Mecanização

TRATORES: relação regulagem & manutenção com vida úti

Mecanização

Além de executar melhor o trabalho, a correta utilização da máquina gera economia de combustível, o que promove melhor custo operacional e, portanto, mais lucro ao seu dono. Para tanto, é preciso sempre seguir as orientações e as recomendações do fabricante

Eder Pinheiro, coordenador de Marketing do Produto Tratores da Massey Ferguson; Saulo Ginak, coordenador de Marketing de Produtos da Massey Ferguson; Kazuo Nunes, especialista em Marketing de Tratores da Massey Ferguson; Juan Paulo Barbieri e Gustavo Oliveira dos Santos, consultores técnicos da Base Assessoria Agronômica

DivulgaçãoAo longo dos anos, o conceito de trato-rista foi substituído por operador de máquinas, atribuindo a esse profissio-nal, além da função de movimentar o equipa-mento, fazê-lo de forma correta, consciente, segura e de acordo com uma programação pré-estabelecida. A preparação e a manuten-ção correta de um trator agrícola constituem operações simples, mas necessárias para a conservação da máquina e o prolongamento de sua vida útil. A manutenção pode ser divi-dida em corretiva ou preventiva. Na corretiva, a troca das peças acontece após a quebra. Já a preventiva segue um calendário pré-estabele-cido pelo fabricante e informado no manual do operador, que deve estar sempre à mão, e pode ser diária (10 horas), semanal (50 h), mensal (200 h), semestral (500 h) ou anual (1.000 h). Esse procedimento se divide em lubrificações, ajustes, troca de peças e fluidos, e proteção contra agentes nocivos.

Para aumentar a vida útil do motor, ve-rifique diariamente o nível de óleo e corrija quando necessário, com o mesmo produto e conforme recomendação de fábrica. Algumas marcas já indicam o número de horas para a próxima manutenção no painel de instrumentos. Os novos tratores incorpo-ram novas tecnologias, e a temperatura de trabalho dos sistemas é muito importante para a sua máxima eficiência. O número de radiadores e a potência dos motores variam, mas, em geral, a manutenção do sistema de arrefecimento é simples e se aplica a todos da mesma forma.

A limpeza externa é muito importante, pois o acúmulo de impurezas nas colmeias e aletas dos radiadores dificulta a circulação do ar e pode provocar superaquecimento no motor e nos demais sistemas. Motores inter-culados possuem ainda radiador para resfriar o ar de admissão do propulsor. Para manter a temperatura constante do diesel, alguns fabricantes usam um radiador no retorno do combustível ao tanque, isso aumenta a eficiência do sistema. Em tratores cabinados, existe o condensador do ar-condicionado, que deve ser higienizado com ar comprimi-do ou jatos d’água no sentido inverso ao do fluxo de ar. Observe o nível do líquido de arrefecimento e complete quando necessário.

É preciso drenar diariamente a água e as impurezas do sistema de alimentação, e substituir o filtro, observando sua situação e seguindo a tabela de recomendação do fabri-cante, para que o motor não perca a potência e consuma mais combustível. Ao final da jornada de trabalho, realize o abastecimento para evitar a condensação de umidade no interior do tanque à noite devido à queda de temperatura. Filtros descartáveis devem ser substituídos quando o indicador acusar restrição. Não retire a peça, a não ser para a troca, pois pode danificar a vedação e, com isso, comprometer a vida útil do motor. Em filtros que permitem a limpeza, o número de vezes que esta pode ser feita depende do fabricante, mas, em geral, o filtro secundário admite até cinco limpezas. Para limpá-lo, faça batendo com as mãos ou no pneu do trator, sem machucar a vedação.

Em manutenções periódicas, verifique o nível de óleo da transmissão e a redução final, complete caso necessário. O nível bai-xo faz com que os sistemas trabalhem com deficiência, provoca o superaquecimento e acelera o desgaste. É importante fazer a substituição dentro dos prazos estabelecidos pelo fabricante, pois, com o tempo de traba-lho, o lubrificante perde suas características originais. Para facilitar a visualização, alguns fabricantes estão substituindo as varetas por visores na carcaça do trator, e, assim, o produtor tem um maior controle da situação.

A lastragem influencia o desempenho de um trator e evita desgastes prematuros, a compactação do solo e o consumo excessivo de combustível. O procedimento consiste em adicionar ou retirar pesos no trator para garantir a estabilidade, a aderência e a capa-cidade de tração, de acordo com a operação que será realizada, ou seja, observando peso (kg) por potência (cv). Uma maneira simples de descobrir se a lastragem está correta é 39observando os rastros deixados no solo. A lastragem hidráulica consiste na adição de água nos rodados; na lastragem metálica, são adicionados fluidos na parte frontal do trator e nas rodas traseiras, massas metálicas de aço ou ferro fundido.

Mecanização

A lastragem – adição ou retirada de pesos para garantir a estabilidade, a aderência e a capacidade de tração – influencia o desempenho e evita desgastes, compactação do solo e consumo excessivo de combustível

Cálculos — Em tratores 4x2 com tração dianteira auxiliar (TDA), o avanço cinemá-tico tem o intuito de corrigir a diferença de diâmetro entre as rodas dianteiras e traseiras, em que o eixo dianteiro deve girar com uma rotação maior que o de trás. A faixa ideal, segundo a literatura, é de 1% a 5%. Quando os valores estiverem abaixo de 1%, a TDA perde eficiência de tração; em acima de 5%, há um desgaste excessivo dos pneus diantei-ros e possível causa de Power Hop (galope).

Um método prático e rápido para o cálcu-lo do avanço cinemático é medir cinco voltas completas das rodas dianteira e traseira, com a tração ligada e, após, com ela desligada em um solo firme. Para isso, basta, fazer uma marca de giz nos pneus dianteiros e traseiros, selecionar uma marcha baixa e acionar o bloqueio do diferencial. Para contar o ponto inicial do número de voltas, quando a marca tocar o solo, coloca-se uma estaca marcando esse ponto. Ao final da quinta volta, marca-se esse ponto com uma estaca, como feito anteriormente. Após isso, medir a distância entre as duas estacas e aplicar os valores conforme a equação a seguir:

Ao tracionar implementos, deverá, obri-gatoriamente, ocorrer patinagem dos rodados dos tratores. A patinagem serve como um es-cape em caso de esforço excessivo por parte do trator. A patinagem recomendada para tratores 4x2 TDA é de 8% a 15%. Quando os índices de patinagem são maiores que 15%, passa a ocorrer perda da eficiência de tração e o maior desgaste dos pneus. Para calcular a patinagem na propriedade, marque uma distância de 50 metros e conte o número de voltas com o trator realizando operação, e, após, o número de voltas sem carga, ou seja, com o implemento erguido. A fórmula para cálculo da patinagem é a seguinte:

Outro ponto importante que influencia a capacidade de tração do trator e que deve ser observado é a distribuição de peso, no qual, em tratores 4x2 TDA, a concentração de peso no eixo dianteiro deve estar situada entre 35% e 40%. Para aferir, basta utilizar uma balança rodoviária, e auferir o trator inteiro e, posteriormente, o eixo dianteiro. A porcentagem de peso é a distribuição estática. A utilização correta de uma máquina agrícola pode gerar uma significativa economia de consumo de combustível e, portanto, menor custo operacional e maior lucro, por isso, é essencial a realização correta da manutenção, obedecendo os períodos e as recomendações estipuladas pelo fabricante.