Especial Soja

Os segredos ao alcance DE TODOS

Por que a média da produtividade de soja das lavouras brasileiras é em torno de 55 sacas por hectare enquanto há produtores que chegam ao patamar de 70, 80, 90 sacas nos mesmos 10 mil metros quadrados? Mais do que entender o disparate, um grupo de especialistas na oleaginosa de diversos segmentos da cadeia criou, 11 anos atrás, o Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb). A entidade tem entre seus nobres e já reconhecidos objetivos propagar técnicas e tecnologias para que todos alcancem níveis bem superiores. E nessa cruzada para que o os sojicultores produzam mais e melhor, a ação de maior destaque é o Desafio Cesb de Máxima Produtividade de Soja, concurso que mobiliza produtores de todas as regiões que, em um talhão, dedicam o que de melhor têm em recursos e conhecimentos. Na safra 2018/2019, mais de 4 mil deles participaram da competição.

E, nesta edição, a revista A Granja veicula um especial sobre cinco campeões do Desafio 2018/2019: o nacional e os quatro regionais. Afinal, quais são as explicações, as justificativas para as conquistas? Seriam fórmulas mágicas, inalcançáveis aos demais agricultores? Não! Pelo contrário: nos artigos a seguir, elaborados por especialistas do Cesb sobre detalhes dos trabalhos empreendidos pelos campeões, são mencionadas ações como o básico bem feito, a construção de perfil de solo, a rotação de culturas, os tratos culturais bem executados, boas escolhas de sementes e assim por diante. Nada excepcional, nada que não possa ser praticado por absolutamente todos! Portanto, cabe aos produtores, nesta e nas próximas safras, levar a campo o que já se sabe e foi comprovado.

O especial ainda ressalta a dimensão absurda da realidade soja na agricultura brasileira e também o seu promissor futuro. Os números são assombrosos: em 47 anos, o Brasil multiplicou por 76 a produção do grão, e, nos próximos dez anos, deverá saltar das atuais 115 milhões para 156 milhões de toneladas. Alguém duvida? Na última década, a colheita era de 68 milhões de toneladas, ou seja, 47 milhões de toneladas a menos que atualmente. Já as estimativas para as exportações brasileiras é que passem 96 milhões de toneladas em dez anos. E os responsáveis por atingir essas futuras marcas serão, certamente, produtores como os campeões descritos nas próximas páginas.


A SAGA da oleaginosa na agricultura brasileira

Especial

E como o Cesb ajudou no processo para tornar o Brasil o maior exportador da oleaginosa e, agora, o provável maior produtor nesta safra 2019/2020. Em 47 anos, a produção do grão no País aumentou em 76 vezes

A soja é um marco no processo de desenvolvimento agroindustrial brasileiro, que pode ser dividido em duas fases: antes da soja (até 1970) e depois da soja (anos 1970 até os dias atuais). Antes dessa cultura, existia o Brasil da agricultura de subsistência. Com o estabelecimento dela, surgiu o Brasil agroempresarial. A revolução socioeconômica e tecnológica protagonizada pela soja no Brasil moderno poderia ser comparada ao fenômeno ocorrido com a cana-de-açúcar e o café, que, em distintos períodos dos séculos XVII a XX, comandaram o comércio exterior do País. O crescimento da produção de soja – de cerca de 76 vezes no transcorrer de apenas 47 anos – determinou uma cadeia de mudanças sem precedentes na cultura agrícola brasileira.

Foi a soja, inicialmente apoiada pelo trigo, a grande responsável pelo aparecimento da agricultura empresarial no Brasil. Ela também apoiou ou foi a grande responsável por acelerar a mecanização das lavouras brasileiras, por modernizar o sistema de transportes, por expandir a fronteira agrícola, por profissionalizar e incrementar o comércio internacional, por modificar e enriquecer a dieta alimentar dos brasileiros, por acelerar a urbanização do País, por expandir a população em direção ao norte e por tecnificar outras culturas (com destaque para o milho). A soja também impulsionou e descentralizou a agroindústria nacional, patrocinando a expansão, igualmente espetacular, da produção de carnes.

O Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb) tem um importante papel na produção de soja no País. É uma entidade sem fins lucrativos, formada por profissionais e pesquisadores de diversas áreas, que se uniram para trabalhar estrategicamente e utilizar os conhecimentos adquiridos nas suas respectivas carreiras e vivências, em prol da sojicultura brasileira. A organização foi criada em 2008 e contribuiu para que os sojicultores conseguissem ultrapassar a média nacional e atingir recordes de produção. Isso foi alcançado, principalmente, pelo Desafio Nacional de Máxima Produtividade, que premia, anualmente, os maiores produtores do grão. O objetivo do concurso é propagar informação e conhecimento, para que o sojicultor possa atingir novos patamares de produção com rentabilidade e sustentabilidade dentro de uma mesma unidade de área, evitando, assim, desmatamento desnecessário.

