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Lavoura monitorada e sob controle

O monitoramento nas fases pré-plantio e pós-emergência do cultivo aliado ao tratamento de sementes protege as plantas de patógenos e pragas, e garante o estabelecimento inicial do estande

Engenheira-agrônoma Marina Vasconcellos, pesquisadora da Fundação Rio Verde, de Lucas do Rio Verde/MT

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Da esquerda para a direita, danos de lagartas iniciais na cultura da soja, a lagarta elasmo investindo contra plantas e plantas de soja emergindo sendo atacadas por Spodoptera

O maior aliado do produtor no manejo de pragas iniciais na lavoura é o monitoramento e o acompanhamento das áreas de semeadura com a detecção das mesmas no início da infestação, e consequentemente, sua evolução. Dessa forma, pode-se adotar medidas de controle de acordo com as espécies, quantidade e o tamanho das pragas presentes na lavoura. A emergência uniforme das plantas e o bom desenvolvimento são fatores extremamente importantes para a determinação do potencial produtivo da cultura da soja. Após a germinação e a emergência, as plantas de soja estão expostas ao ataque de pragas e doenças que podem estar presentes no ambiente.

O monitoramento pré-plantio e pós-emergência do cultivo aliado ao adequado tratamento de sementes garante o estabelecimento inicial do mesmo, protegendo as plantas de patógenos e pragas. Existem muitas pragas que atacam as plantas em seu estágio inicial, no entanto, nem todas têm importância econômica ou causam danos severos. Entre as que têm preocupado os produtores estão as vaquinhas (Diabrotica speciosa e outras espécies), a lagarta-elasmo ou broca-do-colo (Elasmopalpus lignosellus), a lagarta-rosca (Agrotis ipsilon), as lesmas e também Spodoptera spp. e Helicoverpa spp. O manejo dessas pragas deverá ser realizado antes mesmo da semeadura da soja através de monitoramento e vistoria na palhada e no solo para detectar a presença no seu início. Dependendo do resultado desse monitoramento, por via de regra, deve-se optar pelo tratamento de sementes, e o controle em parte aérea poderá ser realizado através de pulverização de inseticidas nos primeiros estádios de desenvolvimento da cultura, através de produtos registrados para esse tipo de manejo e de acordo com o monitoramento.

Entre os métodos de amostragem que podem ser utilizados no monitoramento dos insetos e seus danos nas grandes culturas, pode-se citar amostragem de solo, pano de batida e uso de armadilhas luminosas e de feromônios. A amostragem do solo deve ser realizada antes da semeadura para detectar se há pragas subterrâneas presente no solo, pois o ataque destas em sementes e plântulas recém-emergidas pode acarretar perdas severas. É realizado abrindo trincheiras de 15 a 30 centímetros de profundidade e por 30 centímetros de largura, e observando a presença de pragas nesse solo.

Entre as pragas iniciais, as principais que atacam as culturas da soja, do milho e do algodão há a lagarta-rosca e a lagarta-elasmo. Essas pragas também são encontradas em diversas plantas daninhas que servem de hospedeiras. O dano causado pela lagarta-rosca é pelo corte de plântulas rente ao solo e se alimentando das folhas, raízes e sementes. A lagarta-elasmo perfura o caule próximo à superfície do solo ou logo abaixo, e faz galerias no caule provocando amarelecimento, murcha e morte das plantas, podendo se alimentar das sementes e de raízes. No milho também ocorre a larva-alfinete (Diabrotica speciosa), que ataca as raízes, interferindo na absorção de nutrientes e água, reduzindo a sustentação das plantas.

O monitoramento com uso do pano de batida, utilizado principalmente na cultura da soja para o monitoramento de lagartas e percevejos, deve ser realizado nas horas mais frescas do dia, quando os insetos estão com menor mobilidade. Constitui-se de um tecido branco medindo um metro de comprimento preso por duas varas e estendido entre duas fileiras de plantas. Posteriormente, as plantas de um lado das linhas devem ser sacudidas vigorosamente sobre o pano e verificado os insetos que caíram. É recomendado fazer esse procedimento em vários pontos da lavoura para se ter uma compreensão de quais são as áreas atingidas e quais as pragas presentes.

