vigor porque tece princípios da formação profissional que abarcam as constantes inovações tecnológicas!

Hoje, quando somos compelidos pela síndrome da velocidade, com a qual muita coisa é descartável, precisamos resgatar e aplicar os antigos e válidos conceitos. O decreto é de 1933, mas seus princípios são basilares – mesmo para estes tempos modernos –, porque determina e fornece bases para a universidade laborar a formação generalista e sistêmica do engenheiro-agrônomo, com espaço para elaborar a matriz curricular conforme exigências regionais, sociais e do mercado de trabalho. O engenheiro-agrônomo é o profissional talhado com série de diferentes conhecimentos integrados e que dispõe de amplo leque de atribuições, nos campos da engenharia, da biologia, das ciências humanas. São diversas áreas aplicadas, como zootecnia, fitotecnia, economia rural, agronegócios, conservação do meio ambiente, paisagismo, planejamento da ocupação do espaço. Vide as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Agronomia aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação, de fevereiro de 2006.

O País quer produzir alimentos com qualidade? É preciso conciliar a ocupação das terras agrícolas com a conservação das florestas? Falta infraestrutura e logística para o desenvolvimento sustentado? Os dramas sociais da fome e da degradação ambiental requerem soluções objetivas e rápidas? No campo e na cidade, para responder aos anseios sociais, existe o engenheiro-agrônomo! Profissional presente na docência, na assistência técnica, na extensão rural, na pesquisa, na consultoria, no planejamento, no gerenciamento, no cooperativismo, na fiscalização, na inspeção, na auditoria, na perícia, no empreendedorismo, em órgãos públicos e privados!

Os desafios do Brasil demandam, de forma crescente, atuação do engenheiro-agrônomo! Precisamos produzir alimentos, fibras, energia renovável, plantas medicinais, com sustentabilidade! Muito mais que onda passageira, o desenvolvimento somente ocorre quando obedecidos quesitos da sustentabilidade em todas as dimensões: ambiental, social, econômica, cultural! Como atender a demandas de todos os segmentos sociais (e devemos combater as desigualdades) com conservação do meio ambiente? Relação perfeita e intrínseca, mas que demanda ciência e tecnologia agronômica! Vejamos, por exemplo, o mais novo paradigma: a bioeconomia. Referenciada como vertente da economia da sustentabilidade que trabalha os pilares básicos de produção (materiais, químicos, energia) como derivados de recursos biológicos renováveis.

É fato (aliás, remotamente previsível) que sistemas de produção baseados em energia fóssil esgotaram. No plano geral, sob o paradigma da sustentabilidade, a humanidade demanda a substituição por recursos renováveis. É preciso considerar a finitude dos recursos. Reduzir, reutilizar, reciclar! Efetivar a aplicação do conceito globalmente aceito de desenvolvimento sustentável: “Satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades” (cerne do conceito, Relatório Bruntland, 1987).

Brasil fornecedor de alimentos

As tendências para a nova economia com sustentabilidade, naturalmente alinhadas às perspectivas para a Agronomia, são evidenciadas por diversos fatores: papel do Brasil como fornecedor de alimentos, fibras, energia, fitofármacos; crescente aumento da produtividade agrícola; desenvolvimento de insumos biológicos (fixação de nitrogênio, defensivos naturais como controle biológico e extratos vegetais e animais, plantio direto na palha); economia florestal (diversidade de produtos florestais não madeireiros); agronomia por biomas e os agroecossistemas; certificações e rastreabilidade (oportunidade para acesso a mercados verdes); biorremediação para recuperação de áreas degradadas, controle sobre resíduos e efluentes; de senvolvimento da biotecnologia, de forma geral; matriz energética com fontes renováveis; desenvolvimento e implementação de tecnologias sustentáveis; paisagismo e sustentabilidade da cidade (as áreas verdes) e do campo (as áreas de proteção ambiental); agrobiodiversidade etc.

O exemplo do movimento pela economia sustentável encontra receptividade no plano mundial com a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável. É mister citar a agropecuária como centralidade para os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Assim, na história remota, caberia registrar que, em 2012, o Brasil foi anfitrião da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Na ocasião, foi gerado o documento “O futuro que queremos”, com forte participação do setor agropecuário.

No contexto, a criação de objetivos, com metas até 2030, para transformação sustentável do nosso mundo. Em 25 de setembro de 2015, as lideranças mundiais aprovaram a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável: constituída de 17 objetivos e 169 metas. A agropecuária, mesmo o complexo agroindustrial, está alinhada com a Ciência Agronômica! E, consequentemente, com o(a) engenheiro(a)-agrônomo(a) enquanto profissional com formação sistêmica, eclética e holística, conforme está regulamentado no Decreto nº 23.196, de 1933. Que, em 12 de outubro, procuremos lembrar – e para sempre – do Dia do Agrônomo, este profissional da humanidade, aliado ao agricultor e aos amigos da agricultura! Parabéns às engenheiras e aos engenheiros-agrônomos!