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Muitos negócios à vista na tradicional feira

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A 42ª edição da Expointer, em Esteio/RS, de 24 de agosto a 1º de setembro, promete também tecnologia e inovação aos produtores gaúchos e de outros estados e até países

A mais tradicional das feiras agrícolas brasileiras, a Expointer, em sua 42ª edição, de 24 de agosto a 1º de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio/RS, promete apresentar a produtores, pecuaristas, gestores e empresários rurais muitas novidades em tecnologias para o campo. Além de propiciar muitos negócios em máquinas, animais e serviços. O evento é promovido pela Secretaria Estadual de Agricultura, com o apoio de diversas entidades, como a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Sistema Farsul) e o Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (Simers). O titular da secretaria, Luis Covatti Filho, comemora a participação de expositores estrangeiros, o que sempre foi tradicional no evento, até por isso o seu caráter histórico de internacionalização. “Esta dos Unidos e Inglaterra, por exemplo, estão voltando a participar da Expointer depois de muitos anos ausentes”, exemplifica. “Feiras agropecuárias como a Expointer constituem-se importante ponto de encontro de produtores rurais e sua atualização em relação às últimas tecnologias adotadas no setor, bem como oportunidade para a realização de negócios como compra de máquinas e implementos.”

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Covatti Filho: Estados Unidos e Inglaterra, por exemplo, estão voltando a participar da Expointer

Naturalmente, as comercializações de máquinas terão relação direta com o clima econômico do campo no Rio Grande do Sul. “As principais culturas de verão produzidas no Estado, que são arroz, milho e soja, vêm batendo recordes de produtividade ano a ano, graças ao trabalho e à tecnologia adotada pelos produtores gaúchos”, destaca Covatti Filho. “No entanto, especial atenção deve-se dar aos custos de produção, sendo que estes aumentaram muito nos últimos anos no caso da soja, por exemplo.” No que se refere à safra de verão 2019/20, a expectativa do secretário é que se tenha um leve aumento na produção de soja e milho, desde que as condições climáticas colaborarem. “Sendo assim, levando em consideração todos os fatores internos e externos para a próxima safra, acredita-se em uma boa comercialização na Expointer”, estima. E complementa: “A pecuária gaúcha vem demostrando avanços nas últimas décadas, embora ainda tenha muito espaço para desenvolvimento. O Estado ganhou muito em genética, e esse ganho pode ser associado à pesquisa e ao auxílio das associações de raça que trabalham incessantemente no aprimoramento e na qualificação dos animais.”

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Claudio Bier: a Expointer é a grande feira do segundo semestre

Lançamentos — O presidente do Simers, Claudio Bier, lembra que o setor de máquinas está “otimista”. “Porque a Expointer é a grande feira do segundo semestre (no Brasil). No primeiro, temos diversas feiras, mas a grande feira do segundo semestre é a Expointer, e, pela sua visibilidade, é onde todas as empresas concentram seus grandes lançamentos. Então, por si só, é uma feira que chama muitos clientes”, avalia. Bier ressalta, ainda, que, no ano passado, as vendas já foram excelentes; no início do ano, variou entre um bom e um momento mais lento em razão de problemas com as linhas de financiamento, mas que, agora, há um equacionamento da situação. “O agricultor absorveu bem o aumento das taxas de juros e existe dinheiro”, comemora, referindo-se ao Plano Agrícola e Pecuário 2019/2020 (PAP). E acrescenta que os bancos estão com “excesso de dinheiro”. “Isso tudo nos traz uma certa esperança de que venhamos a vender, no mínimo, uns 10% a mais do que a feira do ano passado”, estima.

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Marchesan: há recursos para investimentos, os produtores estão motivados e são muitas as tecnologias

João Carlos Marchesan, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), prevê que a edição da feira será uma das “melhores”, por três razões: há recursos para investimentos, os produtores estão motivados e são muitas as opções em tecnologia disponibilizadas pelas empresas de máquinas e equipamentos. “Os custos (de produção da lavoura) estão elevados, mas estão compensando”, avalia. “O setor cresceu muito nos últimos anos e continuará crescendo”, analisa Marchesan, e lembra que houve crescimento das vendas nas recentes feiras de Cascavel/RS (Show Rural Coovapel) e Não-Me-Toque/RS (Expodireto Cotrijal). O dirigente prevê que a taxa Selic vai baixar até o final do ano, o que facilitará a liberação de recursos dos bancos privados e cooperativos ao campo, dinheiro extra a se somar ao oficial, disponibilizado pelo PAP. Além disso, ele avalia que a safra será volumosa, ao mesmo tempo em que a economia brasileira em 2020 vai melhorar, o que resulta em mais empregos e mais consumo de alimentos – o que favorece a agropecuária.

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Schardong: a agricultura está com alguns problemas, com perspectivas de um novo endividamento

Farsul: cautela nos projetos — Já o diretor administrativo da Farsul, Francisco Schardong, revela que as expectativas são positivas, mas a feira está no contexto de um ano de “pontos de interrogações”. “O momento é de um pouco de transição. A agricultura está com alguns problemas, com perspectivas de um novo endividamento”, descreve. O dirigente esclarece que, ao pensar em aquisições de máquinas, cabe ao produtor um “projeto bem feitinho”, ver o que realmente precisa e ter um “pouco de paciência” nos projetos para saber se são realmente necessários. Schardong descreve que a lavoura de arroz está “muito penalizada”, que precisa de uma “cirurgia sem anestesia por parte do Governo”, visto o endividamento e o custo alto. Enquanto a soja apresenta alguns problemas de endividamento na Zona Sul do Estado, em razão da produção pequena e dos custos altos, região essa orizícola que está rotacionando com a oleaginosa. “Essa passagem com a lavoura de arroz está sendo um pouco delicada. Tem muita gente abandonando o arroz e entrando na soja”, relata. E, segundo o dirigente, a pecuária passou por fase negativa, mas está reagindo, sobretudo o boi gordo, assim como em genética são esperadas boas vendas, sobretudo para outros estados.