As lagartas dos gêneros Spodoptera e Helicoverpa são as maiores causadoras de danos na soja, pois atacam no início da fase reprodutiva da cultura, se alimentando das folhas, e, posteriormente, atacam as vagens das plantas. A Spodoptera frugiperda vem se tornando uma importante praga para a cultura em função da diversidade de hospedeiros e provavelmente pelo aumento de plantio de cultivares de milho transgênico. Os ataques mais intensos têm ocorrido em áreas no Cerrado, associado a períodos mais secos. Na fase vegetativa da cultura, as S. fugiperda são encontradas no solo com comportamento semelhante à lagarta-rosca, cortando as plântulas rente ao solo, podendo, assim, reduzir o estande de plantas causando perdas de produtividade. No milho, o monitoramento dessa praga é feito quantificando as plantas atacadas, sendo que, para plantas de milho com até 30 dias de emergência, o nível de dano econômico é de 20% de plantas atacadas, e para plantas entre 40 e 60 dias de emergência é de 10%.

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Marina: “Quando não se utiliza o monitoramento na lavoura, pode-se pulverizar a lavoura sem necessidade, desperdiçando o produto e a operação

Percevejo do milho — Na cultura do milho, o monitoramento para o percevejo barriga-verde, praga-chave da cultura, deve ser realizada pelo produtor antes mesmo da semeadura, pois, na soja, já se observa aumento de sua população no final do ciclo, passando, na sequência, para a cultura do milho, sendo, assim, um problema sério na fase inicial do desenvolvimento do milho. Dependendo da idade das plantas e da intensidade de infestação de percevejo, os danos causados podem ser desde sintomas leves, como perfurações nas folhas, até promover alterações fisiológicas, prejudicando o vigor e podendo causar a morte de plantas, reduzindo o estande da lavoura.

O uso de armadilhas para o monitoramento de pragas é a maneira mais fácil e menos onerosa para a identificação das pragas presentes na lavoura. Existem vários modelos de armadilhas entomológicas, entre as quais, armadilhas com feromônios, as luminosas e adesivas. Indicam quando temos a presença da praga e pode-se iniciar o controle e também pode contribuir para a redução de populações de pragas. Da mesma maneira que as outras formas de monitoramento, esta deve ser colocada em vários pontos da lavoura.

As armadilhas do tipo delta consistem em uma “casa-triângulo”, com um piso adesivo no qual com um distribuidor de feromônios, cada espécie possui um específico, para atração de lepidópteros. Devem ser instaladas em uma altura média de 1,7 metro do solo. Os adultos masculinos são atraídos pelo feromônio e entram na armadilha onde ficam colados no piso. As armadilhas luminosas são utilizadas para atração e captura de insetos que possuem atividade noturna. E também as armadilhas adesivas que são placas de cores variadas de tamanho geralmente de 25 x 10 centímetros, possuindo cola dos lados. Os insetos-pragas são atraídos pela cor e ali ficam presos.

Desperdícios — Quando não se utiliza o monitoramento na lavoura, pode-se pulverizar a lavoura sem necessidade, desperdiçando produto e a operação, elevando seus custos de produção, além de ser necessário refazer a aplicação quando as pragas-alvo atingirem o nível de controle ou acabar pulverizando a lavoura quando a praga ultrapassou o nível de dano econômico e, consequentemente, causou algum dano irreversível. A adoção de ações de manejo integrado de pragas é fator fundamental para o equilíbrio do sistema, buscando associar produção com qualidade e sustentabilidade do sistema. Para isso, é importante que se conheça as características, a biologia, o comportamento e os danos causados pelas pragas em cada sistema produtivo. A adoção de técnicas de monitoramentos adequadas para cada momento é fundamental. As estratégias de controle devem ser adotadas considerando, além do potencial de danos, as consequências de suas interações com as demais práticas. Por isso, a atenção para as pragas iniciais que podem destruir a semente em processo de germinação ou até mesmo as plântulas de soja, o que acarretará na redução de estande (número de plantas por unidade de área) ou afetar o desenvolvimento das plantas, necessita ser redobrada.

UPL no XVI Enfrute

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A UPL levou o conceito do programa Pronutiva ao XVI Encontro Nacional sobre Fruticultura de Clima Temperado (Enfrute), no mês passado, em Fraiburgo/ SC. “Nosso objetivo é levar aos produtores informações e conhecimento sobre o programa Pronutiva, que integra o uso de soluções para proteção de cultivos com as mais modernas tecnologias de biossoluções”, explica o gerente de Marketing para os mercados de HF e culturas perenes da UPL Brasil, João Mancine. “As tecnologias de biossoluções incluem produtos biológicos e de nutrição inovadora, além dos fisioativadores, que estimulam as plantas a se desenvolverem com mais vigor, produtividade e qualidade”, destaca. O programa Pronutiva garante, ainda, o positivo gerenciamento de resíduos pelos produtores. “Nossa proposta é cuidar de todo o ciclo de cultivo de forma integrada, com soluções que contribuam para a melhor saúde vegetal das plantas”, destaca o gerente de HF e culturas perenes da UPL Brasil.

