Agribusiness

CAFÉ Mercado na expectativa da regularização das chuvas para floradas

Lessandro Carvalho - [email protected]

O mercado internacional de café viveu, em setembro, a expectativa pela volta das chuvas ao cinturão cafeeiro do Brasil. A umidade é fundamental no período para a abertura das floradas e depois para o chamado “pegamento” das floradas, que são determinantes para a safra do ano seguinte (2020). A Bolsa de Nova York teve intensa volatilidade para o arábica, típica de um “mercado de clima”. Até o dia 24, no balanço de setembro, o contrato dezembro na Bolsa de NY acumulou uma alta de 2,37%, passando de 96,85 para 99,15 centavos de dólar por libra -peso. Mas a volatilidade foi bem além disso. O mercado iniciou setembro com preços mais baixos, com a mínima mensal sendo no dia 3, quando NY chegou a bater em 94,20 centavos para dezembro. No período, NY refletia as indicações de ampla oferta global, com o Brasil mantendo embarques recordes. A partir de então, a bolsa passou por uma forte recuperação, que veio da preocupação com o clima seco no Brasil em período fundamental de abertura das floradas. Assim, o mercado superou a importante linha de US$ 1 a libra-peso. A máxima mensal foi atingida no dia 16, quando o contrato dezembro foi a 104,95 centavos. Mas vieram previsões de chuvas a atingirem áreas produtoras a partir do dia 25 de setembro, e as cotações voltaram a cair, rompendo, de novo para baixo, a linha de US$ 1 a libra-peso.

MILHO Demanda aquecida e preocupações com seca sustentam mercado

Arno Baasch - [email protected]

O mercado brasileiro de milho se aproximou do quarto trimestre do ano esboçando um cenário favorável aos preços. De acordo com o analista de Safras & Mercado Paulo Molinari, mesmo com uma produção superior a 107 milhões de toneladas, que poderia trazer pressão às cotações, o cereal mantém um quadro bastante positivo neste momento. “Isso se deve ao aquecimento expressivo na demanda interna e ao clima seco, que prejudica o cultivo da safra verão 2019/20”, explica. Molinari salienta que a demanda interna voltada aos segmentos de avicultura e suinocultura aumentou em 10 milhões de toneladas nos últimos dois anos e deve chegar a 70 milhões de toneladas em 2019. “Também a produção de etanol de milho avança de forma bastante expressiva no País, com a implantação de novas fábricas nos estados de Goiás e Mato Grosso, devendo alcançar 6,7 milhões de toneladas no próximo ano. São volumes expressivos, que tendem a crescer nos próximos anos”, afirma. Outro fator de sustentação aos preços neste momento é o clima seco, que tem dificultado as atividades de cultivo da nova safra de milho. Molinari destaca que regiões do Sudeste e do Centro-Oeste enfrentam um quadro de estiagem, que pode atrapalhar também o cultivo de soja e contribuir para um plantio mais tardio da safrinha de milho em 2020.

TRIGO Pressão de oferta altera referenciais de preços no Brasil

Gabriel Nascimento - [email protected]

O mercado brasileiro de trigo acompanha as mudanças nos referenciais de preços. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, as cotações já vêm sofrendo impactos da proximidade do ingresso de safra nova no Rio Grande do Sul e da maior movimentação de comercialização no Paraná. No Rio Grande do Sul, as estimativas iniciais para o ingresso de trigo ficam por volta de R$ 700,00 a R$ 750,00 a tonelada, com negócios em torno de R$ 720,00 a R$ 730,00 mais prováveis. “A primeira entrada de trigo, no início de outubro tende a apresentar volumes mais restritos e, consequentemente, mais disputados, não devendo derrubar as cotações de maneira mais significativa”, diz o analista. “Os volumes mais representativos, que poderão pressionar o mercado, devem entrar a partir da segunda quinzena de outubro no RS.” Já no Paraná, cresce a liquidez em volta das aquisições de trigo proveniente de safra nova. Reportes que haviam sido indicados por volta de R$ 860,00 a R$ 870,00 a tonelada no Fob, em 16 de setembro, foram reduzidos para R$ 840,00 a R$ 850,00 a tonelada por volta do último dia 18. “Esse já é um indicativo de pressão de oferta, com a boa evolução da colheita no PR, que está bem adiantada em relação ao mesmo período da safra anterior.”

