Soja

Tecnologias INOVADORAS= altos rendimentos

Soja

Floss: “A evolução do rendimento da soja dependerá de um conjunto de tecnologias inovadoras de manejo”

Na lavoura de soja, o aumento da produtividade é a consequência direta do desenvolvimento de inovações pela pesquisa, sobretudo, pela adoção dessas tecnologias pelos produtores. E, em tempos de “agricultura da informação”, não chega a ser difícil saber o que deve (ou não) ser feito na lavoura. Neste artigo, um guia do alto rendimento

Eng. Agr. Dr. Elmar Luiz Floss, professor e diretor do Instituto Incia [email protected]

A produção de grãos de soja é a que mais cresceu no mundo (701%), passando de 45 milhões de toneladas, em 1976, para um recorde de 360,58 milhões na safra 2019 (estimativa do USDA, abril de 2019). No Brasil, a produção evoluiu, no mesmo período, de 11,227,1 milhões para 113,823,4 milhões (+913,8%). O rendimento no Brasil aumentou de 1.749,8 quilos/hectare, na safra 1976/1977, para 3.162 quilos em 2018/2019 (+80,7%), conforme estimativa da Conab (abril, 2019). No Brasil, é a cultura principal em área cultivada, produção e geração de divisas na exportação (mais de US$ 40 bilhões em 2018). E, graças à disponibilidade de farelo de soja (proteína), o Brasil bate recordes na exportação de carne suína (4º maior exportador) e de frangos (2º maior).

O aumento do rendimento/produtividade é o resul-tado do desenvolvimento de novas tecnologias pela pesquisa, pública e pri-vada, à sua difusão, mas, especialmente, devido à adoção dessas pelos produ-tores rurais. Essa evolução no rendimento deve-se às diferentes revoluções tec-nológicas implementadas nos últimos 50 anos, como a calagem, a adoção do sis-tema plantio direto, o uso de cultivares transgênicas, a adubação equilibrada (ma-cro e micronutrientes), a maior eficiência no controle de plantas daninhas, pragas e moléstias, e, finalmente, o advento do uso das fer-ramentas da agricultura de precisão.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), em 2050, a popula-ção mundial será de, apro-ximadamente, 9,4 bilhões de pessoas (entre 2019 e 2050, a população mundial aumentará o equivalente a dez populações brasileiras). Para atender a essa deman-da, além de disponibilizar alimentos para mais de 1 bilhão de habitantes que ainda sofrem com fome, endêmica ou epidêmica, e, especialmente, a mudança no hábito alimentar que está ocorrendo, a produção de alimentos deverá ser de 50% a 60% superior à atual. Devido à questão da obesidade, está ocorrendo uma redução no consumo per capita de alimentos energéticos (cereais, bata-tas e outros) e aumento do consumo de carnes, espe-cialmente carne suína e de frango. Significa aumento na demanda de grãos de soja e milho. Para atender a essa necessidade, a FAO estima que, em 2050, a demanda será de 600 mi-lhões de toneladas de soja e 1,5 bilhão de toneladas de milho. Como a safra esti-mada de soja neste ano é de 360,58 milhões de tonela-das, até 2050, deverá haver um aumento na produção da ordem de 240 milhões.

Essa produção de soja deverá ser obtida com um aumento do rendimento/produtividade de 70%, aumento da área cultivada de 20%, e uma redução nas perdas de colheita, trans-porte e armazenamento de 10%. Portanto, o maior desafio é o aumento do rendimento, que depende da utilização de inovadoras tecnologias de manejo da cultura.