A participação acontece mediante inscrições feitas pelos próprios produtores e por seus consultores. Na última edição, de 2018/2019, foram mais de 4 mil inscritos, atingindo 11,5% das plantações de soja do Brasil, o que representa 4,14 milhões de hectares. A soja é cultivada em cerca de 36 milhões de hectares. Após as inscrições, o Cesb inicia a etapa de auditorias das áreas mais produtivas, que são realizadas de maneira independente, isenta e por uma empresa especializada, que vem prestando serviços com mão de obra qualificada e voltada para o agronegócio há mais de 12 anos.

Crescimento de quase 5% ao ano — A produtividade média dos primeiros colocados das áreas avaliadas nos dez anos de existência do Cesb variou de 77,8 a 109,4 sacas por hectare, com taxa de crescimento anual de aproximadamente 4,9%, enquanto que a média nacional, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), apresentou variação de 43,8 a 55 sacas/ha, crescendo, ano a ano, aproximadamente 3,5%. “Esses dados demonstram o potencial produtivo da cultura e estão em consonância com os trabalhos do Cesb, que se aliam à força e à coragem dos produtores para fazer com que o Brasil se fortaleça ainda mais mundialmente nesse setor. A ciência e a tecnologia são colocadas a favor dos produtores, que trazem esses resultados fantásticos para o agronegócio brasileiro”, afirma o presidente do Cesb, Leonardo Sologuren.

O Brasil, hoje, caminha para ser o maior produtor de soja mundial, muito estimulado por grandes conquistas que os produtores brasileiros vêm alcançando, com maiores estímulos e aplicação de tecnologias de alta produtividade em suas propriedades. Nesses dez anos, o Cesb participou efetivamente para favorecer esse cenário, com ações que visam a uma maior rentabilidade do sistema produtivo, com o aproveitamento racional, sustentável e eficiente dos recursos naturais. Hoje, o Brasil divide com os Estados Unidos o posto de maior produtor de soja do mundo. Segundo a Conab, 59% das áreas de cultivo de grãos na agricultura brasileira estão ocupadas por plantações da oleaginosa. Dados da companhia sobre a média de produção demonstram o cenário de crescimento da cultura: na safra de 2008/2009, a média era de 43,8 sacas/ ha; em 2017/2018, o número saltou para 55 sacas.

Os trabalhos de incentivo da produção do grão do Cesb têm por obã jetivo criar um ambiente nacional e regional que estimule os sojicultores e os consultores técnicos a desafiarem seus conhecimentos, resultando no aumento sustentável da produtividade de soja. Os integrantes do comitê estão sempre buscando novas formas de auxiliar os sojicultores nesse sentido, como a criação do desafio, que foi baseado em um concurso realizado pela American Soybean Association (ASA), entidade que representa todos os produtores de soja dos Estados Unidos. O intuito da premiação seria fazer com que o produtor utilize as suas áreas de cultivo como um espaço de pesquisa para colocar em prática novas formas de produção, utilizando tecnologias inovadoras para garantir o máximo potencial daquela área. Ou seja, produzir mais sem precisar encontrar novos terrenos de cultivo, estimulando, assim, uma produção sustentável sem provocar desmatamentos. E tudo isso sempre com acompanhamento, avaliação e auditagem de técnicos do Cesb.

Os campeões da safra 2018/2019 foram conhecidos no dia 18 de junho, em Londrina/PR, durante a realização do Fórum Nacional de Máxima Produtividade de Soja. O produtor gaúcho Maurício de Bortoli, de Cruz Alta, foi o grande campeão da 11ª edição da safra 2018/2019. Ele alcançou a média de 123,88 sacas de soja por hectare nessa safra, o que representa mais do que o dobro da média nacional, que é de 53,4 sacas na safra 2018/2019. Os resultados dos outros campeões também surpreenderam, ultrapassando – e de longe – a média nacional. O segundo lugar e o título de maior produtor em uma área não irrigada foram também para o Rio Grande do Sul: a propriedade da Família Tolotti, em Erval Seco, obteve 123,50 sacas/ ha, consagrando-se, ainda, como a campeã da categoria sequeiro na Região Sul. Já o campeão da categoria sequeiro na Região Sudeste foi Matheus Grossi Terceiro, de Patrocínio/ MG, que colheu 110,45 sacas/ha. Na Região Centro-Oeste, categoria sequeiro, o grupo Fazenda Reunidas, de Rio Verde/GO, consagrou-se campeão, com a produção de 108,74 sacas/ha, enquanto que da Bahia saiu o campeão da categoria sequeiro na Região Norte/Nordeste: com 96,86 sacas/ha, o maior foi João Gorgen.


O futuro PROMISSOR do precioso grão no Brasil

Especial

O País, que já é o maior exportador, deverá se tornar, nesta safra, o maior produtor, e a China – que leva 75% da produção brasileira – vai seguir como principal destino das exportações. Estima-se que a produção brasileira passará, em dez anos, das atuais 115 milhões de toneladas para 156 milhões

Engenheiro-agrônomo Leonardo Sologuren, mestre em Economia, sócio-diretor da Zeus Agrotech e presidente do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb)

