Agricultura 4.0

BLOCKCHAIN

Se você nunca ouviu falar em Blockchain, é bom ir se acostumando com esse termo, pois essa nova tecnologia está mudando o mundo dos negócios e, sem dúvida, chegará ao agronegócio. Blockchain, por definição, é uma tecnologia digital de protocolos para o armazenamento de dados confiáveis que tem como princípio básico a descentralização. Ela permite criar uma base de registros e dados distribuídos e compartilhados para assegurar a veracidade das informações, tornando as transações de mercado confiáveis e seguras. Com efeito, essa tecnologia é a base para a criação das criptomoedas, como bitcoins e outras, bem como para o armazenamento de dados nessa rede segura. Nada mais é do que um tipo de base de dados distribuído, que guarda registros de transações permanentemente e, se estes forem apagados ou perdidos, serão recuperados ao registro original (segurança, garantia e confiança).

Bom, pode até parecer meio confuso, mas o fenômeno da transformação digital normalmente causa esse tipo de efeito; contudo, passam a ser entendíveis na prática a partir da sua utilização. Quem se imaginava, há alguns anos, fazer inúmeras transações financeiras com um smartphone? Segundo um relatório da Research and Markets (Blockchain no mercado agrícola) sobre o impacto dessa tecnologia na cadeia de suprimentos de alimentos, rastreabilidade, pagamento e liquidação de produtos, contratos inteligentes e governança, gerenciamento de riscos e conformidade, em uma previsão global para 2023, o mercado de Blockchain na agricultura e na cadeia de abastecimento pode crescer muito, passando de US$ 60 bilhões para mais de US$ 400 bilhões.

Na minha humilde opinião, pelo conhecimento básico que adquiri sobre o tema, acredito que ela poderá ser aplicada em quatro grandes questões do agronegócio:

certificação, rastreabilidade, segurança alimentar e nas próprias transações agrícolas, como na cadeia de suprimentos e comércio de produtos agropecuários. Basicamente, a tecnologia trará maior transparência e confiabilidade nos dados criados pela cadeia, bem como nas transações de mercado, contratos, registros e transparência.

Certificação, rastreabilidade e segurança alimentar são pautas atuais dos mercados no mundo inteiro, com impactos já significativos em diversas commodities e comercializações agrícolas. Muitos mercados e consumidores, com destaque para o mercado europeu, querem comprar produtos certificados e rastreados que lhes garantam segurança alimentar, ou seja, desejam saber onde, como, quando e de que forma aquele alimento na prateleira do supermercado foi produzido. Isso é fato e tende a impactar enormemente nos mercados e a curto espaço de tempo. Atualmente, menos de 10% das propriedades agrícolas brasileiras estão preparadas para esse nível de exigência do mercado.

Obviamente que não será possível fazer no papel essa certificação e rastreabilidade, na velocidade e na confiança que o mercado necessita. Portanto, no mundo digital, haverá a necessidade de essas soluções se tornarem acessíveis a todos, e a tecnologia Blokchain permitirá isso, aprimorando até mesmo as atividades de Barter e CPR já praticadas, possivelmente sem a necessidade cartorial. Quem sabe, no futuro, teremos criptoalimentos: bitcoffee, bitsoy, bitbife, bit etc. Como existem diferentes tipos de criptomoedas com características específicas de mercado, poderá haver especificação dos “bitprodutos”, e, consequentemente, esses deixarão de ser comercializados como commodities, trazendo mais rentabilidade para quem produz (origem) do que para os intermediários.

Engenheiro-agrônomo, mestre e doutor em Produção Vegetal, pesquisador em Nematologia Agrícola e de Precisão em Proteção de Plantas, professor e diretor da Fatec Shunji Nishimura