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CAFÉ Mercado mantém-se sob pressão de ampla oferta global

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Lessandro Carvalho - [email protected]

O mercado internacional que café se manteve sob a pressão da ampla oferta global em agosto. Até o dia 22, as cotações do arábica na Bolsa de Nova York, que baliza a commodity, se mantinham abaixo da importante linha de US$ 1 por libra-peso (contrato dezembro). O forte ritmo das exportações brasileiras tem sido fundamento determinante para os preços serem pressionados. O Brasil, maior produtor e exportador, fechou a temporada 2018/19 (julho/junho) com embarques recordes de 41,1 milhões de sacas (somando café verde e industrializado). E em julho, primeiro mês da temporada 2019/20, o País manteve embarques pujantes, de 3,2 milhões de sacas. O fato de o período ser de verão no Hemisfério Norte, quando se consome menos bebidas quentes, contribuiu para limitar movimentos de recuperação nos preços. Com uma oferta tranquila e o consumo em ritmo moroso, o cenário é confortável para os compradores. A comercialização da safra 2019/20 (julho/junho) chegou a 43% até 20 de agosto, segundo Safras & Mercado. As vendas estão adiantadas em relação ao ano passado, quando 38% da safra 2018/19 estava comercializada até então. A comercialização está também acima da média dos últimos cinco anos, que é de 37% para a época. Com isso, já foram comercializadas 25,09 milhões de sacas, de uma safra 2019/20 de 58,9 milhões de sacas.

MILHO Mercado brasileiro não aceita baixas de agosto

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Arno Baasch - [email protected]

Apesar da forte correção nos preços do milho na Bolsa de Chicago em agosto, com consequente forte queda nos níveis de porto do Brasil, o mercado interno resiste às pressões equivalentes no interior. As exportações seguem em ótimo ritmo, com setembro superando 3 milhões de toneladas. A lógica interna continua centrada no fluxo de embarques e nas decisões de venda pelo produtor. Um bom ritmo de venda de soja em agosto com certa paralisação ou estagnação da comercialização no milho. Produtores ainda focam um quadro altista para o milho neste segundo semestre, já têm boa parte da safrinha vendida e apostam em algum fator à frente para um movimento de alta. Um desses fatores segue sendo o fluxo de exportações. Com mais de 5 milhões de toneladas já embarcadas em agosto e com fila para 8 milhões no mês se caminha para um novo recorde mensal. Setembro amplia os compromissos de embarque para níveis superiores a 3 milhões de toneladas. Dessa forma, as atenções seguem voltadas para outubro a janeiro, período que definirá o tamanho da exportação de 2019. A recente desvalorização do real pode ser importante para alinhar novas vendas do Brasil para o último quadrimestre do ano, mas, sem vendas pelo produtor, esse fluxo pode ser comprometido. A partir de setembro, o clima e o plantio da safra de verão 2019/20 assumem a sua participação no mercado interno do semestre.

ARROZ Dólar alto e necessidade de importação dão força ao preço

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Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de arroz mostrou uma leve recuperação nos últimos 30 dias. Na média do Rio Grande do Sul, principal referencial nacional, a saca de 50 quilos valia R$ 43,54 no dia 21 de agosto, alta de 0,81% em relação a igual período de julho. Mas ainda 1,17% inferior frente ao mesmo período do ano passado. Conforme o analista de Safras & Mercado Gabriel Viana, as seguidas altas do dólar frente ao real nos últimos pregões, voltando a ultrapassar a barreira de R$ 4,00, trouxe suporte aos preços do arroz no mercado doméstico. “Como é sabido pelo mercado, o Brasil necessitará de uma importação de aproximadamente 1,8 milhão de toneladas”, lembra Viana. Boa parte dessa importação deverá vir de países parceiros do Mercosul, como Paraguai, Argentina e Uruguai. “Com a desvalorização do real, os custos de importação se elevam e dão força aos preços do arroz produzido internamente, com indústrias precisando elevar as ofertas de preços para garantir a compra do produto nacional e não depender de importação”, explica. Até o final de julho, o Brasil importou 473 mil toneladas e exportou 606 mil toneladas. “Já superando o previsto”, lembra Viana. “Para este ano, considerando que as variáveis disponíveis estejam certas, é necessário um déficit comercial (importar mais do que exportar) de 1,2 milhão de toneladas”, pondera. fevereiro

ALGODÃO Mercado doméstico estanca tendência de queda

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Rodrigo Ramos - [email protected]