Na última década, a soja despontou não apenas como a principal cultura explorada pelos produtores brasileiros, mas também como um dos principais ativos da nossa economia. Em dez anos, a produção saltou de 68,7 milhões de toneladas para 115,1 milhões, ou seja, um crescimento absoluto de 46,4 milhões de toneladas alcançado por uma expansão de 12,4 milhões de hectares nesse período. Em 2018, a receita bruta do complexo soja totalizou US$ 40,9 bilhões, registrando um crescimento de US$ 22,9 bilhões em dez anos, o que torna a oleaginosa o principal produto da nossa balança comercial do agronegócio. Importante destacar que, na safra 2019/2020, o Brasil se consolida como o principal produtor e o maior exportador de soja do mundo, superando, assim, os Estados Unidos. E o que esperar da cultura nos próximos anos? A soja se destaca, principalmente, como fonte de proteína, servindo como insumo para a produção de ração animal. Na última década, o processamento global de soja registrou uma expansão de 84,9 milhões de toneladas, sendo que, desse total, a China foi responsável por 35,3% do aumento.

O gigante asiático já tem um importante papel sobre a demanda da soja no mundo e, consequentemente, no Brasil. Cerca de 75% das exportações brasileiras de soja têm como destino a China. Em termos absolutos, a China é o maior consumidor de proteína animal do mundo, mas não em termos per capita. O chinês consome, aproximadamente, 55 quilos de carne por ano, enquanto o brasileiro consome mais de 90 quilos. Com 1,4 bilhão de habitantes, o potencial de crescimento de consumo de carne naquele país é enorme. Cada chinês que migra do campo para a cidade passa a consumir 20 quilos de carne a mais por ano. Apesar da desaceleração econômica da China, o país vem expandindo o seu PIB a uma taxa média de 6,5% ao ano, com crescimento real da renda per capita e consequente aumento no consumo de proteína animal. Projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) indicam que as importações de soja pela China devem saltar dos atuais 85 milhões de toneladas para 126 milhões de toneladas em 2029. O Brasil deve seguir se consolidando como o maior fornecedor global de soja, com exportações que podem chegar a 96 milhões de toneladas daqui a dez anos.

Especial

Soluguren: A China não é o único país que apresenta potencial de demanda. Há muitos outros países

A China não é o único país que apresenta potencial de demanda. Há muitos outros países em desenvolvimento que também consomem uma baixa quantidade de proteína animal, a exemplo da Índia, cujo consumo per capita é de cerca de seis quilos de carne/habitante/ano. No entanto, em um período de dez anos, não há nenhuma economia com o potencial da China, que, além de possuir a maior população do mundo, ainda cresce a taxas expressivas. O Brasil irá crescer, portanto, em carona com o gigante asiático. Para atender à sua demanda, haverá uma combinação de crescimento de área cultivada com aumento de produtividade. Segundo projeções do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, a área plantada com soja deverá aumentar em cerca de 10 milhões de hectares nos próximos dez anos, com a produção alcançando cerca de 156 milhões de toneladas.

Muitos desafios — Segue como desafio a questão da infraestrutura no Brasil. Um país com tamanho continental ainda peca pela ausência de modais eficientes de logística. Segundo estudo realizado pela Embrapa, o rodoviário representa mais de 60% do transporte da soja, modal este que possui o maior custo na matriz logística. Enfrentamos, ainda, problemas com déficit de armazenagem e estrutura portuária. O financiamento ao produtor rural é outro ponto que precisará de ajustes para promover o crescimento da produção de soja. Com o déficit fiscal que o País enfrenta neste momento, e dado o longo prazo para a sua equalização, a disponibilidade de recursos do Tesouro para propiciar taxa de juros subsidiadas torna-se cada vez mais problemática. É diante desse contexto que o produtor terá que buscar cada vez mais ganhos de produtividade, e é o aumento da escala vertical que permitirá com que o produtor enfrente o aumento dos custos externos decorrentes da infraestrutura precária e do alto custo do capital.


Campeão Nacional: CONSTRUÇÃO DO PERFIL DE SOLO

Independentemente das fundamentais tecnologias, do capricho nas operações, da fertilização e do controle fitossanitário, o diferencial da lavoura de Maurício de Bortoli foi o empenho na construção de um perfil profundo de solo

Engenheiro-agrônomo e doutor Paulo C. Sentelhas, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), e da Fundação Getulio Vargas (FGV), integrante efetivo do Cesb

Pela primeira vez, em 11 edições do Desafio Cesb de Máxima Produtividade de Soja, o título nacional foi para o campeão na categoria que reúne produtores que cultivam soja em terreno irrigado. O vencedor foi Maurício de Bortoli, assessorado pelo consultor e irmão Eduardo de Bortoli, os quais representam a terceira geração de agricultores da família. A propriedade da área campeã fica em Cruz Alta/RS, totalizando 10.020 hectares, dos quais 7.340 são destinados à soja. A família tem por lema a inovação, utilizando alta tecnologia em seus cultivos e criações. A área do campeão atingiu a expressiva produtividade de 123,88 sacas por hectare, o que corresponde a 7.432,80 quilos. A área destinada ao desafio foi de 2,8 hectares, tendo como principais características ser um solo franco-argiloso (30%/40% de argila) e com alta capacidade de retenção de água (capacidade de campo = 35,7% e ponto de murcha permanente = 16,9%), conferindo a essa área uma capacidade de água disponível (CAD) da ordem de 1,88 milímetro de água armazenada por centímetro de profundidade no perfil.