ARROZ Mercado brasileiro perde força com aumento de oferta

Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de arroz perdeu um pouco de força na terceira semana de setembro. Segundo o analista de Safras & Mercado Gabriel Viana, os produtores elevaram a oferta, para o pagamento da primeira parcela do custeio. Na média do Rio Grande do Sul, principal referencial nacional, a saca de 50 quilos em casca foi cotada no dia 23 de setembro a R$ 45,49, queda de 0,11% em relação ao dia 16, mas ainda acumulando alta de 3,06% frente a igual período do mês anterior. Na comparação com igual momento do ano passado, foi 0,30% inferior. “Apesar da desaceleração, os preços domésticos seguem com suporte vindo das novas valorizações do dólar frente ao real, que encarecem a importação e elevam os preços para exportação”, lembra Viana. Com os preços muito atrativos na exportação, compradores domésticos precisam elevar as ofertas para garantir o abastecimento. Nos últimos três meses, o Brasil importou 96 mil toneladas (base casca) a mais do que exportou. “O que é esperado, tendo em vista a quebra de safra ocorrida na Fronteira-Oeste e na região da Campanha no Rio Grande do Sul”, pondera. Porém, pegando os dados de exportação desde o mês de março (início do ano comercial) até agosto (último mês em registro), foram exportadas 129 mil toneladas a mais do que importadas. No cenário internacional, destaque para a produção de arroz da China, que está estimada em 146 milhões de toneladas beneficiadas no ano comercial 2019/20, ante 148,490 milhões da temporada anterior.

ALGODÃO Preço doméstico é norteado pela paridade de exportação

Rodrigo Ramos - [email protected]

Ainda norteados pela paridade de exportação, os preços domésticos do algodão encerraram a terceira semana de setembro levemente superiores aos praticados no encerramento da segunda semana. Na média do Cif de São Paulo, a indicação ficou em R$ 2,46 por libra-peso, o que eleva os ganhos mensais para 2,03%. No Fob do Porto de Santos, a indicação no final da manhã do dia 20 estava em 60,91 centavos de dólar por libra-peso, com queda de 1,6% em relação à semana anterior e de 2,1% quando comparado ao mesmo momento do ano passado. O valor atual é 0,03% inferior à indicação do contrato de maior liquidez na Ice Futures de Nova York (dezembro de 2019). Conforme o analista de Safras & Mercado Elcio Bento, a proximidade dos preços nos dois maiores exportadores mundiais mostra o mercado brasileiro ajustado à paridade de exportação, o que é normal nesta temporada em que a cadeia produtiva nacional terá que escoar ao exterior um volume recorde. O ritmo dos negócios no mercado disponível segue lento. Os produtores mantêm o foco no processamento da pluma colhida e tem como primeiro objetivo a entrega para cumprimento de contratos antecipados. “Na outra ponta, as indústrias vêm adquirindo de forma pontual, aguardando que o aumento da oferta disponível oportunize melhores momentos para recompor estoques”, finaliza.

Soja Safra americana abaixo de 100 milhões de toneladas

Dylan Della Pasqua - [email protected]

O relatório de setembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicou safra americana de soja abaixo do relatório anterior, mas acima da estimativa do mercado. Os estoques de passagem foram cortados para a temporada 2019/20. A produção 2019/20 está estimada em 98,87 milhões de toneladas, enquanto o mercado esperava uma colheita de 97,86 milhões. No relatório de agosto, a previsão era de 100,15 milhões de toneladas. Para 2018/19, a previsão foi mantida em 123,6 milhões de toneladas. Os estoques finais em 2019/20 estão projetados em 17,42 milhões de toneladas, enquanto o mercado apostava em número em torno de 17,996 milhões. No relatório anterior, a previsão era de 20,55 milhões de toneladas. Para 2018/19, o USDA reduziu sua projeção de 229,1 milhões para 227,35 milhões de toneladas. O mercado apostava em 28,38 milhões de toneladas. O relatório projetou safra mundial da oleaginosa, em 2019/20, de 341,39 milhões de toneladas, e, no relatório anterior, a previsão era de 341,83 milhões. Os estoques finais estão estimados em 99,2 milhões de toneladas. O mercado esperava por estoques finais de 101,6 milhões de toneladas. Em agosto, a previsão era de 101,7 milhões.