Agricultura 4.0

AGRISHOW 2019: INTEGRAÇÃO

Agricultura

Estive, mais uma vez, partici-pando da Agrishow neste ano e, como anteriormente, procu-rei captar a principal mensagem dessa feira no desenvolvimento tecnológico e em soluções para a agricultura. Nesse sentido, a principal mensagem que a feira me trouxe em 2019 foi a da in-tegração. Inicialmente, gostaria de destacar aos leitores sobre a plataforma BDCA (Banco de Dados Colaborativo do Agricul-tor), um projeto de iniciativa da Associação Brasileira da Indús-tria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) que, segundo o mate-rial de divulgação fornecido no local da apresentação, significa o seguinte: “Um banco de dados multimarcas, com propósito de integração dos dados gerados por equipamentos e sensores de todos os fabricantes, sendo que a liberação do acesso aos dados é autorizada pelo agricultor”.

Em outras palavras, se um agricultor tiver, em sua propriedade, diferentes marcas de tratores e implementos, estes poderão se comunicar facilmente (tipo plug and play), e os dados gerados pelas operações agrícolas, bem como aqueles das recomendações agronômicas, serão automaticamente armazenados e facilmente acessadas pelos produtores ou seus consultores, em uma única plataforma. Evita-se, assim, a necessidade de transferências manuais de arquivos (o que, por si só, é uma grande fonte de erros e perdas de dados), a transformação de tipos de arquivos (extensões) de acordo com a marca do fabricante e a dependência do uso de sistemas computacionais complexos, de visualização e análise de dados, que, em muitos casos, foram desenvolvidos para outras finalidades. Quem já tentou capturar dados e gerar informações das operações agrícolas, como mapas temáticos e suas correlações, de forma manual e de diferentes fabricantes, sabe bem a dificuldade que isso apresenta.

Obviamente, o BDCA representa uma quebra de paradigma da situação atual de independência de como os dados das operações agrícolas são construídos e armazenados entre os diferentes fabricantes. De qualquer forma, essa proposta tem como finalidade facilitar o trabalho do agricultor/consultor e garantir a privacidade dos dados, sendo o produtor o dono de seus dados e de suas informações.

Outro ponto que me chamou bastante a atenção – e, desde já, gostaria de parabenizar as empresas pela iniciativa – foram os espaços criados por estas em seus estandes para a integração com empresas de serviços agrícolas. Algumas já consolidadas no mercado e outras ainda como startups, mas com ideias e soluções bem criativas para a evolução tecnológica e sustentável da agricultura. Muitos foram os casos observados dessa ação.

Sem dúvida, é um movimento interessante e importante, com vistas à ampliação pelas grandes empresas em soluções integradas de serviços aos seus clientes, de forma a auxiliá-los ainda mais no seu processo de produção agrícola. Por outro lado, essa integração de empresas de máquinas e implementos já consolidadas, servindo de guia (“madrinhando”) para médias e pequenas empresas de serviços, constitui, também, uma oportunidade ímpar para inovar e alavancar seus negócios.

Engenheiro-agrônomo, mestre e doutor em Produção Vegetal, pesquisador em Nematologia Agrícola e de Precisão em Proteção de Plantas, professor e diretor da Fatec Shunji Nishimura