Além da excelente característica físico-hídrica do solo, os irmãos De Bortoli também investiram na construção do perfil do solo, eliminando impedimentos físicos e químicos por meio de um plantio direto bem manejado, com calagens frequentes e rotação de culturas. Com relação à rotação de culturas, ao longo das últimas quatro safras, foram utilizadas, na área campeã, quatro culturas diferentes – soja, azevém, aveia-preta e nabo –, estando programadas para a safra 2019/2020 duas novas culturas – milho e trigo –, totalizando seis culturas distintas em sistema de sucessão e rotação. De um modo geral, essas práticas vêm sendo replicadas em toda a propriedade, onde os irmãos De Bortoli têm uma área experimental de mais de 30 hectares, garantindo uma evolução das produtividades, que saíram das 52,5 sacas por hectare, na safra 2014/15, para 72,6 sacas por hectare na safra 2018/19.

Especial

Irmãos Maurício e Eduardo de Bortoli, produtor e consultor campeões nacionais

Com relação ao genótipo empregado na área campeã, os irmãos utilizaram a Brasmax Zeus Ipro (55157RSF Ipro), cujas características são grupo de maturação = 5.5; porte médio; hábito de crescimento indeterminado; com resistência ao acamamento; médio índice de ramificação; ciclo precoce; alta exigência de fertilidade; peso de mil sementes = 209 gramas; alto potencial produtivo; taxa de germinação = 94%; e vigor de semente = 77%. Ou seja, parte dos altos níveis de produtividade se deu em função de um material genético de altíssima qualidade.

Especial

A soja na área campeã foi semeada em 23 de outubro de 2018, com o ciclo se completando 144 dias depois. As principais características da lavoura foram as seguintes: população obtida = 274 mil plantas/ha; número de plantas/ metro = 12,33; espaçamento entrelinhas = 45 centímetros; tamanho da semente = 7 milímetros; sistema de distribuição de semente = pneumático; profundidade de aplicação de fertilizantes = 15 centímetros; sistema de abertura de sulco = sulcador (botinha); velocidade operacional do plantio = 6 quilômetros/hora. Assim, o genótipo de alto potencial, associado ao eficiente manejo da cultura desde a semeadura até a colheita, levou à obtenção de uma lavoura com as seguintes características: 94 centímetros de altura; inserção da primeira vagem a 7 centímetros; 14 nós por planta; 73 vagens por planta e 5,2 vagens por nó. Além disso, o número de grãos por vagem teve o seguinte padrão: 4,1% com um grão; 30,1% com dois grãos; 49,3% com três grãos; e 16,5% com quatro grãos.

Apesar de a área campeã ter sido irrigada, as lâminas aplicadas se restringiram à fase reprodutiva, mais especifi camente durante o enchimento de grãos, sendo três aplicações de 8 milímetros, totalizando 24 milímetros, entre 105 e 110 dias após a semeadura. Apesar de essas lâminas de água não terem suprido a necessidade hídrica plena da cultura da soja, elas foram fundamentais para que não houvesse maiores perdas de produtividade durante essa fase, que é a mais exigente em termos de necessidade hídrica. Com essas três aplicações de água, foi possível quebra de uma sequência de 25 dias de veranico, o que teria sido muito prejudicial à cultura. Definitivamente, a estratégia de se irrigar a cultura nesse momento crítico fez a diferença para que a lavoura dos irmãos De Bortoli superasse o campeão de sequeiro, também do Rio Grande do Sul. Caso a irrigação não tivesse sido empregada, com certeza, a produtividade da área continuaria acima de 100 sacas por hectare, mas talvez não tivesse sido suficiente para se ter atingido a posição de campeão nacional.

Capricho nas operações — De um modo geral, apesar de todas as tecnologias, incluindo a escolha do genótipo, o capricho nas operações de campo, a fertilização do solo e o controle de pragas, doenças e plantas daninhas bem elabora dos, o que efetivamente mostrou ser um diferencial na área do campeão nacional foi sua preocupação em construir um perfil profundo de solo. Nesse caso, foi possível observar nas auditorias do Cesb que a resistência à penetração na área campeã foi sempre inferior a 1,3 MPa (megapascal) em todo o perfil (até 60 centímetros), o que é considerado muito favorável ao crescimento radicular.

Além disso, a área apresentou zero de alumínio tóxico e elevado teor de cálcio até dois metros de profundidade, indicando um manejo químico do solo muito bem feito. Diante da produtividade obtida e dos custos de produção despendidos, a área campeã apresentou uma receita líquida de R$ 5.401,60 por hectare, o que representou um retorno de R$ 2,70 para cada R$ 1,00 investido. Isso, definitivamente, mostra que é viável investir em lavouras de alta produtividade. Os irmãos De Bortoli estão de parabéns não só pelo título de campeão alcançado, mas, principalmente, por servir de exemplo de eficiência aos demais agricultores brasileiros, provando que vale a pena investir nas lavouras tendo o conhecimento como a principal alavanca para o aumento das produtividades da soja no Brasil.


