Comeia Viva

Produtores e apicultores juntos pelas abelhas

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O Movimento Colmeia Viva, iniciativa do Sindiveg, presta orientações sobre como conciliar os cultivos – muitos, dependentes da polinização – com a apicultura, sem dano para nenhuma das atividades

Engenheira-agrônoma Rhaissa Michievicy, integrante da equipe técnica do Colmeia Viva no Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg)

Incentivar o diálogo entre agricultores e criadores de abelhas para que, juntos, possam encontrar caminhos para uma relação que valorize o seguinte: a proteção racional dos cultivos, o serviço de polinização realizado por abelhas, a proteção das abelhas e do meio ambiente e o respeito à apicultura. Esse é o objetivo do movimento Colmeia Viva, cuja missão é promover o uso correto de defensivos na agricultura brasileira para proteger os cultivos e contribuir na garantia do direito básico de alimentação das pessoas, respeitando a apicultura, protegendo as abelhas e o meio ambiente.

O Colmeia Viva está sob a governança do Sindicato Nacional das Indústrias de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), uma vez que o setor reconhece seu papel na construção de uma relação mais produtiva entre agricultura e apicultura e na proteção das abelhas, e quer ser reconhecido como incentivador deste diálogo, visto que introduz no campo um produto que deve ser usado para proteger as culturas. Uma das prioridades deste movimento é um Plano Nacional de Boas Práticas, voltado à prevenção da mortalidade de abelhas e mitigação de incidentes, baseado na disseminação de boas práticas de uso de defensivos e na formalização do pasto apícola entre agricultores e apicultores. O Rio Grande do Sul integra as áreas-foco na implantação deste plano em razão da relevância na região agrícola em produção do mel e no uso dos defensivos agrícolas, além de ter relatos relacionados à perda de abelhas. Foi inclusive escolhido para sediar a 5ª edição do Colmeia Viva Diálogos, uma das iniciativas do movimento, realizada no Estado no ano passado.

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Rhaissa: “Cultivos dependentes de polinização por abelhas, se não são polinizados, podem ter uma redução na produção de 40% a 100%”

Plano Nacional de Boas Práticas — Para a implantação deste Plano Nacional de Boas Práticas estão iniciativas de boas práticas. Um exemplo é um manual com mais de 70 dicas de práticas agrícolas e apícolas. Outro é o Guia da Agricultura Amigável às Abelhas, voltado aos agricultores. Com ele, é possível que os agricultores saibam como proteger a cultura das pragas sem causar danos às abelha, que estão entre os principais agentes polinizadores. Entretanto, não são todas as culturas que dependem da polinização realizada por abelhas. Os cultivos conseguem se desenvolver com a ajuda do vento e de outros animais, ou até por meio de outros processos reprodutivos.

O conceito de dependência de polinização na agricultura está ligado a quanto certo cultivo depende da polinização para alcançar todo o seu potencial produtivo, não só em quantidade, mas também em qualidade. Cultivos dependentes de polinização por abelhas, se não são polinizados, podem ter uma redução na produção de 40% a 100%. Cultivos beneficiados pela polinização podem perder entre 10% e 40%. Já os cultivos não dependentes de polinização, não são muito afetados pela falta de visita de abelhas.

Para o agricultor, saber se sua cultura é dependente ou beneficiada pela polinização vai ajudar a tomar medidas no campo com o objetivo de usufruir do valor da polinização na agricultura, ganhando um aumento da produtividade e qualidade, e da polinização na biodiversidade. Identificando a época de florada e as abelhas que visitam a sua cultura, por exemplo, é possível evitar a aplicação de defensivos agrícolas na época da florada. Ao pulverizar fora da época de florada, as abelhas podem polinizar tranquilamente sua cultura.

Além disso, identificar as plantas atrativas para a abelha, além da sua cultura e cultivar plantas melíferas nos arredores da propriedade. Se sua cultura for classificada como não dependente de polinização, será possível definir medidas de manejo agrícola com objetivo exclusivo de proteger as abelhas. No site do Colmeia Viva há uma lista com mais de 80 culturas agrícolas e a taxa de dependência de polinização.

Já para o criador de abelhas, conhecer o conceito de dependência de polinização vai ajudá-lo a definir melhor onde instalar seus apiários, quais os recursos florais são de melhor qualidade e mais atrativos para as abelhas e, também, o local que as abelhas estão menos expostas à aplicação de defensivos. Outra recomendação importante é a formalização do pasto apícola entre agricultores e criadores de abelhas, preferencialmente com os produtores rurais no raio de dois a três quilômetros de cada apiário, uma vez que é a capacidade de voo das abelhas.

Em caso de dúvidas, o Colmeia Viva Assistência Técnica – 0800-771-8000 é uma linha direta que esclarece dúvidas e compartilha as boas práticas para a prevenção e a mitigação da mortalidade de abelhas e que atende agricultores, criadores de abelhas, aplicadores de defensivos, distribuidores, revendedores e equipes de vendas das empresas signatárias. Exclusivo para agricultores, criadores de abelhas, aplicadores, lojistas e fabricantes de defensivos agrícolas. Funciona todos os dias, das 7h às 19h, para todo o Brasil. O manual completo com as mais de 70 dicas e práticas e o Guia da Agricultura Amigável às Abelhas estão disponíveis para download em www.colmeiaviva. com.br, assim como mais informações sobre o Colmeia Viva.