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Momento decisivo para sustentar o crescimento

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Denise Saueressig* [email protected]

O Congresso Brasileiro do Agronegócio, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), realizado no mês passado, em São Paulo, reuniu lideranças e produtores em debates sobre os grandes desafios do setor

Uma série de mudanças no mercado e a revolução de hábitos de consumo são fatores que promovem um ambiente ímpar para o presente do agro no Brasil. O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Marcello Brito, acredita que o setor pode ser a ferramenta para atacar a desigualdade econômica no País. “O crescimento do agro nos últimos 40 anos é surpreendente, mas o avanço do País, como um todo, faltou. Estamos entregando para a próxima geração um desenvolvimento aquém do que alcançamos no agro”, destacou o dirigente durante o Congresso Brasileiro do Agronegócio, evento realizado pela Abag e B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), no dia 5 de agosto, em São Paulo.

Para que o setor continue em expansão, no entanto, Brito reconhece que é preciso superar uma série de desafios que tem impactos diretos sobre a produção e que transita em diferentes áreas, como é o caso do impacto das mudanças climáticas, a rastreabilidade da produção e o desmatamento ilegal. “Para nos mantermos no caminho do crescimento, precisamos de um novo modelo econômico, assim como devemos enxergar a sustentabilidade como algo que nos dá reconhecimento”, disse.

Presente no evento, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ressaltou que as projeções para o crescimento da população mundial nas próximas décadas exigem que o agronegócio responda às demandas atuais e às potenciais ameaças com avanço nas tecnologias que são imprescindíveis à segurança alimentar. A ministra também destacou a importância de aprimorar a comunicação sobre a produção brasileira e derrubar mitos criados em torno de determinadas questões, como o avanço no número de registros de defensivos nos últimos meses. “O que mudou foi a celeridade nos processos. Temos mais gente trabalhando nos ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura e na Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Temos normas rígidas e técnicos sérios”, apontou.

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Marcello Brito, presidente da Abag: expansão do setor passa pela superação de uma série de desafios que tem impactos diretos sobre a produção e que transita em diferentes áreas

Segundo Tereza Cristina, a Anvisa vinha estudando, há bastante tempo, o uso dos mesmos parâmetros utilizados na Europa e nos Estados Unidos para o registro. “E isso foi posto em prática. Às vezes, a comunicação é colocada e fica solta, tem gente que não quer ouvir. Estamos modernizando, trazendo novas moléculas, uma série de atitudes que são modernizadoras”, acrescentou. A ministra enumera que, dos 262 produtos registrados neste ano, apenas sete são novos. Os demais são classificados como equivalentes ou genéricos.

Esforço global — O Governo está trabalhando em um grande plano de ação para abordar a questão juntos aos mercados e prepara uma campanha internacional baseada em informações científicas. “Temos condições de exportar nossa produção para 162 países. Não é possível que pensem que não temos alimentos seguros para a nossa população”, observa Tereza Cristina. Nem sempre o agro tem sucesso na missão de transmitir uma percepção adequada do trabalho realizado aos públicos interno e externo, conclui o presidente da Abag. “Já estivemos reunidos com os ministérios da Agricultura e das Relações Exteriores para falarmos sobre a monotonia na defesa do agro. O setor privado está empenhado nisso. Estamos em um momento decisivo para modificarmos a percepção sobre o setor e, para isso, precisamos de uniformização da informação e do trabalho em parceria sobre questões como, por exemplo, o ataque ao desmatamento ilegal”, complementou.

Nessa mesma linha de pensamento, o deputado federal Alceu Moreira, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), defendeu articulação entre os agentes para esclarecimento sobre fatos e fakes. “Precisamos de salas de comunicação nas embaixadas para termos conversas diferenciadas com cada país ou região do mundo”, relatou.

Atenção ao futuro — O Congresso da Abag de 2019 teve como tema “Agro: Momento Decisivo”. Entre os outros assuntos que foram debatidos nos painéis estiveram a importância da redução do Custo Brasil, os mecanismos financeiros de apoio ao setor e os pilares para o futuro do agronegócio, painel em que foi abordada, entre outras questões, a infraestrutura. Para o professor Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral, é preciso pensar no tema de maneira mais estratégica e menos como projetos. Ele citou que os custos da função logística representam 12,37% do faturamento bruto das empresas no Brasil, de forma geral. Para os empreendimentos do agro, no entanto, esse valor sobe para 21,7%.

Desse total, 42% são representados pelo transporte de longa distância, enquanto 18% estão relacionados à armazenagem. “Nos Estados Unidos, 40% são representados pela armazenagem. Nós produzimos e temos que escoar rapidamente”, constatou.

O mercado chinês e as relações do gigante asiático com o Brasil foram apresentadas pelo executivo-chefe da Cofco International, Jingtao “Johnny” Chi. Uma das maiores tradings de commodities do mundo, a empresa projeta um incremento médio de 5% ao ano nas importações de soja do Brasil nos próximos cinco anos. Em 2018, a companhia adquiriu 13 milhões de toneladas de grãos e oleaginosas do País. “Nossa parceria com o mercado brasileiro é muito importante pela relação de oferta e demanda existente”, sustentou o executivo, que acredita em uma aproximação cada vez mais forte entre os dois países, que são integrantes do BRICS. A questão ambiental é de fundamental importância para a Cofco, salienta Chi. Segundo ele, a China vem investindo na recuperação de florestas trabalhando com formas de compensação aos produtores. “Temos muito a fazer nessa área. Precisamos pensar no equilíbrio entre crescimento econômico, proteção ambiental e competitividade.

*A Granja esteve no evento a convite da Abag