Campeão Sul: A TECNOLOGIA DO CAPRICHO

Família Tolotti, de Erval Seco/RS, faz rotação soja e milho verão, além de um mix de culturas de inverno, e venceu a partir de condições favoráveis de clima, qualidade do solo e variedade, além de excelente trato cultural, adequadas operações, e, sobretudo, o “básico bem feito”

Produtor rural Daniel Glat, COO SeedCorpHO e integrante do Cesb

A família Tolotti, de Erval Seco, no Noroeste do Rio Grande do Sul, está na agricultura há mais de 30 anos, plantando, anualmente, por volta de 1,5 mil hectares. Ela foi a campeã da Região Sul do Desafio Cesb de Máxima Produtividade de Soja em 2019, com a impressionante média de 123,5 sacas de soja por hectare, em uma área colhida de 2,62 hectares. O sistema de manejo da propriedade é baseado na rotação soja-milho no verão, com plantações de dois a três anos de soja para cada um de milho, e rotação de inverno com trigo, aveia e mix de coberturas de inverno (nabo, centeio e aveia). Nos últimos cinco anos, foi aplicado calcário anualmente na faixa de duas a 2,5 toneladas por hectare, além de gesso, boro (Produbor) e enxofre (Sulfugran). Os produtores também aplicaram sete toneladas de cama de frango em 2017. O clima correu bem durante a safra, com temperaturas médias na faixa de 20 °C/25 °C e boas precipitações, apesar de, em algumas fases da cultura, ter se observado algum déficit hídrico. A variedade plantada foi a Zeus, da Brasmax, espécie indeterminada de ciclo 5.5, de alto potencial produtivo, e a peneira usada foi de 7,5 milímetros.

O plantio foi feito em 9 de novembro de 2018, buscando-se uma população média de 200 mil plantas/hectare, com espaçamento de 45 centímetros. O equipamento usado foi o sulcador (botinha) a uma velocidade moderada de 4,5 quilômetros/hora. O solo, apesar de muito argiloso (>60% argila), apresentou-se livre de compactação física até os 60 centímetros, observado tanto pelo uso do penetrômetro como pela difusão de “água branca” (com cal). As análises químicas mostram um solo com níveis ideais e muito equilibrado de nutrientes de até 20 centímetros superiores, ausência de inversão de cargas e de alumínio em profundidade e bons teores de cálcio e boro até, pelo menos, 1,2 metro. Em termos de tratos culturais, foi feita uma adubação a lanço de Kcl de 250 quilos/hectare e mais 33 quilos/hectare de nitrogênio e 115 quilos/hectare de P2O5, via TopPhos Timac Agro, no sulco de plantio.

Especial

Campeões da Região Sul: Rafael Tolotti, Ricardo Freitas e Maiquel Anese

Foram utilizados inoculantes no plantio – tanto rizobium como azospirillum – e feitas várias aplicações intercalares de micronutrientes, percursores hormonais e conjunto de aminoácidos. Foram realizadas, também, cinco aplicações de fungicidas variados e de inseticidas, visando, principalmente, à proteção contra percevejos. Em termos e resultados econômicos, para um custo próximo de R$ 4 mil/hectare, as 123,5 sacas foram vendidas na média de R$ 67,00/saca, o que gerou um faturamento de mais de R$ 8 mil/ hectare. Isso significa mais de 100% de lucro líquido, demonstrando claramente que altas produtividades se pagam, apesar do custo inicial maior.

Para a família Tolotti, sempre focada em inovação e tecnologia, e o engenheiro-agrônomo consultor Maiquel Anesi, da Cooperativa Tritícola Sarandi (Cotrisal), além do clima, da qualidade do solo e da variedade plantada, esse resultado foi muito influenciado pelo excelente trato cultural dado à lavoura e pela qualidade das operações, naquele conceito simples, mas importantíssimo, de se fazer “o básico bem feito”. Aquilo que muitos chamam, hoje, de “tecnologia do capricho”. O resultado da família Tolotti, assim como o dos demais ganhadores do Cesb, demonstra, de forma clara, o potencial produtivo da cultura da soja, o nível técnico que os melhores produtores do Brasil estão alcançando e, o mais importante, que as altas produtividades, associadas a maiores investimentos, são altamente rentáveis, desde que associadas a boas condições climáticas e excelência nas operações e na escolha dos tratos culturais.


Campeão Sudeste: TUDO MUITO BEM FEITO

Solo bem estruturado, com alta capacidade de retenção de água e livre de compactação, e plantio na janela ideal, além de tratos culturais e adubações bem efetuados, explicam o êxito de Matheus Grossi Terceiro

Engenheiro-agrônomo Breno Araújo, mestre em Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas e integrante do Cesb

A fazenda Cedro, situada em Patrocínio, um município pertencente à mesorregião Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, foi a campeã da Região Sudeste do Desafio Cesb de Máxima Produtividade de Soja, com a produtividade 110,45 sacas por hectare. O proprietário, Matheus Grossi Terceiro, faz parte da terceira geração de uma família de origem italiana que iniciou, de forma pioneira, a cafeicultura no Cerrado mineiro em 1971. A fazenda situa-se em uma região de clima tropical de altitude (886 metros), o tipo de solo predominante é o latossolo vermelho de textura argilosa, e o relevo é favorável à mecanização e ao manejo das lavouras.