O mercado brasileiro de algodão estancou a tendência de queda na segunda metade de agosto, apesar de ainda acumular perdas nos últimos 30 dias. No Cif do polo industrial paulista, a pluma era cotada a R$ 2,43 por libra-peso em 21 de agosto, com alta de 0,5% em relação à véspera. Em relação a igual período do mês anterior, o recuo acumulado ainda era de 5,9%. E, frente a igual momento do ano passado, a queda era de 24,6%. No Fob exportação de Santos/SP, a pluma fechou a 61,62 centavos de dólar por libra-peso no dia 21. Esse valor era 2,8% superior ao do contrato de dezembro/19 na Ice Futures. Depois de atingir a mínima em 57,26 centavos de dólar por libra-peso em 5 de agosto, as cotações na Ice Futures lateralizaram e vem testando a resistência de 60 centavos de dólar por libra-peso. No mesmo período, o dólar saiu de R$ 3,96 para próximo de R$ 4,03. “Esses movimentos permitiram que os preços domésticos encostassem na paridade de exportação e interrompessem a tendência de baixa que havia iniciado em julho de 2018”, explica Bento. A melhora da competitividade brasileira pode ser vislumbrada no Índice Cif Bremen divulgado no dia 21. O produto brasileiro foi indicado a 75,50 centavos de dólar por libra-peso colocado no porto alemão, contra 75,75 dos Estados Unidos, 76,75 centavos dos países da África francesa e 76,75 centavos dos integrantes da ex-URSS.

SOJA USDA corta estimativa de safra dos EUA em 2019/20

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Dylan Della Pasqua - [email protected]

O relatório de agosto do Usda indicou safra americana de soja abaixo do relatório anterior e também menor que a estimativa do mercado. Os estoques de passagem também foram cortados para a temporada 2019/20. A produção 2019/20 está estimada em 100,15 milhões de toneladas. O mercado esperava uma safra de102,95 milhões de toneladas. Para 2018/19, a previsão foi mantida em 123,6 milhões de toneladas. Os estoques finais em 2019/20 estão projetados em 20,55 milhões de toneladas, enquanto o mercado apostava em número em torno de 22,26 milhões. Para 2018/19, o USDA elevou sua projeção de 28,6 milhões para 29,1 milhões de toneladas.

O mercado apostava em 29,09 milhões de toneladas. O relatório projetou safra mundial de soja em 2019/20 de 341,83 milhões de toneladas. Os estoques finais estão estimados em 101,74 milhões de toneladas, enquanto o mercado esperava 106,2 milhões de toneladas. Em julho, a previsão era de 104,5 milhões. A projeção do USDA aposta em safra americana de 100,2 milhões de toneladas, contra 104,64 milhões previstos em julho. Para o Brasil, a previsão é de uma produção de 123 milhões de toneladas, e a Argentina deverá produzir 53 milhões. A produção em 2018/19 teve sua projeção indicada em 362,85 milhões de toneladas. Os estoques finais foram elevados de 113 milhões para 114,5 milhões de toneladas. O mercado apostava em número de 113,4 milhões de toneladas.

TRIGO Mercado brasileiro se preocupa com clima

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Gabriel Nascimento - [email protected]

O mercado brasileiro de trigo encerrou agosto avaliando três aspectos importantes tanto para a comercialização como para a produção e o desenvolvimento da cultura. Segundo o analista de Safras & Mercado Jonathan Pinheiro, o primeiro e mais importante é o clima. As principais regiões produtoras vêm sendo atingidas por baixas temperaturas e formação de geadas, gerando apreensão conforme as lavouras se desenvolvem para fases mais suscetíveis a perdas por essas intempéries climáticas. “A oscilação cambial na Argentina, devido à instabilidade política relacionada às eleições no país vizinho, gera certa apreensão aos compradores nacionais, devido ao incremento dos custos de importação para o Brasil, já que a Argentina é nossa principal fornecedora de trigo. Junto a isso, é importante avaliar a desvalorização do real frente ao dólar, passando dos R$ 4,00 atualmente, corroborando para a tendência de elevação dos custos de importação”, analisou. Conforme Pinheiro, em um cenário de elevação cambial na Argentina e no Brasil, os custos de importação tendem a crescer significativamente. Além disso, um cenário de quebra de safra mais representativa no Brasil pode levar a uma elevação do preço do trigo nacional, além dos espaços criados para elevações, pelas paridades de importação.