FMC: parceria para o 12º CBA

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Assim como em todas as edições anteriores, a FMC participa do 12º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), de 27 a 29 de agosto, em Goiânia/ GO. A companhia levará toda a equipe técnica para garantir o suporte aos cotonicultores em relação ao seu portfólio de produtos e serviços, além de ouvir as demandas e considerações dos clientes, e conferir as tendências do setor. “Construímos todos juntos a história do algodão brasileiro e queremos reconhecer as pessoas e as empresas que ajudaram a transformar o País nesse ‘gigante do algodão’ que hoje ele é”, explica o gerente de Produto da FMC, Adelino Thomazini. O executivo reforça que o evento também será uma boa oportunidade para a FMC expor sua capacidade de pesquisa e desenvolvimento de produtos inovadores que ajudam a agricultura brasileira a evoluir. “Aumentamos a nossa capacidade de gerar inovação e prover novas soluções para todas as culturas agrícolas.”


“O principal diferencial da Rotam é a excelência em qualidade”

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Vitor Raposo, executivo de Marketing da Rotam do Brasil

Quais são os diferenciais da Rotam do Brasil no segmento de defensivos?
O principal diferencial da Rotam é a excelência em qualidade. Desde a escolha dos fornecedores e processos, bem como na análise de todas as etapas de produção. Desde a síntese até o envase e logística. Essa qualidade é refletida em produtos de alta performance e percebida pelos distribuidores e usuários do nosso portfólio.

Quais os mais recentes lançamentos da empresa e o que esses produtos agregam ao produtor rural? Neste ano, a Rotam lançará o Freno, herbicida seletivo à base de Clethodim para o controle das plantas infestantes nas culturas da soja, algodão e feijão. É um importante aliado do agricultor, pois Freno controla com muita eficiência o capim-amargoso, mesmo o resistente a glifosato.

E quais são os projetos, os planos da empresa para esta safra de verão e para as próximas na agricultura brasileira? No que tange ao portfólio, planejamos introduzir uma linha de nutrição de plantas, com produtos inéditos e disruptivos, que, através de novos mecanismos de ação, irão propiciar aos cultivos destinados a expressão do seu máximo potencial produtivo, em melhor qualidade, além de maior rentabilidade aos agricultores.

O que significa para a empresa o recente credenciamento junto ao Ministério da Agricultura de sua estação experimental em Artur Nogueira/SP? Internamente, podemos ter o desenvolvimento de novas moléculas e combinações para soluções mais abrangentes e complexas, reduzindo tempo, incrementando velocidade, acuracidade e blindagem de todos os processos. A certificação da estação faz parte de um programa mais amplo, o CRO (Contract Research Organization), programa global da Rotam que visa à prestação de serviços para novas companhias entrantes, às quais ofereceremos trabalhos customizados, desde um simples ensaio agronômico de eficácia até um programa de manejo sustentável para as culturas-alvo.

Quais são os resultados e os planos para a edição 2020 da ação de relacionamento “Malas Prontas para a China”? Este é o programa de relacionamento da Rotam que premia os clientes com uma viagem à China. Trata-se do mais simples e justo programa de CRM do mercado. Meritocracia: define-se uma meta quantitativa de volume do portfólio Rotam, e, ao atingir ou superar, o cliente é contemplado. Em 2019, levamos 18 pessoas, entre distribuidores, agricultores e a equipe da empresa. Pudemos conhecer as instalações da Rotam na China, desde as modernas fábricas de agroquímicos totalmente em conformidade com as rígidas normas de produção até os laboratórios GLP, a fábrica de embalagens, a estação experimental e a fábrica de drones. Vimos também palestras com especialistas chineses sobre suprimento (sourcing, procurement and supply), a fim de entendermos melhor a dinâmica de agroquímicos do país que supre 85% da demanda mundial. Os resultados excederam a expectativa, e, para 2020, já são 128 clientes inscritos no programa. E planejamos levar mais de 40 pessoas com clientes da Latam, a fim de ampliar a experiência e proporcionar um evento multicultural.