A fazenda, assim como a região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, conta com um elevado nível tecnológico e produtores que estão sempre em busca de aumentar a produtividade, melhorar a gestão das fazendas e otimizar os custos das lavouras. E como em grande parte do País, a logística regional é desfavorável ao bom escoamento da produção, o que forçou a maioria das propriedades a investir em silos e secadores próprios. Outro ponto importante que chama atenção na região é o tamanho médio das glebas produtivas, que é menor do que outras localidades do Cerrado (Mato Grosso do Sul, Bahia, Mato Grosso e Goiás), levando os produtores a planejar de maneira bem minuciosa a logística de operações nas áreas, pulverizações, semeaduras, adubações e colheita.

Especial

Campeões do Sudeste: Raphael de Figueiredo Braga Moura, Pedro Rogério de Araújo Lima, Mtaheus Grossi Terceiro e Marcelo Augusto da Silva

Nos 285 hectares destinados à produção de soja da fazenda, a produtividade média foi de 91 sacas por hectare em 2019/2019, e a área ganhadora do desafio produziu 110,45 sacas/hectare. Nesse talhão foram feitos diversos levantamentos pela equipe técnica do Cesb e pelo consultor da fazenda, Pedro Lima. As principais características que levaram à conquista do Desafio Cesb foram as seguintes:

● Solo bem estruturado com elevada capacidade de retenção de água, cultivado com café por mais de dez anos.

● De meados de 2016 até 2018, o café foi consorciado com crotalária e braquiária.

Especial

● Nos últimos três anos foram realizadas correções de solo, totalizando 7,5 toneladas e 1 tonelada de calcário e gesso, respectivamente.

● O solo não apresenta compactação restritiva ao crescimento do sistema radicular e tem, aproximadamente, 50% de argila, capacidade de troca de cátions (CTC) potencial de 7,0 cmol c dm-3, 3% de matéria orgânica, altos teores de cálcio, magnésio e potássio, reação a níveis crescentes de alumínio (Al3+) quase nulo e saturação por bases alta até a camada de dois metros.

● A cultivar BMX Desafio foi semeada no dia 5 de novembro de 2018, na janela de plantio ideal para região. A velocidade operacional do conjunto trator-semeadora foi de 4,5 quilômetros/hora, garantindo um excelente estabelecimento da lavoura.

● As adubações e os tratos culturais (manejo de pragas, doenças e ervas daninhas) na lavoura foram feitos no momento correto, com doses visando a elevada produtividade.

As práticas que levam às vitórias — Práticas integradas de manejo que visam a um sistema de produção equilibrado quimicamente, com presença de micro-organismos benéficos, elevado teor de matéria orgânica, manejo consciente de defensivos/fertilizantes e timing correto no manejo de doenças, pragas e ervas daninhas, somadas a uma criteriosa regulagem de máquinas e implementos e boa gestão de pessoas e equipes têm proporcionado, nos últimos dez anos do Desafio de Máxima Produtividade de Soja, áreas campeãs e produtores altamente satisfeitos com a rentabilidade da atividade.


Campeão Centro-Oeste: INOVAÇÃO E EMPREENDEDORISMO

A conquista de Alexandre Baumgart, em Rio Verde/GO, deu-se pelas condições climáticas, pelo potencial genético da cultivar, pela qualidade das operações agrícolas e pela presença de gramíneas no sistema, além de manejo fitossanitário e nutrição

Engenheiro-agrônomo Leandro Zancanaro, diretor de pesquisa da Fundação MT e integrante do Cesb

A família do produtor Alexandre Baumgart tem a inovação e o empreendedorismo como diferenciais. E a evolução da produtividade dentro da propriedade localizada em Rio Verde/GO demonstra isso. Nas últimas seis safras, quando a terceira geração assumiu a atividade agropecuária, a produtividade média passou de 40 a 86 sacas por hectare em uma área de 5.200 hectares. Na área do Desafio Cesb de Máxima Produtividade de Soja 2018/2019, em 2,5 hectares, a produtividade foi de 108,74 sacas/hectare. Além do perfil de inovação da família, que tem origem no segmento industrial, nesta vitória da equipe da Família Baumgart há a contribuição fundamental do consultor agronômico João Queiroz, um jovem, que gosta de ser desafiado, mas também de desafiar.

A área vencedora do Desafio Região Centro-Oeste é antiga de cultivo e com textura argilosa. Em 2016, houve a necessidade de correção da acidez do solo a 30 centímetros de profundidade, com a aplicação de dez toneladas de calcário. Posteriormente, houve a seguinte sequência de culturas: soja/ capim-tamoni (2016/2017); soja/milho + capim-mombaça (2017/2018); soja/ capim-mombaça (2018/2019). Ou seja, em 2015/2016, foi feito o diagnóstico de que havia limitação à produtividade devido à acidez do solo, sendo adotada a prática da calagem. A correção prévia da acidez do solo em profundidade é premissa de bons sistemas de plantio direto. Porém, após o revolvimento do solo, foi feita a introdução de um sistema com intensa produção de raízes e cobertura do solo, através da introdução de gramíneas com sistemas radiculares agressivos na segunda safra, após a soja, consorciado ou não com o milho. A produtividade de 108,74 sacas/hectare foi obtida após soja na primeira safra e milho consorciado com capim-mombaça. Após a calagem houve o cultivo de quatro culturas diferentes em três anos.

Especial

Alexandre Baumgart: introdução de um sistema com intensa produção de raízes e cobertura do solo, com gramíneas com sistemas radiculares agressivos na segunda safra

A estratégia utilizada é fundamental para dar maior longevidade ao sistema de plantio direto. Em 2017, foi feita a gessagem e, em 2018, foi aplicado um composto orgânico enriquecido com fósforo, na quantidade de 2,5 toneladas por hectare. Mas há outros aspectos fundamentais a ressaltar: escolha do material genético de alto potencial produtivo, adaptado à região, implantado na época adequada, com todo o cuidado quanto a uma boa semeadura, associado às condições meteorológicas favoráveis. A temperatura máxima média não passou de 30 °C em todo ciclo e com radiação elevada principalmente na fase reprodutiva, a mais importante. Em 108 dias de ciclo, houve a precipitação de 784 milímetros, sendo que 45% dessa chuva ocorreu na fase reprodutiva. Ou seja, na fase reprodutiva não houve água nem sombreamento em excesso. Na fase reprodutiva, houve um leve período em que a evapotranspiração foi maior que a precipitação, ressaltando a importância da água armazenada no solo e o volume de solo explorado pelas raízes.

O solo é argiloso, sem limitação física. Até 60 centímetros de profundidade, a resistência à penetração foi menor que 1,5 Mpa (megapascual). Quanto à condição química em profundidade, esse solo apresenta níveis adequados de todos os nutrientes nos primeiros 20 centímetros. Nas camadas mais profundas, até dois metros de profundidade, não há alumínio trocável, tendo níveis de cálcio e boro adequados até um metro de profundidade. Eis aí uma boa provocação à pesquisa: como isso foi obtido? Um dos objetivos de Cesb é provocar os profissionais da área técnica, os produtores e também a pesquisa. Evidentemente, há também que considerar o fator tempo e o sistema de produção adotado ao longo do tempo, além de todas as práticas realizadas. Na área vencedora do desafio, também não houve relato de nematoides.

Adubação e outras práticas — A adubação feita foi de 24 e 114 quilos/ hectare de nitrogênio e pentóxido de fósforo (P2O5) no sulco de plantio e 84 quilos/hectare de óxido de potássio (K2O) em superfície antes do plantio. Também há necessidade de ressaltar o tratamento de sementes com inseticida, fungicida, cobalto e molibdênio, além da inoculação e coinoculação no sulco de plantio. Na fase vegetativa, também foi feito um programa de nutrição e manejo fisiológico da cultura. No estádio R3, foi feita aplicação foliar de um fertilizante específico com foco em nitrogênio de absorção rápida, além de aplicação de outro produto com ácidos fúlvicos e húmicos,

O manejo de plantas invasoras constou de dessecação antecipada, uso de pré-emergente e manejo em pós-emergência de modo a não ter influência algu ma da competição. Na fase reprodutiva, houve três aplicações de fungicidas e de inseticidas, ou seja, nada fora do normal de uma lavoura comercial. Tudo isso permitiu uma eficiência climática de 66% e uma eficiência agrícolas de 89%. Ou seja, as condições climáticas ocorridas durante a safra permitiram um potencial de 66% da produtividade possível na condição climática ideal, e, considerando as condições climáticas ocorridas durante o ciclo, o manejo praticado permitiu a eficiência de 89% do que era possível. Ou seja, esse índice de 89% demonstra os resultados do trabalho das pessoas. De acordo com o consultor técnico e o produtor, o que fez a diferença foram o clima, o posicionamento genético, a qualidade das práticas agrícolas e a presença de gramíneas no sistema agrícola. E, segundo eles, um recado: “Fazer o básico bem feito”.

Campeão Norte/Nordeste: BÁSICO BEM FEITO

Produtor João Antônio Gorgen, de Riachão das Neves/BA, vencedor do Desafio na Região Norte/Nordeste, justifica a conquista no seguinte: clima, correção do perfil do solo, genética, qualidade da semente e o básico bem feito

Sergio Abud da Silva, biólogo da Embrapa Cerrados e integrante do Cesb

A região Norte/Nordeste recebe uma excelente luminosidade, porém as temperaturas são elevadas, e a oferta de água, durante o ciclo da cultura, é muito variável devido aos frequentes e prolongados períodos de estiagem (veranicos). Esses fatores reduzem a eficiência climática e, consequentemente, a produtividade da soja. Na recente safra 2018/2019, observamos que, para superar as adversidades climáticas e ganhar o Desafio Cesb de Máxima Produtividade de Soja 2018/2019, o produtor João Antônio Gorgen e seu consultor Ednei Antônio Fugalli, de Riachão das Neves/ BA, utilizaram diversas tecnologias disponíveis, em um manejo com alta eficiência agronômica. Eles obtiveram a produtividade de 96,86 sacas/hectare.

Frente ao desafio de déficit hídrico, os campeões investiram na construção do perfil do solo. A cada quatro anos, foi feita aplicação de calcário e gesso agrícola, uso de fertilizantes conforme recomendação das análises químicas do solo e sucessão de cultivos, com utilização de milho, braquiária, algodão, milheto e soja. Com esse manejo, foi depositada uma grande camada de palha sobre o solo, e os cultivos na sucessão criaram raízes profundas, fazendo com que o perfil do solo atingisse mais de um metro de profundidade, sem restrição química e física e ainda biologicamente ativo.

A palhada protegeu o solo das altas temperaturas e reduziu a perda de água por evaporação. As raízes da braquiária e do milheto reduziram a compactação, contribuíram para a ciclagem de macro e micronutrientes, além de aumentarem o armazenamento de água no solo. Essa biomassa colaborou, ainda, para o equilíbrio da microbiota do solo, reduzindo a ocorrência de patógenos e de nematoides fitopatogênicos. Como resultado, ocorreu um melhor desenvolvimento do sistema radicular, o que permitiu à planta suprir suas necessidades de água e nutrientes. Atualmente, são ofertadas aos produtores uma grande lista de cultivares.

Especial

Gorgen: palhada protegeu o solo das altas temperaturas e reduziu a perda de água

Diante dessa realidade, os recordistas de produtividade da Região Norte/ Nordeste escolheram cultivares geneticamente selecionadas para a sua região, ou seja, adaptadas aos talhões de sua propriedade, além de serem resistentes às principais doenças e pragas que ocorrem nas lavouras deles. Essa prática garantiu uma lavoura estável e com elevado potencial produtivo, mesmo com a ocorrência de variações climáticas. O produtor e o consultor cultivaram na área campeã a variedade MSoy 8349 IPRO. Essa variedade é muito utilizada na região e com ampla adaptabilidade. Tem grupo de maturação 8.3, hábito de crescimento determinado, peso de 175 gramas (para mil sementes) e alto potencial produtivo.

A produtividade de uma lavoura depende da produção individual de cada planta. As sementes utilizadas pelos recordistas de produtividade foram de alta qualidade, com elevado vigor (91%) e germinação (95%). Para a semeadura, as sementes foram tratadas com uma perfeita combinação de fungicidas, inseticidas e micronutrientes. O tratamento das sementes tem como objetivo protegê-las contra os fitopatógenos do solo, evitando que causem danos ao material e garantindo um rápido crescimento das plântulas. As sementes foram ainda inoculadas com Bradyrhizobium, que têm a função de fornecer nitrogênio para a planta, e coinoculadas com bactérias estimuladoras do desenvolvimento radicular. A semeadura foi feita na melhor época para a região. A operação de plantio foi realizada na velocidade ideal, garantin do a perfeita distribuição das sementes na profundidade e com uniformidade, permitindo um bom arranjo de plantas.

Para a obtenção de uma boa produtividade, os recordistas do Cesb Norte/ Nordeste estiveram atentos a todos os componentes de rendimentos: população de plantas na lavoura, número de nós produtivos por planta, número de vagens por nó produtivo, número de grãos por vagem e peso médio dos grãos colhidos. Os campeões realizaram um bom manejo de plantas daninhas, com a dessecação pré-plantio e o controle pós-emergência. O manejo integrado de pragas foi feito para reduzir a população de insetos-pragas, mantendo-a abaixo do nível de dano econômico. Também foi feito o manejo integrado do complexo de doenças que destroem a parte aérea das plantas de soja. Essa prática evita o comprometimento da área fotossintética da planta, como é o caso de mancha alvo, antracnose, ferrugem, entre outras. Para o manejo, foi utilizada uma excelente combinação de mecanismos de ação dos produtos fungicidas, reduzindo o prejuízo às plantas sem causar danos ao meio ambiente. Ao proteger as plantas, foram preservados os componentes de rendimento e as folhas, nas quais são armazenados os fotoassimilados, que ao serem exportados para os grãos, garantem a eles um ótimo peso.

Para atingir o recorde de produtividade, os campeões fizeram um bom planejamento da condução da lavoura, com todos os insumos necessários durante o ciclo da soja. Ao longo da safra, monitoraram a lavoura e utilizaram os insumos, quando foi tecnicamente recomendado, evitando gastos desnecessários e garantindo a sustentabilidade do seu negócio. No final da safra, ao finalizar os custos e as receitas da área campeã, concluíram que, para cada R$ 1,00 investido, o retorno foi de R$ 2,00. As tecnologias e soluções inovadoras adotadas pelos recordistas de produtividade são recomendadas pelas instituições de pesquisa agropecuária brasileiras e, muitas vezes, adaptadas pelos próprios produtores. A intenção é sempre reduzir desperdícios, aumentar a rentabilidade e, assim, elevar os patamares de produtividade, poluir menos o meio ambiente e garantir a segurança alimentar do Brasil e do mundo. Perguntando aos nossos recordistas João Gorgen e Ednei Fugalli, o que eles fizeram de diferente no manejo de sua lavoura, a resposta foi a seguinte: “Clima, correção do perfil do solo, genética, qualidade da semente e o básico bem feito”.